A concentração e presença de alguns gases na atmosfera (Figura 3) faz com que a temperatura do planeta se mantenha estável e ideal para que sejam reunidas as condições essenciais para a existência de vida no planeta. Caso não existisse efeito de estufa, a temperatura média da superfície terrestre seria cerca de 34OC mais baixa do que a atual [4].
O verdadeiro problema não se prende com a existência do efeito de estufa, mas sim de quantidades excessivas do mesmo na atmosfera.
11 Figura 3: Gases de estufa na atmosfera[5].
3.1. Dióxido de Carbono na Atmosfera
O dióxido de carbono é um gás que é liberto todos os dias para a atmosfera durante o ciclo do carbono e graças a inúmeras atividades antropológicas. É de salientar que as emissões de dióxido de carbono para a atmosfera continuam a aumentar, no entanto, este aumento tornou- se mais lento. Em 2013 foi elaborado um relatório pela Netherlands Environment Assessment Agency (NEAA), onde está publicada a informação que em 2012, as emissões de CO2
aumentaram 1,1%, valor inferior ao aumento médio anual que foi registado nos últimos 10 anos (2,9%) [6]. Nesse relatório está igualmente referido que este abrandamento está interligado com o uso de energias renováveis. É ainda dito que tanto a China como os Estados Unidos e a União Europeia são as regiões que apresentam resultados mais prometedores relativamente à redução de emissões de CO2. Estas regiões verificaram uma diminuição de 7%, 4% e 1,3%
respetivamente em relação aos valores registados nos últimos 10 anos.
A principal fonte das emissões globais de dióxido de carbono para a atmosfera provém da combustão de combustíveis fósseis, uma vez que quando estes são queimados, o carbono que estava armazenado neles é liberto quase única e exclusivamente na forma de dióxido.
Segundo último relatório de 2013, do Intergovernmental Panel on Climate Change ou Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), realizado em Setembro de 2013 em Estocolmo, a concentração de CO2 na atmosfera é a maior em 800 mil anos [7].
Segundo o relatório elaborado, “o aquecimento do sistema climático é inequívoco e desde os anos 1950, muitas das mudanças não têm precedentes em décadas. A atmosfera e o oceano aqueceram, a quantidade de neve e de gelo diminuiu, o nível do mar subiu e as concentrações de Gases de Efeito de Estufa aumentaram”.
No relatório está descriminado que a concentração de dióxido de Carbono que existe na atmosfera aumentou 40% desde a era pré-industrial, principalmente derivado da queima de combustíveis fósseis. Deste aumento, cerca de 30% foi absorvido pelos oceanos, provocando- lhe uma maior acidez e uma menor capacidade de regulação do clima.
A temperatura média da Terra tem vindo a aumentar ao longo dos anos, tendo havido um aumento de 0,58oC entre 1880 e 2012 (Figura 4). Estudos indicam igualmente que até ao final do século, a temperatura vai atingir no mínimo mais 1,5oC, quando comparada com a estimativa realizada entre 1850 e 1900.
12 Figura 4: Variação da temperatura ao longo dos anos [8].
No relatório elaborado em Estocolmo, Thomas Stocker, que é um dos coordenadores do relatório, afirma que “ Ela (temperatura) vai subir 2oC nos dois piores cenários”. Afirmou
também que “Ondas de calor muito provavelmente ocorrerão com mais frequência e durarão mais tempo. Com o aquecimento da Terra, esperamos que regiões húmidas recebam ainda mais chuva e que as regiões secas recebem ainda menos” [9].
A tendência do aumento da temperatura (Figura 5) tem sido cada vez maior, onde se pode verificar a variação da temperatura na superfície terrestre entre 1901 e 2012.
Figura 5: Tendência do aumento da temperatura [10].
No relatório ainda é dito “Além do robusto aquecimento de várias décadas, a média global de temperatura na superfície exibe uma variação substancial entre anual a cada cinco décadas”.
Um aumento destas proporções nas temperaturas tem que ter influência no degelo e na temperatura média dos oceanos e mares. Entre 1979 e 2012, registou-se uma diminuição
13 de 3,5% a 4,1% por ano de área do Ártico. As projeções indicam que em 2100, os maiores glaciares gelados, terão desaparecido entre 15% a 85%, o que corresponde a um aumento de 26 cm até 82 cm do nível médio dos oceanos (Figura 6), correspondendo aos cenários positivos e negativos respetivamente.
Figura 6: Variação do nível médio dos oceanos conforme cenários [11].
Existem vários indicadores que a concentração de dióxido de carbono na superfície terrestre. Esse dado é suportado pela Figura 7, que apesar de apenas fazer referência a duas localizações onde foram efetuadas as medições, refletem a tendência mundial.
Figura 7: Concentração de CO2 na superfície terrestre medida em Mauna Loa e no Polo Sul desde 1958
Adaptada de [12].
Na Figura 6 pode-se ver que a concentração atmosférica tem sofrido um aumento exponencial com o correr dos anos. Este aumento é notório em ambos os hemisférios terrestres, uma vez que os dois locais onde se efetuaram as medições se encontram em hemisférios opostos.
Segundo o relatório, as concentrações atmosféricas de gases Efeito de Estufa como o dióxido de Carbono, Metano e Óxido de Azoto, tem vindo a aumentar desde 1750, derivado à
14 ação do ser humano. Em 2011, estes gases registavam uma concentração de 391 ppm; 1803 ppb e 324 ppb, respetivamente. Estes valores quando comparados com os da era pré-industrial revelaram um aumento de 40% para o CO2, 150% para o CH4 e de 20% para o N2O.
As emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis e da produção de cimento, entre 1750 e 2011, libertaram à volta de 365 GtC para a atmosfera. Por sua vez, a desflorestação e outras mudanças do uso do solo libertaram cerca de 180 GtC. Isto faz com que as emissões, graças a fatores antropológicos, sejam de 545 GtC [13].
3.2. Sensibilização das populações e empresas e consciência cívica
Devido a estes problemas ambientais e atmosféricos é imperativo que as sociedades tenham consciência das consequências que estas alterações podem provocar tanto no planeta como nos próprios seres vivos.
Campanhas de sensibilização acessíveis a todos são necessárias uma vez que todos podem contribuir para uma redução da pegada ecológica e para uma atmosfera menos poluída.
Muitas empresas em todo o Mundo estão a tornar-se mais “verdes”, amigas do ambiente e menos poluidoras.
Um dos objetivos que as empresas hoje em dia têm é formular, implementar, publicar e atualizar programas regionais, ou mesmo nacionais, que contenham medidas para mitigar a mudança do clima bem como promover medidas para facilitar uma adaptação adequada da mentalidade e atitudes das pessoas para com o ambiente e para as suas emissões de Gases de Efeito de Estufa.