A Formulação de Objectivos (FO) é uma das mais populares técnicas motivacionais para aumentar a performance e produtividade, encontrando-se na literatura desportiva frequentes divulgações, por parte de treinadores, atletas ou dirigentes, nas mais variadas modalidades desportivas, fazendo dela uma prática corrente em contextos desportivos (Weinberg, Burton, Yukelson & Weigand, 2000).
Para Edwin Locke, um dos mais conceituados investigadores da FO, um objectivo é aquilo que um indivíduo procura alcançar, é o alvo de uma determinada acção (1981, cit. por Burton, Naylor e Holliday, 2001). O conceito de Locke é baseado no objectivismo e na proposição de que o ser humano é um ser racional, que tem sobrevivido usando o seu intelecto para regular os
mecanismo cognitivo que descreve o que um indivíduo tenta alcançar, as suas metas e os seus alvos (Burton et al., 2001). Para Locke e colaboradores, ao formularmos um objectivo procuramos obter um padrão específico de eficiência na execução de uma tarefa, geralmente dentro de um limite de tempo específico (1981, cit. por Cruz, 1996). Desta forma, um objectivo apresenta duas componentes básicas: direcção, que implica a escolha de como direccionar o comportamento, e quantidade ou qualidade, que se reportam ao nível mínimo de performance que tem de ser atingido (Burton et al, 2001).
Segundo Cruz (1996), a FO de objectivos é cada vez mais defendida pelos especialistas como um método de melhorar a performance individual e/ou colectiva. Segundo Gould (2001), três explicações foram propostas para explicar como é que a FO pode influenciar positivamente a performance: uma teoria mecanicista avançada por Locke e Latham (1985), e as teorias cognitivas de Burton (1983) e de Garland (1985).
De acordo com Locke e Latham (1985, cit. por Weinberg & Gould, 2003), a FO pode influenciar directamente a performance dos atletas de quatro maneiras: dirigindo os seus esforços e a sua atenção para tarefas específicas, aumentando o seu esforço e a intensidade da sua acção, ao mesmo tempo que os torna mais persistentes face ao insucesso e lhes permite desenvolver novas estratégias de aprendizagem e resolução de problemas.
Por outro lado, a teoria de Burton (1983, cit. por Gould, 2001) tenta explicar a ligação entre os objectivos formulados pelos atletas e os seu níveis de ansiedade, motivação e confiança, isto é, os atletas que formulam objectivos de resultado tendem a gerar expectativas pouco realistas que podem conduzir o atleta a baixos níveis de confiança e aumentar a ansiedade, afectando assim negativamente a performance. No entanto, como os objectivos de performance são mais controláveis por parte do atleta, podem ajudá-lo a criar expectativas realistas, que resultando assim em níveis óptimos de confiança, de ansiedade e motivação que influenciarão positivamente a performance.
Por sua vez, Garland (1985, cit. por Gould, 2001) afirma que os objectivos formulados pelos atletas poderão afectar a performance uma vez que vão influenciar as suas expectativas de performance e valência da
performance. De acordo com o mesmo autor, a as expectativas de performance relacionam-se com a confiança do atleta em alcançar determinados níveis de performance, sendo previsível que quanto maior forem os níveis de performance, melhor será a sua performance, ao passo que a valência da performance corresponde à satisfação que o atleta antecipa que vai alcançar por alcançar determinados níveis de performance.
Segundo a literatura da psicologia desportiva, os objectivos podem ser formulados com base no resultado, na performance e no processo (Weinberg & Gould, 2003). De acordo com o mesmo autor pode dizer-se que: i) os objectivos de resultado focam-se fundamentalmente no resultado de uma competição, pelo que estes objectivos não dependem apenas do esforço do indivíduo, mas também da habilidade/capacidade de competir contra um adversário; ii) os objectivos de performance focam-se em alcançar níveis de prestação desportiva, independentemente dos outros competidores, e geralmente cumprem-se através da comparação com prestações desportivas anteriores; iii) os objectivos de processo focam-se nas acções que o indivíduo deve realizar durante a performance para que esta seja a melhor possível. Segundo os autores, é importante que os atletas formulem objectivos de resultado, de performance e de processo, uma vez que os três desempenham um papel fundamental na mudança de comportamentos: os objectivos de resultado podem facilitar a motivação a curto-prazo, e os objectivos de performance e processo dependem menos do adversário, pelo que são muito mais precisos e ajustáveis.
