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Drøfting av prinsipper for tildeling

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A opção pelos instrumentos de recolha de dados dependeu da escolha daqueles que seriam mais adequados à obtenção de informação com pertinência para o nosso objeto de estudo. Assim, optámos por utilizar os três grandes grupos de técnicas utilizadas nas ciências sociais: a análise documental, o inquérito por entrevista e a técnica de observação direta em plenário de avaliação do projeto FREI(A). No âmbito deste modelo de investigação, a observação surge aliada a outras formas de

25 Pelo que optámos a partir do momento, a designar este grupo de atores por diretoras de Turma (DT)

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recolha de dados, principalmente notas de campo e diário de bordo, a que os investigadores fizeram igualmente recurso.

3.5.1- A análise documental

A análise documental aos documentos constituintes do dossier do projeto FREI(A) foi fundamental neste estudo, tornando-se ponto de partida para o mesmo, na fase exploratória e, ainda, durante a fase empírica para a triangulação da informação obtida. Por documento entendemos “um termo geral que designa uma impressão deixada num objeto físico por um ser humano” (Bell, 2004, p.103). Fernandes (1994) apresenta-nos exemplos de alguns tipos de documentos, alguns dos quais, constam do espólio do projeto pertencente ao Departamento de Saúde Materno-Infantil, como sejam: documentos escritos que se incluem no dossier do projeto; documentos disponibilizados pela Coordenadora de EpS da escola E.B. 2,3 da zona Norte; documentos do portal da referida escola e também do Ministério da Educação (legislação) e ainda outras formas de registo como filmagens e fotografias dos eventos, que certificam alguns dos trabalhos produzidos pelos adolescentes no decorrer dos três anos do projeto como alguns dos PowerPoint, cartazes, panfletos, notícias publicadas em jornais regionais e da escola, etc., que validam as atividades desenvolvidas no projeto e possibilitam, também, a avaliação do mesmo. Para Freitas (1999, p.17) devem ser consideradas na avaliação de projetos “três tipos de fontes: (i) pessoas, (ii) atividades do projeto em curso; (iii) documentos existentes”, considerando relevante o contacto com a maior parte das pessoas envolvidas no projeto, a observação das atividades desenvolvidas e a documentação existente considerando-as como fontes de informação direta.

Fernandes (1994, p.167) acrescenta que os documentos podem ser agrupados em duas categorias, atendendo a dois critérios: “ao conteúdo dos documentos e à origem dos documentos, ou seja, aos intervenientes na sua elaboração e produção”. Relativamente ao conteúdo dos documentos, diferencia-os de documentos diretos e indiretos, sendo os primeiros “os que têm relação direta com os fenómenos que constituem objeto de estudo, e são documentos indiretos aqueles que, embora não

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tenham relação direta com esses fenómenos, são suscetíveis de fornecer indicações ou de permitir situar melhor as bases das questões estudadas”.

Considerando a pertinência dos documentos para o estudo e o tempo disponível para a investigação, focalizamos a nossa análise nos documentos escritos diretos que constam do dossier do projeto e nos documentos internos cedidos pela E.B. 2,3: atas, registos de reuniões, inquéritos de avaliação do projeto, relatórios. A consulta destes

registos localmente produzidos e dos documentos presentes naquele dossier, fornecem-

nos informação complementar.

Numa fase inicial, a partir destes documentos, procedemos à análise SWOT27 (apêndice 4) contribuindo para um diagnóstico de situação que orientou este estudo e a tomada de decisão. Para esta técnica, elaborámos uma grelha que permitisse com facilidade consultar o tipo e conteúdo dos documentos, assim como a origem dos documentos e a data da sua elaboração.

Assim, este estudo iniciou-se com leituras exploratórias ao dossier do Projeto FREI(A) pertencentes à ESS e aos documentos disponibilizados pela coordenadora de EpS da EB2,3. Posteriormente à análise documental dos documentos existentes com a finalidade de triangulação dos dados que, de acordo com Fortin (1999, p.322), se define como “o emprego de uma combinação de métodos e perspetivas que permitem tirar conclusões válidas a propósito de um mesmo fenómeno”. A análise documental ao dossier do Projeto FREI(A) – efetuada em fevereiro de 2009 - em simultâneo com a pesquisa bibliográfica foram um ponto de partida e reflexão, orientando o restante estudo: construção do guião da entrevista, da grelha de observação e registo do

plenário de avaliação do projeto junto dos adolescentes.

3.5.2- A entrevista

A técnica de recolha de dados escolhida para a obter a opinião das diretoras de turma foi a entrevista, pois, como nos dizem Bogdan e Biklen (1994, p.134), é aquela que permite recolher “dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos

27 A SWOT ANALYSIS é uma ferramenta de diagnóstico. “Através da análise interna (do Inglês: Strengths - forças e weaknesses – fraquezas) e análise externa (opportunities - oportunidades e Threats - ameaças) ao projeto, na Instituição onde se operacionaliza (Capucha, 2008, p.20).

