4.4 Veiledning og tilhørighet
4.4.4 Tidsbruk og arbeidssituasjon
Conforme observamos nas análises, fenômeno da emergência da empatia nos relatos de violência de vítimas de violência conjugal tem caráter dinâmico e envolve a ação de outros mecanismos, como, por exemplo, dos trabalhos de elaboração de faces. Nesse sentido, percebemos em nossas análises, diferentes comportamentos das ações de elaboração de faces em relação aos movimentos de indício empático.
Verificamos que, nos discursos das vítimas (V1 e V2) que não tiveram interessem em prejudicar o ex-companheiro legalmente, as ações de preservação de face ([FC:PPF]), de preservação da face do outro ([FC:PFO]) e de ameaça à face da vítima pela escrivã ([FC:AmF]) tiveram incidência bem menor do que em relação ao discurso das duas outras vítimas (V3 e V4), que estavam dispostas a requerer medidas legais contra seus agressores.
Com base nas ocorrências de movimentos empáticos (elicitação e resposta empática favorável) e de ações de elaboração de faces (ameaça à face, preservação da própria face e da face do outro) de cada interação, verificamos que V1 e V2 adotaram uma postura defensiva, por isso denominamos a ação predominante desse grupo como “empatia defensiva”. Já as ações de elaboração de faces de V3 e V4 receberam o nome de “empatia ofensiva”.
Logo, baseados nos dados de cada interação, esboçamos uma tabela para elucidar os diferentes comportamentos discursivos:
Tabela 5: Comparação do Nº de manifestações entre as empatias defensiva e ofensiva nas interações das VVC78
Participantes Emp: EL Emp: R+ (E V) FC:AmF(E V) 79 FC: PPF FC: PFO
Empatia defensiva V1 e E1 9 5 8 14 7 V2 e E2 12 9 6 6 3 TOTAL 21 14 14 20 10 Empatia ofensiva V3 e E3 10 6 0 1 0 V4 e E4 4 3 0 5 0 TOTAL 14 9 0 6 0
Fonte: Elaborado pela autora
Como nosso foco é averiguar o comportamento das ações de elaboração de faces nos diferentes grupos de vítimas, iniciamos observando as três últimas colunas da tabela acima. A análise dos dados apresentados na Tabela 5, permite observar que há ocorrências de ameaça à face das vítimas ([FC:AmF]) no primeiro grupo (V1/E1 e V2/E2). São oito ocorrências no discurso de V1/E1 e seis no discurso de V2/E2, totalizando quatorze.
78 VVC por “vítimas de violência conjugal”.
Porém, no segundo grupo, não foi possível detectar nenhuma ocorrência de ameaça à face das vítimas pelas escrivãs [FC:AmF]. Acreditamos que isso ocorre pois, no segundo grupo não há necessidade de confrontação por parte das escrivãs, pois essas vítimas estão certas que irão requerer ações legais para se protegerem contra um novo evento violento. Em contrapartida, V3 e V4 não sofrem ameaça a suas faces, pois elas mantém a decisão de pedir a ajuda da justiça para inibir futuras ações violentas dos agressores.
Do mesmo modo, se compararmos as ações de preservação de face ([FC:PPF]) nos grupos acima, também poderemos constatar que a frequência dessa ação no grupo que representa a empatia defensiva foi mais expressiva do que no grupo de V3/E3 e V4/E4. No primeiro grupo, detectamos quatorze e seis ocorrências, respectivamente, totalizando vinte no grupo. Já no segundo grupo, uma e cinco ocorrências, totalizando seis. Inferimos que isso ocorre pelo fato de que a imagem social reivindicada pelo segundo grupo mostra-se mais estável do que a do outro, por não precisarem “esconder” das escrivãs que não tinham a intenção de prejudicar seus agressores.
Outro dado interessante foi a averiguação das ações de proteção à face do outro ([FC: PFO]) (do agressor) nos dois grupos. Constatamos que, no grupo que representava as ações de empatia ofensiva, as manifestações que demonstravam proteção à imagem do agressor não foram detectadas. Contudo, no grupo de empatia defensiva, houve um total de dez ocorrências: sete em V1 e três em V2. Esse dado é significativo
Com respeito aos movimentos de empatia, podemos identificar que, no primeiro grupo, houve mais manifestações de elicitação empática ([EMP:EL]) do que em relação ao segundo. Enquanto que no grupo de empatia defensiva detectamos nove ocorrências no discurso de V1 e doze no discurso de V2, totalizando vinte e uma ocorrências, no segundo grupo esse número é reduzido. V3 e V4 produziram, respectivamente, dez e quatro ocorrências de ([EMP:EL]), com o total de quatorze. Desse modo, notamos que as mulheres cuja intenção não era de prejudicar seus agressores legalmente evocavam de suas interlocutoras mais empatia do que as outras que estavam decididas a recorrer às determinações da Lei da Maria da Penha.
No tocante às respostas empáticas ([EMP:R+]), percebemos que esse número foi proporcional às ocorrências de elicitação. Foi possível detectar que resposta empática por parte das escrivãs também é observada nos dois grupos, embora em momentos e de formas diferentes.
Embora os dados apresentados acima nos revelem que há diferença nas ações de empatia e de elaboração de faces entre os grupos, precisamos verificar se essa diferença também era estatisticamente significativa. Para isso, aplicamos o teste do Qui-quadrado (X²)
uma abordagem quantitativa dos dados acima para detectarmos frequência dessas ocorrências. Em nosso teste, a hipótese nula Ho foi a de que não existe diferença significativa em termos estatísticos entre as manifestações linguísticas de empatia e de ações de elaboração de faces entre os grupos de empatia defensiva e ofensiva. A hipótese alternativa de Ha era a negação de Ho: de que há diferença significativa em termos estatísticos entre as manifestações linguísticas de empatia e de ações de elaboração de faces entre os dois grupos. Após a aplicação do teste do Qui-quadrado no programa SPSS 21, obtivemos o seguinte resultado: X²=4,00; df=1; p<0,05. Desse modo, podemos dizer que a hipótese nula foi rejeitada e que a hipótese alternativa deve ser aceita, pois foi possível verificar diferença significativa nas manifestações linguísticas de empatia e de ações de elaboração de faces entre os dois grupos.
4.6 A dinâmica da empatia em interações de registro de BO por vítimas de violência