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A avaliação linha a linha do fragmento 29 permitiu constatar uma efetiva proximidade com A em detrimento de B e D. Em 207 loci critici, A coincide 125 vezes com 29, enquanto B coincide 110 e D, 114. Relevam para a análise os seguintes loci critici, organizados por lições específicas de A, B e D separadamente e concordâncias com B e D contra A.
Ao contrário do que acontece com o fragmento 29, cuja matéria legível é mais extensa, do fragmento 30 notam-se poucas diferenças relativamente às lições que cada testemunho castelhano oferece. Por outro lado, detetam-se divergências entre o texto na língua de partida e o português, resultado de opções de tradução. Dos 112 loci analisados, A coincide com 30 por 53 vezes contra as 47 concordâncias de B e as 43 de D. No caso de D, note-se que 3 loci não puderam ser confrontados devido aos buracos no manuscrito castelhano. Apesar de estatisticamente haver maior concordância com A, são poucos os casos em que 30 concorda exclusivamente com A contra as lições de B e D, além de que existe uma ocorrência em que B e D oferecem uma versão mais próxima do português.
29 = A ≠ B e D
Os primeiros casos apresentados dão conta de acrescentos exclusivos provavelmente já presentes no arquétipo de B e D.
1) E ally lyam os mees[tres] (rI, 9)
A. e allí leyén los maestros B. y alli leyan todos los maestros D. e alli leyan todos los maestres
A General Estoria em Portugal
A. aquello de que dubdavan
B. aquellas cada vno de que dubdauan D. aquellos cada vno de que dubdauan
3) zõoes. A Primeira<...>
A. [ra]zones: la una
B. [Ra]zones y lo otro (salto) D. [rra]zones e la otra (salto)
Nos dois casos que se seguem, repare-se que a omissão de «se» ou «muy bien» é comum a B e D.
4) que se lyam em esta (rI, 27)
A. que se leyén en esta B. que leyen en esta D. que leyen en esta
5) muy bem todo o (rI, 34)
A. muy bien todo el B. todo el
D. todo el
5) E porem deuiam dhr primeiras em a hordem (rII, 22)
A. onde devién ir primeras en la orden B. Onde deuen yr primeras en la horden D. onde deuen yr primeras en la orden
Mariana Soares da Cunha Leite
Na ocorrência seguinte, não parece ser uma coincidência a ordem das palavras ser comum em A e no fragmento:
6) Ahy uma he quantidade partida e pensada por (vI, 4)
A. la una es cuantía partida e asmada por B. la vna es quantia asmada y departida por D. la vna es quantia asmada e departida por
7) tornasse aa quantidade delle para fazer can/to cumprido por uozes (vI, 34-35)
A. tórnase a la cuantía d’él pora fazer canto cumplido por bozes B. tornase a la quantia conplida pora fazer cantos del por bozes D. torrnase a la quantia complida pora fazer canto del por bozes
8) maneyras que ha em o canto (vI, 38)
A. maneras que á en el canto B. naturas que en el canto ay D. naturas que en el canto a
9) aconteçeu assy como conta(...)emos De como os gregos acharom a musica et a sua natura XXXVII (vI, 44-46)
A. conteció assi como contaremos aquí. XXXVI De cómo fallaron los griegos la natura de la música
B. contesçio asy como contaremos aqui [e]n esta çibdad de athenas nasçio el Rey jupiter como es ya dicho ante desto y allj estudio y aprendio y tanto que sopo muy bien todo el triujo y todo el quadriujo que son las siete artes a que llaman liberales por las Razones que vos contaremos adelante. De como fallaron los griegos la natura de la musica
A General Estoria em Portugal
D. contesçio ansy como contaremos aqui (e)nesta çibdad de atenas nasçio el Rey Jupiter como es ya dicho ante desto Et alli estudio e aprendio y tudo que sopo muy bien todo el triuio e todo el quadruujo que son las siete artes a que llaman liberales por las rrazones que vos contaremos adelante de como fallaron los griegos la natura de la musica
10) antressi. E disse (vII, 6)
A. entre sí, e dixieron B. otrosy y dixeron D. otrosi e dixieron
Embora o fragmento esteja cortado, percebe-se que a palavra de que apenas temos as primeiras letras seria «olharam», o que equivale à versão «cataron» de A.
