5.4 Barns rett til helsehjelp for bearbeiding av traumer etter å ha vært utsatt for
5.4.1 Tiltak for å sikre barna helsehjelp for traumer
O discurso é, sem dúvida, uma ferramenta que nos permite identificar as intencionalidades, as vontades e as projeções pretendidas sobre determinado ser ou objeto, ficando implícita, muitas vezes, a ideologia que está por trás das verdadeiras intenções que se expressam por meio de uma narrativa. A utilização do discurso neste trabalho foi escolhida para tentar desvendar os significados das retóricas, e, por meio de uma interpretação delas, entender qual a lógica que está sendo concebida no ordenamento territorial de Belém.
Para isso, optamos por trabalhar com a análise o discurso apresentado sob três formas, que são: a) o veiculado por meio dos dois jornais de maior circulação da cidade de Belém (Diário do Pará e O Liberal); b) o enunciado nos planos de desenvolvimento urbano; c) e aquele expresso nas entrevistas que realizamos com funcionários públicos e empresários.
Fizemos um recorte temático dos assuntos pertinentes à logística, à mobilidade urbana e às obras de infraestrutura dentro do espaço metropolitano, no período correspondente a duas gestões governamentais, que foram a da ex-Governadora Ana Júlia Carepa (2007-2010), do Partido dos Trabalhadores (PT), e a do atual govenador Simão Jatene, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), referente à sua gestão de 2011 a 2014, com rebatimentos para os acontecimentos que extrapolaram esse período delimitado.
Nesse sentido, procuraremos primeiramente conceituar o termo e a técnica por nós utilizada, para depois apresentar o enunciado e o sentido de alguns discursos
previamente selecionados para a interpretação da realidade socioespacial a qual pretendemos compreender.
Primeiramente, faz-se necessário precisar o sentido científico do termo análise do discurso, diferenciando-o daquele que normalmente se utiliza no senso comum, notadamente por políticos. Na análise científica, o discurso vai além de um texto propriamente dito e tem por objetivo encontrar o ponto em que a inscrição ideológica revele seus significados, transpondo os limites da literatura e atingindo as estruturas das relações sociais histórico-geográficas, inseridas em um determinado contexto socioespacial (SILVA, 2008). Para a autora:
discurso, como uma palavra corrente no cotidiano da língua portuguesa, é constantemente utilizada para efetuar referência a pronunciamentos políticos, a um texto construído a partir de recursos estilísticos mais rebuscados, a um pronunciamento marcado por eloquência, a uma frase proferida de forma primorosa, a retórica, e muitas situações de uso da linguagem em diferentes contextos sociais (SILVA, 2008, p.98).
Assim, o discurso, no campo teórico-metodológico, nomeia um fenômeno, manifestado materialmente por meio da língua. Quando se profere um discurso, deixa- se implícito nele a ideologia do sujeito que o enuncia; veicula-se o saber e o poder constitutivo, que, na forma do que é dito, não irá comprometer a verdade de quem enuncia; estabelecem-se as imagens que se tem de um determinado lugar ou de um sujeito; marca-se um movimento em curso, nunca acabado, porque o que se diz é uma construção em percurso de uma ideia que se quer convencer como a verdade (FERNANDES, 2005).
A análise do discurso, como técnica, difere da análise textual, embora tenha uma relação estreita com esta. O discurso ultrapassa o sentido do texto, na medida em que as suas estruturações, transpõem os enunciados históricos, e se torna resultado de uma construção, mesmo que não se deixe transparecer (ORLANDI, 2002). Para Orlandi (2002), só é possível entender o discurso enunciado percebendo que o mesmo é dito em um contexto histórico-geográfico, que revela os seus sentidos de existir. Nas palavras do autor:
O discurso é marcado pela contradição, pela fragmentação e pela heterogeneidade, que totaliza uma dispersão de textos (superfícies linguísticas), mas cuja inscrição histórica define a regularidade
enunciativa, uma vez que é na relação do discurso com as condições históricas que o sentido se revela (ORLANDI, 2002, p.15).
No discurso, os sentidos das palavras não são fixos, mas sim criados de acordo com as posições ocupadas pelos sujeitos-enunciadores (FERNANDES, 2005). Além disso, e no nosso caso, é uma ferramenta importante de investigação da produção do espaço urbano, na medida em que seu uso consiste em identificar as ideias centrais, através das expressões-chave, presentes nos planos, projetos e falas dos agentes modificadores do espaço, no intuito de obter a fala social do sujeito, possibilitando ao pesquisador o acesso às reais intencionalidades dos movimentos no contexto do ordenamento urbano (SOUZA JUNIOR, 2009).
A linguagem é de extrema importância de um ponto de vista discursivo. Ela não pode representar apenas algo já dado como verdade, mas é parte de uma construção social que rompe com a ilusão de naturalidade entre os limites da própria linguística com os da extralinguística, não se dissociando da interação social (ROCHA; DEUSDARÁ, 2005).
Fernandes (2007) ressalta que a análise do discurso se ampara em três pilares que são: a ideologia, a história e a linguagem. Para o autor, a primeira marca o posicionamento do sujeito, mesmo não tendo sua origem nele, mas se constitui nele em função das suas práticas sociais, nas materialidades, ações etc. A história, por usa vez, representa o contexto em que o sujeito-enunciador está inserido. A linguagem é expressa na materialidade da fala ou do texto, utilizando-se dos arranjos semânticos, caracteriza-se por ser um veículo de transmissão de uma mensagem subjacente, onde os elementos ideológicos e históricos se fazem presentes, induzindo a interpretação do sentido da enunciação que se quer revelar.
