2 Teoretisk utgangspunkt
2.2 Vurdering for læring
2.2.1 Tilbakemeldinger
A natureia do tema, que ora nos propomos a abordar, requer que estabeleçamos,
desde já, um conceito para produtividade que contemple tanto os seus aspectos objetivos
como subjetivos. Face, a isto e também, a inexistência de um consenso com relação a sua
conceituação, entre os próprios autores das obras dedicadas ao assunto que tivemos a
oportunidade de acessar, optamos por desenvolvê-lo com base no trabalho de Campos
( 1962).
Deste modo, para efeitos neste trabálho, quando nos referirmos à produtividade
estaremos tomando-a, não só, como essência - sentido absoluto - isto é, qualidade de gerar,
criar ou compor no plano psíquico, mas também, como relação empírica - sentido relativo -
isto é, confronto entre os fatores de produção e as quantidades produiidas.
Uma outra questão, que deve ficar clara, é que a produtividade não deve ser
confundida, conforme nos alerta Thiry-Cherques (1991 )
,com outros indicadores do
desempenho empresarial, tais como: a rentabilidade, as variações na produção e a qualidade.
Segundo o referido autor, tendo em vista a rentabilidade corresponder à relação
entre os beneficios obtidos com a venda do produto/serviço e os custos de produção, o
aumento ou redução das margens de lucro e a redução ou ampliação dos mercados afetam a
rentabilidade, e não a produtividade.
Com relação às variações na produção, Thiry-Cherques (1991) informa que os
acréscimos no produto ou os cortes nos fatores de produção, podem refletir, ou não, sobre a
produtividade. Para este autor esta confusão decorre, não só, do desconhecimento, como
também, da má índole daqueles que a expõe e a analisam.
Neste sentido, ele afirma que:
Embora pareça primário, é surpreendente o número de ocasiões em que investimentos nos
fatores, em informatização inclusive, ou, por outro lado, cortes de recursos humanos,
financeiros e materiais são indevidamente relacionados com a produtividade. Desconhecendo-se a variação no produto, supõe-se ou estima-se que esta relação não é
simétrica, que a redução na produção seja menor que nos fatores. O que pode não ser ( .. . )
(Thiry-Cherques, 199 1 , p.3).
No que tange à confusão entre qualidade e produtividade, Thiry-Cherques (1991)
sustenta que:
Trata-se de um sofisma de dupla raiz: a de tomar um aumento de qualidade, um
aperfeiçoamento no produto, como produtividade e a de afirmar que uma maior
produtividade foi alcançada quando, na verdade, o que se verificou foi uma diminuição da
qualidade, um empobrecimento do produto. Em ambos os casos, sendo outra a base, tendo o
produto sido alterado, perde sentido qualquer referência à produtividade (Thiry-Cherques,
1991, p.3-4).
Já no que se refere às avaliações/medidas da produtividade, é importante salientar
que elas só têm sentido se forem analisadas dentro de um quadro comparativo ou de
umquadro de evolução no tempo.
Neste sentido, segundo Moreira (1994):
Por sua associação à eficácia de um sistema produtivo, a produtividade presta-se, grosso
modo, a dois tipos de comparação. De um lado, pode-se comparar diferentes sistemas
produtivos em um dado instante de tempo (estudos do tipo cross section) e, de outro, pode
se analisar a dinâmica evolutiva de um dado sistema ao longo do tempo, construindo-se
séries temporais de produtividade ( ... ) (Moreira, 1994, p.3).
Por fim deve-se atentar para o fato de que incrementos na produtividade devem
ser vinculados exclusivamente a aprimoramentos obtidos nos campos técnico e
comportamental, não tendo sentido, portanto, comparar a produtividade de sistemas que operam com base em tecnologias distintas.
Uma vez estabelecidas essas premissas iniciais, passemos então à discussão da influência da competição e da cooperação entre as pessoas no trabalho na produtividade empresarial.
Como VImos no pnrnelro capítulo, em decorrência do aperfeiçoamento da distribuição de tarefas e dos instrumentos de trabalho, os grupos humanos alcançaram, em
determinado momento da história, um nível de produtividade
per capita
que possibilitou queparte da sociedade se livrasse do trabalho cotidiano, iniciando-se a partir daí um processo de diferenciação, gerando como produto final a estratificação da sociedade.
