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Após uma revisão da literatura no campo da metodologia da investigação e de estudos efetuados no âmbito da avaliação na educação pré-escolar, elaboramos um guião de entrevista atendendo aos objetivos (gerais e específicos) do nosso estudo e à informação que pretendíamos recolher. Segundo Amado (2013, p.214) a entrevista deve ser estruturada em termos de blocos temáticos e de objetivos, constituindo esse “instrumento” o que passamos a designar por guião de entrevista. O guião assume-se como um instrumento fundamental que permite orientar e conduzir a entrevista de forma correta. Desta forma, cada vez que o entrevistado se afastar dos objetivos, o entrevistador pode “colocar as perguntas às quais o entrevistado não chega por si próprio no momento mais apropriado e de forma tão natural quanto possível” (Quivy & Campenhoudt, 2003, p.193).

Para a construção do guião de entrevista (apêndice 1) tomamos como referência o modelo proposto por Amado (2013, p.216) onde, através de um quadro são definidos os blocos, os objetivos de cada bloco, as questões orientadoras e as perguntas de recurso e de aferição, conforme o quadro 9:

Blocos Objetivo do bloco Questões orientadoras Perguntas de recurso

e de aferição

Quadro 9 – Modelo do guião de entrevista

Também Estrela (1994, p.345) apresenta como esquema para a elaboração das entrevistas: 1.º Formulação do tema, de forma sintética e explícita; 2.º Definição dos objetivos gerais e 3.º A partir dos objetivos gerais, definição dos objetivos de ordem específica e previsão de estratégias de concretização. A entrevista apresenta-se dividida em blocos aos quais correspondem determinados objetivos. Desta forma, possibilitamos a cada participante/entrevistado a liberdade de falar sobre os conteúdos específicos em estudo, bem como outras questões que considerasse pertinente e que não estavam especificadas no guião. Estas informações adicionais são de extrema relevância pois permitem ao investigador uma maior compreensão das realidades educativas intrínsecas a cada contexto educacional. Ao assumirmos como técnica de recolha de dados a entrevista semiestruturada admitimos as suas potencialidades, pois não respeita com rigor o seguimento das questões nem a linguagem constante do guião.

Para a elaboração do guião de entrevista começamos por definir os blocos/dimensões que consideramos importantes para a nossa investigação apresentando-se estes pela seguinte

CAPÍTULO V – METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO

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ordem: Bloco 1 - Legitimação da entrevista; Bloco 2 – As perspetivas dos educadores face à avaliação na educação pré-escolar; Bloco 3 – Formação dos educadores na área da avaliação; Bloco 4 - As metas de aprendizagem, as práticas de avaliação e as rotinas pedagógicas; Bloco 5 – As metas de aprendizagem impulsionaram um processo de curricularização; Bloco 6 – O papel dos pais face ao desenvolvimento cognitivo das crianças; e Bloco 7 – Síntese reflexiva sobre a entrevista.

Enfatizamos aqui na nossa estrutura o bloco 1, referente à legitimação da entrevista no qual salvaguardamos algumas questões de natureza ética, nomeadamente, agradecer a disponibilidade, explicar os objetivos da investigação, informar sobre o uso do gravador, explicar o modo como decorrerá a entrevista, garantir o anonimato e a confidencialidade dos dados. Neste sentido, procuramos ir de encontro às ideias defendidas por Estrela (1994, p.345) quando refere que “a posição do entrevistador no processo de investigação deverá ser definida, assim como as finalidades e caraterísticas dessa investigação”. Os restantes blocos serviram para guiar a entrevista em direção às temáticas que nos interessava explorar à exceção do último, onde, através de uma questão pessoal, pretendíamos saber a opinião das entrevistadas face à investigação em curso.

Após a clarificação dos blocos/dimensões definimos os objetivos para cada um deles em articulação com os objetivos desta investigação, ou seja, a informação que queremos obter em cada bloco/dimensão. Finalmente, formulamos um conjunto de questões que consideramos pertinentes para recolher a informação necessária com vista a atingir os objetivos iniciais.

