5. Proposta d’investigació
5.2. Desenvolupament dels resultats
5.2.2. Joc de la dècada dels 70
5.2.2.1. Tipus de joc: nines
Vislumbrar a trajetória de mulheres paraenses na seara política, campo predominantemente masculino, impõe entraves na percepção da atuação feminina. Considerando-se o campo politico marcado pela presença masculina, pelas relações de poder e domínio que asseguram ao gênero masculino visibilidade. Nessa area de atuação, a exclusão das práticas femininas que assim como nas demais áreas públicas, não são reconhecidas ou referendadas. Assim, ao longo do processo histórico, o ambiente sociocultural paraense ocultou o trânsito da mulher pelo espaço público e a reafirmação de que a relação mulher e política são excludentes, pela contínua representação do lugar social do homem vinculado ao espaço público e o lugar social da mulher ao espaço privado do lar, como lócus específico da atuação feminina.
Luzia Álvares (1990), em sua pesquisa acadêmica referente à atuação política de mulheres no cenário paraense, de forma mais focalizada na cidade de Belém no período entre 1910-1937, identificou que, as mulheres paraenses desde as primeiras décadas do século XX transitam pelo espaço social, cultural, artístico e cinematográfico, em decorrência do dinamismo urbano local relacionado ao “boom” da borracha, aos ideários da Belle Époque e dos ideais norteadores do Estado republicano.
Neste período histórico, a nível nacional são identificadas mulheres “descoladas” da representação tradicional de ser mulher e que passam a transitar entre o espaço doméstico e o espaço público. Mulheres, ainda que vistas pela sociedade pelo foco das representações “marginais” do gênero feminino, se localizam em diferentes espaços sociais: doméstico, profissional, social, político.
No estado do Pará, no decorrer da Primeira República, a representação feminina perpassa pela condição “submissa”, “passiva” e, do “Lar”. No entanto, grupos de mulheres localizadas no segmento médio, oriundas de famílias “abastadas”, iniciam sua inserção nos espaços “políticos/partidários”. Mulheres que se tornaram sujeitos-objetos de estudo na Dissertação da Professora Luzia Álvares (1990). Mulheres que passaram a integrar as “Ligas
e Legiões” femininas, que atuaram como “forças auxiliares” das agremiações partidárias, e das lideranças políticas. Daí, neste cenário, uma atuação invisível do feminino, embora considerada importante, pois, as mulheres atuavam no contato direto com os eleitores e na prestação de serviços assistenciais, como suporte ao atendimento dos interesses das lideranças políticas, a quem se vinculavam. Entre 1912 a 1921, a localização desse grupo de mulheres nas Ligas Femininas Lauro Sodré e ou Antônio Lemos e, posterior a esse momento, a participação feminina de forma indireta seja pelo apoio à familiares e amigos envoltos no movimento de 1930 e, com a vitória deste movimento, a inserção de muitas mulheres na Legião Magalhães Barata.
Segundo Álvares (1990), as mudanças políticas verificadas no país e no estado do Pará, interferiram nos “retratos de mulher” pela emergência de mulheres atuantes no cenário político, embora num ativismo político distanciado do processo de emancipação do feminino, relacionado à luta por direitos da mulher presentes em outros estados brasileiros que seguiam as bandeiras de lutas da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino organizado desde 1922 sob a liderança de Berta Lutz. Entretanto no Pará, um grupo de mulheres, começou aganhar visibilidade no cenário político local. Entre estas mulheres, a advogada e jornalista Orminda Bastos.
Um acontecimento que ecoa na cidade de Belém e no estado do Pará, através do apoio da advogada e jornalista paraense Orminda Bastos: A sociedade paraense presenciou o debate sufragista desde a década de 1920. Em 1923, Orminda Ribeiro Bastos, advogada e jornalista, posicionam-se através da imprensa, desenvolvendo os pontos positivos e negativos que ela considerava essenciais nas reivindicações do movimento emancipacionista instalado no sul do país, através da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Faz conferência para a Liga Cooperativa das Operárias de Fábricas, enfatizando a necessidade de instrução como ponto fundamental para a ascensão da mulher na luta pelos seus direitos políticos (ÁLVARES, 2011, GEPEM, UFPA).
No “Movimento de 1930”, as mulheres paraenses participaram de forma indireta, apoiando, se solidarizando a familiares e amigos envoltos naquele movimento. Embora sendo notório que toda aquela movimentação estivera associada ao avanço liberal burguês, que possibilitara, naquele momento, os discursos de reformas políticas, entre elas, o direito do votofeminino.
