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4. Teoretisk rammeverk

7.3 Bruk av vikarer gir mindre risiko for virksomheten

7.4.2 Dannelsen av et norsk prekariat?

O método dos textos paralelos (ou análise de textos paralelos) consiste na comparação sistemática de textos, escritos em diferentes línguas, que sejam comparáveis ou considerados paralelos, devido a uma série de características. De acordo com a definição de Spillner (2005: 278): “[...] a análise de textos paralelos foi entendida como a comparação de textos independentes, provenientes de línguas diferentes, tematicamente idênticos e comparáveis do ponto de vista da situação comunicativa” 64.

Segundo o autor, esse método de análise passou por várias transformações ao longo dos anos, e nas pesquisas mais atuais é bastante utilizado, quando o corpus é composto por textos de uso específico (gebrauchsspezifisch/ gebrauchssprachig) ou textos do cotidiano, como bulas, currículos, receitas culinárias, e-mails, notícias de jornal, anúncios de emprego, entre outros que fazem parte das atividades rotineiras.

Hartmann (1981: 202) esclarece que a noção de textos paralelos – tanto o conceito quanto o procedimento de análise – foi desenvolvida para programas de treinamento de tradutores e intérpretes, e surgiu pela primeira vez no final da década de 50, se tornando muito popular na década seguinte. Após esse início, os textos paralelos não só mantiveram os fins didáticos, como também se tornaram uma base empírica importante para a comparação tipológica e estilística de quaisquer pares ou grupos linguísticos. Algumas das razões que levaram os textos paralelos a esse status metodológico são o fácil reconhecimento dessa condição nos textos e a simples aplicabilidade nos corpora de pesquisas comparativas, além da vantagem de favorecerem e assegurarem a comparação de elementos que efetivamente são comparáveis entre si.

Tendo em vista os objetivos deste trabalho, o método dos textos paralelos será utilizado como base metodológica da análise, com o apoio dos apontamentos de Hartmann (1980; 1981) e Spillner (1981; 2002; 2005), que foram os percursores da Textologia Contrastiva, e também os primeiros a empregar e adaptar o método aos propósitos das pesquisas comparativas de textos.

Conforme abordado no capítulo 2 desta dissertação, a Textologia Contrastiva é uma subdisciplina da Linguística Contrastiva, e seu principal objetivo é realizar a comparação interlingual, sincrônica ou diacrônica, no âmbito do texto ou do discurso, de modo que sejam analisados elementos de ordem comunicativo-pragmática, principalmente. Dependendo do

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[...] unter der Paralelltextanalyse wurde die Vergleichung von unabhängig in unterschiedlichen Sprachen entstandenen, thematisch identisch, situativ vergleichbaren Texten verstanden.

corpus selecionado, a pesquisa em Textologia Contrastiva passa a ter objetivos ainda mais específicos, por exemplo, quando se pretende comparar a realização de um mesmo gênero em duas ou mais línguas diferentes, como é o caso desta análise. A comparação interlingual de gêneros textuais inclui a análise de elementos pragmático-culturais, além daqueles ligados à comunicação.

A base para uma investigação desse tipo vem da definição de gênero adotada para o estudo, conforme apresentado no capítulo 1. Essa definição de gênero está de acordo com o que Spillner (2005: 283) propõe e indica como adequada aos procedimentos que envolvem os textos paralelos. Para o autor, é fundamental considerar que os gêneros são “atos comunicativos cotidianos, monolíngues e, até um determinado grau, específicos de uma cultura e convencionalizados” 65. Por causa disso, o autor ressalta a facilidade em trabalhar com gêneros textuais no método dos textos paralelos, já que cada cultura ou cada língua possui modelos textuais constantes, porém mais ou menos diferentes em relação a outras culturas ou línguas; isso faz com que, sobretudo os gêneros do dia-a-dia, apresentem formas comparáveis.

