• No results found

Tilleggsvurderinger

In document Saksliste VEDTAKSSAKER (sider 40-44)

Tratando-se de uma avaliação ex-post do projeto, o(s) plenário(s) de avaliação junto dos adolescentes decorreram entre os dias sete e dezanove de Maio de 200928, coincidindo com o término do projeto e conforme datas negociadas com as equipas de cada turma.

A preparação prévia do plenário revelou-se de extrema importância uma vez que foram ouvidos os docentes das equipas do projeto que o iam moderar. Neste processo, fomos abertos e flexíveis quanto à natureza das contribuições das equipas do projeto FREI(A). Na escolha e decisão dos moderadores do plenário de avaliação do projeto, tivemos em consideração o conhecimento que as equipas tinham das turmas, a relação estabelecida com os adolescentes ao longo do mesmo e, ainda, ao conhecimento das atividades desenvolvidas nas turmas a que estavam afetos. Pediu-se aos colaboradores/moderadores do plenário a maior neutralidade possível e o distanciamento necessário, para que as opiniões e comportamentos dos adolescentes não fossem condicionados.

No início da avaliação em plenário foi apresentada aos adolescentes a finalidade do estudo e explicado o objetivo da nossa presença, assim como a preservação do anonimato. Desta forma procuramos também minimizar o impacto da nossa presença

108

como investigadores/observadores. A preparação do ambiente, a disposição da sala de aula e a moderação do plenário esteve a cargo das equipas de projeto.

Constatamos que a dinâmica desenvolvida durante este momento de avaliação pelos moderadores não foi totalmente desconhecida para os adolescentes, na medida em que esta se assemelhava ao habitual recurso à reflexão e ao debate de ideias, métodos utilizados no decurso do projeto. Como investigadores/observadores apelamos ao nosso sentido de observação, procedendo diretamente à recolha de informações, sem nos dirigirmos aos sujeitos interessados, incidindo nos indicadores pertinentes previstos (Quivy e Campenhoudt, 1992, p.165). Estes indicadores tiveram por base a construção do guia e grelha de observação onde foram registadas e codificadas as informações obtidas (de forma a manter o anonimato dos informantes), assim como, os comportamentos observados. Focalizados na observação semiestruturada demos especial atenção às áreas de análise e dimensões pré-definidas a partir do guião construído. No entanto, durante todo o processo de observação, estivemos atentos à emergência de novas dimensões de análise. Uma vez que a intenção era, também, a de avaliar efeitos do projeto nos adolescentes registamos eventuais efeitos a nível dos comportamentos e das relações interpessoais entre adolescentes e entre estes e a equipa do projeto.

Durante o plenário de avaliação, tivemos preocupação permanente em registar tudo o que ouvimos e observamos, num ambiente natural aos informantes, uma vez que foram utilizados espaços como a Formação Cívica, o Estudo Acompanhado e (maioritariamente) a Área de Projeto. Procurámos “ver para além do próprio

acontecimento” o mais discretamente possível, o mais natural possível, tal como refere Bell (2004, p.172). Para registar o observado ter-se-ia vantagem na utilização de um meio audiovisual, contudo, tivemos em consideração o tempo destinado à reunião (noventa minutos, por turma, num total de cinco turmas), a necessidade de adquirir-se o equipamento adequado e ainda contratar-se alguém disponível para as filmagens. Havia ainda a necessidade de pedir-se aos pais/encarregados de educação autorização para as mesmas, correndo o risco de não ser autorizado por alguns, o que comprometeria a nossa intenção de ouvir todos os adolescentes. Assim, decidimos servirmo-nos apenas do próprio investigador/observador como instrumento de pesquisa e recolha de informação para o estudo.