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interpretam aspetos do mundo”. Efetuaram-se cinco entrevistas individuais, semiestruturadas, às diretoras de turma que operacionalizaram o projeto durante um período mais longo. Esta opção pela entrevista semiestruturada prende-se com o facto de, como investigadores, pretendermos “reencaminhar a entrevista para os objetivos, cada vez que o entrevistado deles se afastar, e por colocar as perguntas às quais o entrevistado não chega por si próprio, no momento mais apropriado e de forma tão natural quanto possível” (Quivy e Campenhoudt, 1992, p.194).

Sendo a entrevista considerada uma técnica privilegiada de recolha de informação, em pesquisa qualitativa, esta opção revelou-se como pensámos, ter sido a mais adequada atendendo ao tipo de informação a recolher e às características dos informantes, tendo-nos permitido obter informações na primeira pessoa sobre o vivido, por este grupo de participantes, as suas representações e também as perceções sobre o todo processo. Por outro lado, associada à observação dos comportamentos e atitudes dos entrevistados, facilitou a análise e compreensão da informação obtida. A possibilidade de interação com os informantes constituiu-se como uma mais-valia para o processo de investigação.

O guião da entrevista foi concebido a partir dos objetivos específicos definidos no início do estudo (apêndice 5), tendo as questões seguido uma sequência lógica de desenvolvimento do projeto: avaliação do processo, avaliação dos efeitos e ainda visões (perspetivas de desenvolvimento futuro), possibilitando a informação que pretendíamos para o estudo.

A capacidade de escuta ativa“em que os interlocutores estão em pé de igualdade (…) por meio de questionamento e, sobretudo, da reformulação constante, que permite (…) chegar a uma boa compreensão dos factos” (Phaneuf, 2005, p.157) alicerçados num tipo de perguntas mais abertas e na validação imediata das respostas é fundamental neste tipo de entrevista. Importa, ainda, assinalar os princípios éticos pelos quais nos orientámos, assegurando que foram cumpridos, nomeadamente, a preservação do anonimato, do sigilo, da liberdade de expressão e a ausência de julgamento ou manipulação do discurso (Bell, 2004).

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3.5.3- A técnica de observação direta em plenário de avaliação do projeto FREI(A)

Recorremos à técnica de observação direta, em plenário de avaliação do projeto

FREI(A) na ACND de Formação Cívica, como forma de conhecer a opinião dos

adolescentes. Pareceu-nos ser a técnica mais adequada, prevista também nas metodologias de avaliação, uma vez que pretendíamos dar oportunidade a todos os adolescentes envolvidos no projeto FREI(A) de expressassem a sua opinião relativamente ao projeto em que participaram.

Relativamente à elaboração do instrumento de recolha de informação para o uso desta técnica procurou-se dar resposta aos objetivos específicos definidos no início do estudo. Assim, optou-se pela elaboração de um guião de orientação (apêndice 6a e b) para os moderadores do plenário de molde a que facilitasse uma abordagem idêntica em todas as turmas. No que concerne aos investigadores na observação participante, para Costa (2007) e Lessard-Hébert, Goyette e Boutin (1994), este é o principal instrumento

de pesquisa , procurando estar abertos a reajustes, tendo beneficiado do quadro teórico

destes autores.

As equipas do projeto de cada turma foram auscultadas, em reunião agendada mediante as disponibilidades apresentadas pelas mesmas, reformulando-se o guião. Posteriormente, o mesmo foi discutido em sede de DSMI pelos participantes que iriam moderar as reuniões do plenário de avaliação do projeto, resultando no instrumento definitivo. Este procedimento justifica-se pela necessidade e vontade dos investigadores tornarem participativo o processo de avaliação do projeto, ouvindo a opinião dos atores diretamente envolvidos na sua operacionalização, enquadrando-se nos pressupostos da

avaliação participativa de projetos.

Por sua vez, para os investigadores/observadores optou-se por uma abordagem estruturada, construindo-se uma grelha de registo da observação de modo a fixar as opiniões dos adolescentes com significado para o estudo (apêndice 6c). No entanto, salienta-se que não foi totalmente rígida esta estrutura, uma vez que estivemos atentos a tudo o que pudesse emergir da observação, como pertinente para o estudo.

Na tentativa de se fazer compreender o significado das unidades de registo, houve por vezes necessidade de acrescentar, nas grelhas de observação, também as

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Durante cada plenário estivemos presentes como investigadores/observadores e contamos com a participação de todos os elementos da equipa de projeto, previamente informados para esclarecer as eventuais dúvidas dos adolescentes e preparados para moderar e estimular a participação.

