No início - a comercialização era efetuada sem nenhuma informação sobre mercado. Assim,
os frutos de pupunha eram comercializados diretamente nas feiras livres, pequenos supermercados e varejistas em Rio Branco e Porto Velho. Da mesma forma, a polpa de cupuaçu era vendida à sorveterias, lanchonetes e pequenos supermercados.
A partir do ano de 1998 a comercialização ganha impulso. São visitados vários clientes em todo brasil e o Reca começa a participar ativamente de feiras. Assim, participa da Feira de Produtos Agroflorestais do Acre – Flora, Feiras de negócios do Sebrae em todo Brasil, Feira de Produtos da Amazônia – organizada pelo Grupo de Trabalho Amazônico – GTA, Ministério do Meio Ambiente – MMA e várias ONGs, de várias redes de comercialização solidária de produtos de pequenos produtores como a Rede de Comercialização de Pequenos Agricultores – Recopa, Tucumã e, membro de várias bolsas de comercialização, com destaque para a Bolsa de Produtos Amazônicos e por meio de cooperativas e associações de produtores parceiras, como a Cooperativa Central de Produtores do Estado do Acre – Coopec e Associação dos Produtores Alternativos de Ouro Preto do Oeste – APA. Tornou-se membro
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA – UnB
CENTRO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – CDS 138
de uma rede de comercialização de produtos agroflorestais entre pequenos produtores de países da Amazônia Ocidental, envolvendo Peru. Bolívia e Brasil.
A partir de 1998 o Reca estabelece uma rede de representantes em todo o Brasil, o que agiliza o processo de comercialização de seus produtos agroflorestais.
Cupuaçu e Açaí – entre os anos de 1992 e 1997 a comercialização de polpa de cupuaçu era
feita, principalmente, nos mercados de Porto Velho e Rio Branco. Com o aumento da demanda e da produção de polpa de cupuaçu, a partir de 1998 a polpa começa a ser fornecido em larga escala para os mercados de todo Brasil, principalmente do Sudeste e Nordeste. A partir do ano de 1999 o Reca começa a vender polpa de açaí aproveitando-se da mesma estrutura de comercialização da polpa de cupuaçu.
A partir de 1997 o Reca dá início à produção de semente fermentada (seca) de cupuaçu, vendendo para várias indústrias de chocolate do sudeste. A partir do ano de 2002 a venda despenca, não por um problema de mercado, mas pelo melhor preço obtido com a venda de óleo retirada da semente de cupuaçu.
A partir de 2001 o Reca começa a produzir e comercializar o óleo (manteiga) de semente de cupuaçu. Seus principais compradores são a Natura e a Cognis, empresas de produção de cosméticos, produtos químicos e alimentícios.
A torta de semente de cupuaçu, sub-produto da extração de óleo, começa a ser vendida para indústrias alimentícias do centro-sul a partir do ano de 2002.
Palmito de pupunha – entre os anos de 1995 e 2001, a comercialização de pupunha de
palmito era efetuada no próprio Reca e nos mercados de Rio Branco e Porto Velho, visto a baixa produção de palmito processado. A maior parte da produção do campo era comercializada diretamente pelo produtor com pequenas fábricas de palmito localizadas em Nova Califórnia, Extrema, Rio Branco e Porto Velho.
Com a instalação da planta definitiva de palmito de pupunha, a partir do ano de 2002 o Reca passa a beneficiar toda produção dos associados e vender a produção nos mercados locais e nacionais. A partir do ano de 2004, o Reca fecha um contrato com a APA para comercialização conjunta de palmito de pupunha para França.
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA – UnB
CENTRO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – CDS 139
Sementes de pupunha – já a partir dos ano de 1995 a venda de frutos in natura começou a
cair, uma vez que o preço alcançado pela semente de pupunha tornava desvantajoso sua comercialização. Os frutos foram estão sendo despolpados na propriedade para a retirada de sementes e envio à unidade de beneficiamento no Reca, onde é realizada a seleção, tratamento e comercialização. Essa comercialização é vendida para produtores individuais, prefeituras, associações de produtores, governos estaduais e empresas, localizados em todo Brasil.
Como mencionado na trajetória de acumulação de competência tecnológica, a semente de pupunha destina-se aos plantios para produção de palmito, tendo como principais compradores os Estados de São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso e Rondônia.
Não existe nenhum representante comercial para a comercialização da semente. Os compradores entram em contato direto com o Reca por meio de informações obtidas de técnicos, instituições e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa (onde há o registro de autorização do Reca como fornecedor de semente de pupunha para palmito).
Outros produtos – uma série de produtos de fabricação caseira produzidos, principalmente
pelas mulheres, como por exemplo, licor, geléia, doce, de frutos de araçá-boi, cupuaçu, artesanatos diversos e outros, são comercializados na lojinha do Reca localizada junto à sede na Vila Nova Califórnia.
As parcerias com o Mlal, Pesacre, Embrapa, ANAC e APA, foram de fundamental importância para o acesso ao mercado e comercialização da produção agroflorestal.
Veja no Quadro 3 a trajetória de produção e comercialização dos principais produtos do Reca.
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA – UnB
CENTRO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – CDS
141
Quadro 03 - Produção dos sistemas agroflorestais e agroindústrias do projeto Reca – 1995-2004.
Semente de pupunha (kg) ANO Fruto de Cupuaçu (kg) Polpa de Cupuaçu (kg) Semente de Cupu Ferment. (kg) Óleo de Cupuaçu (kg) Torta de Cupu (kg) Farinha de Pupunha (kg) Produção de Pupunha (haste) Produção de Palmito Beneficiado (kg) Frutos de Açaí (latas) Polpa De Açaí (kg)
Lisa Mista Espinho
1995 155.000 50.856 1.200 7.000 1996 192.881 66.539 2.370 9.800 1997 166.174 77.000 4.000 3.500 60.000 4.715 15.300 1998 361.036 120.345 15.000 4.000 160.000 6.855 19.500 1999 535.187 151.979 23.300 7.000 20.000 2000 415.927 129.643 28.000 350.000 1.142 8.000 9.578 18.754 2001 814.445 184.597 44.458 14.819 500.000 120 845 7.747 2.978 2002 799.285 196.300 11.516 10.335 30.823 57.863 16.229 6.010 42.075 14.904 2.807 151 2003 968.083 270.748 28.000 11.433 118.286 27.687 123,5 808 30.654 3.508 484 2004 870.104 200.726 121.350 40.450 80.900 160.000 64.301 1.909 14.200 31.116 540 Fonte: RECA (2005).
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA – UnB
CENTRO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – CDS
141
4 APRENDIZAGEM TECNOLÓGICA E ORGANIZACIONAL NA
INSTITUIÇÃO
Neste capítulo realiza-se uma introdução sobre o histórico da região e do Reca e uma caracterização geral da entidade. Descreve-se as trajetórias da acumulação de competência organizacional e os processos de aprendizagem subjacentes a essas trajetórias, além da análise da influência do processo de avaliação na gestão institucional.
O período analisado começa nos anos de 1970 e vai até o ano 2004. A primeira etapa abrange os anos de 1970 até 1988, restringindo-se a uma caracterização e análise histórica, visando o entendimento do processo de evolução produtiva e institucional seguinte, mas que não será utilizado para efeito de análise das questões levantadas pelo estudo. A segunda etapa analisa o Reca desde sua fundação no início dos anos de 1989 até 2004, com a caracterização temporal da entidade e descrição do acúmulo de competências, desde a fase de implantação e absorção inicial até a fase de expansão e consolidação.