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Nos últimos 30 anos realizaram-se muitos estudos transversais em estudantes universitários no âmbito da avaliação de DTMs, no entanto, pouco foram os estudos epidemiológicos longitudinais.

Os estudos longitudinais realizados têm mostrado que a incidência das DTMs tende a aumentar durante o tempo de estudo, mas ocorrendo grande flutuação dos sinais e sintomas de DTM nas populações avaliadas (Onizawa & Yoshida, 1996; Abou-Atme et al., 2007; Marklund & Wanman, 2007; Marklund & Wanman, 2008; Marklund & Wanman, 2010; Akhter et al., 2008; Akhter et al., 2011).

Onizawa & Yoshida (1996), no Japão, avaliaram por questionário de autor, inicialmente 2154 estudantes universitários e passados quatro anos, 410 destes foram reavaliados. Os autores verificaram que a prevalência no início e no fim do estudo, foi respectivamente: 28,7% e 49,8% em relação aos ruídos articulares, 12,7% e 42,5% em relação à limitação de abertura e 7,6% e 18,5% em relação à presença de dor articular (Onizawa & Yoshida, 1996).

Abou-Atme et al. (2007), no Líbano, avaliaram 33 estudantes universitários, durante 5 anos, através de um questionário de autor e verificaram que o valor de incidência dos diferentes sintomas (dor ATM e ruídos articulares) foi máximo no terceiro ano de avaliação mas que flutuaram ao longo do tempo (Abou-Atme et al., 2007).

O único estudo longitudinal que utilizou parcialmente o eixo I do CDP/DTM foi de Marklund & Wanman (2007, 2008, 2010), realizado na Suécia. Este estudo foi realizado numa população inicial de 371 estudantes de medicina dentária com os objectivos de: 1) avaliar a prevalência e incidência da dor e disfunção na ATM ao fim de 1 ano; 2) avaliar a prevalência, incidência e evolução da dor miofascial nos músculos da região mandibular/face ao fim de 1 ano; 3) avaliar factores de risco associados com a incidência e persistência de sinais e sintomas de DTM durante um período de dois anos. Na amostra inicial, a prevalência de estalidos articulares foi de 16%, de dor articular 8%, de sintomas musculares 11% e de sinais musculares de 35%. A prevalência total de sinais/sintomas articulares foi de 30% e de dor miofascial de 6%. Ao fim do primeiro ano de estudo a amostra reduziu para 308 estudantes. Neste universo de estudantes, os estalidos articulares ocorreram em 15%, a dor articular em 11%, os sintomas musculares em 15% e os sinais musculares em 45%. Nesta fase do estudo, a prevalência total de sinais/sintomas articulares foi também de 30% e de dor miofascial de 8%. No final do segundo ano, a amostra reduziu novamente ficando 280 estudantes ainda no estudo, a prevalência total de sinais/sintomas articulares foi de 45% e a prevalência de sinais/sintomas musculares foi de 53%. A incidência cumulativa em 2 anos, de sinais ou sintomas articulares foi de 35% e de sinais e sintomas articulares foi de 10%. Relativamente aos sinais ou sintomas musculares a incidência cumulativa a 2 anos foi de 44% e de sinais e sintomas musculares foi de 18%. Os autores concluíram que a incidência de sinais e sintomas de DTM têm tendência a aumentar com a idade e a sofrer flutuação (Marklund & Wanman, 2010). Akhter et al. (2008, 2011) no Japão, realizaram um estudo longitudinal, por um período de três anos, utilizando o mesmo questionário de Onizawa & Yoshida (1996) com uma amostra inicial de 2374 estudantes universitários e sendo a amostra final de 492 estudantes. Os autores verificaram que a incidência de ruídos articulares foi

13,6%, de dor na ATM 9,3% e de limitação de abertura 4,4% (Akhter et al., 2008; Akhter et al., 2011).

Desde que os CDP/DTM foram publicados em 1992, foram realizados dois estudos transversais que utilizaram o eixo I na totalidade, na avaliação de estudantes universitários. Casanova-Rosado et al. (2006), num estudo realizado no México, obtiveram uma prevalência de DTMs de 46,1%, numa população mista de estudantes pré-universitários e universitários, num total de 506 estudantes, sendo que os diagnósticos mais frequentes foram os do grupo II. Wieckiewicz et al. (2014), na Polónia, registaram uma prevalência de 54%, numa população de 456 estudantes da Universidade de Wroclaw. Tal como no estudo anterior, os diagnósticos do grupo II foram os mais frequentes e afectaram 44% dos estudantes universitários (Wieckiewicz et al., 2014).

