6.1 Internasjonale tilrådinger og
6.1.5 Menneskerettigheter
Assim como a preparação inicial nos Projetos se constitui mediante possibilidades e limites de cada um, é possível afirmar que o mesmo acontece em relação à orientação continuada. E mais. Todos concordam com a importância do acompanhamento regular ao educador. Acompanhamento este fixado, geralmente às sextas-‐feiras, por motivos diversos. Por exemplo, no PEZP, a sexta-‐feira é quando os trabalhadores voltam para suas cidades de origem, portanto, “Na sexta-‐feira os educadores vão para o planejamento, porque à noite
eles não vão ao canteiro de obras”341. “A gente destina para nossos encontros
pedagógicos”342. No CMET “nosso trabalho mesmo acontece na sexta-‐feira manhã, tarde e noite e enquanto os professores estão nessas reuniões, os alunos estão aqui na escola
340
Ozilma. Educadora. PEZP.
341Zezinha. Sindicato. Coordenadora Pedagógica (2009). PEZP. 342
172
também, mas não é a escolarização, eles vêm para as oficinas”343. “As aulas acontecem de
segunda a quinta-‐feira para que sexta-‐feira toda a equipe de monitores-‐ professores e coordenadores participem das “Reuniões Gerais”344. As noites de sextas-‐feiras estão reservadas à discussão acerca das questões que envolvem a prática educativa, a formação de educadores e a EJA, de uma forma geral, lembra Mati345.
No PROEF-‐2 essa dimensão da formação de jovens e adultos é princípio do trabalho, é entendido como uma das razões de ser do Projeto, talvez a principal, mais do que essa prestação de serviço à comunidade. Porque essa não é uma demanda que está sendo colocada para a Universidade, mas sim, a de formar profissionais e de produzir conhecimento sobre a EJA. Então, esse Projeto se justifica como um produtor de alternativas, como um espaço de discussão das possibilidades e limites da EJA e isso é muito forte nesses dois Projetos [PROEF-‐1 E PROEF-‐2]. (Conceição. Coordenadora do Programa. 2011. PROEF-‐2).
Propiciar um dia de folga na EJA não é novidade. Este espaço geralmente é aproveitado pelos professores e coordenadores para encontros de formação e, para os alunos, significa um momento de se dedicar aos compromissos pessoais, a família, ao lazer, a comunidade, ao descanso, como informam Diniz-‐Pereira; Fonseca; et al.346.
A gente tem um encontro, uma reunião pedagógica a gente poderia chamar, semanal. Então, todas quartas-‐feiras ou sextas-‐feiras, os professores se reúnem na sua escola para fazer essas reuniões que seriam também a princípio formação e/ou reuniões pedagógicas mesmo. Isso já desde o início, desde o período que se criou o SEJA aqui em 89. Desde lá a gente tem essa política e essa forma de trabalho que é ter essa reunião semanal e que isso é reivindicado e discutido desde as questões clássicas até as da Associação. (Paulo. EJA/SMEd/POA).
Mas para a gente sentar mesmo para fazer um projeto, um planejamento só nos fóruns. Porque a gente tem aqui uma sexta-‐feira que é fórum, outra sexta-‐feira que é planejamento. A gente senta com todas as alfabetizadoras aqui do CEDEP, da 26 e do Itapoã. (Valmira. Educadora. Paranoá).
A gente tem uma coisa que valoriza muito o Projeto que é a formação de professores que é continuada com as reuniões. A gente fica aqui mais tempo em reunião do que em sala de aula até. Mas então, eu não senti falta [de
343
Dione. Coordenadora Pedagógica (2009). CMET.
344 Maria da Conceição Ferreira dos Reis Fonseca et al.. Projeto de ensino fundamental de jovens e adultos: desafios e possibilidades na adoção de perspectiva transdisciplinar, 2004.
345 Emmeline Salume Mati. Trajetórias de educadores construídas na educação de jovens e adultos: experiências e significados, 2008, p.58.
346 Júlio Emílio Diniz-‐Pereira; Maria da Conceição Ferreira dos Reis Fonseca et. al.. Aprender a ser educador de EJA: análise de memoriais de professores-‐monitores do PROEF/UFMG, 2008.
173 mais formação] por isso, porque eu tive esse acompanhamento constante. (Érica. Professora-‐monitora. Matemática. PROEF-‐2).