11) fallando desto. Olly<...> (vII, 8)
A. fablando d’esto cataron B. catando en esto vieron D. catando en esto vieron
29 = A e B ≠ D
Os dois casos selecionados manifestam erros de leitura de D contra os outros testemunhos castelhanos:
1) E desta quantidade he a primeira das quatro (vI, 6)
A. e d’esta cuantía es la primera de las cuatro B. E desta quantia es la primera de las quatro D. Et desta guisa es la primera de las quatro
Mariana Soares da Cunha Leite
2) matou ally em o ma (vII, 16)
A. mató allí en la ma[r] B. mato allj en la ma[r] D. mas alli en la ma[r]
29 = A e D ≠ B
Tal como nos casos em que A e D coincidem com 29 contra B, tal parece provir de erros de escrita deste manuscrito em particular.
1) som todas de emtedimento et demonstramento (rII, 20-21)
A. son todas de entendimiento e de demostramiento B. son todas de entendimjentos y de demostramjentos D. son todas de entendimiento e de demostramiento
2) que as uozes e que os nomes dellas (rII, 30)
A. que las vozes e que los nombres d’ellas B. que las bozes y que los nombres dellos D. que las boçes e que los nombres dellas
3) deujam dhr primeiras (rII, 34-35)
A. devrién ir primeiras B. deujan yr primero D. deuian yr primeras
4) E estas quatro fazem o homem sabedor (rII, 42-43)
A General Estoria em Portugal
B. E estos quatro fazen sabio al onbre D. Et estas quatro fazen sabio al omne
29 = B e D ≠ A
1) onrrado segundo sua (rI, 7)
A. onrado por su B. honrrado segunt su D. onrrado segunt su
2) <...>uydauan em muytas (rI, 11)
A. cuidaran y en muchas B. cuydauan en muchas D. cuydauan en muchas
Esta ocorrência merece alguma atenção. Isto porque, apesar de 29 discordar de B em «primeiras»/«primero», deve sublinhar-se a concordância de tempos verbais de 29 com B e D, que utilizam o pretérito imperfeito do indicativo em vez de uma forma do condicional, como A. É, de resto, interessante como também no caso precedente e no caso posterior a 3) a concordância de 29 com B e D se prende com formas verbais.
3) deujam dhr primeiras (rII, 34-35)
A. devrién ir primeiras B. deujan yr primero D. deuian yr primeras
4) mons/tra a quantidade dos pontos (vI, 32-33)
Mariana Soares da Cunha Leite
B. muestra la quantia de los puntos D. muestra la quantia de los puntos
5) os instrumentos do cantar e a arte da musica (vI, 41-42)
A. los estrumentos de la música
B. los estrumentos del cantar y el arte de la musica D. los estrumentos de cantar Et el arte de la musica
Este caso suscita algumas interrogações, já que poderia tratar-se de uma simplificação por parte do tradutor; porém, não podemos ficar indiferentes à similaridade com B e D.
6) em grego augua (vII, 29)
A. en la fabla de los griegos como agua B. en griego como agua
D. en griego como agua
Não foram detetados casos de concordância exclusiva com B nem com D, confirmando-se no entanto a tese de António Solalinde que assinala que D é uma versão mais cuidada do que B, já que alguns dos erros em B são provocados por uma má cópia.
Outras especificidades: opções de tradução e saltos em 29
Esta ocorrência poderá resultar de um salto do mesmo ao mesmo, embora, como não há perda de sentido, também é de considerar uma simplificação do texto intencional.
