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No terceiro momento desta proposta o aluno é convidado a fazer ajustes necessários na sua produção escrita, em um ambiente virtual de aprendizagem (www.aprendentesple.com.br).

Objetivos

Melhorar a produção escrita do aluno e estimular o trabalho em grupo. Motivação

Partindo do pressuposto de que a internet pode ser um elemento facilitador/mediador no ensino/aprendizagem de línguas, decidimos criar a plataforma virtual aprendentesple55. Ela foi idealizada pela pesquisadora deste estudo e programada por um doutorando em Engenharia elétrica56. O objetivo é favorecer o desenvolvimento da Competência de PE dos alunos e levá-los a participarem mais ativamente do processo de ensino/aprendizagem.

Na plataforma virtual, os alunos têm a oportunidade de melhorar seus textos iniciados em sala de aula e de ajudar os colegas com dificuldades de escrita, visto que os aprendentes não apenas postam seus textos como também discutem suas produções e a dos colegas. Isso facilita tanto a interação professor/aprendente, quanto aprendente/aprendente. Na realidade, todos os envolvidos passam a ter mais responsabilidades no processo de ensino/aprendizagem.

55 Mais informações no artigo - APRENDENTESPLE: Plataforma virtual no ensino-aprendizagem da produção

escrita em português língua estrangeira – PLE (POMPEU & SOUSA, 2013).

87 A plataforma virtual permitiu que as tarefas fossem realizadas com mais frequência pelos aprendentes e corrigidas mais rapidamente pelo professor.

Antes da criação da plataforma, os alunos só produziam textos escritos uma vez por semana nas aulas de PE e só recebiam os resultados dos trabalhos na semana seguinte (após a correção do professor). O trabalho era lento, o que deixava alunos e professores inquietos. Com o ambiente virtual de aprendizagem colaborativa, o espaço e o tempo deixaram de ser um problema. O aprendente passou a produzir, comentar, corrigir, alterar e refazer seus textos a qualquer momento e em qualquer lugar.

Procedimento:

O trabalho na plataforma ocorre em etapas e de forma colaborativa, quando todos se responsabilizam pela aprendizagem.

 Etapa 1: Postagem do texto produzido;

 Etapa 2: Comentários dos aprendentesa respeito dos textos;  Etapa 3: Correção e alteração dos textos pelo aprendente/autor;

 Etapa 4: Observação e correção da tarefa pelo professor (solicitada pelo aprendente);

 Etapa 5: Alteração final do texto (pelo aprendente). Os acessos

Durante as aulas em ambiente virtual os aprendentes se mostraram colaborativos e os acessos à plataforma foram constantes. Como pode ser observado na figura 3.6.

88 Figura 3.6. Controle de acessos de uma tarefa. Fonte http://www.aprendentesple.com.br/.

A plataforma aprendentesple entrou no ar no dia 26 de setembro de 2012. Quatro dias depois, um dos textos já tinha sido consultado 60 vezes57 (figura 3.6), o que confirma a motivação, a participação e a colaboração dos alunos no ambiente virtual.

Os constantes acessos dos alunos à plataforma ocasionaram frequentes intervenções nos textos postados pelos aprendentes.

As intervenções

Durante o curso, os alunos tinham a oportunidade de comentar, na plataforma, os textos dos colegas, a fim de ajudá-los a melhorarem suas produções, como pode ser observado na figura 3.7, em um comentário do A3 ao A1.

89 Figura 3.7. Comentários do A3 ao A1. Fonte http://www.aprendentesple.com.br/.

Na figura 3.7 percebemos que o A3 se empenhou em ajudar o colega a melhorar seu texto, dando dicas de ortografia, de construção de frases e o alertou para a interferência da língua francesa (língua segunda do A1) no seu texto escrito.

É possível observar que o A3 se mostra consciente de que o A1 estava utilizando o francês para escrever em Português e chama a atenção do colega para o fato: “Cuidado com influença francesa no seu texto”; “Desculpar (Escusar é muito francês)”. Ele o ajuda a reconhecer que a influência da língua francesa pode estar dificultando sua escrita em Português.

Verificamos ainda que o próprio A3 (que está interferindo no texto do colega) cometeu alguns desvios gramaticais. Porém, compreendendo que em um ensino acional o estudo da estrutura da língua não é a finalidade principal, e, também, para não desmotivar o

90 aluno/mediador, os desvios cometidos por ele não foram corrigidos na plataforma, mas em aula presencial sem chamar atenção diretamente para o aprendente.

As constantes interferências nos textos, pelos aprendentes, ocasionaram melhorias na PE dos alunos.

As melhorias

Os aprendentes tentavam melhorar seus textos após as intervenções dos colegas e da professora, como pode ser visto nas figuras 3.8 e 3.9, a seguir.

Figura 3.8. Comentários do A3 sobre a tarefa do A1. Fonte: www.aprendentesple.com.br/.

Figura 3.9. Resposta do A1 ao comentário do A3. Fonte: www.aprendentesple.com.br/. Na figura 3.8 e 3.9, podemos observar as interações entre os alunos. O mediador, A3, se aproveita do seu conhecimento para agir em situação real de uso da língua. Ele colabora com a aprendizagem do colega apontando alguns desvios cometidos por este. Em contrapartida, o

91 A1, embora tenha discutido as observações do A3 e defendido o seu ponto de vista, também colabora com a aprendizagem agradecendo as observações, corrigindo seu texto etc. criando, assim, um ambiente agradável e produtivo no processo de ensino/aprendizagem.

Resultados preliminares do Momento 3:

Nesta subseção, observamos que esse trabalho colaborativo, em ambiente virtual de aprendizagem, dificilmente ocorre em ambiente de sala de aula, pois normalmente, nesse contexto, os aprendentes não têm acesso aos textos escritos pelos colegas, o tempo é curto, os alunos ficam mais temerosos em interferir no texto alheio (as vezes, por questões culturais) etc. Já na plataforma essas restrições podem desaparecer.

Ficou evidente em nosso trabalho que a tecnologia facilita a aprendizagem, pois as tarefas na internet:

 Permitem uma progressão mais rápida, visto que elas são realizadas com mais frequência pelos aprendentes e corrigidas mais rapidamente pelo professor;

 Criam um ambiente colaborativo, no qual os sujeitos participantes são responsáveis pelo processo de ensino/aprendizagem;

 Levam o aprendente a assumir novas atitudes diante da aprendizagem, refletindo sobre suas práticas de PE e seu papel social enquanto estudante;

 Provocam não somente uma boa interação entre professor/aprendente, como também entre aprendente/aprendente.

No entanto, é importante percebermos que as mídias convivem com as orientações metodológicas de ensino e que estas não são partes indissociáveis daquelas. O professor não é obrigado a trabalhar com a tecnologia em suas aulas, porém, se o fizer, deve ter consciência de que não pode prescindir de uma reflexão metodológica. A Perspectiva Acional do QECRL parece constituir uma importante orientação metodológica para a realização de tarefas em ambientes virtuais, visto que ela orienta para uma ação social.

O ensino colaborativo deve ser incentivado pelos professores, pois de acordo com um ensino acional, apresentado pelo QECRL “Os aprendentes tornam-se também mediadores, pela interpretação e tradução, entre falantes de línguas que não conseguem comunicar diretamente” (CONSELHO DA EUROPA, 2001, p.73).

92 As possibilidades de ensino-aprendizagem da PE em ambiente virtual nos pareceu adequada ao público desta pesquisa, visto que o trabalho coletivo, tão almejado por nós para que o grupo pudesse interagir somente na língua alvo, ocorreu com mais facilidade via web.