A comprovar a eficácia da FO ao nível da performance desportiva, encontramos na literatura desportiva vários casos de estudos de intervenções no âmbito da FO que, de forma consistente, demonstraram o efeito positivo que os objectivos podem ter no rendimento desportivo. Essas intervenções podem ser encontradas em diversas modalidades, como é o caso do golf (Kingston & Hardy, 1997), do futebol (Brobst & Ward, 2002) e do basquetebol (Swain & Jones, 1995).
sólido possível e por isso, influenciar positivamente a performance. Assim sendo, segundo Weinberg e Gould (2003), num programa de FO é necessário: a) formular objectivos específicos; b) formular objectivos difíceis, mas realistas; c) formular objectivos de longo prazo em conjugação com objectivos de curto prazo; d) formular objectivos de performance, de resultado e de processo; e) formular objectivos para a competição e para o treino; f) desenvolver estratégias para alcançar os objectivos; g) considerar a personalidade do indivíduo; h) desenvolver o compromisso com os objectivos formulados; i) fornecer formas de avaliação dos objectivos e respectivos feedback’s.
2.4.1.4 Imagética
Para Denis (1985, cit. por Hall, 2001), a imagética e a performance motora são dois conceitos que parecem à partida, não apresentar qualquer tipo de relação entre eles: a imagética trata-se de uma actividade psicológica, de natureza privada, enquanto que a performance motora é uma actividade externa, de natureza pública. Apesar destas diferenças, os investigadores têm- se preocupado em estudar a relação entre estes dois conceitos, e a razão é a crença de que as acções são adquiridas e controladas, em parte, a um nível cognitivo (Hall, 2001).
Definir imagética não é uma tarefa simples, até porque assistimos a uma utilização indiscriminada, como sinónimos, de termos como imaginação, visualização mental ou prática mental, referindo-se todos estes termos à simulação mental de experiências (Weinberg & Gould, 2003).
Todos nós criamos e recriamos experiências mentalmente como forma de prepararmos um acontecimento, por exemplo, quando imaginamos a conversa que teríamos com o nosso patrão caso fossemos pedir-lhe um aumento. Os atletas experimentam também muito frequentemente este tipo de episódios mentais, gerando intencionalmente imagens precisas e detalhadas, como forma de aumentar a sua performance.
A imagética é uma ferramenta extremamente poderosa através da qual, os atletas podem preparar-se para alcançarem as suas performances máximas, aumentar a sua confiança para os momentos de competição, favorecer a recuperação de lesões, ou ainda manter os seus níveis de habilidades quando não é possível realizar o treino (Morris, Spittle & Watt, 2005). Segundo os mesmos autores, através da imagética é possível reviver experiências passadas e imaginar acontecimentos futuros e, recorrendo a todos os sentidos, é também possível vivenciar as mesmas emoções que numa situação real, desencadeando as mesmas respostas fisiológicas como a frequência cardio-respiratória ou tensão muscular.
Através da imagética, podemos prever um acontecimento que ainda está para acontecer, ou podemos rever um acontecimento passado. Essas imagens podem ser vistas à velocidade a que acontecem na realidade, ou a uma velocidade menor, permitindo ainda que sejam focados aspectos específicos de determinadas técnicas desportivas, ou sensações que determinado acontecimento foi capaz de gerar (Morris et al., 2005). Esta grande flexibilidade que a imagética nos permite faz com que a imagética seja uma das competências psicológicas mais aplicadas em contextos desportivos.
Richardson (cit. por Morris et al., 2005) analisando as diversas definições existentes afirmou que as dificuldades em encontrar uma definição provêem do facto de o termo imagética ser um termo omnipresente, sendo usado simultaneamente para descrever e para explicar. O mesmo autor (cit. por Morris et al., 2005) avançou com uma definição que é a mais regularmente mencionada nos estudos que envolvem o fenómeno da imagética e em vários estudos no âmbito da psicologia desportiva. Para Richardson (cit. por Morris et al., 2005), a imagética refere-se a todas aquelas experiências “quasi- sensoriais” e “quasi-perceptivas”, das quais estamos conscientes, podendo ocorrer na ausência daqueles estímulos capazes de produzir a experiência sensorial e perceptiva genuína.
A definição de Richardson é apontado por Murphy e Martin (2002) como fundamental para analisar a imagética num contexto desportivo, uma vez que
perceptiva; b) o indivíduo está consciente da experiência, gerando a imagem de forma propositada; c) a experiência ocorre sem estímulos antecedentes.
