6.1 Internasjonale tilrådinger og
6.2.3 Tilsyn og behandling av pasient-
A mobilização no início dos anos de 60, no campo das ideias sobre a EJA, fomenta ações qualitativamente distintas das anteriores, sintetiza Fávero364. Em certa medida, em função dos desdobramentos e das contribuições do II Congresso Nacional de Educação de Adultos e Adolescentes365 de 1958 que elevaram a noção de povo e de educação para o
povo a novo patamar. Góes366, apoiado em Paiva, reconhece como aporte do II Congresso a reintrodução do social no debate pedagógico. Se, o social tem acento no debate, então, a cultura deste social vem a reboque? Levando em conta tentativas subjacentes às Campanhas objetivadas em substituir modos de ser rural em favor da absorção de um conjunto de “conhecimentos culturais essenciais” transplantados de outros contextos, então, é possível pensar em uma resposta positiva. O povo, seu social e sua cultura caminham lado a lado.
A expressão “cultura” resiste a definições rasteiras, ainda mais quando em função adjetiva. Esforços em depreender semelhanças e diferenças das noções: educação popular,
educação de adultos, educação de classe, educação comunitária, educação fundamental, educação para o povo e cultura popular, tem sido realizados desde o I Encontro Nacional de
Alfabetização e Cultura Popular367 e, posteriormente, por Gullar368, Martins369, Leite370, Brandão371, Fávero372, Beisiegel373, Paiva374, Gadotti375, Melo Neto376, principalmente. É possível inferir dessa busca que não se trata de estabelecer o lugar do povo e da educação
popular como problematiza Bourdieu377, ou seja, como ponto de disputa entre resistência e submissão. O autor coloca que certas tentativas, imbuídas de preocupações com a reabilitação do lugar, ao expressarem língua e cultura populares, acabam vítima da lógica
364 Osmar Fávero. Educação de jovens e adultos: passado de histórias; presente de promessas, 2009, p.62.
365 Estudos de Ana Maria Araújo Freire (2006, p.115) informam que em documentos oficiais o título do Congresso ora
acrescenta ora exclui o termo “Adolescentes”. Decidimos mantê-‐lo por nos parecer mais coerente ao público atendido na altura.
366 Moacyr de Góes. De pé no chão também se aprende a ler, 1991, p.47. 367
I Encontro Nacional de Alfabetização e Cultura Popular, 2009. 368 Ferreira Gullar. Cultura Popular. 2001, pp.49-‐57.
369
Carlos Stevam Martins. A questão da cultura popular, 2001, pp.33-‐47.
370 Sebastião Uchoa Leite. Cultura popular: esboço de uma resenha crítica, 2001, pp.247-‐269. 371
Carlos Rodrigues Brandão. Da educação fundamental ou fundamental da educação, 1990, p.15.
372 Osmar Fávero. Uma pedagogia da participação popular, 2006. 373
Celso de Rui Beisiegel. Estado e educação popular, 2004.
374 Vanilda Paiva. História da educação popular no Brasil, 2003. 375
Moacir Gadotti. Educação de jovens e adultos: correntes e tendências, 2006, p.29.
376 João Francisco de Melo Neto. Educação popular: enunciados teóricos, 2004, p.31-‐42. 377
190 que leva grupos estigmatizados a reivindicarem o estigma como signo da própria identidade. O exemplo de Freire378 pode ser ilustrador. “Você é norte-‐americana, não é?” “Não. Sou
pobre”. Sou analfabeto, sou iletrado.... Tais denominações mascaram os condicionantes
sociais e a interdição cultural da questão.
Romper com a interdição cultural levou os movimentos a assumir em dois conceitos, a nosso ver, chaves. O primeiro de cultura popular e, o segundo, de educação popular e integral. Buscamos nos documentos do MEB o entendimento de cultura popular e de educação de base e integral em Landim Filho, também representando o MEB, por entendermos que eles expressam os objetos coincidindo com os demais movimentos.