Em 12/06/1931, um grupo de mulheres paraenses, Corina Pegado, Cloris Silva, Elmira Lima, Feliz Benoliel de Cavaco, Joanita Machado e Marieta Campos são as representantes das mulheres paraenses no 2º Congresso Feminista do Brasil. E, a partir da participação de mulheres paraenses neste evento, ocorreram em Belém várias reuniões com vistas a
organização do movimento sufragista e em 21/06/1931, é instalado em Belém, o Núcleo Paraense pelo Progresso Feminino diretamente vinculado a organização nacional coordenada por Berta Lutz.
Álvares (2011), em suas análises sobre a participação feminina nos meandros da política local, reconhece como fatores facilitadores desse engajamento político, a condição social, a interferência política e intelectual das mulheres que assumiram a direção desta associação feminista em Belém. Assim, identificam-se entre as sufragistas, mulheres da classe média, mulheres letradas e com reconhecimento social.
Do registro dos nomes das sufragistas paraenses à frente da associação feminista, identificam-se mulheres com expressão no meio das letradas: Elmira Ribeiro Lima, jornalista, militante e conferencista espírita, (tia de Orminda Ribeiro Bastos); Feliz Benoliel de Cavaco, espírita, descendente de judeus, professora de piano (casara-se com o jornalista gaúcho Carlos Cavaco, contrariando a orientação familiar e étnica); Corina Pegado, filha do sindicalista Luiz Martins e Silva (solicitante, em 1929, do seu alistamento eleitoral, indeferido pelo Juiz Federal paraense). Desse grupo, pode- se identificar, ainda, Cloris Silva, espírita (ligada à Confederação Espírita "Caminheiros do Bem" dirigida por Elmira Lima), professora primária, exercendo atividades no Instituto Vieira (das professoras Joventina e Hilda Vieira); Helena Souza, professora de piano, do Instituto Carlos Gomes, jornalista, líder católica. O nível de classe destas mulheres é da camada social média, letradas, com livre acesso na imprensa e facilidade de oratória (ÁLVARES, 2011, GEPEM-UFPA).
Na organização inicial do Núcleo Paraense pelo Progresso Paraense é criada uma diretoria provisória, formada pelas seguintes participantes:
O Núcleo Paraense pelo Progresso Feminino é instalado oficialmente em 21 de junho de 1931, constituindo-se uma diretoria provisória sendo indicada Presidente de Honra a esposa de Justo Chermont, Izabel Justo Chermont. Os demais cargos são ocupados respectivamente pelas organizadoras do movimento: Presidente: Elmira Lima; Vice: Ana Leopoldina Borges Pereira; 1ª Secretária: Cloris Silva; 2ª Secretária: Antonina Prado; 3ª Secretária: Feliz Benoliel de Cavaco; Diretoras: Olímpia Martins, Helena Souza, Marieta Campos, Juanita Machado, Pétala Pfaender, Ester Nunes Bibas, Maria da Costa Paraense, Dolores Nunes; Tesoureira: Olga Paes de Andrade; colaboradoras: Hermínia Flávia de Miranda, Maria de Jesus Marques Alves, Carmem Rodrigues de Souza, Edith Barriga Cavalcante, Clara Martins, Zuleika de Carvalho Nobre, Ana Fonseca e Antonia Rodrigues de Souza (ÁLVARES, 2011, GEPEM-UFPA).
Na primeira organização do Núcleo Paraense pelo Progresso Feminino, encontramos Ester Nunes Bibas, como participante deste núcleo feminista. Uma posição que outorga o lugar de mulher engajada politicamente na defesa dos direitos da mulher, neste momento, num processo de efetiva participação de mulheres paraenses, que se destacaram na luta pelo direito do voto feminino. Ester Nunes Bibas tornou-se uma das ativas participantes, fazendo- se presentes nas passeatas realizadas em Belém, cujo, o objetivo era tornar público o
manifesto de mulheres em defesa do voto e da participação política, como afirma Jaime Bibas (2017), baseado em lembranças sobreevento,
O Movimento sufragista defendido por esse segmento de mulheres provocou junto a comunidade belenense posições e contraposições ao direito do voto e a participação feminina na vida política. Movimento que ganhou destaque na imprensa local, que passou acompanhar e divulgar as reuniões deste grupo e todos os encaminhamentos do Núcleo Paraense relacionados à valorização da mulher paraense.