Além disso, vimos que neste processo de diferenciação, aqueles que trabalhavam passaram a ser considerados como pertencentes às classes baixas, enquanto os que se livravam do trabalho cotidiano passaram a pertencer às classes altas, fato que originou, exceto nas sociedades sob a égide de um sistema de castas, um permanente conflito entre as classes; de um lado as classes superiores, beneficiárias do produto do trabalho das classes inferiores, procurando manter seus privilégios, e de outro as classes inferiores, sujeitas a
todo tipo de exploração pelas classes superiores, tentando romper com o
status quo.
Esse processo de diferenciação, que se estabeleceu na sociedade, é reproduzido
no âmbito das empresas, onde o
grupo dirigente49
e oquadro administrativo50 ,
que nãotêm participação direta nos processos produtivos, constitui em as classes altas, enquanto
49 Categoria proposta por Hopkins (1978).
aqueles que atuam como executantes nestes processos, isto é os
subordinados51 ,
constituem às classes baixas.
Assim, para garantir e/ou justificar a sua própria existência, bem como manter e ampliar seus privilégios, pretensões estas em perfeita consonância com a lógica do darwinismo social, o grupo dirigente e o quadro administrativo procuram extrair do trabalho dos subordinados o máximo de produtividade na produção de bens e/ou serviços.
Esta produtividade dos subordinados, que pode ser considerada tangível, a qual
denominaremos doravante como sendo a
produtividade da mão-de-obra,
por sua vez,vincula-se a uma outra de natureza intangível a
produtividade administrativaS2 ,
que podeser associada, não só, à competência, principalmente, da classe dirigente e do quadro
administrativo na especificação dos produtos e dos diversos
fatores da produção53
, sob osaspectos qualitativos e quantitativos, como também, à forma como operam, em conjunto
com os subordinados, as
variáveis organizacionais54 ,
dentro de um determinadoquadro
tecnológico55
, em um período de tempo definido.51 Idem nota anterior.
52 Neste trabalho, adotamos a categoria produtividade administrativa para designar um fator da produção
no qual estariam sintetizados todos os elementos de natureza administrativa, necessários à realização de um processo produtivo.
53 Segundo Vicent (1968), como exemplos de fatores da produção, temos:
( . . . ) o trabalho, o capital físico (composto pelos bens na fonna de equipamentos e estoques), o capital sob a fonna monetária e os fatores naturais (a terra, as jazidas minerais, etc.) ( ... ). [Além disso,
temos:] ( . . . ) os bens e serviços intennediários tais como matérias primas, produtos intennediários, energia, transportes ( . . . ) (Vincent, 1 968, p.4).
54 Como vimos no segundo capítulo, constituem as variáveis organizacionais: a divisão do trabalho, a
hierarquia, o poder e a autoridade, dentre outras.
55 Segundo Moreira (1994), "( ... ) o quadro tecnológico refere-se ao grau de tecnologia incorporado ao
capital fisico e ao grau de qualidade (basicamente, conhecimento e educação) incorporado ao capital
Corroborando neste sentido, Thiry-Cherques (1991) afirma :
Não é, pois, atuando somente sobre os fatores que se poderia incrementar a produtividade administrativa56 . Ao contrário, ela existe, ou é possível, porque a função produção é maior do que o simples somatório dos fatores, porque seu denominador é complexo, contém mais
do que fatores tradicionais: inclui sua organização (
... ) É,
principalmente, sobre estemodificador dos fatores - a organização da produção - que se vai verter a contribuição
administrativa para a produtividade ( ... ) (Thiry-Cherques, 1991, p.2-3).
A produtividade empresarial
resultante do fator de produção trabalho,
portanto, não decorre apenas da produtividade da mão-de-obra direta mas também da
produtividade administrativa, fato este consistente com a própria organiiação capitalista
do trabalho.
Esta produtividade administrativa, muito embora já venha sendo referenciada de
longa data, pelo menos, desde a publicação dos trabalhos de Taylor ( 1957) e Fayol (1950),
quando o primeiro se referiu à divisão do trabalho entre a gerência e os trabalhadores57
e o segundo se referiu às capacidades necessárias aos chefes e dirigentes58 , geralmente
não se constitui como objeto de avaliação, tal como ocorre com a produtividade da mão-de-
obra.
Quanto a medição da produtividade empresarial, pesquisando na literatura
especialiiada da área de administração, verificamos que a maioria dos autores pouco se
56 Thiry-Cherques (1991) utiliza a expressão produtividade administrativa no sentido da produtividade
interna das organizações.
