4. Bearbeiding og tilrettelegging av data
4.3. Tilrettelegging av data for igangværende utdanning
O questionário, da maneira como foi construído, preparava o participante para chegar até aqui, onde o problema de pesquisa é respondido de forma clara. Os sujeitos, inicialmente, caracterizaram a realidade brasileira, depois demonstraram seu conhecimento e/ou engajamento com ela, discorreram sobre como a psicologia pode atuar em relação a essa realidade e, nesta etapa, puderam responder sobre como a formação os ajudou a construir essa visão demonstrada até aqui (de realidade brasileira, de psicologia e de atuação do psicólogo).
Esta parte é considerada por nós como o centro deste trabalho. Nas duas questões que compõem essa parte, cada aluno foi solicitado a responder quais recursos da formação o auxiliaram a lidar com as questões sociais que apontaram no início do questionário e de que forma esse recurso os ajudou.
Vale ressaltar que, no enunciado da pergunta, disponibilizamos alguns exemplos de recursos de intervenção/técnicos e de compreensão/teóricos (disciplinas, autores, livros, estágios, eventos, iniciação científica, extensão etc). Analisando de forma geral as respostas, concluímos que isto pode justificar a alta ocorrência destas respostas (tabela 21).
No entanto, entendemos que o procedimento qualitativo que utilizamos nos possibilita analisar as respostas e garantir uma riqueza de respostas. Por exemplo, temos 28% das respostas indicando que as disciplinas os auxiliaram a lidar com as questões sociais, se parássemos apenas na categoria disciplina, esta estaria enviesada por se encontrar como exemplo no título da questão. O que torna esta questão valiosa é sua análise qualitativa que nos permite avaliar quais são essas disciplinas e do que tratam.
Tabela 22 - Quantidade de respostas categorizadas por tipo de Recursos da Formação
Recurso de Formação N % Disciplinas 98 28,0% Estágio 88 25,1% Conhecimento teórico 78 22,3% Atividade extracurricular 35 10,0% Projeto de extensão 22 6,3% Pesquisa 15 4,3% Professor 9 2,6% Não sei 5 1,4% Total geral 350 100%
Fonte: Desenvolvido pelo autor.
Na categoria “Disciplinas” foram aglomeradas respostas que falavam especificamente de disciplinas da graduação. Na análise, aglutinamos as disciplinas por temáticas parecidas apesar de diferentes títulos. Ao final, construímos 16 categorias (tabela 22).
Em “Psicologia Social” foram agrupadas disciplinas de psicologia social e/ou comunitária. Em “concepções teóricas” surgiram disciplinas que tratavam de abordagens teóricas de forma geral ou específica. Disciplinas que tratavam de temas específicos foram agregadas. Nesta categoria, surgiram as seguintes disciplinas: Direitos humanos e cidadania, Homem e sociedade, Movimentos sociais e políticas públicas, Formação social e cultura brasileira, Modos de produção, Trabalho e subjetividade, Projeto social, Psicologia, gênero e processos de subjetivação, Prevenção e combate as drogas, Psicologia e orientação sexual, Psicologia dos Portadores de Necessidades Especiais, Libras, Redes de Apoio e Intervenção Psicossocial, Psicologia, Ciência e Profissão, Instituições, Ações Políticas de Transformação Social, Ação comunitária, Política social, Políticas públicas, Intervenção Psicossocial em Saúde Mental, Gênero, sexualidade, raça e saúde, Projeto Integrado de Trabalho, Psicologia, diversidade e inclusão, Psicologia e políticas públicas, Atenção psicossocial, Cultura e sociedade brasileira, Psicologia social e áreas emergentes da psicologia, Trabalho em rede, Intervenção Psicossociais e Práticas Comunitárias, Estudos e Contextos culturais, Psicologia ambiental, Políticas públicas em saúde, Psicologia do Excepcional, Educação Inclusiva e Programa de Integração Escola e Comunidade.