Neste direcionamento, Elmira Lima, presidente deste Núcleo publica o artigo: “Mulher, A Caminho!” no jornal Folha do Norte e neste referido texto é traduzido o papel social da mulher em meios às diferenças e desigualdades presentes na sociedade:
Patenteiam-se as diferenças existentes entre homens e mulheres desde a educação realizada no lar paterno, possível fulcro das desigualdades observadas entre os dois sexos. Na perspectiva da presidente do Núcleo é a mulher-mãe, a responsável, pelas rupturas com os desvios de educação, pois, se corrige o modo “autoritário” da filha não há motivo para conservar o "império" do "rei pequeno". Elmira acusa o sexismo que determina comportamentos "agressivos" aos homens e atitudes "delicadas" às mulheres, modos, aliás, vistos como "naturais" na formação dos dois gêneros. O movimento de implantação do Núcleo Feminista é o momento para instigar a mulher a rever sua postura masculinizada de criar diferenças na educação dos seus filhos responsabilizando-a, também, pelas desigualdades sofridas pelo gênero feminino (ÁLVARES, apud, 2011).
A organização feminista neste momento sob a pauta política da defesa do voto feminino, conta com a participação de mulheres com reconhecimento social, ou seja, são identificadas pelo lugar social em que transitam. Assim, são destacadas pela profissão que exercem, como advogadas, jornalistas, professoras, artistas, poetisas e instituições a que pertencem e como pano de fundo, a origem familiar. Entre 1931-1932, período em que o caminhar deste movimento é acompanhado pela imprensa local, a poetisa e professora, Ester Nunes Bibas, se insere entre as mulheres “intelectuais” pela presença na imprensa local, como poetisa e como professora no cenário da educação paraense. Percebemos que Ester Nunes Bibas apresenta uma atuação interligada como poetisa, professora e como política. Uma atuação semelhante a esse grupo de mulheres do Núcleo Paraense Pelo Progresso Paraense, mas não comum a outros segmentos de mulheres da sociedade paraense, ainda incrustadas na redoma do lar. O que transparece que Ester Nunes Bibas e as demais participantes desse movimento político, alçaram voo pela formação, pelo poder da escrita e da fala, e assim puderam problematizar e propor saídas para as mulheres via a educação, formação política para alcance aos direitos se a condição de cidadania, como direito de homens e mulheres.
pelo Progresso Feminino, traça além de um perfil de mulher engajada com os acontecimentos de sua época, aponta um direcionamento político seguido por este grupo, que provocou adesões e contraposições de pessoas e grupos que não viam com bons olhos o empenho e o reconhecimento da atuação feminina no espaço público. Considerando-se que tanto Ester e muitas de suas companheiras de movimento, são casadas, são mães e exercem uma profissão. Assim, a luta pelo voto feminino e sua legitimação, possibilitou a esse grupo de mulheres uma inserção no mundo político e nos espaços de poder oportunizado pelo movimento feminista. O transitar dessas mulheres pioneiras ganhou visibilidade pelo fato desta organização de luta e defesa de direitos da mulher paraense estar vinculado ao movimento nacional liderado por Berta Lutz.
Um movimento que mantém seu destaque até 1936, quando a direção política muda com a instalação do Estado Novo do Governo Vargas, e o movimento sufragista das mulheres sai de cena, momento em que as mulheres passaram a ser arregimentadas como eleitorado feminino pelos partidos e líderes políticos tanto a nível nacional e estadual. O novo cenário político brasileiro e paraense tornou necessário a “conquista” da nova mulher que neste período, se fez sujeito político eleitora e elegível num contexto, em que o Estado Novo impetrou novas formas de legitimação e domínio e o sujeito mulher nesse circuito político, passou a incorporar um novo papel ditado pela nova Constituição Nacional.
No estado do Pará se implanta o governo do Intendente Joaquim de Magalhães Cardoso Barata, e neste governo, mulheres são arregimentadas e tornam-se integrantes da Legião Magalhães Barata.
Segundo o relato do professor Jaime Bibas (2015, 2017), a nomeação desta professora para a Rede Pública de Ensino Primário, se deu em uma audiência pública em que o governador atendia a solicitação do povo paraense. Ester Nunes Bibas ao sair deste encontro com Magalhães Barata com a carta de efetivação para a docência no Ensino Primário público e a partir de então, Ester Nunes Bibas, torna-se “Baratista”, ou seja, se torna apoiadora política do governo local e defende a bandeira política dos novos “ideários nacionalistas” presentes no governo Vargas e no governo de Magalhães Barata, ideários bem demarcado em nos escritos desta autora.
Um cenário político instaurado no país, que reforçou o papel tradicional da mulher e da professora, a quem é delegada a formação do sentimento pátrio da família e da nação brasileira.
3.3.4 Pelos Caminhos da Educação: Normalista, Professora e Escritora de Livros