Alguns estudos, realizados no Brasil (Pesqueira et al., 2010; Rodrigues et al., 2012; Monteiro et al., 2011) utilizaram apenas parte ou totalidade do questionário dos CDP/DTM, sem realização do exame clínico preconizado por este sistema, apenas para avaliação de parâmetros psicossociais do eixo II e/ou para a caracterização de sintomas de DTM.

Pesqueira et al. (2010) e Monteiro et al. (2011) avaliaram 150 estudantes universitários utilizando o questionário do eixo I e do eixo II dos CDP/DTM. Os autores verificaram que 40,7% referiram ter tido sintomas de DTM (Pesqueira et al., 2010). Verificaram também que a prevalência de dor facial nos últimos 6 meses foi de 32,7%, sendo que 85,7% destes tiveram dor baixa incapacidade/baixa intensidade (Grau I) e 14,3% tiveram dor de baixa incapacidade/alta intensidade (Grau II) (Monteiro et al., 2011). Rodrigues et al. (2012), avaliaram 183 estudantes universitários utilizando o eixo II dos CDP/DTM e verificaram que 29% da amostra referiu ter dor nos últimos 6 meses (17% Grau I, 11,5% Grau II; 0,5% de alta incapacidade/moderadamente limitante (Grau III)). As funções mais frequentemente foram referidas como tendo-se apresentado limitadas foram: comer alimentos duros (14,0%), bocejar (10,3%), mastigar (9,5%) e sorrir/rir (9,5%) (Rodrigues et al., 2012).

A maior parte dos estudos realizados em estudantes universitários avalia sintomas ou sinais e sintomas de DTM. Esta avaliação foi realizada através de questionários de autor (Moss et al., 1984; Eskola et al., 1985; Zulqarnain et al., 1998; Chuang, 2002; Miyake et al., 2004; Akhter et al., 2008; Ryalat et al., 2009; Akhter et al., 2013; Benoliel et al., 2011; Kojima et al., 2013; Zwiri & Al-Omiri, 2015), questionários de autor e exame clínico (Shiau & Chang, 1992; Hegde et al., 2011; Pullinger et al., 1988a; Pullinger et al., 1988b; Seligman et al., 1988), por exame clínico (Panek et al., 2012) Índice de Helkimo (Nourallah & Johansson, 1995; Otuyemi et al., 2000; Gaphor & Hameed, 2010; Bahrani et al., 2012; Vojdani et al., 2012) e Índice de Helkimo e Índice Craniomandibular (Schiffman et al., 1992), Índice de Fonseca (Conti et al., 1996; Garcia et al., 1997; Pedroni et al., 2003; Oliveira et al., 2006; Nomura et al., 2007; Bonjardim et al., 2009; Minghelli et al., 2011; Modi et al., 2012; Minghelli et al., 2014b).

Moss et al. (1984) realizaram um estudo nos EUA, utilizando um questionário para avaliar sintomas de saúde geral, sintomas diversos de DTM, dor em diversas áreas da face e COs, em 410 estudantes de psicologia. Os autores verificaram que 16,5% da população apresentava dor na ATM ou músculos e que esta era mais frequente nas mulheres (Moss et al., 1984).

Na Finlândia, em 1985, foi realizado um estudo em 498 estudantes universitários para avaliação da presença de dor em diversas regiões da face e pescoço e sintomas de DTM. Os autores verificaram que 53% da população tinha pelo menos uma área de dor na face e pescoço e 9% apresentavam sintomas de DTM (Eskola et al., 1985).

Pullinger e colaboradores, em 1988, realizaram um estudo, em 222 estudantes de medicina dentária e higiene oral, nos EUA, e utilizaram para avaliação das DTMs um questionário e exame clínico baseado no trabalho de Solberg (Solberg et al., 1979). Os autores encontraram uma prevalência de sintomas de 39% e de sinais de 59% (Pullinger et al., 1988a; Pullinger et al., 1988b; Seligman et al., 1988).

Na Ásia, muitos foram os estudos realizados para avaliação de DTMs em estudantes universitários. Na Formosa foram realizados dois estudos (Shiau & Chang, 1992;

Chuang, 2002). Shiau & Chang, em 1992, realizaram um estudo utilizando um questionário de autor e exame clínico, em 2033 estudantes universitários, com idade média de 18,9 anos. Os autores verificaram que a prevalência de sinais de DTM foi de 42,9% mas que apenas 6% apresentava mais do que um sinal. Dentro dos estudantes identificados com DTMs, apenas 50% tinha noção dos seus sintomas (Shiau&Chang, 1992). Já Chuang, em 2002, realizou um questionário de 14 perguntas a 254 estudantes universitários e verificou que o ruído articular era o sintoma mais frequente enumerado em 36,6% dos individuos e que a frequência de mais de 4 sintomas era de 15,8% no género femino comparativamente a 5,7% no género masculino (Chuang, 2002).

