• No results found

Tilrettelegging i forhold til synsfunksjon – betydning på mikronivå

In document Samarbeid til barnets beste (sider 85-92)

5.3 Mikronivå

5.3.2 Tilrettelegging i forhold til synsfunksjon – betydning på mikronivå

A reinserção laboral dos reclusos, após a saída da prisão, é seguramente um dos fatores que mais contribui para a sua reinserção na sociedade. Sem trabalho não há rendimento e sem rendimento por vezes surge a tentação de enveredar por caminhos sinuosos que, muitas vezes, conduzem novamente à prisão. A confirmar esta premissa está o facto de as novas oportunidades de trabalho e a aprendizagem de novas profissões, serem os fatores mais mencionados pelos entrevistados (11) como contribuindo para a reinserção. Estes dão exemplos de pessoas suas conhecidas que, pelo facto de terem trabalhado e algumas por terem aprendido novas profissões, isso as tenha ajudado aquando da saída da prisão. Cristiano diz: “(…) N ,

52

exemplo, ele tirou o curso ali no Linhó e agora é eletricista. A profissão dele era pedreiro e agora é Câ ”;

Saúl reforça: “(…) q çã j (…) z q v h , á C x q , h v , j h ”;

E Yann conclui “(…) conheço um companheiro meu que esteve preso por tráfico de droga, tirou um curso de serralharia mecânica ã h C z h j x çã ”.

A aprendizagem de uma nova profissão pode contribuir não só para encontrar um emprego à í ã “ ” q h , z V : “(…) que sempre tiveram problemas, até de crescimento, tiveram pouco apoio e na cadeia fizeram-se homens, fez-se luz naquelas cabeças, aprenderam uma profissão e hoje gostam daquilo que fazem (…)” e Renato: “(…) z , z á , a ele ajudou, porque quando antes v ã h ã (…)”.

Hélder refere- çõ z “ h q é ã ”.

Relacionado com a profissão que exerciam antes de serem presos está o desejo de continuar a exercer para não esquecer os conhecimentos adquiridos depois de todos os anos que passam afastados do exercício regular da mesma. Esta ideia está bem refletida nas palavras de Nelo e de Fernando:

Sim, uma vez que não se perde anos sem se praticar aquilo que se estava a fazer. Às vezes (eu já é a segunda vez que estou preso) e já me aconteceu, eu estive 3 anos sem trabalhar. Ao fim de 3 anos, quando peguei num rolo, quando peguei numa trincha, aquilo parecia que já não era como andar de bicicleta, uma pessoa nunca esquece mas as primeiras pedaladas, ainda são assim um bocado tortas, só assim ao fim de um dia de trabalho é que a coisa já começa. Por isso uma pessoa estar assim sem trabalhar, não esquece mas perde um bocado o jeito, ou seja, o praticar faz com que a pessoa não esqueça e vá sempre melhorando aquilo que faz.

Por exemplo eu tenho o meu companheiro de cela que é serralheiro de profissão, está cá dentro a exercer como serralheiro, não perde as características e o profissionalismo, vai continuando. Não vai estar cá vários anos preso e depois chega lá fora e já não sabe. Eu acho que é importante a continuidade. A necessidade sentida por alguns ao longo da sua vida em obter um certificado que ateste as suas competências pode ser-lhes proporcionada por um estabelecimento prisional que lhes atribui um certificado pela frequência da formação, que lhes permite inclusivamente reconhecimento internacional, como diz Joaquim: “(…) h h , A h ç é í trabalh . v , ó q ã h ”.

Bruno refere não só o seu caso como o de um colega a quem a obtenção de um certificado ajudou a encontrar emprego:

Por exemplo, no meu caso dos estuques, lá nos Açores não há quem trabalhe nessa área. É uma mais- valia para mim chegar lá com um certificado porque tirei o curso. Muito mais fácil conseguir arranjar

53

h (…) q q , j h á . Era numa área que precisavam só que ele antes não tinha formação. Era carpinteiro de limpos.

Partindo do princípio que o bom comportamento, enquanto estão presos, os ajuda no cumprimento do seu percurso prisional, contribuindo assim para o rápido retorno à sociedade, assume particular importância a componente psicológica. Manter a cabeça ocupada para não cederem a tentações dentro da prisão pode ser uma questão muito importante. Na opinião de Hélder: “ , ã em fazer asneiras. Se uma pessoa não tem nada para fazer, em que é que vai pensar? Só pensa em coisas de mal, não pensa (…)”

“ ” ã ó -lhes instabilidade como levá-los, em alguns casos, a terem agravamentos da sua pena, o que conduz a um mais tardio regresso à sociedade e a maiores dificuldades de reinserção.