57 Segundo Taylor (1957):
A fim de que o trabalho possa ser feito de acordo com leis cientificas, é necessário melhor divisão de
responsabilidades entre a direção e o trabalhador ( . . . ) quase todos os atos dos trabalhadores devem ser precedidos de atividades preparatórias da direção( . . . ). Esta cooperação ( . . . ) entre a direção e o trabalhador, é parte essencial da administração científica ( . . . ) a divisão equitativa das responsabilidades quotidianas, afastará todos os grandes obstáculos ( . . . ) e obterá o rendimento máximo, ao mesmo tempo, de cada homem e máquina nas oficinas (Taylor, 1 957, p.27).
58 Segundo Fayol (1950):
À medida que alguém se eleva na escala hierárquica, a importância relativa da capacidade administrativa aumenta, enquanto a capacidade técnica diminui . . . . A capacidade principal do diretor é a capacidade administrativa. Quanto mais elevado é o nível hierárquico, mais essa capacidade domina (Fayol, 1 950, p. 22).
aventura neste campo, limitando-se, quase que na totalidade dos casos observados, a indicar
métodos e fórmulas para a medida da produtividade da mão-de-obra direta.
Por outro lado, a aplicação irrestrita das fórmulas de produtividade utiliiadas
pelos economistas, nos estudos macroeconômicos, na análise da produtividade empresarial
pode induiir-nos à interpretações equivocadas da realidade.
Neste sentido, Thiry-Cherques (1991) alerta que:
A enunciação simplificada do índice de produtividade - a produção sobre os fatores - de
larga utilização econômica, quando referida às organizações singulares induz à ilusão
imediatista de se buscar a produtividade na supressão ou diminuição dos fatores. Mas, se
observarmos que a produção - o produto - nada mais é do que uma função, em uma ordem
determinada, dos fatores de produção, é evidente e inevitável que, na escala limitada das
organizações, dada uma alteração no denominador do índice, a tendência seja a de que modificação de igual sentido e intensidade se verifique no numerador - no produto - anulando a operação (Thiry-Cherques, 199 1 , p.2).
Da mesma forma, isto é, referindo-se à contribuição dos economistas à teoria da
produtividade, Moreira (1994) ressalta que:
( . . . ) a própria complexidade - tanto conceitual como matemática - associada às funções de produção tem feito com que esse corpo teórico seja pouco usado como ferramenta para a análise das empresas individuais, sendo mais aplicado no estudo de sistemas agregados, como a agricultura e os setores industriais (Moreira, 1 994, p. l).
Apesar da procedência e relevância das observações feitas por Thiry-
Cherques( 1991) e Moreira (1994), acreditamos que, tomadas as devidas precauções na
transposição dos modelos macroeconômicos para a realidade empresarial, este corpo teórico
possa ser tomado como referência.
Deste modo, consideramos que os conceitos de produção, fatores da produção,
funções de produção, índices parciais de produtividade e índices globais de produtividade
(produtividade global dos fatores e produtividade total dos fatores) podem ser utilizados na
avaliação/medição da produtividade empresarial.
Naturalmente, um modelo concebido para a análise da produtividade empresarial,
como qualquer outro, sempre irá operar uma representação limitada da realidade e não a
própria realidade. Apesar disso, cremos que a adoção do mesmo nos será de grande valia.
Deste modo, neste trabalho, adotaremos os índices propostos por Moreira
(1994), que se referem
àcontribuição parcial dos fatores da produção, como um modelo de
referência para as nossas reflexões sobre a produtividade empresarial.
Assim, supondo-se que para produzir 'Q' (unidades de produção), através de um
determinado processo tecnológico, durante um' determinado tempo, fossem necessários os
seguintes fatores da produção 'L' ( unidades de mão-de-obra),
'K'(estoque de capital),
'
M
'(matéria prima), 'E' (energia) e 'A' (capacidade administrativa) e que além disso as
contribuições individuais de cada um desses fatores pudessem ser identificadas e medidas
numa mesma unidade, poderíamos dizer que produtividade devida a cada um deles seria:
PMO (produtividade da mão-de-obra)
=QfL (Equação 1)
PCA (produtividade do capital)
=Q/K
(Equação 2)
PM (produtividade da matéria-prima)
=Q/M
(Equação 3)
PE (produtividade da energia)
=Q/E
(Equação 4)
PA (produtividade administrativa)
=Q/A
(Equação 5)
E assim, seguindo esta mesma lógica poderíamos calcular a produtividade relativa
a quaisquer fatores da produção necessários a um processo produtivo específico, desde que
passíveis de medição.