1) mas porque esto nom se pode fazer menos de dous por se falar verdade compridamente (rII, 6-7)
A General Estoria em Portugal
A. mas porque esto non se puede fazer menos de dos, ell uno que demande e ell otro que responda, pusiéronle nombre dialética, que muestra tanto como razonamiento de dos por fallarse la verdad complidamientre
B. mas por que esto non se puede fazer menos de dos el vno que demanda y el otro que responda posieron le nonbre dialetica que muestra tanto como rrazonamjento de dos por fallarse la berdat complidamente
D. mas por que esto non se puede fazer menos de dos el vno que demanda e el otro
que rresponda pusieron le nombre dialetica que muestra tanto como rrazonamiento
de dos por fallar se la verdad conplidamente
2) razoamento feito por palauras fermosas e apostas e bem razoadas e ordenadas (rII, 12-14)
A. razonamiento fecho por palabras apuestas e fermosas e bien ordenadas B. rrazonamjento fecho por palabras apuestas y fermosas y bien hordenadas D. rrazonamjento fecho por palabras apuestas fermosas e bien ordenadas
Este caso é semelhante ao primeiro apresentado, podendo suscitar as mesmas dúvidas. Parece contudo que há uma verdadeira intenção de simplificação do texto por parte do tradutor, especialmente em lugares onde, como aqui, as versões castelhanas são mais difíceis de compreender.
3) taaes quantidades som que cada parte dellas pode homem dizer sobressy VI, humm e tres cada huum por ssi. E assy de todollos outros (vI, 11-13)
A. tales cuantías son que cada parte d’ellas puede omne en su cabo dezirsela a sí sin las otras. Onde puede omne dezir muy bien seis en su cabo, e lo uno en el suyo, e tres en el suyo e assí de todos los otros
B. tales quantias son que cada parte dellas puede onbre a sy dezjr syn las otras
onde puede onbre bien dezjr seys en su cabo y vno enel suyo y tres en el suyo y asy todos los otros
Mariana Soares da Cunha Leite
D. tales quantias son que cada parte dellas puede omne asi dezir sin las otras onde puede omne dezir bien seys en su cabo e vno en el suyo e tres en el suyo e asi de todos los otros
Este é um dos casos comuns nos testemunhos de traduções da GE para galego- português: a omissão do nome da língua para a qual se verte do castelhano. Contudo, é interessante que já para a língua dos gregos – como designa a GE – se atribua explicitamente o nome «grego». Mais adiante encontraremos uma exceção a esta omissão do nome da língua – o galego-português. É curioso que também na tradução conservada em F nunca haja uma transposição de «castelhano» para «galego».
4) E ao que nos chamamos em nosso linguagem conta chamasse em grego aris. E ao que nos chamamos carreira chamam os gregos metos. Dis Huguicio (vI, 22-25)
A. La que nós dezimos cuenta en nuestro lenguage de Castiella llámanlo los griegos aris, e a lo que nós llamamos carrera dizen ellos metos. E d’estas palabras griegas aris e metos departe Hugucio
B. E a lo que nos dezjmos cuenta en nostro lenguaje de Castilla llamanle los griegos aris y a lo que nos dezjmos carrera dizen ellos motes. E destas palabras griegas aris y motes departe Hugujciojo
D. e a lo que nos dezimos cuenta en nostro lenguaje de Castilla llaman le los griegos aris e a lo que nos dezimos carrera dizen ellos metas. Et destas palabras griegas aris e metas departe Huguioyo
Neste ponto, o tradutor tornou mais claro o texto designando Jubal como neto de Caim.
5) ante desto que Jubal, filho de Lamec neto de Caym e de Ada sua molher (vI, 39-40)
A. ante d’esto que Jubal, fijo de Lamec el de Caín e de Adda su muger B. ante desto que Jubal, fijo de Lamec el de Caym y de adda su muger D. ante desto que Jubal, fiio de Lamec el de Caym e de Adda su muger
A General Estoria em Portugal
6) De como os gregos acharom a musica et a sua natura XXXVII. Os gregos husarom primeiro que outros homeens de antar muyto sobre mar (vI, 45-48)
A. XXXVII De cómo fallaron los griegos la natura de la música. Los de Grecia començaron primero que otros omnes a usar de andar mucho sobre mar
B. De como fallaron los griegos la natura de la musica [l]os de Greçia començaron primero que otros onbres a vsar andar mucho sobre mar
D. de como fallaron los griegos la natura de la musica (l)os de Greçia començaron primero que otros omnes a vsar andar mucho sobre mar
7) soom ouuisse em lugar (vII, 6)
A. son tan dulce oyesse en logar B. son tan dulçe oyese en logar D. son tan dulçe oyese
É extremamente arriscado tecer grandes considerações sobre esta passagem, tão corrompida no pergaminho. Porém, parece dar-se o caso de o tradutor resumir o texto castelhano, tal como já se verificou anteriormente. O mesmo ocorre com os casos seguintes, onde se levantam dúvidas sobre a possibilidade de saltos na cópia ou um processo de síntese do texto, já que a parcela de texto castelhano é consideravelmente mais extensa do que a que caberia no intervalo equivalente do texto traduzido.