109

Para este estudo, contámos ainda com a informação obtida pela observação de outros momentos/eventos de relevância para o projeto, como sejam o encontro de saúde na escola EB2,3; a reunião de avaliação do projeto e o planeamento e participação nas Jornadas PROmovendo a saúde. Embora não utilizando grelhas de observação pré- definidas, foram efectuados registos em diário de bordo da investigação, verificando-se a sua utilidade para a compreensão dos fenómenos aquando da análise e discussão dos dados.

Através das notas de campo e diário de bordo ficámos a conhecer o número de adolescentes presentes por turma, o sexo, a idade dos adolescentes, quem liderou a reunião (equipa de projeto ou adolescentes); como foram feitas as perguntas por este elemento; o ambiente e a disposição na sala de aula; as relações interpessoais; o comportamento dos adolescentes (atenção, participação) e principalmente o que conhecem e pensam do projeto.

Reconhecemos que observar os comportamentos, utilizando categorias pré- definidas requer prática de forma a não haver dúvidas na forma como determinados comportamentos são classificados. Contudo, os comportamentos foram apenas registados no diário de bordo, como complementares à informação recolhida durante o plenário (Bell, 2004).

Como já salientamos, a nossa proximidade ao contexto e aos atores permitiu que todo o processo de avaliação do projeto fosse o mais natural possível, tornando-se vantajoso quanto à veracidade dos factos observados. Por outro lado, exigiu um investimento na nossa preparação teórica e metodológica, preparando-nos para “possibilidades de observação inesperadas, não programáveis, singularmente significativas” (Costa, 2007, p. 133-134). Esta constatação exigiu da nossa parte a capacidade de “reagir em plena situação de observação, escolhendo dimensões de análise e indicadores, estabelecendo relações entre fenómenos, realinhando focos de interesse e categorias classificatórias, intermutando procedimentos técnicos e específicos” (idem, ibidem).

Os adolescentes mostraram vontade em participar na avaliação do projeto de uma forma ativa e, em alguns momentos, foi difícil a captação e o registo dos discursos, tornando-se quase impossível contabilizar o número exato de adolescentes que partilhavam da mesma opinião. Apesar desta fragilidade, como nos dizem Quivy e Campenhoudt (1992, p.196-197), defendemos que “os métodos de observação direta

110

constituem os únicos métodos de investigação social que captam os comportamentos no momento em que eles se produzem e em si mesmos, sem a mediação de um documento ou de um testemunho”.

No mesmo dia, procedeu-se ao registo das perceções do observador em diário de

bordo e respetiva à análise deste momento avaliativo. Identificámos constrangimentos,

dificuldades, fraquezas da nossa parte, que foram superadas gradualmente, possibilitando a evolução nesta técnica para o(s) plenário(s) de avaliação seguintes.

Salientámos que os adolescentes que expressaram a sua opinião foram apoiados pelos restantes colegas, pelo que quando apresentava um determinado discurso, este assumia-se como representativo de um conjunto de adolescentes. Os investigadores, tendo em consideração as limitações desta técnica, elaboraram uma grelha de observação que, ainda assim, se revelou frágil como registo da totalidade dos discursos e, simultaneamente, observação e registo de comportamentos e reações dos participantes. Para investigações futuras, utilizando como técnica de recolha de dados a observação, sugerimos o recurso à gravação em suporte de vídeo, assegurando os princípios éticos subjacentes (pedidos de autorização aos pais/encarregados de educação e respetiva escola) e ponderando os recursos a utilizar (humanos e materiais), assim como as limitações temporais.

Também importa referir que a última questão do guião foi colocada próximo do término da sessão, convidando os adolescentes a pronunciar-se relativamente às visões para projetos de promoção e EpS em contexto escolar, num espaço reduzido de tempo para o efeito.

As reuniões plenárias de avaliação foram feitas por turma, contudo, a análise resultante dos discursos obtidos na avaliação do projeto foi feita no global, considerando a mobilidade dos adolescentes durante a operacionalização do mesmo.

In document Saksliste VEDTAKSSAKER (sider 40-44)