4 Dagens behov for arbeidskraft og kompetanse
4.2 Fiskeri
4.2.2 Tilgang på kompetanse
A Idade Média, tal como se apresentava, corria o risco de nunca conhecer senão caos e decomposição. Nascida de um império desmoronado e de vagas de invasões sucessivas, era formada por povos desarmônicos.
Esta Europa tão dividida, tão perturbada quando do seu nascimento, atravessa uma era de harmonia e de união tal como ela nunca conhecera e não conhecerá talvez mais no decorrer dos séculos.
Sabe-se que a Europa inteira estremeceu à palavra de homens como Urbano II, como Pedro, o Eremita, e mais tarde de outros, como São Bernardo ou como Foulques de Neuilly. Monarcas que preferiram a arbitragem à guerra submeteram-se ao julgamento do Papa ou de um rei estrangeiro para regularizar as suas dissensões.
Praticamente, a cristandade pode definir-se como a ―universidade‖ dos príncipes e dos povos cristãos obedecendo a uma mesma doutrina, animados de uma mesma fé e reconhecendo desde logo o mesmo magistério espiritual.
Essa comunidade de fé traduziu-se numa ordem europeia assaz desconcertante para cérebros modernos, bastante complexa nas suas ramificações, grandiosa, contudo, quando a examinamos no seu conjunto. A paz na Idade Média foi muito precisamente, segundo a bela definição de Santo Agostinho, a ―tranquilidade‖ desta ordem.
Nas relações entre a Igreja e os Estados, estamos habituados a ver na autoridade espiritual e na autoridade temporal dois poderes claramente distintos. Contudo, se nos integrarmos na mentalidade da época, não é a Santa Sé que impõe o seu poder aos príncipes e aos povos, mas estes príncipes e estes povos, sendo crentes, recorrem naturalmente ao poder espiritual, quer eles queiram fazer fortalecer a sua autoridade ou respeitar os seus direitos, quer desejem fazer solucionar as suas questões por um árbitro imparcial. A tentativa audaciosa de unir os dois poderes, o espiritual e o temporal, para o bem comum se salda num êxito. Era uma garantia de paz e de justiça este poder moral (da Igreja) do qual não se podiam infringir as decisões sem correr perigos precisos, entre outros o de se ver despojado da sua própria autoridade e afastado da estima dos seus súditos.
Durante a maior parte da Idade Média, o direito de guerra privada continua considerado como inviolável pelo poder civil e pela mentalidade geral; manter a paz entre os barões e os Estados apresenta, portanto, imensas dificuldades, e, se não fosse a cristandade, a Europa corria o risco de nunca passar de um vasto campo de batalha.
O sistema feudal maneja toda uma sucessão de arbitragens naturais: o vassalo pode sempre recorrer de um senhor ao suserano deste último; o rei, à medida que a sua autoridade se estende, exerce cada vez mais o seu papel de mediador; o Papa, enfim, continua o árbitro supremo. Basta, frequentemente, a reputação de justiça ou de santidade de um grande personagem para que se recorra, assim, a ele.
A Idade Média não contestou o problema da guerra em geral mas, por uma série de soluções práticas e de medidas aplicadas no conjunto da cristandade, restringiu sucessivamente o domínio da guerra, as crueldades da guerra, as durações da guerra. É assim, com leis precisas, que se edificou a cristandade pacífica.
A primeira destas medidas foi a Paz de Deus, instaurada desde o fim o século X: é também a primeira distinção que foi feita, na história do mundo, entre o fraco e o forte; é feita proibição de maltratar as mulheres, as crianças, os camponeses e os clérigos; as casas dos agricultores são, como as igrejas, declaradas invioláveis.
A grande glória da Idade Média é ter empreendido a educação do soldado, é ter feito do soldado da velha guarda um cavaleiro. Aquele que se batia por amor dos grandes golpes, da violência e da pilhagem tornou-se o defensor do fraco; transformou a sua brutalidade em força útil, o seu gosto pelo risco em coragem consciente, a sua turbulência em atividade fecunda. A cavalaria é a instituição medieval da qual com maior gosto se guardou a recordação.
O cavaleiro deve ser piedoso, dedicado à Igreja, respeitador das suas leis: a sua iniciação começa com uma noite inteira passada em orações diante do altar sobre o qual está deposta a espada que ele cingirá.
A cavalaria foi o grande entusiasmo da Idade Média; o sentido da palavra ―cavalheiresco‖, que ela nos legou, traduz muito fielmente o conjunto de qualidades que suscitavam a sua admiração. Basta percorrer a sua literatura, contemplar as obras de arte que dela nos restam, para ver por todo o lado, nos romances, nos poemas, nos quadros, nas esculturas, surgir este cavaleiro que se representa.
Quando uma máquina de guerra é demasiado mortífera, o papado proíbe o seu emprego; o uso da pólvora de canhão, cujos efeitos e composição se conhecem desde o século XIII, só começa a propagar-se no dia em que a sua autoridade já não é suficientemente forte e em que já se começam a esboçar os princípios da cristandade.
Escreve Orderic Vital: ―por temor de Deus, por cavalaria, procurava-se aprisionar de preferência a matar. Guerreiros cristãos não têm sede de espalhar sangue‖.108
Outro ponto interessante a salientar é o que concerne às negociações de paz que estão sempre ligadas à diplomacia.
Ela é uma das práticas mais antigas da humanidade e consiste na condução de negociações e na habilidade de lidar com assuntos sem causar hostilidade. Há mais de quatro mil anos, mensageiros já viajavam pela Mesopotâmia em missões de guerra e de paz.
Na Grécia antiga, os ―embaixadores‖ eram enviados a cidades-estados para entregar mensagens de seus governos. O termo ―diplomacia‖ vem do grego ―diploma‖ e, em Roma, foi usado para designar documentos de viagem.
Segundo escreveu Demétrio Magnoli, organizador do livro ―História da Paz‖109:
A diplomacia moderna nasceu nas cidades livres da Itália renascentista. Naquela época consolidaram-se as convenções diplomáticas, como a apresentação de credenciais ao governo estrangeiro e a instituição do privilégio da imunidade dos diplomatas.