Mais tarde, Vealey e Greenleaf (2001) conceptualizaram a imagética como sendo um processo no qual se utilizam todos os sentidos para criar ou recriar uma experiência na mente. Assim, a definição apresentada por estes autores apresenta três aspectos fundamentais: a) a imagética como recriação de acontecimentos externos na nossa mente, ou criação de novas experiências a partir de elementos disponíveis na nossa memoria; b) é uma experiência multi-sensorial; c) pode ocorrer na ausência de estímulos antecedentes. Como acréscimo a esta definição, Weinberg e Gould (2003) chamam ainda a atenção para a recriação dos sentimentos e das emoções associadas aos acontecimentos que se pretendem imaginar.
Tendo em conta a grande variedade de definições, optamos neste nosso estudo por seguir a definição apresentada por Morris et al. (2005) para quem a imagética, no contexto desportivo, pode ser considerada, como a criação ou recriação de uma experiência gerada a partir de informação armazenada na memoria, envolvendo características sensoriais, perceptivas e afectivas, e que está sob o controlo volitivo do atleta, e que poderá ocorrer na ausência do estímulo que está normalmente associado à experiência real.
Depois de definido o conceito, sentimos necessidade de perceber porquê e como é que o rendimento desportivo pode beneficiar com a imagética, e em seguida, apresentamos alguns modelos explicativos que segundo Weinberg e Gould (2003) e Morris et al. (2005), se revelam como os principais modelos explicativos no âmbito da psicologia desportiva:
1. Teoria Psiconeuromuscular: esta teoria, inicialmente proposta por Carpenter (Morris et al., 2005), baseia-se no princípio ideomotor que, segundo o qual, as imagens geradas pela mente poderão facilitar a aprendizagem motora devida à actividade neuromuscular gerada aquando da criação da imagem, isto é, uma imagem vivida é capaz de estimular o músculo da mesma forma que uma actividade real é capaz de fazer. Segundo esta teoria, os impulsos neuromusculares gerados aquando da criação da imagem serão
idênticos aos gerados aquando da situação real, mas de magnitude reduzida (Weinberg & Gould, 2003).
À luz desta teoria, Vealey e Greenleaf (2001) afirmam que a imagética fortalece a “memória muscular”, uma vez que desencadeia no músculo a mesma sequência de impulsos que numa acção real, sem que o músculo desempenhe a acção de uma forma real.
2. Teoria da Aprendizagem Simbólica: todos os movimentos que efectuamos são primeiramente codificados no sistema nervoso central sob a forma de esquemas ou planos mentais, e segunda a teoria da aprendizagem simbólica de Sackett (1934, cit. por Morris et al., 2005), a imaginação pode funcionar como sistema de codificação para ajudar à compreensão e aquisição de padrões de movimento, e no caso dos atletas, esta facilita o rendimento porque ajuda o atleta a construir o plano ou esquema mental de uma competência, tornando-a familiar e automática (Cruz & Viana, 1996).
3. Teoria Psicofisiológica do processamento da informação: esta teoria, proposta por Lang (1989, cit. por Cruz & Viana, 1996), também conhecida por teoria bioinformacional, parte do pressuposto de que uma imagem gerada pelo cérebro é uma série organizada de proposições arquivadas pelo mesmo, proposições essas relativas à relação estímulo-resposta. Desta forma, a imaginação envolve a activação de um padrão de relações entre as proposições arquivadas na memória.
4. Teoria da “Dupla Codificação”: proposta por Paivio (cit. por Morris et al., 2005), esta teoria postula que as imagens podem influenciar positivamente a aprendizagem, porque disponibilizam duas formas de codificação na memória. Por exemplo, se memorizarmos a palavra “bola” e uma imagem da bola, podemos “rever” a bola na memoria através da palavra ou da imagem, o mesmo se passando com sequencias de movimentos, que podem ser relembradas através de uma sequencia de palavras ou de imagens (Morris et al., 2005).
5. Teoria da “Tripla Codificação”: através desta teoria, Ahsen (1984, cit. por Weinberg & Gould, 2003) dá ênfase a três aspectos da imaginação, que
representa o mundo real com o qual interagirmos; b) a resposta somática, que corresponde à resposta psicofisiológica do organismo; c) o significado da imagem, ou seja, aquilo que ela representa para o individuo.
A imagética é uma das “competências psicológicas” mais utilizadas no mundo do desporto, devido à sua grande versatilidade, podendo ser aplicada numa grande variedade de situações, e estando apenas limitada pela imaginação dos atletas, dos treinadores e dos psicólogos desportivos (Morris et al., 2005). Devido a essa grande variedade de aplicações, os mesmos autores categorizaram essas aplicações de acordo com o que podemos observar no quadro 1:
Quadro 1 – Aplicações da Imagética (adaptado de Morris et al., 2005).