O conjunto de atividades do PROEF-‐2 é denominado “Projeto Especial de Formação
Inicial de Educadores de Jovens e Adultos”. Projeto este vigente desde 1999, inclui as
reuniões com toda a equipe de professores, acontecem todas as sextas-‐feiras, de 19:00 às 21:00 horas, na Faculdade de Educação/UFMG. A organização dos encontros foi estabelecida da seguinte maneira, podendo sofrer ajustes na ordem dos acontecimentos: 1a sexta-‐feira:
EJA no Horizonte; 2a sexta-‐feira: Reflexões Coletivas da Prática Educativa (RCPEs); 3a sexta-‐
feira: Reunião Geral do PROEF-‐2 e, 4a sexta-‐feira: RCPEs. O encontro com a EJA no Horizonte oportuniza aos professores-‐monitores o contato com os estudos e pesquisas sobre a Educação de Jovens e Adultos por meio da apresentação de trabalhos por pesquisadores convidados e discussão sobre o tema.
Nós temos um momento de reflexão, que nós chamamos de reunião geral, que acontece uma vez por mês na sexta-‐feira para a gente olhar para dentro do Projeto: Quais são as demandas que os alunos estão trazendo, os próprios monitores? E o que precisa ser feito em termos de atender essas demandas e tal? Então, é um momento de conhecimento: o que é que o Projeto está demandando de uma forma geral, tanto a coordenação quanto os alunos. Os alunos são representados por outros alunos que são eleitos nas salas e todos os monitores. Então, lá há dia que é uma lavação de roupa suja mesmo! (Edna. Coordenadora de Área (2011). PROEF-‐2).
Outros dois momentos completam a reflexão sobre a prática educativa: as reuniões de área, as reuniões de equipe ou de turma. Ambas as reuniões acompanham-‐se de um coordenador e são semanais. “O PROEF-‐2 tem essa coisa a mais, não é só dar aula e não é só
reflexão, você pode trabalhar com os dois ao mesmo tempo e isso é muito bacana”347. Edna e Juliana, Coordenadoras de Área, explicam o trabalho nesta reunião da seguinte maneira.
Nela nós vamos organizar o trabalho relativo ao campo do conhecimento: que conteúdos trabalhar, que habilidades desenvolver, que atividades e práticas pedagógicas devem ser pensadas em relação aos grupos de alunos, quais são os objetivos de trabalhar cada uma dessas áreas, que seleção de material vai ser trabalhada, que texto vai ser levado ou não, como que vai
atuar dentro da área na sala de aula com os alunos. (Edna. Área de Inglês).
Eu tento dividir, mas a prioridade é a gente pensar as aulas deles. Isso é o mais urgente porque nem é uma prioridade que eu coloco, eles já vêm com
347
174 essa demanda: “Não, eu dei isso dessa forma, aconteceu isso, isso e isso, então como é que eu vou continuar?”. “Já está na hora de eu avaliar, de dar uma prova?”. Então essa, a gente pode colocar como prioridade. Só que, como eu estou sempre preocupada com a formação deles com base teórica, também a questão da reflexão, então eu sempre vou dosando, eu faço uma pauta que eu tento equilibrar: “Ah, na próxima reunião nós vamos discutir um texto, vamos fazer a rodada geral das turmas e mexer nos textinhos que vocês já produziram”. Porque a gente faz pequenos textos e a gente vai em cima dos textos que um produziu, a gente vai analisando o texto dos outros ou então a gente: “ah não, na próxima aula nós vamos pegar a atividade da Carol e vamos analisar se ela está boa ou não e vamos mexer nessa atividade”. Então, tem reunião que é de produção mesmo de atividade, de material para usar. Para mim o que é mais difícil é dosar isso porque a demanda deles, dos alunos que dão aula, é muito mais a prática ali e eu tenho que estar com esse olhar da formação. (Juliana. Área de Matemática. PROEF-‐2).
Além das reuniões de área o professor-‐monitor participa de outro espaço de discussão organizado em equipe.