Reconhecendo que a utilização da técnica de entrevista coletiva, por turma, com recurso à gravação áudio seria de difícil operacionalização pelas dificuldades inerentes à posterior transcrição (tratando-se de turmas com 13 a 24 adolescentes), a observação direta, como técnica de colheita desta informação, permitiu-nos enquanto observadores o estudo desta situação social educativa particular e foi complementada com a análise documental.

A entrada no terreno foi facilitada pela participação no projeto durante três anos. O seu novo papel, como investigadora, não foi encarado pelos adolescentes como intrusão, minimizando-se os riscos de interferência no estudo pelo que consideramos um impacto mínimo da nossa presença nesta unidade social.

Acreditámos que se por um lado a envolvência com a problemática em estudo (avaliação de um projeto de EpS) exige distanciamento, tendo por finalidade o rigor que as técnicas de recolha de dados desta natureza exigem, por outro, a participação como membro da equipa de projeto foi adequada mantendo inalterado o comportamento e reações dos informantes, correspondendo ao pressuposto de Costa (2007, p.135), quando afirma: “é necessário que o investigador faça parte daquele contexto social ou esteja com ele fortemente familiarizado por socialização ou aproximação prévias”.

Bell (2004) acrescenta a subjetividade e parcialidade como outra das críticas a esta técnica, pois como diz, é possível que “cada observador [tenha] o seu centro particular de atenção e [interprete] os acontecimentos significativos à sua maneira” (p.162), sendo indispensável o treino para o aperfeiçoamento desta técnica. Contudo, tivemos em consideração a mesma, servindo-nos de outros momentos em sessões que antecederam a recolha de dados e de outros contextos da nossa vida profissional para o treino desta técnica, como observadores, assim como da interpretação do observado. Os adolescentes foram informados da finalidade do estudo, sendo planeado e negociado com as equipas do projeto, de cada turma, a grelha de observação e registo da avaliação, assim como a moderação do plenário.

Na utilização desta técnica, revelou-se essencial o uso dos registos, pelo que durante a observação em plenário procurámos “registar da forma mais objetiva possível

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e em interpretar depois os dados recolhidos”, tal como nos orienta Bell (2004, p.164), aproximando-nos bastante de um registo de observador-participante.

Segundo a orientação de Lessard-Hébert et al. (1994, p.158), na observação participante é-nos possível recolher dois tipos de dados: “[os] dados registados nas «notas de trabalho de campo» são do tipo de descrição narrativa e aqueles que o investigador anota no seu «diário de bordo» pertencem ao tipo da compreensão, pois que fazem apelo à sua própria subjetividade”. Neste seguimento, relativamente às notas de campo, além de procurarmos anotar textualmente as opiniões dos adolescentes, também anotámos as reações, os comportamentos e as atitudes consideradas pertinentes: a participação, a relação entre atores – entre pares vs. adolescentes e adolescentes vs. equipa do projeto - e a liderança.

Quivy e Campenhoudt (1992) e Bell (2004) são da opinião que o investigador, tanto quanto possível, deveria comparar as suas notas de campo com as de outros observadores. Assim, sempre que possível, no final de cada sessão de observação plenária procedeu-se a uma reunião com a equipa de projeto de cada turma [que assistira ao processo de avaliação final deste projeto], auscultando suas perceções sobre a avaliação realizada pelos adolescentes. Estes momentos, registados posteriormente em diário de bordo, permitiram-nos ajudar a tomar consciência de possíveis enviesamentos e possibilitando aprendizagens de carácter metodológico a considerar em novas ações.

O diário de bordo assumiu um papel preponderante na investigação, uma vez que nele foi registado o percurso da investigação: as perceções, os sentimentos, as reflexões, enfim, tudo o que vivenciamos durante este período de estudo, confirmando a sua importância, como nos refere Laperrière (2003, p.273):

“contém as reflexões pessoais da investigadora sobre o desenrolar quotidiano da sua investigação, a sua integração social no meio observado, as suas experiências e as suas impressões, os seus medos, os seus bons golpes, os seus erros e as suas confusões, as suas relações e as suas reações positivas ou negativas, relativas aos participantes na situação e as suas ideologias, etc.”.

Recorremos também à observação direta de outros acontecimentos relacionados com o projeto FREI(A), nomeadamente o encontro de saúde na EB2,3; a reunião de avaliação do projeto; planeamento e participação nas Jornadas PROmovendo a saúde, procedendo-se depois aos registos descritivos e análise posterior do conteúdo da informação recolhida e do comportamento e reações dos atores em diário de bordo.

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O tempo dedicado a esta técnica de pesquisa foi prolongado, contudo oportuno, pois como nos diz Costa (2007, p. 129) revela a importância do “investigador nos contextos sociais em estudo e [do] contacto direto com as pessoas e as situações”. Foi- nos possível adotar este papel de forma não intencional, durante a operacionalização do projeto em que nos foi possível participar, de certo modo, no quotidiano desses contextos e, por outro lado, de forma formal enquanto investigadores/observadores pela de avaliação do projeto.

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