8) boroso e forosse aque <...> sse aaquella penna <...>oom sabor muy grande <...> sayo de suppito huum <...> (vII, 11-14)
A. sabroso, e cogiéronse e fueron pora allá cuanto más pudieron e llegáronse a la peña. E ellos estando assí como desventados con muy grand sabor del canto tan dulce que oýen salió a desora un tan grand
Mariana Soares da Cunha Leite
B. sabroso y cogieron y fueronse para alla quanto mas podieron y llegaronse a la peña. E ellos estando asy como desayentados con muy grante sabor del canto que oyen sabio adesora vn tan grante
D. sabroso e cogieron e fueron se pora alla quanto mas podieron e llegaronse a la peña Et ellos estando ausi como desuentados con muy grande sabor del canto que oyen sallio adesora vn tan grand
9) nho muy sotil e delles entrar (vII, 22)
A. [enge]ño muy sotil e muy fuerte en que pudiessen entrar muchos d’ellos
B. [enge]njo de maderos muy sotil y muy fuerte en que podiesen entrar muchos dellos
D. [enge]ño de maderos muy sotil e muy fuerte en que pudiesen entrar muchos dellos
10) rom aa pedra <…> treitos E huum <...> soons de arade<…> folhe esta <...> em grego augua <...> em grego E em <…> pem este
A. pararon mientes a la piedra, e vieron cómo era cavada dedentro, e avié en ella siete forados abiertos fechos a grados, los unos anchos, los otros más angostosos, e los unos altos e los otros baxos, e eran fechos de grado en grado. E vieron otrossí cómo entravan los vientos en ell agua del mar, e salié por aquellos forados, e fazién aquellos sones tan dulces. E allí aprendieron ellos ell arte de la música, e ý fallaron las siete mudaciones d’ella complidamientre. E porque la aprendieron por viento e por agua pusiéronle este nombre moys, ca esta palabra moys tanto quiere dezir en la fabla de los griegos como agua en el nuestro lenguage de Castiella, e sicox en el suyo tanto como viento en el nuestro.
B. pararon mjentes a la piedra y vjeron como era toda cauada de dentro y avia en ella syete forados abiertos fechos a grados, los vnos anchos y los otros mas angostosos y los vnos altos y los otros baxos y eran fechos de grado en grado y vjeron otro sy como entrauan los vjentos en el agua del mar y salie por aquellos forados y fazjen aquellos sones tan dulçes. Y allj aprendieron ellos el arte de la musica y allj fallaron las syete mudaçiones della conplidamente y porque la aprendieron por vjento y por agua
A General Estoria em Portugal
posieron le este nonbre moys, ca esta palabra moys tanto quiere dezjr en griego como agua en el nuestro lenguaje de Castilla, e xicos en el suyo tanto como vjento en el nostro
D. pararon mientes a la piedra e vieron como era toda cauada de dentro e auia en ella siete forados abiertos fechos a grados los vnos anchos e los otros mas angostos e los vnos altos e los otros baxos e eran fechos de grado en grado e vieron otrosi como entrauan los vientos en el agua del mar e sallie por aquellos forados e fazien aquellos sones tan dulçes. E alli aprendieron ellos el arte de la musica e y fallaro las siete mudaçones della conplidamente e porque la aprendieron por viento e por agua pusieron le este nombre moys, ca esta palabra moys tanto quiere dezir en griego como agua en el nostro lenguaje de Castiella, e xicos en el suyo tanto como viento en
Mariana Soares da Cunha Leite