A demonstrar a importância da componente psicológica está a opinião de Ulisses que nos diz que: “É muito importante, como é que eu hei-de dizer, ter oportunidade de sair ao ar livre, é muito importante pa essa pessoa poder voltar a reintegrar na sociedade, pa não voltar a cometer o mesmo .”

Mais drástica é a opinião de Yann que diz: “ . q ã ã , que têm penas grandes, quando saiam daqui eram bichos. Porque isto aqui dentro é, é a lei da sobrevivência. Aqui dentro, não há hipótese, né, mesmo assim ainda temos sorte em ter estes , çõ , q q (…)”.

Referida por apenas um recluso foi a aquisição de hábitos de trabalho como contributo para a re çã . W á x ã : “O ã há . ã h no que está a trabalhar agora mas ajudou- h á ”.

Existem também entrevistados (5) que consideram o trabalho na prisão não ajuda a arranjar emprego e consequentemente, não contribui para a reinserção de ex-reclusos. É uma opinião tão válida como qualquer outra pois reflete a realidade e as vivências destes homens. Na opinião de Isidro, Manuel, Orlando, Renato e Xavier, respetivamente:

Eu conheço alguns ex-reclusos no entanto muitas das vezes quando saem não conseguem adquirir emprego, trabalho na área de formação que tiraram cá dentro. Nenhum dos que eu conheço conseguiu. Acabaram por ir para a construção civil, para outros trabalhos, outros permaneceram na vida que levavam mas por acaso não conheço até nenhum que tenha aplicado.

Duma cadeia, sair e as portas estarem um dia à minha espera é muito difícil. Tá bem que é uma maior valia, um maior conhecimento, é uma aprendizagem que eu tenho dentro de mim, que levo daqui, já é um suporte maior, mas que isso na sociedade não, não é nada (…).

O problema de tudo isto é lá fora a sociedade dar oportunidade às pessoas que fizeram um curso aqui dentro porque às vezes só com o curso que fazemos aqui dentro, saímos lá fora e não temos , í é q à v z (…).

54

Ajuda, tamém ajuda pa, com a ajuda de pessoal da segurança social né, porque isto que eles dizem é só uma fachada, uma pessoa sai daqui e já tem conhecidos que tiveram aqui, batalharam e a única solução que tiveram foi sair de Portugal (…).

Tens uns que ajudou, outros não, maioria dos reclusos que estão no estabelecimento prisional, 90% são reincidentes e tem umas portas que se abrem para alguns, para outros não e há aqueles que vão procurar um emprego, dizem não, fecha aquela porta, e isso desanima, perde assim a força de vontade. Acho que há alguns casos com sucesso mas também há outros que regressam ao estabelecimento prisional.

Há quem considere que a reinserção também depende da vontade do recluso, como Alexandre: “(…) isso depende, depende porque, depende da mentalidade da pessoa porque há aí pessoal que já querem sair e ser bandido novamente. Querem mudar de profissão mas é na atividade (…)“.

Gonçalo defende que para alguns reclusos a falta de trabalho e alguma insegurança, aquando da saída da prisão, pode levá-los a não conseguirem reinserir-se:

Se um gajo não trabalha, quando sai lá fora, pronto, não tem assegurado nada, e eu não vou meter em mais nenhum problema para não voltar mais cá. Mas o outro que não tem segurança tem que meter outra vez e pode voltar cá. É importante trabalhar aqui para quando sai o dinheiro que tem ajuda a inserir na sociedade. Para mim, eu não vou voltar ao crime por não ter trabalho, mas para o outro não é assim. Tiago também considera importante a atitude do próprio recluso pois diz que: “(…) há muitos na rua que dizem que não têm trabalho, não têm profissão, não têm não sei quê. Para mim eu acho que isso tudo é treta porque uma pessoa quando quer fazer alguma coisa vai à procura, porque há várias pessoas que agora querem ter um emprego, quer ganhar dinheiro, não querem trabalha (…)”.

In document Samarbeid til barnets beste (sider 85-92)