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Como forma de distinguir materiais locais de MDs globais, López-Barrios e Villanueva de Debat (2014) propõem a consideração de 4 aspectos principais: contextualização, contrastes linguísticos, reflexão intercultural e facilitação da aprendizagem. Para os autores, o

37 Tradução nossa: “(...) is one ‘specifically produced to a country or region and draw[s] on a national curriculum

and on the learners’ experiences by including references to local personalities, places, etc’.” (LÓPEZ-BARRIOS, VILLANUEVA de DEBAT E TAVELLA (2008, p. 300 apud LÓPEZ-BARRIOS E VILLANUEVA de DEBAT, 2014, p. 39)

38 Tradução nossa: “(...) can have a positive impact on the educational contexts for which they are intended, notably

desenvolvimento do Ensino Comunicativo de Línguas e da Pedagogia Crítica foi crucial para as reflexões sobre a necessidade de produzir MDs que atentassem para essas questões.

No que diz respeito à contextualização, os autores consideram que esta é composta por três aspectos. O primeiro destes é a personalização, que inclui (ao citar Tomlinson, 2003, p. 171) conectar os materiais ao mundo real dos aprendizes. Uma forma de contemplar essa característica é abranger referências locais como personalidades, fatos, lugares e outros que façam sentido para os aprendizes. O segundo aspecto diz respeito ao conteúdo em termos de ser sensível às normas socioculturais da sociedade específica. Já o terceiro aspecto da contextualização, apropriação pedagógica, trata da harmonia entre o MD e as práticas educacionais que se adequam ao contexto de ensino e ao currículo nacional da escola.

Quanto à caracterização dos contrastes linguísticos, López-Barrios e Villanueva de Debat (2014) os definem como a oportunidade de reflexão dos aprendizes sobre forma, significado e uso de aspectos linguísticos da língua alvo em uma relação de contraste com sua língua materna. Para os autores, apesar de muitos estudos indicarem que há benefícios nessa prática, ainda há a crença generalizada de que a língua materna afeta negativamente o processo de aprendizagem. No entanto, os autores destacam a possibilidade, nos MDs locais, de explorar as similaridades e diferenças entre as línguas.

Em relação ao terceiro aspecto, reflexão intercultural, os autores mencionam o Conselho da Europa e a definem como uma consciência da relação entre a cultura da língua materna (que podemos chamar de Cultura 1 ou C1) e a cultura da língua a ser aprendida (Cultura 2 ou C2). Essa reflexão pressupõe, para López-Barrios e Villanueva de Debat (2014), uma confrontação crítica de fatos sobre a cultura estrangeira e a cultura da língua materna, ao invés do consumo de informações sobre a C2. Para os autores, muitos MDs cometem o erro de induzir os aprendizes a interpretar a C2 como algo padronizado e monocromático, e é necessária uma intervenção para que isso não ocorra. Concordamos com os autores e por considerarmos que este seja um dos pontos centrais a incluir em MDs, dedicamos a seção 1.3 deste trabalho para tratar mais detalhadamente desse tópico. Como dizem López-Barrios e Villanueva de Debat (2014, p. 44), “(...) tarefas deveriam ser incluídas para levar os aprendizes além de impressões superficiais e engajá-los em atividades em que estereótipos são desafiados e sua visão de mundo é alterada ou desfamiliariazada”.39

Quanto ao último aspecto focado pelos autores, a facilitação da aprendizagem, há a compreensão de que seja a inclusão de características que promovam a autonomia do aprendiz. Para

39 Tradução nossa: “(...) tasks should be included that make the learners go beyond the mere surface impressions

and engage them in activities whereby stereotypes are challenged and their world view is altered or defamiliarised. (LÓPEZ-BARRIOS E VILLANUEVA de DEBAT, 2014, p. 44)

os autores, esse aspecto está relacionado, por exemplo, à inclusão da língua materna de forma a auxiliar alunos quando sua competência em L2 ainda é muito limitada.

Esses quatro aspectos apresentados, segundo as autoras, deveriam ser considerados como critério de qualidade por aqueles que desenvolvem materiais locais ou localizados ou mesmo por professores que selecionam os MDs a serem utilizados. Para sumarizar a discussão apresentada e facilitar sua compreensão, apresentamos, a seguir, a tradução de um quadro proposto pelos autores com características relevantes.

Aspecto Definição Características Contextualização Contrastes Linguísticos Reflexão Intercultural Facilitação da aprendizagem

Conexão do material com o mundo do aprendiz e relação com as práticas pedagógicas e currículo

Levar os alunos a refletir sobre forma, significado e uso de características da L2 contrastivamente

Consciência da relação entre o local de origem e as culturas alvo

Inclusão de aspectos que

contribuem para a

autonomia dos estudantes

 Inclusão de referências locais: lugares, personalidades, etc.  Conteúdo sensível ao contexto  Escolha de tópicos controversos

 Harmonia com as práticas educacionais locais

 Conformidade com o

currículo da escola

Comparação entre aspectos divergentes da L1 e da L2 em níveis diferentes: fonológico, morfológico, lexical e textual

Aprendizes devem ir além de impressões superficiais e estar engajados em atividades que desafiam estereótipos e alteram sua visão de mundo

Inclusão da L1 nas rubricas e contextualizar, clarificar e treinar aprendizes.

(LÓPEZ-BARRIOS e VILLANUEVA de DEBAT, 2014, p. 45)

Discutidos os aspectos distintivos de materiais locais, esclarecemos que concordamos com muitos dos pontos levantados pelos autores, tais como a importância de conectar o material ao mundo do aprendiz e o desenvolvimento de uma consciência sobre a relação entre a cultura de língua estrangeira e materna. Já em relação aos aspectos Levar os alunos a refletir sobre forma, significado e uso de características da L2 em relação de constraste com a L1 e Inclusão de aspectos que contribuem para a autonomia dos estudantes, em que os autores focam em questões de língua materna, consideramos que seja relevante para nosso contexto de pesquisa propor adaptações com foco em questões mais culturais para o primeiro caso, e adaptações em que o desenvolvimento da autonomia ocorra em relação à L2, não necessariamente incluindo questões de língua materna. Tratamos mais detalhadamente dessas adaptações no capítulo de análise de dados.

A seguir, discutimos mais detalhadamente questões culturais que têm destaque neste trabalho.