Basicamente é um espaço de discussão do projeto interdisciplinar [reunião de equipe]. A minha equipe desse ano tinha uma professora veterana, os demais eram não só novos no projeto, mas também nos seus cursos. Uma coisa que eu acho que é um grande entrave ao trabalho interdisciplinar é o nosso pouco conhecimento das outras disciplinas. Então, eu achei que esse ano funcionou, especialmente no primeiro semestre, uma coisa de cada um contar o que fez. Porque se não eles não conseguem nem vislumbrar possibilidades de trabalho interdisciplinar é porque eles não entendem nada da outra disciplina. O professor-‐monitor de ciências, ele dava aula de Ciências para nós e essa equipe minha tinha isso que eu achava muito bonitinho, eles se interessavam e desse compartilhar surgiam ideias de trabalhos interdisciplinares e eles tinham essa disponibilidade. (Conceição. Coordenadora de equipe e do Programa. 2011. PROEF-‐2).
Nas reuniões de equipe nós vamos discutir visões diferentes dos diferentes professores sobre a turma, sobre os alunos e sobre as melhores estratégias para poder fazer com que em todas as áreas o trabalho coletivo possa acontecer de uma forma eficaz e também para ver se a gente consegue organizar projetos coletivos de ensino. Porque nós acreditamos que esse diálogo entre as áreas é muito importante, e onde reside a importância desse trabalho? É porque cada um de nós é formado para trabalhar na sua área e a LDB garante a necessidade de a gente trabalhar com projetos, mas quem foi formado para trabalhar com projetos? Ninguém. Então, nessa reunião de equipe é uma oportunidade que nós temos de pensar o trabalho: como as áreas podem dialogar entre si, ou não. A gente não trabalha isso como uma camisa de força, o que é possível. Por exemplo, se a gente pensa em Português, todas as aulas acontecem em língua materna, todos os textos são escritos em língua materna até mesmo no inglês tem língua materna para poder fazer o trabalho, pois serve como referência, e aí? Como é lidar com cada um desses textos? A gente discute muito essa pressuposição que os
175 professores trazem: o sujeito que já sabe ler, decodificar a língua portuguesa, é capaz de ler o texto da geografia, da história, de ciências, de matemática com a mesma desenvoltura? Na verdade não é assim. O nosso desafio é esse: fazer na prática aquilo que os nossos Institutos não conseguem fazer na nossa formação e aí esse diálogo é muito interessante. Na verdade a gente está aprendendo. (Edna. Coordenadora de área e de equipe. PROEF-‐2).
Eu vou te falar a forma como eu estou vendo. Assim como a gente tem as
reuniões de área tem também as reuniões de equipe. Então, a reunião de equipe ela garante que você vai ter o olhar sobre os alunos e não sobre as áreas. Dentro da equipe você tem vários professores de varias áreas conversando sobre o que está acontecendo naquela turma, que projeto que vai ser desenvolvido com aquela turma. Ali é que eu vejo um espaço maior de ver o sujeito se desenvolvendo em todas as áreas. A conversa que rola na equipe, pelo que eu fico sabendo dos professores porque eu pergunto como é que está lá na equipe, é muito assim, de pensar o aluno nas várias aulas e no projeto que tiver sido desenvolvido pela equipe. A nossa conversa aqui é muito mais pensar o aluno em relação a aprendizagem matemática, claro que aparece a conversa sobre o aluno porque ele não é quebrado né? Então aparece sobre o sujeito, sobre a vida dele, sobre como ele se posiciona diante do conhecimento e tudo, mas eu vejo que a perspectiva dos sujeitos pensados de uma forma mais global é conversada mais na equipe, apesar de que eu nunca frequentei uma reunião de equipe, tudo isso que eu estou te falando é o que eu escuto dos professores. (Juliana. Coordenadora de Matemática. 2011. PROEF-‐2).
Na ótica dos professores-‐monitores as reuniões de “Equipe a gente discute os alunos,
as reações dos alunos durante a semana, que procedimentos que a gente pode incrementar para poder melhorar o aprendizado dos alunos”348.
Nós temos também nessas reuniões, seminários que eu acho importante para a formação da educação de jovens e adultos, eles tem temáticas muito relacionadas com o que nós estamos abordando. Por exemplo, na semana passada nós tivemos um seminário que falava justamente do problema que nós estamos enfrentando aqui, que é o Grupo de Trabalho Diferenciado, o GTD. Como fazer com que os alunos entendam que um GTD é importante para o conhecimento deles numa turma concluinte, sem que eles entendam que eles são burros ou fiquem inferiorizados? Diante disso, e eu acho que esse seminário veio reforçar essa pauta. (Gustavo. Professor-‐monitor. Teatro. PROEF-‐2).