Tabela 23 - Disciplinas por categoria
Categoria de Disciplina N %
Psicologia social 80 29,1%
Com temas específicos 59 21,5%
Escolar / Educacional 29 10,5%
Concepções teóricas: 25 9,1%
Saúde / saúde coletiva / saúde mental / hospitalar 24 8,7%
Organizacional / trabalho 13 4,7%
Ética 8 2,9%
Todas 7 2,5%
Sociologia, Filosofia e Antropologia 7 2,5%
Desenvolvimento humano 6 2,2%
Jurídica 4 1,5%
Psicopatologia 4 1,5%
Dinâmica de grupo / psicologia grupal 4 1,5%
Psicofarmacologia e Bases Neurais 2 0,7%
História da psicologia 2 0,7%
Trânsito 1 0,4%
Total 275 100,0%
Fonte: Desenvolvido pelo autor.
Os “Estágios” tiveram 25,1% do total geral de respostas. Na tabela X, eles foram categorizados por área. Na categoria “Educacional”, foram agregados os estágios que se referiam à atuação em Escola, Creche, IES, APAE, Psicodiagnóstico infantil e Educação especial (Síndrome de Down, autistas). Em “Saúde” estão as práticas realizadas em CAPS, CAPSad, Hospital, Posto de saúde, ESF, Hospital psiquiátrico, Comunidade terapêutica e CEDIP. Os estágios na área da Psicologia Comunitária se referiam à atuação nas seguintes instituições ou sobre os seguintes temas: ONG, CRAS, CREAS, Drogas, Idoso, Projeto social, Moradores de rua, Orfanato, Abrigo, Delegacia da mulher, Bolsa-família, Cooperativas e
Economia Solidária. A prática realizada em Fórum, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública, CESENSA (menor infrator) e Presídio foram aglomeradas na categoria “Justiça”. A categoria “Clínica” se refere à atuação em consultório, e “Organizacional”, em empresas.
Tabela 24 - Áreas de estágio
Área do Estágio N % Saúde 48 33,8% Comunitária 42 29,6% Educacional 32 22,5% Clínica 9 6,3% Justiça 8 5,6% Organizacional 3 2,1% Total 142 100,0%
Fonte: Desenvolvido pelo autor.
Na categoria “Conhecimento teórico”, estão presentes livros, documentos, autores, abordagens teóricas, documentários e conteúdos específicos citados (tabela 24).
Tabela 25 - Conhecimento teórico
Categoria N % Autores 83 52,5% Conteúdos específicos 32 20,3% Livros 19 12,0% Documentos legislativos 14 8,9% Abordagens teóricas 9 5,7% Documentário 1 0,6% Total 158 100,0%
Na tabela 25, apresentamos os autores que foram citados entre 2 e 10 vezes. Vale pontuar que 21 outros foram citados apenas uma vez. Em relação às obras citadas, em “Documentos legislativos” surgiram: Resoluções e Manuais do CFP, documentos do Ministério da Saúde, Legislações; cartilhas CFP, cartilhas do CRAS, NASF, CREAS, direitos da mulher, Estatuto do Idoso, ECA, Estatuto da juventude, programas do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Tabela 26 - Autores
Autores Vezes citados
Michel Foucault. 10
Paulo Freire. 8
Sigmund Freud; Lev Vygotsky; Félix Guattari. 7
Gilles Deleuze. 6
Ana Bock; Zigmunt Bauman. 5
B. F. Skinner, Jacques Lacan; Pedrinho Guareschi. 4
Murray Sidman; Melanie Klein; Jean Piaget; Jacob Levy Moreno;
Antônio Ciampa; Maria Helena de Souza Patto; Silvia Lane. 3 Bader Sawaia; Friedrich Nietzsche; Donald Winnicott; José Bleger;
Carl Rogers; Karl Marx; Contardo Calligares; Ignácio Martín-Baró; Demerval Saviani; Emerson Merhy.
2
Fonte: Desenvolvido pelo autor.