No Japão, todos os trabalhos realizados em estudantes universitários utilizaram o mesmo questionário para avaliação de DTMs que foi concebido por Onizawa & Yoshida (1996) e que apenas avalia três sintomas de DTM (ruídos articulares, dor na ATM e limitação de abertura). Miyake et al. em 2004, avaliaram 3557 estudantes universitários identificando uma prevalência de ruídos articulares de 41,7%, dor na ATM de 16,0% e de limitação de abertura de 16,3% (Miyake et al., 2004). Akhter et al., em 2013, avaliaram 1930 estudantes universitários e verificaram que os sintomas existiram em 28,1% da amostra (ruídos articulares em 23,0%, dor na ATM em 6,7% e limitação de abertura em 6,5%) (Akhter et al., 2013). Kojima et al. em 2013, avaliaram 2087 estudantes universitários e verificaram que a prevalência de ruídos articulares foi de 42,7%, de dor na ATM foi de 20,1% e de limitação de abertura foi de 19,5% (Kojima et al., 2013).

Na Índia, foram avaliados por questionário de autor e exame clínico, 200 estudantes universitários, de ambos os géneros, em igual percentagem (Hegde et al., 2011). Os autores registaram que 48% da amostra tinha pelo menos um sintoma e 50,5% pelo menos um sinal de DTM.

No Médio Oriente, foram realizados três estudos em estudantes universitários utilizando questionários de autor. Zulqarnain et al. (1998) na Arábia Saudita, aplicaram um questionário, incluindo questões sobre sintomas, a 705 estudantes do género feminino e verificaram que 88% destes tinha pelo menos um sintoma de DTM (Zulqarnain et al., 1998). Ryalat et al. (2009), na Jordânia, avaliaram um grupo de

1103 estudantes de ambos os géneros através de um questionário com vista a avaliar 5 sintomas de DTM. Os autores verificaram que 68,6% da população apresentava pelo menos um sintoma de DTM (Ryalat et al., 2009). Recentemente na Arábia Saudita, Zwiri & Al-Omiri (2015), na Arábia Saudita, realizaram um estudo em 489 estudantes universitários utilizando um questionário para pesquisa de cinco sintomas de DTM. Destes estudantes, 62,2% pertenciam à área das ciências sociais e humanas, 19,4% eram da área da saúde e 18,4% da área das ciências. Da amostra, 49,7% apresentava pelo menos um sintoma de DTM, sendo que o sintoma mais prevalente (29,2%) foi a presença de estalidos articulares (Zwiri & Al-Omiri, 2015).

Panek et al. (2012), na Polónia, avaliaram 303 estudantes universitários utilizando um questionário para avaliação exclusiva de COs e realizando o exame clínico, para avaliação muscular, articular e de lesões orais associadas aos COs. No seu trabalho, apenas concluem que a prevalência de DTMs na presença de BS (66%) é superior relativamente a qualquer outro CO (53%) (Panek et al., 2012).

Dos trabalhos que utilizaram o índice de Helkimo, três estudos foram realizados em estudantes universitários no Médio Oriente (Nourallah & Johansson, 1995; Gaphor & Hameed, 2010; Bahrani et al., 2012) e um em África (Otuyemi et al., 2000). Nestes estudos, a presença de sintomas de DTM variou entre 27,2%-36,0% e de sinais entre 37,0%-71,0%. Nourallah & Johansson, na Arábia Saudita, em 1995 avaliaram uma amostra de 105 estudantes universitários só do género masculino verificando que 36,0% apresentavam história de sintomas de DTM e 37,0% de sinais de DTM (Nourallah & Johansson, 1995). Gaphor & Hameed no Iraque, em 2010, avaliaram 500 estudantes universitários, equitativamente distribuídos por género e verificaram existir uma prevalência de sintomas de DTM de 27,2% e de sinais de DTM de 63,8% (Gaphor & Hameed, 2010). Bahrani et al. (2012) e Vojdani et al. (2012), no Irão, estudaram uma amostra de 200 estudantes universitários, também equitativamente distribuídos por género, e verificaram que a prevalência de sintomas de DTM foi de 32,0% e de sinais de DTM de 71,0% (Bahrani et al., 2012; Vojdani et al., 2012).

Otuyemi et al. (2000), na Nigéria, avaliaram uma amostra 308 estudantes universitários (207 homens e 101 mulheres) em que 29,2% apresentaram sintomas de DTM e 63,0% apresentaram sinais de DTM (Otuyemi et al., 2000).

Schiffman et al. (1992) realizaram um estudo em 250 estudantes de enfermagem, nos EUA, que utilizou o Índice Craniomandibular e o Índice de Helkimo. Os autores verificaram que 71,2% da amostra apresentava sintomas ou sinais de DTM. As DTMs musculares em conjugação com as articulares foram as mais frequentes afectando 24,4% da população, as DTMs musculares afectaram 20,8% e as DTMs articulares, 17,6% (Schiffman et al., 1992).