1) Cultura popular é um fenômeno histórico; 2) A expressão cultura popular é terminologicamente imprecisa, mas, comporta o entendimento de que se trata da cultura de um povo distinto da cultura de um povo aquinhoado; 3) Cultura é tudo que o homem acrescenta à natureza. É por meio da linguagem – nos modos de agir e de pensar – de uma sociedade que se inscrevem distinções de níveis socais; 4) Alguns grupos se reconhecem culturalmente à margem. Para estes o conflito ideológico passa a ser inevitável; 5) O fenômeno cultura popular surge, no Brasil, como um movimento: as chamadas organizações de cultura popular. Tais organizações objetivam a superação dos desníveis entre os diversos grupos sociais, portanto, as organizações estão ligadas a ações políticas; 6) As organizações de cultura popular, ao assumirem um projeto cultural, procuram atingir a sociedade e a pessoa no que tem de mais radical -‐ a cultura -‐, o que faz do homem sujeito
da história379.
Educação de base ou integral:
[…] Sempre situa o homem em um contexto histórico específico. […] A educação de base parte do que é primeiro, portanto, da pessoa humana. […] A educação de base forma o homem na sua eminente dignidade de
pessoa.380
A que movimentos nos referimos quando mencionamos movimentos de educação e cultura popular?
No início dos anos 60, no auge do populismo brasileiro e simultaneamente no bojo de uma crise de hegemonia política e de aceleração do desenvolvimento econômico, de que todos sabemos as consequências, nasceram alguns dos
movimentos mais expressivos de educação e cultura popular do Brasil381.
378 Paulo Freire. Pedagogia da autonomia, 2004, p.83. 379
Texto adaptado de “MEB/cultura popular: notas para estudo”, 2001, pp.77-‐81.
380 Raul Landim Filho. Educação e conscientização, 2001, p.175 e ss. 381
191 É interessante registrar a cronologia dos movimentos.
Maio/1960 MCP -‐ Movimento de Cultura Popular, criado inicialmente no Recife, depois estendido a várias outras cidades do interior de Pernambuco, quando Miguel Arraes era respectivamente prefeito da Capital, depois governador do Estado.
Fev./1961 Campanha “De pé no chão também se aprende a ler”, criada em Natal, na gestão de Djalma Maranhão na Prefeitura Municipal e Moacyr de Góes na Secretaria de Educação. Mar./1961 MEB -‐ Movimento de Educação de Base, criado pela CNBB -‐ Conferência Nacional de Bispos do Brasil, com apoio da Presidência da República.
Mar./1961 CPC -‐ Centro Popular de Cultura, criado por Carlos Estevam Martins, Oduvaldo Viana Filho e Leon Hirzman, na UNE -‐ União Nacional dos Estudantes e difundido por todo o Brasil pela UNE-‐Volante, em 1962 e 1963.
Jan./1962 Primeira experiência de alfabetização e conscientização de adultos, feita por Paulo Freire no MPC (Centro Dona Olegarinha); logo depois, no início de sua sistematização no Serviço de Extensão Cultural da então Universidade do Recife.
Jan./1962 CEPLAR -‐ Campanha de Educação Popular da Paraíba, criada por profissionais recém-‐ formados, oriundos da JUC -‐ Juventude Universitária Católica, e por estudantes universitários. Set./1962 Campanha de Alfabetização da UNE, a partir de experiência iniciada no então Estado da Guanabara, em out. 1961; depois do Movimento Popular de Alfabetização.
Jan./1963 Experiência de Alfabetização de Adultos pelo Sistema Paulo Freire, em Angicos, no Rio Grande do Norte.
Jul./1963 Experiência de Brasília, ponto de partida para a adoção do Sistema Paulo Freire em vários Estados, no bojo das ações de Alfabetização e Cultura Popular patrocinada pelo Ministério de Educação e Cultura.
Uma vez tendo localizado o ponto de apoio e o limite temporal de nossas análises buscamos em Soares; Vieira382 uma justificativa para esta escolha. “As propostas de EJA sob
a influência do ideário da educação popular, ao enfocarem esse conflito [inerente aos sujeitos da EJA], assumem uma atitude no sentido de superar esse quadro de desigualdade social, que se faz presente nos processos escolares e não escolares.”
382 Leôncio Soares; Maria Clarice Vieira. Trajetórias de formação : contribuições da educação popular à configuração das práticas de Educação de Jovens e Adultos, 2009, p.158.
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