Foi apontada uma grande diversidade de livros escritos por autores citados anteriormente. Também verificamos diversidade nas abordagens teóricas apresentadas: Sócio- Histórica, Comportamental, Psicanálise, Fenomenologia, Humanista, Positiva, Transpessoal, Sistêmica e Terapia Cognitivo-Comportamental.
Como último item que compõe a categoria “conhecimentos teóricos” temos os conteúdos específicos. Identificamos os seguintes temas: pesquisa ação; teoria do reconhecimento; mediação de conflitos; teorias de grupos; teorias cognitivas sociais; atendimento psicossocial, educação libertadora, pirâmide de necessidades do indivíduo, sociologia do trabalho, psicodinâmica do trabalho, filosofia, Desenvolvimento Humano, Psicologia das Habilidades sociais, racismo e formas de combatê-lo, psicologia de emergências
e desastres, aula sobre plantão psicológico, atendimento emergencial, discussões sobre os programas de transferência de renda, SUS, Humaniza SUS, Políticas Públicas, Cuidando do Cuidador, Intervenção breve, Testes, Violência e Psicanálise, sociologia e filosofia, violência, processos psicológicos dentro do SUS e nos CAPS, grupo operativo, disciplinas sobre políticas públicas, sobre psicodinâmicas institucionais, e outras que relacionam estrutura organizacional e subjetividade.
Na categoria seguinte, “atividade extracurricular”, reunimos respostas que tratavam de eventos, palestras, seminários, workshops, cursos, exposições, encontros de estudantes, movimento estudantil, relação com o conselho, trabalho voluntário, semanas de psicologia das IES. Essa categoria representou 10% das respostas.
Os projetos de extensão foram citados em 6,3% das respostas. Na maioria das vezes, era apenas citado “projeto de extensão”, nas respostas que desenvolveram mais o tema, surgiram os seguintes projetos: psicanálise, sexualidade, orientação profissional, comportamental, clínica médica, Desenvolvimento de atividades com crianças e adolescentes na Casa de Acolhimento de Assis, extensão em hospitais universitários, projeto de clínica ampliada, Centro de Referência de Direitos Humanos, acolhimento na sala de espera da clínica- escola, COMUPRA, Projeto Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares; Atendimento Psicológico, Projeto Rondon, Bolsista no PET-SAÚDE, Projeto de pesquisa e extensão Madalena\União – CE, SPE - Saúde e Prevenção na Escola – e Comunidade Terapêutica - Grupo com familiares de dependentes em tratamento e triagem.
Com menor porcentagem, a “Pesquisa” apareceu em 15 das respostas. Dessas, a maioria apontou a iniciação científica de forma geral, sendo os temas específicos apresentados: altruísmo, alfabetização, gênero, saúde coletiva, maternidade e loucura.
Nove participantes citaram professores específicos ou suas características como recurso de formação. As características que apresentaram como positivas foram: visão mais próxima das questões sociais, privilegia formar um profissional capaz de atender as demandas regionais, capacitados, incentivaram a ser críticos, envolvidos em questões sociais, sensível e atento.
A tabela 26 está organizando do nível mais alto de compreensão para o mais baixo. Todas as respostas que indicavam um compromisso social da psicologia ou alguma ação que visasse à transformação social foram aglutinadas na categoria “Projeto de transformação social”. Em “Compreensão crítica”, estão aquelas respostas que indicam uma postura crítica e compreensão mais aprofundada da realidade proporcionada pela formação, mas não indicam uma ação para mudar essa realidade. A categoria “Base teórica e prática” tem como composição
as respostas que apontam para o auxílio teórico e prático para a atuação do psicólogo dado pelos recursos de formação. Como nível mais baixo, em “Conhecimento e vivência”, estão os recursos que apenas proporcionaram um contato inicial com a realidade social, um descobrir que existe aquela realidade, conhecê-la e vivenciá-la.
Nesta tabela, analisamos de que forma os recursos apontados pelos participantes o auxiliaram a lidar com as questões sociais. Diferentemente das outras questões do questionário em que era contado número de respostas, nesta questão, categorizamos cada resposta no nível mais alto que ela assumia. Assim, se uma resposta apresentasse dois níveis, a categorizamos no mais alto.