Se todos os fatores da produção, que participam de um determinado processo produtivo, pudessem ser medidos e convertidos a uma única unidade de medida e seu valor agregado pudesse ser representado pela letra 'I', a equação da produtividade da mão-de obra poderia ser escrita da seguinte forma:
PMO = Q/L = Q/I .
I/L
(Equação6)
Caso '
Q
' e 'I' pudessem ser convertidos para a mesma unidade de medida,teríamos:
Q/I = p, sendo p < 1 (devido as perdas no processo de produção)
onde,
'p'
seria uma medida definitiva dap
rodutividade para um determinado processode produção .
A
partir da equação6,
pode ser observado que a produtividade da mão-de-obrapoderá ser aumentada na medida em que a relação
I/L
aumente, isto é, na medida em que amão-de-obra tenha o seu montante reduzido, com relação ao montante correspondente ao valor agregado de todos os fatores, ou possa ser substituida por outros fatores de produção, desde que a adoção deste procedimento não implique em uma redução no valor original da relação 'Q/I' .
Segundo Moreira (1994):
Historicamente, o mais flagrante exemplo de substituição é o de mão-de-obra por capital, de
tal forma que uma das características mais marcantes da moderna sociedade industrial é a
quantidade sempre crescente do capital disponível por trabalhador (Moreira, 1994, p. lS).
Além disso, com relação a economia brasileira, Moreira (1 994) constatou que a relação Q/I vem apresentando um crescimento lento, particularmente para a indústria de
transformação, ao passo que a relação
IILvem crescendo significativamente, em decorrência
da substituição da mão-de-obra pelo capital.
Deste modo, temos que:
PMO
=Q/L
=Q/I . IIL
=Q/K .
KIL =PCA
. KIL(Equação 7)
A equação anterior mostra que a produtividade da mão-de-obra (Q/L) é o
produto da produtividade do capital (Q/K) pelo capital disponível por unidade de mão-de
obra (KIL)
Assim, da mesma forma que obtivemos a partir da equação 6 a equação 7, que
nos possibilitou visualizar uma das relações existentes entre a mão-de-obra e o capital,
podemos escrever a equação da produtividade da mão-de-obra da seguinte forma:
PMO
=Q/L
=Q/I .
IIL =Q/A .AIL
=PA .AIL (Equação 8)
A equação anterior mostra que a produtividade da mão-de-obra (Q/L) é o
produto da produtividade administrativa (Q/ A) pela capacidade administrativa disponível
por unidade de mão-de-obra (AIL).
A partir da equação 8, pode ser observado que a produtividade da mão-de-obra
poderá ser aumentada na medida em que a relação AIL aumente, isto é, na medida em que a
mão-de-obra tenha o seu montante reduiido, mas desde que o montante equivalente
àcapacidade administrativa perdida em função da redução da mão-de-obra possa ser
assumido pela mão-de-obra remanescente, ou possa ser compensado por uma nova
especificação qualitativa e/ou quantitativa dos outros fatores de produção e, desde que a
adoção deste procedimento não implique em uma redução no valor original da relação
' Q/I'.
Como vimos anteriormente, a parcela da produtividade administrativa decorrente
da competência na especificação do produto e dos diversos fatores da produção é apenas
uma das componentes da produtividade administrativa e, pela qual o grupo de dirigentes e o
quadro administrativo são os principais responsáveis.
Uma outra componente da produtividade administrativa é a que se refere
à
operação das variáveis organizacionais, tendo esta como responsáveis, além do grupo de
dirigentes e do quadro administrativo, os próprios subordinados.
Deste modo, todo o empenho dos dois primeiros, no sentido de procurarem se
aproximar dinamicamente de uma especificação ideal para o produto e os fatores da
produção, poderá ser neutralizado pela introdução no processo produtivo de elementos
redutores da produtividade de cada um desses fatores, redutores estes gerados a partir da
operação das variáveis organizacionais.
Neste sentido, como vimos no terceiro capítulo, tendo em vista a organização
taylorista do trabalho, provocar um estado de permanente frustração nos trabalhadores, por
não lhes ser permitido externar e/ou aplicar as suas idéias no seu próprio trabalho, alguns
acabam se investindo contra esse modelo de organização, assumindo por vezes posições
radicalmente antagônicas com relação a ele e, outros passam a alimentar um processo de
auto-alienação que os leva finalmente
àapatia e, consequentemente
àsubprodutividade.
Com relação aos redutores da produtividade, gerados pela divisão do trabalho,
Kraus (1980) - reportando-se
àpesquisa de
A. G.
Miller e
R.
Hamblim, intitulada
idéia de que
eles surgem em função de certas combinações das dimensões
interdependência59 e recompensa diferenciada60 .