Hartmann (1980) e Spillner (1981) definem três tipos de textos paralelos que podem formar o corpus de pesquisas em Textologia Contrastiva, embora haja uma pequena divergência entre os dois. Para Hartmann (1980: 37-38), o primeiro tipo de textos paralelos é aquele em que os textos estão claramente relacionados no conteúdo e na forma, sendo, portanto, resultado de uma tradução – mesmo que tenha sido necessário realizar uma série de aproximações, por meio das quais o texto da língua de partida se torna estilisticamente apropriado ao seu equivalente na língua de chegada, como em traduções técnicas e literárias – ; o segundo tipo de texto paralelo é composto por adaptações, ou seja, textos que não estão em relação direta de tradução, uma vez que sua mensagem passa por reformulações alternativas de ordem linguística ou de conteúdo, a fim de atingir às expectativas de determinado grupo com um background cultural diferente ou condições socioculturais específicas de uma comunidade ou mesmo de um Estado, como é o caso de panfletos turísticos, peças de publicidade e textos de legislação; o terceiro tipo de texto paralelo identificado por esse mesmo autor são os textos equivalentes na situação comunicativa, ou seja, foram produzidos em diferentes línguas, por diferentes culturas e talvez até em contextos diferentes, mas possuem uma temática similar e condições de produção semelhantes, como local, objetivo

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routinemässige Mitteilungshandlungen, die einzelsprachig und bis zu einem gewissen Grad kulturspezifisch konventionalisiert sind.

comunicativo e público-alvo, de modo que é possível comparar suas características linguísticas, como ocorre em discursos políticos, notícias de jornal e bulas, por exemplo.

A diferença na classificação dos tipos de textos paralelos desenvolvida por Spillner (1981: 241) é que as traduções são consideradas parte de uma categoria que não corresponde ao grupo de textos paralelos e, portanto, não poderiam ser incluídas nas análises da Textologia Contrastiva; nesse caso, a análise se resumiria à comparação de unidades linguísticas menores, como o léxico, a frase, os fraseologismos, ou seja, segmentos mais curtos do texto. Entretanto, em publicação de 2005, o autor já admite, embora criticamente, que a comparação de traduções pode abordar também diferenças linguístico-textuais, como diferentes relações de coesão, diferentes soluções tipográficas ou de organização das informações no texto, relação entre autor e leitor, estrutura argumentativa, relações referenciais etc. (SPILLNER, 2005: 280). Contudo, tanto no artigo de 1981, quanto no capítulo de 2005, o autor define os gêneros textuais (e não as traduções) os como uma categoria de textos paralelos, diferentemente de Hartmann, que considera as traduções como uma categoria também.

Nesta pesquisa, os textos paralelos que compõem o corpus são exemplares do gênero ‘bula de medicamento’, produzidos em dois contextos linguístico-culturais distintos (Alemanha – língua alemã e Brasil – língua portuguesa do Brasil). Os exemplares do corpus não são traduções, mas, por pertencerem ao mesmo gênero textual, possuem intenção comunicativa idêntica e, por isso, são considerados comparáveis (ou paralelos).

De acordo com o tipo de textos paralelos que se pretende comparar, há tipos de análise mais adequados. Segundo levantamento realizado por Spillner (2005: 280-282), os cinco tipos de análise possíveis são: comparação de traduções, quando textos estão em relação direta de tradução; comparação de adaptações, quando os textos estão em relação de paratextualidade, na qual o texto de chegada sofreu mudanças de informação, alterações semânticas ou modificações sintáticas com relação ao texto de partida, tendo em vista públicos ou culturas diferentes; análise de paródias ou recriações literárias, na qual é analisada, principalmente, a intertextualidade interlinguística; comparação de textos equivalentes na situação comunicativa, na qual é analisada, além da interculturalidade, a homologia comunicativa e o contraste de exemplares de um gênero textual para estudar as convenções pragmáticas e intenções de comunicação, como no caso desta pesquisa. Uma das vantagens da escolha da comparação de gêneros é que os resultados obtidos a partir daí despertam não só interesse teórico de outras vertentes da Linguística, como a Linguística Textual e a Linguística Contrastiva, mas também interesse prático para a Linguística aplicada. Nesse último caso, o procedimento metodológico estabelecido para a comparação dos exemplares de um gênero

deixa-se facilmente combinar com outros métodos de análise, dependendo dos objetivos da pesquisa, como, por exemplo, a combinação da Textologia Contrastiva com o conceito de compreensibilidade e seus próprios procedimentos de análise, proposta neste trabalho.