Tabela 27 - Como os recursos auxiliam
Nível de compreensão N %
Projeto de transformação social 39 26,9%
Compreensão crítica 38 26,2%
Base teórica e prática 38 26,2%
Conhecimento e vivência 22 15,2%
Não resposta 8 5,5%
Total geral 145 26,2%
Fonte: Desenvolvido pelo autor.
Os resultados em relação ao nível de compreensão dos três níveis mais altos estão relativamente equilibrados, apresentando uma média de 26,4% (N=38) por nível. Já o nível mais baixo, “conhecimento e vivência”, destoa desse padrão ao apresentar apenas 15,2% (N=22) dos sujeitos.
Com o objetivo de identificar quais recursos de formação proporcionam quais níveis de compreensão, realizamos um cruzamento entre as questões 14 e 15. Como resultado, obtivemos os resultados apresentados na tabela 27. Nas colunas dessa tabela, estão os recursos de formação e, nas linhas, os níveis de compreensão. Cada recurso está dividido em número de respostas absolutas e em porcentagem em relação ao seu total de respostas, não ao total geral. Nas categorias “Atividade extracurricular”, “Disciplinas”, “Estágios” e “Teoria”, identificamos que a maior parte das respostas se concentrou nos dois níveis mais altos de compreensão. A “Pesquisa” foi apontada em 15 respostas, e o “Professor”, apesar de aparecer
em apenas 9 respostas, também teve a maior quantidade de respostas nos dois níveis mais altos de compreensão.
A única categoria que não seguiu um padrão decrescente entre níveis de compreensão e número de respostas foi o “Projeto de extensão” que apresentou uma porcentagem maior do nível “Base teórica e prática” do que de “Compreensão crítica”.
Tabela 28 - Cruzamento recurso e nível de compreensão
Atividade
extracurricular Disciplinas Estágio Pesquisa Professor Projeto de extensão Teoria Projeto de transformaçã o social 13 37% 28 29% 28 32% 6 40% 3 33% 9 41% 22 29% Compreensão crítica 9 26% 27 28% 20 23% 6 40% 3 33% 4 18% 21 27% Base teórica e prática 7 20% 24 25% 20 23% 2 13% 0% 6 27% 18 23% Conhecimento e vivência 4 11% 14 14% 15 17% 1 7% 1 11% 2 9% 13 17% Não resposta 2 6% 4 4% 4 5% 0% 2 22% 1 5% 3 4% Total geral 35 100% 97 100% 87 100% 15 100% 9 100% 22 100% 77 100%
Fonte: Desenvolvido pelo autor.
Nas questões 16 e 17, perguntamos aos participantes sobre como eles avaliavam o seu preparo para atuar profissionalmente com questões sociais da realidade brasileira e como eles avaliavam a preparação dada pela sua formação (tabelas 28 e 29). Em ambas as perguntas, identificamos um nível elevado do preparo dos participantes, correspondendo a mais de 51,7% de respostas 4 e 5 na questão 16 e 44,8% indicando esses mesmos valores na questão 17.
Também identificamos uma correlação de 0,64, o que indica que as respostas se comportam de forma parecida. Assim, não houve grande variação da avaliação do preparo dos participantes em relação à preparação proporcionada por sua formação.
Tabela 29 - Quantidade de respostas por valor sobre a autoavaliação em relação ao preparo para lidar com as questões sociais da realidade brasileira
Nível de preparo N % 5 9 6,2% 4 66 45,5% 3 49 33,8% 2 19 13,1% 1 2 1,4% Total geral 145 100%
Nota: Sendo “1” o menor valor e “5” o maior valor.
Tabela 30 - Quantidade de respostas por valor sobre a avaliação em relação ao preparo dado pela formação para lidar com as questões sociais da realidade brasileira
Nível de preparo N % 5 11 7,6% 4 54 37,2% 3 48 33,1% 2 26 17,9% 1 6 4,1% Total geral 145 100%
Nota: Sendo “1” o menor valor e “5” o maior valor.