A equipe de professores-‐monitores se dedica a um outro momento de formação: durante a elaboração dos “Memoriais”349 ou “Cadernos de Turma”. Diniz-‐Pereira; Fonseca et
348
Vinícius. Professor-‐monitor Teatro. PROEF-‐2.
349 O termo “memorial” é usado por Diniz-‐Pereira; Fonseca et al. (2008) em estudo realizado sobre o mesmo. Os autores
explicam que estão cientes de que não se trata de uma narrativa autobiográfica.Em Mati (2008) encontramos“Caderno de Turma”. Portanto, resolvemos manter ambos os termos no intuito de captarmos melhor o significado deste instrumento no PROEF-‐2.
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al. concebem o memorial como “um importante instrumento de fomento à reflexão dos percursos formativos de educadores e de suas práticas pedagógicas”350. No PEZP os educadores também registram o trabalho desenvolvido em sala de aula.
Os “Cadernos de Turma”351 são um dos requisitos formativos que fazem parte
da rotina dos professores/monitores do PROEF-‐2. Estes documentos podem ser comparados aos diários de classe que acompanham comumente qualquer professor. Ou seja, são nestes “Cadernos de Turma” que os professores/monitores do PROEF-‐2 registram os conteúdos trabalhados, anotam os tipos critérios de avaliação, fazem o controle da presença dos alunos, anexam os materiais didáticos utilizados.
Na sexta feira a gente se reúne, aí a gente faz uma rodada para ver como é que está em cada sala de aula, o que está trabalhando, qual a dificuldade que está encontrando o que deu certo o que não deu certo. Nesse diálogo a gente vai buscando, encontrando as formas de superar essas dificuldades. Viu o que deu certo numa sala, o que não deu na minha. Tem a sistematização da prática. No momento a gente faz o registro de tudo que aconteceu, de tudo que é planejado, que aconteceu na sala de aula e faz aquele momento de reflexão sobre a prática da gente, às vezes, a gente começa a entender: “mas eu podia ter feito isso de outra forma”. Quando você para pra refletir em casa uma resposta que o aluno te deu, no jeito como ele reagiu, na atividade que você colocou, você já vai encontrando meio que o caminho. Porque o aluno ele já vai te dando esse caminho, ele vai dizendo não. Por ele já ser adulto, já ter essa consciência do que ele quer, do que ele está indo buscar na sala de aula, ele vai dizendo “Não eu não quero isso, eu quero isso daqui”, mesmo que ele não diga isso diretamente, alguns dizem diretamente: “Não professora, não quero estudar isso não”. Alguns te dizem diretamente outros vão pelo jeito que eles reagem, pelo desenvolvimento que eles têm em uma atividade ou a não se envolver, ele vai te dizendo qual é o caminho que você tem que seguir. Se a gente leva isso para a formação continuada, quando a gente relata isso nas nossas tematizações, isso vai servir de base para a coordenação pedagógica trazer, buscar também formas de superar essas dificuldades das educadoras e trazer oficinas. (Edvilma. Educadora. PEZP).
350
Diniz-‐Pereira; Fonseca et al. Aprender a ser educador de EJA: análise de memoriais de professores-‐monitores do
PROEF/UFMG. 2008, p. 78.
351 Os “Cadernos de Turma” são um dos requisitos formativos que fazem parte da rotina dos professores/monitores do
PROEF-‐2. Estes documentos podem ser comparados aos diários de classe que acompanham comumente qualquer professor. Ou seja, são nestes “Cadernos de Turma” que os professores/monitores do PROEF-‐2 registram os conteúdos trabalhados, anotam os tipos critérios de avaliação, fazem o controle da presença dos alunos, anexam os materiais didáticos utilizados. No entanto, os “Cadernos de Turma” possuem algumas diferenças com relação aos diários de classe. A primeira delas está no fato de que estes registros funcionam realmente como diários, isto quer dizer que esta documentação contém a narrativa, feita pelos professores/monitores, do cotidiano das salas de aula de EJA no PROEF-‐2. A segunda diferença com relação aos diários de classe está ligada ao fato de que os “Cadernos de Turma”, ao carregarem a narrativa do dia-‐a-‐dia das salas de aula do PROEF-‐2, transformam-‐se em uma espécie de exercício de memória39 dos professores/monitores em seu processo de formação. Assim, estes registros são ricos por guardarem as reflexões, as conclusões, as afirmações, os dilemas e convicções dos educadores no transcorrer da formação docente. Isto faz desta documentação um acervo importante para o estudo sobre formação de professores, além de ser claramente um instrumento interessante para se verificar o perfil e as especificidades do educador que pretende trabalhar com a EJA. (Cf. Emmeline Salume Mati. Trajetórias de educadores construídas na educação de jovens e adultos: experiências e significados, 2008, p.65).
