2. Teori
2.2 Identifisering av omsorgssvikt
2.2.2 Tilknytningsstrategier for å overleve
A primeira vez em que observei a biblioteca foi em uma visita informal que fiz ao local juntamente com a vice-diretora da escola, a professora Aquico, momento no qual conheci uma das responsáveis pela biblioteca, Mara, que se mostrou amável e interessada na pesquisa que eu começava a realizar. Naquela oportunidade, não havia nenhum aluno no pátio, na biblioteca ou nas imediações e pude de maneira tranqüila conversar com Mara e observar as estantes, a sala como um todo, folhear alguns livros, caminhar entre as mesas e cadeiras e escrever as minhas primeiras impressões sobre o local no qual assistiria a muitas aulas de leitura.
A biblioteca da EE. Mário Lago está localizada em um espaço relativamente pequeno, aproximadamente trinta metros quadrados, que foi recentemente dividido em dois ambientes por um balcão de granito. De um lado, encontram-se mais de 12.000 livros tombados, distribuídos em vinte e oito estantes de aço, uma mesa e uma cadeira para a responsável pelo local e um computador. Do outro lado do balcão, há uma sala composta por sete mesas redondas para leitura com cinco cadeiras cada uma, um computador, um quadro branco, um cartaz onde se lê “silêncio” e uma televisão com vídeo, estrategicamente colocada em um suporte na parede. Há uma única porta de entrada para a biblioteca. A iluminação e a ventilação do local são adequadas.
No mesmo corredor em que está a biblioteca, há várias repartições utilizadas para fins gerais – depósito de equipamentos, dois vestuários (feminino e masculino), dois banheiros para alunos, cozinha, depósito de merenda anexo à cozinha, depósito de material de limpeza, e, ao lado da biblioteca, a cantina e o refeitório.
Ainda que as responsáveis pela biblioteca buscassem criar um ambiente propício à leitura, com o tempo fui percebendo que as condições eram desfavoráveis. A posição das mesas e cadeiras dificultava o circular e uma possível transformação do espaço, o balcão que separava os livros de qualquer usuário, da mesma forma, impedia a mobilidade e impossibilitava mudanças para a realização de atividades interativas e, além disso, conferia ao local um aspecto de repartição pública, afastando ainda mais os alunos dos livros, conforme constatamos em diálogo com um aluno da 5ª série C e com a professora Fernanda:
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# (Comentário de um aluno da 5ª série C acompanhado de muitas risadas)
[...] $
(Profª Fernanda)
A meu juízo, os alunos se sentiam excluídos por não terem acesso direto aos livros, o que criava uma imagem negativa da prática da leitura, como algo sagrado que, para ser alcançado, os alunos deveriam passar por um ritual, com etapas que muitas vezes eram intransponíveis para eles. Da mesma forma, não se sentiam acolhidos em um ambiente que lhes toldava o movimento, impedindo a livre circulação. Por outro lado, a professora Fernanda parecia consciente de que a biblioteca, com sua organização física, dificultava uma aproximação das crianças da leitura.
Obata (1999, p.97), ao refletir sobre o espaço físico e a organização do mobiliário de uma biblioteca escolar, aponta que a maneira como se configura a organização física da biblioteca constitui-se em “um sistema de significações das relações que a biblioteca estabelece”. Assim, se a biblioteca precisa acolher seus usuários, permitindo um diálogo entre biblioteca e escola e possibilitando a construção de “relações interativas entre os sujeitos e a informação e o conhecimento”, não basta ser um local que possa ser chamado de biblioteca, mas há que se pensar em maneiras de se propiciar ações múltiplas, relações variadas que podem ser garantidas, por exemplo, pelo grau de mobilidade oferecido.
Uma outra condição desfavorável era sua localização. A biblioteca estava situada próxima ao pátio e à cantina e longe das salas de aula e dos professores, o que significava sérios problemas em alguns momentos: o barulho que atrapalhava o andamento dos trabalhos, distraindo os alunos nos momentos de contação de história e de leitura, pois em muitas aulas vagas os alunos ficavam no pátio e na cantina; a distância que existia entre as salas de aula e a biblioteca, separadas por portões com cadeado, dificultando o acesso de alunos e professores em determinados períodos. Era fato que a escolha daquele local como espaço destinado à biblioteca não havia sido planejada e refletida em função do papel que deve desempenhar a biblioteca escolar, um centro difusor de cultura, para o qual os usuários convergem cotidianamente com as mais diversas finalidades. Sobre isso recorremos novamente às
reflexões de Obata (1999, p.97): “um dos indicadores da participação da biblioteca como elemento constitutivo do processo educativo e da relação biblioteca-escola é o lugar que ela ocupa na distribuição e organização espacial da escola”.
As conseqüências desses entraves eram sentidas nos comentários da professora e dos alunos durante as aulas de leitura:
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* (Comentário de um aluno a outro, durante a contação de histórias feita pelos alunos).
Assim, acredito que tanto a localização quanto o espaço físico destinados ao funcionamento da biblioteca refletiam o papel que era destinado a ela, não propriamente educativo, o que levaria as crianças e os jovens a um comportamento positivo com relação à biblioteca, à leitura e suas práticas, mas sim de guarda e armazenamento dos livros. Para Caldeira (2005, p.47):
Se desempenhar uma função educativa preponderante na escola, por exemplo, visando a proporcionar aos alunos as oportunidades de leitura intensa e autônoma, além de incentivar a busca de informações para responder a questionamentos e solucionar problemas, então a biblioteca será um local amplo, com instalações confortáveis. (grifos nossos)