Como último espaço do questionário, foi disponibilizada a opção do participante de sugerir elementos a serem agregados à formação que consideravam auxiliar na atuação profissional frente à realidade brasileira (tabela 30).
Tabela 31 - Quantidade de respostas categorizadas por tipo de Recursos da Formação sugestões dos sujeitos Recurso da formação N % Prática 65 35,3% Conhecimento teórico 42 22,8% Estrutura do curso 17 9,2% Atividade extracurricular 14 7,6% Didática 13 7,1% Pesquisa 8 4,3%
Contato com a profissão 7 3,8%
Visão da Psicologia 7 3,8%
Questões financeiras 7 3,8%
Qualificação individual 2 1,1%
Suficiente 2 1,1%
Total geral 184 100%
Fonte: Desenvolvido pelo autor.
A necessidade da formação agregar mais experiências práticas representou o maior número de respostas. Dentro desta categoria os participantes indicaram as seguintes áreas para prática: psicologia escolar, psicologia hospitalar, saúde mental, delegacias, orientação profissional, CRAS/CREAS, ONGS, políticas públicas, clínica crítica, área social, CAPS, comunidade, unidades de saúde e clínica ampliada. Identificamos que muitas respostas justificavam a necessidade da prática ao possibilitar a vivência direta com a realidade e população. Em relação à estrutura dos estágios os participantes sugeriram campos variados de estágio, maior carga horária, maior número de estágios, estágios fora da universidade e possibilidade de ingressar no campo de trabalho antes do término da graduação.
Em relação ao “conhecimento teórico”, a necessidade de adicionar ao curso a discussão sobre as temáticas da realidade brasileira foi marcante nas respostas. Os temas apresentados nas respostas foram: política, programações de intervenções em grupo, conhecimentos filosóficos, lutas e movimentos sociais, corrupção, discussões sobre desigualdade social, Políticas Públicas, sociedade, Empreendedorismo, Psicologia social e
comunitária, Farmacologia, políticas públicas de saúde, economia, genética humana, avaliação psicológica, história, geografia, economia do desenvolvimento regional, Psicologia Social, psicologia da Educação, conhecimento sobre Direito, temáticas atuais, Psicologia jurídica, psicologia hospitalar, Aprendizagem de Filosofia, ciência política, antropologia, filosofia, sociologia. Alguns dos participantes apontaram para a necessidade do conhecimento teórico despertar a consciência crítica, auxiliar os alunos a pensar de modo crítico, ativo e consciente, sobre nossa realidade e sobre o papel que desempenharemos na sociedade. Um sujeito ainda colocou a importância de adicionar à formação o aprofundamento em leitura, análise, escrita, oratória, apresentação.
Integração teoria e prática, estágios desde o início do curso, temas como gênero, pobreza, racismo, homofobia, violência, desigualdade social como fazer parte do currículo mínimo do curso, questões sociais do Brasil e Ética sejam abordadas em todas as disciplinas, questões sociais desde início do curso, necessidade de maior foco ao atendimento comunitário, saúde pública e educação, mais trabalhos na comunidade foram solicitadas como mudanças na “estrutura do curso”. A respeito das abordagens, foi sugerida maior ênfase às Psicologias Positivas, Humanistas, Sociais, Grupais, Cognitivas e Comportamentais e um pouco menos às Psicologias Psicanalíticas ou Psicanálise em geral e necessidade de unidades de aprendizagem e estágios pertinente a saúde Coletiva, com foco na Psicologia Social e comunitária. Ainda foi apontada por dois participantes o imperativo da desobrigação de TCC e aprendizagem de pelo menos três idiomas: português, espanhol, inglês.
Em relação à atividade extracurricular, foram sugeridos cursos sobre temáticas sociais, participação dos alunos em eventos e movimentos sociais, extensão depois da graduação, incentivo aos Centros e Diretórios Acadêmicos e gestão de carreira para os estudantes.
