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Vedlegg II CE-merking

Artikkel 7 Tilknytning

Os ciclos geracionais disfuncionais são todos os ciclos vitais da família que não se

desenvolveram de forma fluída e sequencial. Com a agravante de este emaranhado de

ciclos ainda se manter entre as gerações da respetiva família. As mudanças de ciclos

podem levar a crises na família que, ou se ajustam, ou entram em disfuncionamento

(Relvas, 2006).

As famílias disfuncionais são as que são confrontadas com dificuldades de várias

ordens, ou de ordem familiar quanto ao seu funcionamento, ou de condições

psicossociais, como o “desemprego de longa duração; história de abuso de substâncias

na família; pobreza; residência em zonas de elevada criminalidade ou violência, etc”

(Melo e Alarcão, 2009, p.60). Também a questão dos maus tratos, da violência

doméstica, a doença mental, deficiência, entre outros. Todos estes índices de

disfuncionamento familiar podem prolongar-se de geração em geração. Contudo,

acredita-se que em cada nova geração exista sempre uma “luta para encontrar formas

alternativas de funcionamento” (Melo e Alarcão, 2009, p.60).

30

John Bowlby (1995) refere que as crianças que foram privadas de um equilíbrio

emocional, afetivo ao longo do ciclo vital da família, mais tarde são pais incapazes de

transmitir o que nunca tiveram e, “este ciclo vicioso é o aspeto (sic) mais sério do

problema” (Bowlby, 2006, p.75).

Papalia (2006) ao descrever a importância do apego, baseando-se na teoria etológica de

Bowlby e Ainsworth (Papalia, 2006, p.68), explica que o modelo que se traz da infância

pode influenciar o relacionamento com os elementos da sua família. As mães com

modelos seguros de apego tendem a ter filhos com relacionamentos seguros perante os

outros filhos de mães inseguras. “Essa linha de pesquisa mostra-se promissora para a

identificação de futuros pais em risco de desenvolverem padrões de apego não-

saudáveis com seus filhos” (Papalia, 2006, p.249).

“Estudos que abordam a repetição de histórias vivenciadas pelas famílias de origem, e

que são transmitidas ao longo das gerações trazem algumas problemáticas no que se

refere a conteúdos disfuncionais não elaborados pela família” (Silva, s.d., p.1) e que

depois são depositados nas crianças, e assim sucessivamente. Cada família traz consigo

um património cheio de elementos positivos e negativos, neste seguimento, cada pessoa

herda experiências anteriores, “que tanto podem enriquecê-lo, contribuindo para o seu

desenvolvimento, como podem prendê-lo a histórias e demandas dos outros, das quais

se torna prisioneiro” (Silva, s.d., p.5).

Mas afinal onde termina o funcional e começa o disfuncional? O que é disfuncional para

uns poderá ser considerado funcional para outros? O presente trabalho passa por estudar

as variantes entre o funcional e o disfuncional. Como tal, é imprescindível organizarmos

uma lista de índices frisados pelos vários autores aqui apresentados para, de certa forma,

balizarmos o que entendemos por famílias funcionais e famílias disfuncionais.

Assim, temos na tabela 1 índices positivos pilares de uma família funcional e na tabela

2 referimos os índices disfuncionais:

Autor(es)

Ano

Pág.

Índices positivos que levam à funcionalidade familiar

Costa

s.d.

