As emoções desempenham um papel central na performance desportiva, uma vez que o desporto é uma experiência emocional por
alegria e felicidade enormes e uma derrota devastadora pode originar tristeza e desapontamento, ao mesmo tempo que, de acordo com Butler (1996, cit. por Jones, 2003), o estado emocional de um atleta pode afectar o rendimento desportivo, influenciando a sua performance quer durante o treino, quer durante a competição.
Para compreendermos em que medida é que as emoções podem afectar positiva ou negativamente a performance desportiva, temos antes de mais, que compreender o conceito de emoção, tarefa que não se revela fácil, uma vez que o termo emoção cobre um largo espectro de fenómenos, o que, de acordo com Vallerand e Blanchard (2000, cit. por Hanin, 2007), faz com que o conceito de emoção permaneça ambíguo. Os problemas em encontrar uma definição para o conceito de emoção decorrem da dificuldade em integrar as diversas áreas de estudo, uma vez que todas elas apresentam diferentes abordagens ao conceito (Hanin, 2007). Segundo Vallerand (1983), é no entanto possível encontrar três componentes a incluir numa possível definição de emoção: a) algo que é subjectivamente experimentado pelo indivíduo; b)as alterações fisiológicas no sistema nervoso automático; c) o comportamento observável decorrente.
Segundo Oatley (2004), as emoções são causadas pelas avaliações realizadas pelo indivíduo a determinados acontecimentos, de acordo com aquilo que é importante para ele, os seus objectivos, as suas preocupações e as suas aspirações.
A influência das emoções na performance desportiva manifesta-se, segundo Vallerand e Blanchard (2000, cit. por Jones, 2003), ao nível da motivação, ao nível do funcionamento fisiológico e ao nível do funcionamento cognitivo. Ao nível da motivação, Vallerand e Blanchard (2000, cit. por Jones, 2003) considera que a emoção serve uma função adaptativa, capaz de mediar e energizar comportamentos subsequentes, mobilizando os recursos físicos e mentais e direccionando-os para a realização de uma determinada tarefa, sendo ainda capaz de aproximar ou afastar os indivíduos de um objecto ou de uma acção, podendo até ter os dois efeitos, consoante as características do individuo e as características da situação.
A nível do funcionamento fisiológico, podemos afirmar que algumas emoções são acompanhadas de alterações ao nível da activação, e são estas alterações que afectam o funcionamento fisiológico (Jones, 2003).
No que diz respeito a nível do funcionamento cognitivo, os estados emotivos podem, quando acompanhados por alterações ao nível da activação, afectar os processos cognitivos, uma vez que prejudicam a atenção e a capacidade de mobilização dos recursos da memória, comprometendo assim o processamento da informação (Jones, 2003).
Para concluir, podemos afirmar que há um conjunto variado de maneiras através das quais as emoções podem afectar a performance, dependendo do atleta e do tipo de desporto praticado, pelo que a capacidade de controlar as suas emoções por parte dos atletas se revela extremamente importante para o atingir de uma máxima performance desportiva.
2.4.1.8 Activação
A relação entre a activação e a performance desportiva, bem como a sua relação com o stress e a ansiedade, tem sido tema de especial atenção da investigação no âmbito da psicologia desportiva, na medida em que os psicólogos têm tentado perceber de que forma a activação pode influenciar positiva ou negativamente a performance desportiva.
No entanto, esta investigação tem sido marcada por uma inconsistência dos termos utilizados, utilizando-se de forma indiscriminada vários termos como activação, stress, ansiedade para se referir ao mesmo constructo (Gould, Greenleaf & Krane, 2002). Tradicionalmente, os psicólogos utilizam os termos referidos anteriormente como sinónimos para se referirem a um constructo unitário que, englobando características fisiológicas e psicológicas, se relaciona com a intensidade de comportamento (Hardy et al., 1996), constructo este que varia segundo um continuum que vai desde os estados de menor activação, como o coma, até aos estados de excitação intensa. Criticando o carácter unitário desta definição, os mesmos autores referem-se à activação como
correspondendo a um complexo estado multidimensional, que reflecte, de forma antecipada, a capacidade de reposta do organismo.
Apesar disto, a activação pode ser entendida como um complexo e multifacetado misto de actividade fisiológica e psicológica de um organismo, que se relaciona com a intensidade da motivação num determinado momento, podendo variar num continuum que vai desde os estados de menor activação até aos estados de excitação intensa (Gould et al., 2002).