Aquisição de habilidades Prática de habilidades Aprendizagem e Prática de
Habilidades
Detecção e correcção de erros Desenvolvimento de estratégias Aprendizagem de estratégias Prática de estratégias Habilidades Tácticas
Resolução de problemas
Familiarização com os locais de competição Aquecimento mental
Pré-realização de rotinas Competição e Rendimento
Antevisão e revisão de acontecimentos
Controlo da activação, da ansiedade e do stress Aumento da concentração e da atenção
Aumento da confiança Aumento da motivação
Controlo das respostas psicofisiológicas Competências Psicológicas
Desenvolvimento de competências interpessoais Ultrapassar a dor e lesões
Recuperação de lesões
Lidar com lesões de longa duração
Quando tentamos perceber onde é que os atletas usam a imagética, podemos, recorrendo ao senso comum, afirmar que os atletas usam a imagética tanto no treino como na competição, no entanto, esta noção não é
Weinberg (2000), os atletas afirmaram usar mais a imagética associada à competição, o que indica que estes a usam mais para aumentar a performance e o rendimento, do que para facilitar a aprendizagem. Além disso, no mesmo estudo, o momento onde os atletas afirmaram usar mais a imagética foi nos momentos que antecedem a competição, o que demonstra que a imagética pode ajudar os atletas a regular a sua activação, a controlar os seus níveis de stress e aumentar a sua autoconfiança.
Em jeito de conclusão, podemos afirmar que a imagética se refere a um processo de criação ou recriação de experiências na mente, com recurso a informação armazenada na memória, tratando-se assim de uma forma de simulação do real (Weinberg & Gould, 2003). Quando usada de forma sistemática, a imagética pode trazer benefícios ao nível da performance desportiva, ao mesmo tempo que permite reduzir estados de ansiedade, aumentar a confiança e acelerar o período de recuperação de lesões, tratando- se de uma poderosa ferramenta que só agora começa a ser aplicada eficaz e eficientemente no desporto (Morris et al., 2005).
2.4.1.5 Relaxamento
O desporto de alta competição desenvolve-se em ambientes capazes de gerar elevados índices de stress, nos quais a capacidade de relaxar é reconhecida, a um nível prático, como fundamental para que os atletas alcancem o máximo rendimento (Hardy et al., 1996).
De acordo com Weinberg e Gould (2003), a eficiência das técnicas desportivas pode ser prejudicada pelo aumento da tensão muscular, e por isso, colocar em risco a possibilidade de um rendimento máximo. Segundo os autores, quando a tensão muscular é demasiada, os movimentos tornam-se grosseiros, rígidos e descoordenados. Paralelamente ao aumento da tensão muscular, o stress associado aos contextos desportivos pode desencadear pensamentos inapropriados (Weinberg & Gould, 2003).
Deste modo, a capacidade de relaxar é reconhecida como sendo de extrema importância para se alcançar uma máxima performance, uma vez que todos os atletas experimentam durante a competição um qualquer tipo de ansiedade, mas é a capacidade de controlar essa ansiedade, ou até mesmo de tirar partido dela, que distingue os atletas de elite (Hardy et al., 1996).
Um estudo de Hardy e Jones (1990, cit. por Hardy et al., 1996) indica que os atletas usam várias técnicas de relaxamento, apesar de não as treinarem. Segundo os mesmos autores, o seu uso faz parte do seu processo de preparação, ocorrendo de forma natural e não estruturada, sendo desenvolvidas de uma forma instintiva e por “tentativa e erro”, até que os atletas encontram uma que funcione com eles. Neste sentido, pode-se afirmar que a intervenção de um especialista em psicologia do desporto pode acelerar este processo de “aprendizagem”.
Quando recorremos à literatura, podemos encontrar várias técnicas de relaxamento, que podem ser agrupadas de uma forma geral, em técnicas de relaxamento físico/somático e técnicas de relaxamento mental/cognitivo (Hardy et al., 1996; Weinberg & Gould, 2003). A categorização das técnicas de relaxamento em físicas ou mentais revela-se extremamente importante contexto do tratamento da ansiedade, a qual pode ser dividida em duas componentes: ansiedade cognitiva e ansiedade somática (Hardy et al., 1996).
