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Um dos possíveis caminhos que a pesquisa qualitativa oferece ao pesquisador é o estudo de caso. Para Hood (2009), a pesquisa qualitativa está interessada em material humano rico, real e único, e os estudos de caso fornecem precisamente formas de analisar esse tipo de material.
O autor explicita que, assim como a pesquisa qualitativa e a LA, estudos de caso também tiveram origem em diversas áreas de conhecimento, como a antropologia, a história e a psicologia, e em 1960 começaram a ser utilizados na educação. Até hoje essa forma de fazer pesquisa é marcada pela aplicação de métodos originados em áreas diversas para as preocupações educacionais.
Hood (2009) define, ao citar autores como Stake (1995) e Merriam (1988), que um caso pode ser definido como um “sistema delimitado” ou uma entidade ou indivíduo definido (como um estudante, programa, escola, instituição) que o pesquisador deseja explorar. Portanto, consideramos que este trabalho seja um estudo de caso por termos como foco uma instância específica, participantes do programa CsF que frequentaram cursos do programa IsF no contexto de uma universidade pública no interior do estado de São Paulo.
Para o autor, o estudo de caso pode permitir o aprofundamento que se deseja alcançar sobre determinado objeto de estudo, e é desejável que haja várias fontes e tipos de dados para colaborar com a triangulação de dados. Para Hood (2009), o estudo de caso pode permitir mapear territórios não explorados, trazer para o foco questões antes não vistas e fenômenos não compreendidos, bem como auxiliar a responder questões que estudos quantitativos não puderam responder.
Para Zaidah (2007), estudos de caso permitem que questões complexas sejam exploradas e compreendidas, trata-se de um método de pesquisa robusto que pode ser utilizado quando algo necessita ser analisado de forma holística e profunda. Segundo o autor, uma das razões do reconhecimento dessa forma de pesquisa foi a percepção dos pesquisadores sobre as limitações de métodos quantitativos para a compreensão de problemas sociais e comportamentais. Como afirma o autor, estudos de caso não são exclusividade de uma única área de estudo, tendo sido adotados em campos como sociologia, medicina e direito.
possibilita que um pesquisador examine de perto dados no escopo de um contexto específico. Na maioria das vezes, um método de estudo de caso seleciona uma área geográfica pequena ou um número limitado de indivíduos como sujeitos do estudo. Estudos de caso, em sua essência, exploram e investigam fenômenos da vida real contemporânea por meio da análise contextual de um número limitado de eventos e condições e suas relações.49
Ao citar Yin (1984), Zaidah (2007) destaca que o estudo de caso é uma forma única de analisar determinado fenômeno, e por essa forma única pode-se compreender que somente uma área geográfica pequena ou um número limitado de sujeitos será examinado de forma mais cuidadosa. Enquanto o foco da pesquisa quantitativa está no macro, pode-se considerar que o foco do estudo de caso esteja no micro.
Uma das possíveis críticas aos estudos de caso citadas por Zaidah (2007) é a impossibilidade de fazer generalizações quando o estudo foi pensado de forma a considerar um único caso. No entanto, assim como Hood (2009), a autora discute que uma forma de superar esse problema é a triangulação do estudo para assegurar a validade do processo.
Zaidah (2007) discute a importância do desenvolvimento cuidadoso do estudo de caso e, ao citar Tellis (1997), afirma que o estudo de caso precisa provar que:
1. É o único método viável para elicitar dados implícitos e explícitos dos sujeitos. 2. É apropriado para a pergunta de pesquisa.
3. Segue um conjunto de procedimentos com aplicação apropriada.
4. As convenções científicas usadas nas ciências sociais são estritamente seguidas.
5. Uma cadeia de evidência, seja de forma quantitativa ou qualitativa, é sistematicamente gravada ou arquivada particularmente quando entrevistas ou observação direta realizadas pelo pesquisador são fontes principais de dados.
6. O estudo de caso é relacionado a uma estrutura teórica. (TELLIS, 1997 apud ZAIDAH, 2007, p. 2)50
Dentre as vantagens de estudos de caso mencionadas por Zaidah (2007), consideramos importante citar que o detalhamento que ele produz ajuda tanto a explorar ou descrever dados de ambientes da vida real como a explicar questões complexas que poderiam não ser exploradas da
49Tradução nossa: “enables a researcher to closely examine the data within a specific context. In most cases, a
case study method selects a small geographical area or a very limited numberof individuals as the subjects of study. Case studies, in their true essence, explore andinvestigate contemporary real-life phenomenon through detailed contextual analysis of alimited number of events or conditions, and their relationships.”
50 Tradução nossa: “i. it is the only viable method to elicit implicit and explicit data from the subjects
ii. it is appropriate to the research question
iii. it follows the set of procedures with proper application
iv. the scientific conventions used in social sciences are strictly followed v. a ‘chain of evidence’, either quantitatively or qualitatively, are systematically recorded and archived particularly when interviews and direct observation by the researcher are the main sources of data
mesma forma em pesquisa experimental ou em surveys.51 Algumas das desvantagens mencionadas por Zaidah ao citar Yin (1984) são a falta de rigor que, por vezes, pode ocorrer em trabalhos em que o pesquisador não foi cuidadoso; a falta de fornecimento de base para generalizações já que o número de sujeitos de pesquisa é reduzido; a quantidade de dados produzidos, que pode ser muito grande, porém este só se torna problemático se os dados não são gerenciados e organizados de forma sistemática.
Nunan (1992) retoma algumas definições já feitas na literatura sobre estudos de caso para aprofundar seu entendimento, das quais consideramos importante retomar a de Schramm (1971), que define esse estudo como uma tentativa de iluminar uma decisão ou conjunto de decisões e compreender por que e como foram tomadas e quais foram os resultados. Já a definição de Merriam (1988), também retomada pelo autor, define estudo de caso como uma análise intensa e holística de algo como uma única entidade, fenômeno ou unidade social.
Nunan (1992) menciona vantagens apontadas em estudos de Adelman et al (1976) ao adotar o estudo de caso como método de pesquisa: “força da realidade” que traz o estudo de caso, o que pode ajudar aqueles que o adotam a identificar questões e preocupações que chamarão sua atenção; pode representar múltiplos pontos de vista e oferecer suporte para diferentes interpretações; se apresentados de forma apropriada, podem ser reinterpretados por outros pesquisadores; questões encontradas podem ser colocadas em uso imediato; costuma ser mais acessível do que pesquisas convencionais e, por essa razão, podem servir a diversos públicos.
Após definirmos aspectos gerais sobre estudos de caso, exploramos, na próxima subseção, o tipo de caso adotado nesta investigação e a perspectiva teórica escolhida (MERRIAM, 2007).