177
Foi interessante também, fazer a questão de você sistematizar, não só pontuar, porque a ideia de um relatório é você dizer o que aconteceu e pronto, aconteceu muito isso, é, mas, o que te estimulava era que você pensasse naquilo que aconteceu, e você fosse propositiva, que você tentasse achar outras formas de resolver aquilo, de melhorar a sua prática pedagógica. (Ruth Helena. Ex-‐educadora (2009). PEZP).
O trabalho integrado da coordenação com os professores-‐monitores e com os educandos propicia a tomada de decisões que passam pela concepção do plano pedagógico, seleção de conteúdos, elaboração de atividades e materiais, pelo redimensionamento dos critérios e instrumentos de avaliação do PROEF-‐2 nas reuniões gerais. O teor da reunião geral do PROEF-‐2 está presente “Encontro de Convivência Coletiva e Aprendizagem
Recíproca” – Fórum – realizado no Paranoá. Neste espaço são convidados a participar todos
os envolvidos com a prática educativa no Projeto. O fórum acontece “como parte da ação de
superação das dificuldades vividas/enfrentadas pela comunidade”, afirma Leila352 e Reis confirma: “O Fórum é uma reunião geral, uma grande aula coletiva, com a participação de
todos os alfabetizandos, alfabetizadores, dirigentes da organização popular, professores, alunos, técnicos da UnB”353. Lourdes354 percebe que no fórum “a gente trabalha muito essa
questão do que fazer, do como fazer no dia-‐a-‐dia”.
A gente tem o planejamento, toda sexta-‐feira no fórum de educação. Nesse fórum vêm os alunos, os educadores, o grupo da UnB, a coordenação da alfabetização de jovens e adultos e a gente faz a observação do trabalho feito na semana e o planejamento também. Primeiro a gente escolhe um tema para trabalhar em sala de aula, que é a situação-‐problema-‐desafio, e a gente vai montar um planejamento em cima daquele tema. Para nós que já somos alfabetizadoras há muitos anos, a gente praticamente pode fazer só, mas, para aquelas outras que são novatas, precisa de um planejamento e esse planejamento ele é geral. (Eva. Educadora. Paranoá).
O fato de escolherem a situação-‐problema-‐desafio em ambiente aberto aos envolvidos com a prática educativa do Paranoá parece contribuir para duas conquistas, pelo menos. A primeira seria a participação dos educandos na escolha dos temas de sala de aula e, a segunda, diz respeito ao exercício de vez e voz, de cidadania, do grupo, principalmente dos educandos. Lourdes acrescenta que o fórum “É formação porque você está trabalhando
352
Leila Maria de Jesus. A repercussão da atuação de educadores/as populares do CEDEP/UnB na escola pública do
Paranoá: DF, 2007, p. 89. 353
Renato Hilário dos Reis, A constituição do sujeito político, epistemológico e amoroso na alfabetização de jovens e
adultos, 2000, p. 47. 354
178
com os alunos no fórum, você trabalha a oralidade dos alunos, essa percepção dos alunos de entender o que está em volta, discutir o tema. A gente está se formando também”. Para
Joselice355, o fórum aproxima o educando do trabalho em sala de aula. “Em geral é o modo
da gente lidar com ao alfabetizandos e a maneira da gente passar conteúdo para eles. Porque o que a gente dá para eles são temas que a gente tira com eles no fórum”356. Na concepção da equipe da UnB, é importante os educandos participarem do fórum “Porque é
para eles o fórum, é a vida deles, eles são o centro do trabalho. É tipo, como é que você vai dar aula sem um aluno? Senão, o que acontece é que a gente decide e aí fica ‘bancário’. O que a gente decide põe para eles e eles não têm voz”357.
O CMET compartilha a importância do educando se colocar junto ao educador na