Um exemplo de uma técnica de relaxamento físico/somático é o “relaxamento muscular progressivo”, desenvolvido por Edmund Jacobson em 1938 (cit. por Weinberg & Gould, 2003). Esta técnica consiste no aumento da tensão e relaxamento sistemáticos dos principais grupos musculares, começando nas mãos e dedos e continuando progressivamente de um grupo muscular para outro, até que todos os músculos do corpo estejam relaxados (Cruz, 1996).
Para Weinberg e Gould (2003), os ciclos de tensão e relaxamento musculares permitem ao atleta tomar consciência da diferença que existe entre tensão e relaxamento, o que lhe permitira relaxar determinado grupo muscular quando nele detectar tensão.
Uma outra técnica de relaxamento físico/somático é o “controlo da respiração”. Esta técnica é uma das mais simples e mais eficazes para controlar a tensão muscular, e baseia-se nos pressupostos de que a inspiração e o bloqueio do ar aumentam a tensão muscular, enquanto que a expiração diminui a tensão muscular (Weinberg & Gould, 2003). De facto, quando estamos calmos, confiantes com controlo da situação, a nossa respiração é calma e ritmada, enquanto que, quando estamos sob pressão, a nossa respiração se torna curta e irregular.
Pesquisas efectuadas revelaram que a maioria dos lançadores de disco e de peso, e os pitchers de basebol, libertam o ar durante a última fase do lançamento, evitando assim que o aumento da tensão muscular interfira com a coordenação muscular necessária para um rendimento máximo (Weinberg & Gould, 2003).
O treino de biofeedback é outra técnica de relaxamento físico/somático, tratando-se de um procedimento no qual os dados individuais relativos à actividade fisiológica são recolhidos e dados a conhecer ao atleta, para que ele possa modificar essa actividade (Cruz, 1996).
No que diz respeito às técnicas de relaxamento mental/cognitivo, o “treino autogénico” é a técnica mais referenciada pela literatura. O treino autogénico consiste numa série de exercícios capazes de gerar sensações, especialmente calor e peso (Weinberg & Gould, 2003). Segundo Cruz (1996), o treino autogénico consiste numa técnica auto-hipnótica, sendo por isso considerada uma técnica mental, e é baseada numa hierarquia de seis estágios: a) experiência de peso nas extremidades; b) experiência de calor nas extremidades; c) regulação da actividade cardíaca; d) regulação da respiração; e) regulação dos órgãos viscerais; f) regulação da cabeça.
Como conclusão, podemos afirmar que a capacidade de relaxar é um aspecto importante para se alcançar a máxima performance desportiva.
O que os atletas pensam ou dizem é crucial para o rendimento óptimo, uma vez que os pensamentos afectam directamente os sentimentos e as acções dos atletas (Zinsser, Bunker & Williams, 2001).
A utilização self-talk tem sido identificada por psicólogos do desporto, por treinadores e até mesmo por atletas, como fundamental para a melhoria do rendimento desportivo (Harvey, Raalte & Brewer, 2002).
De acordo com a literatura, ainda não existe uma definição estabelecida de self-talk, devido ao facto de os diferentes tipos de self-talk serem intuitivos, ou ainda devido à confusão causada pelas diferentes definições utilizadas nos vários estudos realizados (Conroy & Metzler, 2004).
Para Hackfort e Schwenkmezger (1993, cit. por Hardy, Hall e Hardy, 2005) o self-talk pode ser definido como se tratando de um diálogo onde os indivíduos interpretam os seus sentimentos e percepções, dando a si próprios instruções e reforços. De uma forma simples, o self-talk refere-se aos depoimentos que os indivíduos fazem a si mesmos, quer seja de um modo interno, quer seja em voz alta (Hatzigeorgiadis et al. 2004).
De acordo com o apresentado por Hardy et al. (2001) e Hardy et al. (2005), o self-talk apresenta essencialmente duas funções: uma função cognitiva e uma função motivacional. A função cognitiva encontra-se subdividida em cognitiva específica e cognitiva geral, sendo que a primeira está relacionada com a aprendizagem, o desenvolvimento e a execução de habilidades, e a segunda para aumentar a performance e desenvolver e executar estratégias de jogo. No que diz respeito à função motivacional, esta pode também ser dividida em motivational mastery (desenvolvimento da autoconfiança), motivational arousal (activação e regulação da activação) motivational drive (para manter os atletas numa determinada direcção, com o devido esforço e dedicação).
Ainda de acordo com Hardy et al. (2005), o conteúdo do self-talk pode ainda ser classificado segundo quatro categorias: natureza, perspectiva,