Assim, reproduzindo os postulados dos autores da referida pesqwsa, Kraus
(1980), informa que os piores resultados em termos de produtividade são obtidos nas
situações de trabalho que congregam alto grau de interdependência com alto grau de
diferenciação das recompensas ou baixo grau de interdependência com baixo grau de
diferenciação das recompensas.
Em função disso, Kraus (1980) sustenta que:
As organizações devem ser cuidadosas ao combinar a sua estrutura de recompensas com o
grau de interdependência inerente a tarefa. Introduzir o que tradicionalmente se chama sistema competitivo (recompensa altamente· diferenciada) quando os empregados são
dependentes um do outro pode muito bem reduzir a performance ao invés de elevá-la. Por
outro lado, garantir a mesma compensação para uma tarefa onde os empregados trabalham
e contribuem independentemente pode obstacularizar a eficácia (Kraus, 1980, p.55).
Entretanto, com relação a aplicação da recompensa diferenciada para trabalhos
independentes, Tjosvold (1986) adverte que :
Empregados em organizações que têm ambientes impessoais, atribuem tarefas
independentes e recompensam a realização individual, estão aptos a acreditar que seus
objetivos são independentes ( ... ). Eles se vêem trabalhando sozinhos e autonomamente; eles
estão fazendo suas próprias coisas. Eles podem se sentir desencumbidos e tines da
necessidade de trabalhar com os outros (Tjosvold, 1986, p. 21-22).
Podemos concluir, portanto, que uma vei que as pessoas que trabalham nas
empresas, em sua maioria, não produiem, praticamente, nada de forma independente, em
decorrência da própria divisão do trabalho e das estruturas hierárquicas, a instituição das
59 Interdependência, segundo Kraus ( 1980), é o quanto uma pessoa precisa da outra para completar seu
trabalho.
60 Recompensa diferenciada, segundo Kraus (1980), é o quantum de compensação dado como
recompensas individuais altamente diferenciadas, uma vez que
sóestimula as pessoas a
competirem mutuamente, acaba constituindo-se num redutor da produtividade.
Ainda como exemplos de redutores da produtividade, gerados a partir da divisão
do trabalho, temos, dentre outros: a redundância de esforços, isto é, pessoas ou órgãos
realizando simultâneamente o mesmo trabalho e, a dificuldade na combinação de esforços,
isto é, pessoas preocupadas exclusivamente com o seu próprio trabalho.
Com relação à combinação de esforços, vale aqui mencionar Tjosvold (1986).
Segundo este autor: "[empregados] com objetivos independentes não estão interessados na
motivação e na eficácia dos outros e não se preocupam em ajudar ou interferir no progresso
dos outros" (Tjosvold, 1 986, p. 30).
Já no que tange às estruturas hierárquicas, para Kraus (1 980), a sua mera
existência já gera redutores da produtividade, face a concentração das decisões e dos
recursos nas mãos de poucos, constituir-se num impedimento ao desenvolvimento do
potencial da maioria dos indivíduos; além de induzí-Ios à uma competição por estes
recursos, na qual os mesmos acabam adotando, geralmente, meios inconsistentes com os
objetivos das organizações .
O
mesmo autor sustenta que essa competição por recursos causa danos às
relações humanas, à moral e à capacidade inovadora, tudo isso contribuindo para a
deterioração da qualidade de vida no trabalho e refletindo negativamente sobre a
produtividade.
Quanto aos redutores da produtividade decorrentes da operação inadequada da
variável poder nas organizações, conforme já mencionado no segundo capítulo, Krausz
( 1 991) sustentas referindo-se ao poder contextuals que o mesmo tende a apoiar-se numa
racionalidade instrumentals voltada à execução de atividades rotineirass ao controle de
pessoass ao cumprimento de normass
àpadronização de procedimentos e à transformação da
atividade como um fim em si mesma; produzindos deste modos a acomodação das pessoass
relacionamentos impessoaiss indiferença e alienaçãos e tudo isso resultando em
subprodutividade.
Fazendo referência ao poder de coerçãos Krausz (1991) sustenta que:
Líderes coercitivos tendem a abusar do poder que lhes é atribuído no relacionamento com os
liderados, impondo através da pressão seus pontos de vista, fazendo prevalecer a sua
vontade, seus direitos e levando os liderados a abdicarem dos deles. Por esta razão, atraem liderados que tendem a submissão, falta de assertividade, falta de iniciativa, passividade e alienação (Krausz, 1991, p. 67).