Alguns participantes assinalaram questões relacionadas à didática, atuação do professor e métodos de ensino. Foi apontada que o método de ensino deve ser repensado e atualizado, especificamente foram citados os estudos de caso, visitas a projetos sociais, debates e oficinas. Os professores precisam ter maior conhecimento da realidade brasileira, devem ser problematizados e não normativos, maior criatividade na execução dos estágios e oferecer ao estudante a oportunidade de pensar por si sobre sua realidade. Também foi solicitado mais espaços de troca entre os próprios acadêmicos para que possam falar de suas experiências de estágio em diferentes locais.
Duas categorias aglutinaram as respostas que falavam sobre a Psicologia, “contato com a profissão” e “visão de psicologia”. Em “contato com a profissão”, foi apontada a necessidade de se pensar sobre o papel do psicólogo na sociedade durante a formação, aparecendo como
sugestão a inserção dos estudantes em áreas de trabalho e compromisso da IES em oferecer mais oportunidades aos acadêmicos de conhecer os espaços diversos em que o psicólogo trabalha. Três respostas podem ser utilizadas como exemplo para a categorização desta categoria:
“Diálogos e discussões acerca da mobilização da categoria profissional do psicólogo. Possibilitar maior implicação de todos os acadêmicos com a profissão.”;
“Trabalhar essa questão da função e do papel do psicólogo na realidade brasileira é muito importante de ser sempre discutida, para que se possam pensar em possibilidades e caminhos a serem trilhados, diminuindo a ansiedade, insegurança e angústia que este início de carreira provoca no psicólogo recém-formado, para que este lide melhor com essa construção atual do papel da psicologia, e possa enfrentar sua insegurança sempre tentando buscar novas ideias, e não se conformando com o jeito que está.”;
“Melhor orientação aos alunos sobre alternativas reais de inserção profissional que possam conciliar a atuação "frente à realidade brasileira" e reconhecimento profissional/financeiro adequados.”.
Na categoria “visão da psicologia”, foi demandada a descentralização da clínica na formação, a reforma psiquiátrica, maior ênfase na psicologia social, trabalhar durante o curso a função do psicólogo na sociedade brasileira, também a sustentabilidade e a formação de cultura de aceitação das diferenças na clínica, nas instituições, na vida, dentro da nossa cultura e menos “picuinha” entre linhas teóricas. Como por exemplo:
“Uma Psicologia focada na solução e prevenção dos problemas, com disciplinas que ensinem como o psicólogo deve lidar com diferentes situações presentes na sociedade, pois o que vejo é o foco em diferentes abordagens (humanista, psicanálise, psicodrama, análise transacional, entre outras) e cada professor preocupado em defender a sua, esquecendo de focar na solução ficando preso às doenças e nas diferentes linhas de trabalho. O nosso foco tem que ser o SER HUMANO e sua saúde Biopsicosocial e espiritual.”;
“Formação teórico-crítica para além dos enquadros da psicologia tradicional, envolvendo, assim, o aprofundamento no estudo de teoria política, teórica da filosofia política, teoria da sociologia e, porque não, de antropologia.”.
Com menor representação de respostas da amostra, foram citadas sugestões sobre questões financeiras, qualificação individual e pesquisa. Na primeira, identificamos os seguintes temas: subsídio para cursos de extensão, necessidade de oferta de estágios remunerados e bolsa de estudos, psicoterapia gratuita, auxílio na busca de recursos financeiros e auxílio da IES aos alunos que estudam e trabalham. Dois participantes colocaram a problemática da atenção para a qualificação individual dos estudantes. Nesta categoria surgiu a necessidade de Psicoterapia para os alunos e mais oportunidades de capacitação ofertadas pela universidade.
Em “Pesquisa”, verificamos apenas uma resposta que apontava para a necessidade de estudos que se destinem a estudar a realidade/contexto social em que estamos inseridos; as outras tratavam de pesquisa em geral. Por fim, outros dois sujeitos consideraram suficiente o que tiveram durante a formação para lidar com as questões da realidade brasileira.