74

 Família é uma rede complexa de relações e emoções

Relvas

2006

17

 Proteção dos membros da família

 Possibilitar a socialização

31

29

 Organização do tempo familiar

 Organização do espaço familiar

 Limites educacionais

 Equilibrada manutenção familiar ao longo do tempo

Brazelton

1989

17

 Desejo de ter um filho

Matos

2006

7

 Há relação

 Ligação/vinculação da mãe ao bebé

 Afeto

 Amor

 Relação de amor do casal entre si e com o seu bebé

2011

20

 Uso da imposição na educação

Bowlby

1995

73

 Saúde mental de cada um

 Saúde mental da família

74

 Amor materno

 Cuidados maternos

79

 Ambiente estimulante

 Atmosfera de segurança

Canha

2006

45

 Haver uma pessoa de referência

Santos

2009

168

 Estímulos

 Comunicação

 Estimular os sentidos

 Organizar sensações

197  Desenvolvimento equilibrado e harmonioso

186  Educação com verdade

Bettelheim

2003

15

 Bom e íntimo relacionamento entre os pais e os filhos

Ribeiro

2003

13

 Educar para serem felizes

Rivero

2006

1

 Diálogo otimista

 Regras estabelecidas

 Estilo educativo participativo

Papalia

2006

52

 Cumprir o ciclo vital da família

PCM

1999

11

 Criança digna de respeito

 Fazer ouvir a voz da criança

32

Autor(es)

Ano

Pág. Índices negativos que levam à disfuncionalidade familiar

Dias

2004

39

 Morte infantil pouco sofrida

32

 Escolha do conjugue

33

 Modo de vida tradicional

Gameiro

1998

9

 Nova família

Almeida

2001

38

 Família complexa

 Família alargada

Portugal

2010 394  Família monoparental

Ministério da

Educação

2006

4

 Pobreza

 Exclusão social

 Violência

 Abandono escolar

 Consumo de drogas

 Desestruturação familiar

Soares

2002

1

 Direitos dos pais sobre os filhos que não são

invioláveis

2

 Crianças vítimas com direitos

 Vulnerabilidade da criança

Canha, 2003, p.33

e

Magalhães, 2004, p.22

 Maus tratos físicos

 Maus tratos psicológicos e/ou emocionais

 Abandono

 Síndrome de Munchausen por procuração

 Abusos sexuais

 Tráfico de crianças

Canha

2003

205

 Desorganização familiar

 Limitações na prestação de cuidados

 Limitações na vigilância às crianças

207

 Alcoolismo

 Maternidade solitária

 Problemas de foro psicológico

35

 Classe social e cultural baixa

 Maus tratos psicológicos

 Descurar das responsabilidades parentais

 Desemprego

33

 Dificuldades económicas

 Doenças graves

 Divórcio

 Comportamentos desviantes

Magalhães

2004

34

 Incompetência parental voluntária

 Incompetência parental involuntária

 Mendicidade

 Abandono

53

e

54

 Falta de cuidado com a higiene

 Má alimentação

 Roupa pouco cuidada

 Dentes descurados

 Unhas quebradiças

 Frequentes hematomas

 Atrasos no desenvolvimento

 Ausência dos pais na vida escolar

 Ausência dos pais nos cuidados de saúde

Bowlby

1995

74

 Privação da criança à família

14

 Privação de relações complexas, ricas e

compensadoras, com a mãe, o pai e com o(s) irmão(s)

João dos

Santos

citado por

Branco

2000

355

 Abandono das mães

 Abandono das crianças

 Abandono afetivo

354

 Mãe desprotegida

 Situação económica e social desfavorável

352

 Conflitos conjugais

 Dificuldades financeiras

 Exclusão social

 Isolamento

 Estados depressivos

Matos

2006

7

 Insucesso mental

Ribeiro

2003

7

 Doença mental

 Comportamentos antissociais

Oliveira

1994

31

 Ausência de estilo educativo

34

Rivero

2006

1

 Postura ausente no ato de educar

 Estilo educativo autoritário

 Estilo educativo permissivo

2

 Baixo auto estima

 Índice elevado de depressão

Relvas

2006

27

 Disfuncionamento dos ciclos vitais da família

Melo

e

Alarcão

2009

60

 Desemprego

 Abuso de substâncias na família

 Pobreza

 Residência em zonas de elevada criminalidade ou

violência

 Violência

 Maus tratos

 Violência doméstica

 Doença mental

 Deficiência

Papalia

2006 249

 Mães inseguras

 Modelos inseguros de apego

Tabela 2

Reunimos na tabela 1 e 2 uma considerável lista de índices que nos apresentam, de uma

forma mais sistemática, as caraterísticas que balizam a relação entre famílias funcionais

e famílias disfuncionais.

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