Dos estudos que utilizaram o QAF, ou uma variação deste, para avaliação das DTMs, a sua grande maioria foi realizada no Brasil (Conti et al., 1996; Garcia et al., 1997; Pedroni et al., 2003; Oliveira et al., 2006; Nomura et al., 2007; Bonjardim et al., 2009). Nos estudos brasileiros, a presença de sintomas de DTM nos estudantes universitários variou entre 41,3%-68,6% e os sintomas moderados a severos, entre 6,5%-18,2%. Conti et al., em 1996, avaliaram uma amostra mista de estudantes do ensino secundário (n=152) e estudantes universitários (n=158), utilizando o QAF e a avaliação clínica articular e muscular segundo Okeson. Desta amostra, 41,3% apresentava sintomas de DTM (34,8% sintomas leves, 5,8% sintomas moderados e 0,7% sintomas severos) e 31,3% sinais de DTM (dor muscular) (Conti et al., 1996). Garcia et al. (1997) avaliaram 200 estudantes universitários e verificaram que 61,0% da amostra apresentava sintomas de DTM (83,6% sintomas leves, 14,0% sintomas moderados e 2,4% sintomas severos) (Garcia et al., 1997). Pedroni et al. (2003), avaliaram 50 estudantes universitários verificando que 68,0% da amostra apresentava sintomas (Pedroni et al., 2003). Oliveira et al., em 2006, estudaram uma amostra de 2396 estudantes universitários e verificaram que a prevalência de sintomas de DTM foi de 68,6%, sendo que destes, 50,4% eram sintomas leves, 13,9% sintomas moderados e 4,3% sintomas severos. Neste estudo, por género a prevalência de sintomas de DTM foi de 73,0% nas mulheres e 56,3% nos homens (Oliveira et al., 2006). Nomura et al. (2007), numa amostra de 218 estudantes universitários, verificaram que a prevalência de sintomas de DTM foi de 53,2%, destes 35,8% eram sintomas leves, 11,9% sintomas moderados e 5,5% sintomas severos (Nomura et al., 2007). Bonjardim et al. (2009),

em 196 estudantes universitários, encontraram uma prevalência de sintomas de DTM de 50,0% sendo que destes, 40,8% eram sintomas leves, 7,2% sintomas moderados e 2,0% sintomas severos (Bonjardim et al., 2009).

O único estudo encontrado na literatura utilizando o QAF, em outra língua que não o português, e realizado em estudantes universitários foi efectuado na Índia (Modi et al., 2012). Neste estudo foram avaliados 310 estudantes universitários e a prevalência de sintomas de DTM foi de 45,2%, sendo que a prevalência de sintomas leves foi de 34,8% e de sintomas moderados a severos de 10,4%.

Já nos estudos realizados em Portugal a prevalência de sintomas nos estudantes universitários variou entre 37,3%-42,4% e de sintomas moderados a severos de 5,6%-7,5% (Minghelli et al., 2011; Minghelli et al., 2014b). Minghelli et al. (2011) realizaram um estudo em 306 estudantes universitários, da área de saúde, na Escola de Jean Piaget de Silves (Algarve) utilizando o QAF. Os autores verificaram uma prevalência de sintomas de 37,3%, sendo que destes, 31,7% eram sintomas leves, 4,9% sintomas moderados e 0,7% sintomas severos. Destes estudantes, 31,6% afirmaram ter dores de cabeça frequentes, 24,6% consideraram-se indivíduos tensos, 21,9% disseram que rangiam ou apertavam os dentes, 17,5% que apresentavam ruídos articulares e que 13,2% tinham dores no pescoço (Minghelli et al., 2011). Já em 2014, Minghelli et al., realizaram um outro estudo em 1493 estudantes universitários utilizando da mesma forma o QAF. Os estudantes da amostra pertenciam à Escola de Jean Piaget de Vila Nova de Gaia (n=767), de Silves (n=469), de Almada (n=135), de Santo André (n=64), de Viseu (n=44) e de Macedo de Cavaleiros (n=34). Destes, 72,6% eram da área da saúde, 21,2% da área da educação e 6,2% da área de gestão e engenharia. Os autores verificaram uma prevalência 42,4% de sintomas de DTM, sendo que destes, 34,8% eram sintomas leves, 6,2% sintomas moderados e 1,3% sintomas severos. Destes estudantes 85,5% consideraram-se indivíduos tensos, 75,4% afirmaram ter dores de cabeça frequentes, 66,5% tinham dores no pescoço, 53,9% que apresentavam ruídos articulares e 47,4% disseram que rangiam ou apertavam os dentes(Minghelli et al., 2014b).