Dessa forma, o ato da discursividade possui uma profundidade histórica, na qual a análise de discursos busca ir ao encontro das verdades produzidas e pronunciadas. Os discursos são, assim, construídos historicamente e atravessam as relações de poder e redes de memória, acionadas na produção discursiva (FERNANDES, 2007).
Cada discurso segue certa regularidade e obedece àquilo que cada época e grupo social consideram como verdade (DÍAZ, 2012). Entretanto, essa função de controle sobre o discurso, não aparece de forma clara nele, mas é possível identificá-la por meio dos comportamentos que o codificam e o prescrevem (IÑIGUEZ, 2005).
O emprego da técnica pressupõe, primeiramente, como se analisar um enunciado. Segundo Iñiguez (2005), é fundamental definir alguns pontos antes de fazer a análise do discurso, como: o que estamos tentando compreender? Quais fenômenos sociais queremos elucidar? Quais relações sociais queremos explicar? Só a partir de então é possível proceder efetivamente à análise.
O analista deve estabelecer uma relação ativa com os seus leitores e tentar deixar o mais claro como realizou a interpretação do enunciado e as técnicas utilizadas, reportando a uma reunião de fatos, que são sentidos em processos na produção do discurso. Posteriormente serão, então, selecionados e apresentados na forma de fragmentos discursivos, que são importantes para reconstituir as regularidades do dito ou até mesmo do não dito, em relação a um objeto ou fenômeno (SILVA, 2009).
Segundo o autor supracitado alguns elementos importantes na análise do discurso podem ser elencados
a) O corpus, que corresponde ao material analisado e que precisa ser organizado, colocado em um formato manipulável, e, se estiver em fontes audiovisuais, deve ser transcrito com o máximo de detalhe, preservando outros elementos, como as pausas, as entonações da voz, as interrupções etc;
b) Os atos da fala, em que as expressões são produtoras de efeitos e são capazes de precederem ações que o discurso possui;
c) O uso da pragmática, que utiliza uma análise detalhada dos significados, exatamente, como são assinalados na informação em um determinado contexto;
d) a retórica, que valoriza a estrutura argumentativa e formal de um texto ou fala, dando-lhes a credibilidade e legitimidade que o texto transmite;
e) A polaridade e desconstrução, que sugerem a busca dos jogos de oposições das falas, que podem ser normalmente confrontadas com a realidade posta em evidência.
Além destes, o analista do discurso precisa estar atento para a definição da seleção do material a ser averiguado, o qual deve exemplificar os discursos que se relacionam com o problema previamente definido. O ideal, neste caso, é que depois da seleção dos dados, o analista faça uma espécie de organização dos mesmos em uma catalogação de fotocópias ou arquivos digitais, permitindo assim uma fácil manipulação. Posteriormente, uma leitura superficial inicial é imprescindível e, posteriormente, faz-se necessário uma longa e exaustiva análise do texto e seu
respectivo tratamento; extraindo-se fragmentos do mesmo que expressem as ideias centrais e sentidos da fala; e, por fim, tem-se a interpretação e a codificação dos discursos, onde o analista pode apresentar, se achar preferível, quadros que contenham as categorias do enunciado e seu respectivo significado (SANTOS, 2013).
No que se refere à legitimidade do enunciado, irá depender da maior ou menor adequação que se estabeleça entre sua identidade e status social e a função da linguagem que ele pretenda desempenhar, sendo que o analista de discurso se preocupa menos com generalizações e mais com a abrangência e o aprofundamento da compreensão de uma dada realidade expressa por um sujeito situado em determinado grupo social, instituição ou organização (IÑIGUEZ, 2005).
É necessário salientar, conforme destaca Foucault (1996), que em toda a sociedade a produção dos discursos, ao mesmo tempo em que é controlada, também se faz por meio de seleções do que se pode dizer e distribuir, reforçando assim seus saberes e poderes, de forma que não seja ameaçada sua hegemonia. Assim, todo o discurso encontra o seu próprio limite naquilo que é possível ser dito e no que é possível dizer.
Ainda segundo o mesmo autor, o discurso obedece a regras que possibilitam o seu surgimento. Essas regras são definidas pelos “arquivos”, que nada mais são que vários discursos proferidos em uma época anterior, e que ainda permanecem existindo na história. Assim, argumenta que não é em qualquer instante que eles podem ser falados, mas é preciso que se tenham as condições necessárias para a sua existência e a sua circulação (FOUCAULT, 1996).
Os discursos não surgem do acaso, eles são criados de acordo com as ideologias de grupos dominadores, e se afirmam e reafirmam seguindo uma lógica de regularidade, cujo controle está em quem os enuncia. Assim, os discursos existem por um determinado feixe de relações de poder e desejos, usando a legalidade que as instituições sociais e as normas tácitas possibilitam ao ato de discursar, impondo-lhes os limites onde podem ser enunciados (FOUCAULT, 1996).
Os jornais são importantes documentos de domínio público para revelar os acontecimentos histórico-geográficos (SILVEIRA; MARÔPO, 2014). Entretanto, as mídias, na atualidade, aparecem como grandes dispositivos de poder, que são capazes de gerar e/ou difundir a informação; esta também entendida como uma forma de saber, que tem o objetivo de fazer circular as ideias, através dos jogos do poder nos quais está inserida (FOUCAULT, 1996).
Apesar de sua utilidade pública no que tange à informação da sociedade, é importante que se destaque também que as notícias são fragmentos da realidade que interessam ao jornal publicar. Além de selecionar os temas, que julgam que terão repercussão e provocarão valores às suas notícias, as edições dos jornais ainda escolhem determinados aspectos dos fatos noticiáveis para compor a construção da matéria jornalística, separando-os em um determinado espaço no editorial (MOREIRA, 2006).
No tópico adiante, veremos os discursos da logística presentes nas matérias jornalísticas dos dois jornais de maior circulação de Belém.