Para a utilização adequada deste instrumento de recolha de dados, fundamentamo-nos em vários autores, nomeadamente Ghiglione e Matalon (1997), Lessard-Hébert, Goyette e Boutin (1994), Bogdan e Biklen (1994), Estrela (1994), Quivy e Campenhoudt (1997) e Gómez, Flores e Jiménez (1996). Deste modo, estivemos atentos aos momentos que antecederam o início da entrevista que são considerados de grande importância para que “o entrevistado se descontraia e não se sinta empurrado” (Lessard-Hébert, Goyette & Boutin, 1994, p.165). No decurso da entrevista e, baseando-nos ainda em Lessard-Hébert, Goyette e Boutin (1994, p.166) e tivemos em atenção o papel do investigador inspirado “na escuta ativa: ele fita e encoraja o sujeito”, uma exigência que revela que o “investigador comunica ao sujeito o seu interesse pessoal, estando atento, acenando com a cabeça e utilizando expressões faciais apropriadas” (Bogdan & Biklen, 1994, p.136). A par deste envolvimento pessoal com o entrevistado tivemos em consideração Ghiglione e Matalon (1993, p.98) quando referem que “a linguagem utilizada deve ser clara e

acessível (…) o entrevistado deve ser motivado a responder para que a informação recolhida seja o mais alargada possível”.

As entrevistas foram precedidas por uma experiência piloto11 que nos permitiu entrevistar

duas educadoras de infância a lecionar no contexto de educação pré-escolar, uma pertencente a uma Instituição da rede pública e outra a uma Instituição da rede privada, que reuniam as mesmas caraterísticas das participantes e, como tal, não faziam parte integrante do estudo. A realização destas entrevistas piloto serviram para validar o guião de entrevista e para treino da investigadora pois, como salienta Bisquerra (1989, p.103), “ é importante realizar uma experiência piloto antes de passar às entrevistas definitivas. Isso permite subsanar erros inevitáveis”. Este aconselhamento é dado também por Fox (1987, p.629) quando refere que “a realização de um estudo piloto permite estimar as caraterísticas do instrumento a utilizar na recolha de dados, e, assim, o investigador poder eliminar todas as possíveis ambiguidades nas perguntas formuladas e prever as respostas importantes”.

No caso concreto deste estudo piloto, a investigadora contatou diretamente as duas entrevistadas explicando-lhes os objetivos de investigação, a duração da entrevista, as questões de natureza ética intrínsecas à sua participação e informou, sobretudo, acerca do uso do gravador. Depois de obter respostas favoráveis e de certificar a sua participação voluntária, as entrevistas foram agendadas conforme a disponibilidade das participantes (data, hora e local). As entrevistas foram realizadas no início de janeiro de 2015 e concretizaram-se, por sugestão das entrevistadas, em horário pós-laboral, num local que reunia as condições adequadas para a realização das mesmas. No local só estavam presentes a investigadora e a respetiva entrevistada. Analisaram-se os dados das entrevistas piloto através da audição das entrevistas e da leitura flutuante e conclui-se que havia algumas lacunas quer ao nível da postura da investigadora quer na formulação de algumas questões. Assim, como primeira lacuna verificou-se que a investigadora falava muito rápido sendo necessário moderar o ritmo e a velocidade da voz. A outra lacuna prendeu-se com algumas falhas nas respostas dadas por parte das entrevistadas, isto é, tornou-se pertinente adequar e introduzir algumas questões no guião de modo a obter respostas precisas, concretas e conclusivas face aos objetivos gerais da investigação. Esta ideia é defendida por Fortin, Marcel e Nadeau (2000, p.250) quando referem que “o acrescento ou a retirada de questões pode mostrar-se necessário a fim de satisfazer as exigências da investigação”. Neste sentido, procedemos à introdução de novas questões no guião de entrevista e deste processo resultou o guião da entrevista na sua versão

11 Apêndice 1 – Guião da entrevista piloto

CAPÍTULO V – METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO

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definitiva12. Na realização das entrevistas piloto testamos também o fator tempo, assumindo como

tempo limite, 45 minutos. Da sua análise verificamos que as entrevistas não ultrapassaram este tempo de referência, decorrendo ambas num período compreendido entre os 28 e 35 minutos.

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