Como referido anteriormente, uma das principais preocupações dos psicólogos desportivos no que diz respeito a esta temática, é a relação (positiva ou negativa) entre a activação e a performance desportiva, bem como a capacidade de regular essa activação (Weinberg & Gould, 2003). No entanto, de acordo com Zaichkowsky e Baltzell (2001), ainda não foi possível explicar com clareza esta relação, ou até mesmo prever o modo como se poderá desenvolver. Segundo os mesmos autores, a teoria do “Drive” e a teoria do “U- Invertido” são as duas teorias que mais têm sido testadas no sentido de explicar a relação entre activação e a performance, tendo sido apresentadas outras teorias como a teoria da zona óptima de funcionamento individual, a teoria da catástrofe do rendimento, a teoria da reversão psicológica e a teoria multidimensional da ansiedade competitiva, teorias essas que poderão explicar esta relação.
De acordo com a teoria do Drive, os psicólogos vêm a relação entre a activação e a performance desportiva como uma relação directa e linear, sendo a performance tanto melhor quanto mais activo estiver o atleta (Weinberg & Gould, 2003).
Segundo a teoria do U-Invertido, a performance aumenta à medida que a activação aumenta, sendo que o aumento da performance apenas se dá até um ponto óptimo, a partir do qual, os aumentos posteriores de activação são prejudiciais à performance (Weinberg & Gould, 2003).
A teoria da Zona Óptima de Funcionamento Individual, apresentada por Hanin (1986, cit. por Weinberg & Gould, 2003), defende que a activação esta relacionada com a performance a um nível individual, no qual cada atleta possui uma zona de activação onde a performance é maximizada.
Em linha com a teoria Multidimensional da ansiedade competitiva, os estados de ansiedade cognitiva relacionam-se negativamente com a performance, ou seja, aumentos da ansiedade cognitiva prejudicam a performance. No entanto, a relação entre os estados de ansiedade somática e a performance assumem a forma de um U-invertido, segundo a qual, os aumentos da activação são favoráveis ate um nível óptimo, a partir do qual, qualquer aumento se revela prejudicial para a performance. (Weinberg & Gould, 2003).
De acordo com a teoria da Catástrofe do Rendimento, a relação entre a performance a activação é muito semelhante à aquela descrita pela teoria do U-Invertido, mas apenas quando o atleta não esta preocupado ou apresenta baixos níveis de ansiedade cognitiva (Hardy, 1996). Segundo o mesmo autor, elevados níveis de ansiedade cognitiva, depois de se ultrapassar o ponto óptimo de activação, levam a uma abrupta redução da performance.
Por fim, a teoria da Reversão Psicológica explica a relação entre a activação e a performance com base na interpretação que os atletas fazem dos seus níveis de activação, e para que a performance seja a melhor possível, eles têm de interpretar o sua activação como agradável e satisfatória (Kerr, 1985).
Como podemos constatar, a relação entre a activação e a performance desportiva é uma relação altamente complexa, dependo de características dos atletas, de características situacionais e de características da tarefa. Ao ajudar o atleta a controlar os seus níveis de activação de forma a alcançar os níveis óptimos, estaremos a dar um contributo muito importante para o atingir da melhor performance desportiva.
2.4.1.9 Pensamentos Negativos
Como foi atrás referido, a competição é capaz de desencadear no atleta níveis elevados de stress. A natureza, efeitos e factores de stress associados aos contextos desportivos, além de poderem aumentar a tensão muscular,
inapropriados estão relacionados com as preocupações e expectativas negativas que o atleta formula acerca do seu desempenho e dos resultados desportivos alcançados (Martens, Vealey & Burton, 1990).
Os pensamentos negativos influenciam negativamente a performance desportiva, uma vez que interagem com a tentativa de interpretar os estímulos relevantes para a realização de uma determinada tarefa (Pargman, 2006). Segundo o mesmo autor, os pensamentos negativos podem afectar a performance de várias maneiras: a)os pensamentos negativos são geralmente, profecias de insucesso, reflectindo medos e antecipando catástrofes, impedindo assim a formulação de pensamentos positivos e de reforço; b) os pensamentos negativos afectam a capacidade de raciocinar e de resolver problemas, na medida em que impedem os pensamentos criativos de emergir; c) os pensamentos negativos podem causar medo e ansiedade, que são factores prejudiciais para a performance desportiva.
Deste modo, podemos afirmar que o que os atletas pensam se revela como um forte mediador de do rendimento, uma vez que pensamentos negativos podem dificultar o percurso do atleta na obtenção das melhores performances desportivas.