2.3 Nærings-ph.d.-ordningen i lys av internasjonale erfaringer og generell kunnskap om næringsrettede
2.3.5 Sammenligning av den danske og norske ordningen
Na primeira fase da pesquisa, após a transcrição dos dados, priorizamos compreender melhor os aspectos mais aparentes da interação entre escrivãs e vítimas. Para isso, lemos atentamente as transcrições de dez 66 interações diferentes entre vítimas e escrivãs e procuramos identificar as possíveis emergências empáticas nesses discursos, assim como em que momento e de que forma esses indícios empáticos ocorriam. Chamou nossa atenção o
66 Destacamos que nossa ideia era de analisar dez transcrições inicialmente. Contudo, reduzimos esse número
fato de algumas vítimas não desejarem requerer medidas legais contra seus agressores, mesmo quando as escrivãs, implicitamente, as aconselhavam a fazê-lo.
A partir daí, selecionamos algumas transcrições que se encaixavam nessa categoria e passamos a analisá-las mais atentamente. Após algumas leituras, percebemos que essas mulheres apresentavam uma fala hesitante, fragmentada e com demonstrações de dificuldade de planejamento verbal. Além disso, foi possível perceber que, em algum momento de seu dizer, elas entravam em contradição e isso era facilmente detectado pelas escrivãs, que as questionavam em relação às incoerências narradas por elas.
Após essa percepção, voltamos às demais transcrições e verificamos que havia casos em que algumas vítimas manifestavam o desejo de requerer as medidas legais contra seus agressores e que seus discursos não apresentavam as mesmas marcas detectadas nos discursos das outras vítimas.
A partir de então, deduzimos que os mecanismos de preservação de face entre os dois grupos de mulheres apresentavam-se de forma diferente, assim como as demonstrações de empatia pelos seus agressores. Desse modo, nos interessamos em analisar como indícios de movimentos de empatia emergiam nesses discursos e verificar até que ponto as ações de elaboração de face influenciavam na emergência empática.
Assim, propomo-nos a investigar a emergência da empatia e a elaboração de faces (GOFFMAN, 1967) por meio dos dispositivos emotivos de comunicação (CAFFI; JANNEY, 1994, CAFFI, 2007), mecanismos linguístico-cognitivos (LAKOFF; JOHNSON, 1980; LAKOFF; 1987, JOHNSON, 1987) e por meio de marcadores discursivos que sinalizam marcas de dificuldade de planejamento verbal, atenuação, distanciamento e envolvimento no discurso.
Para alcançarmos nossos objetivos, recorremos a uma abordagem teórica que inclui algumas perspectivas da Análise da Conversação que incorpora linhas da pragmática da linguagem.
Quadro 5: Códigos usados nas análises Códigos dos dispositivos emotivos de
comunicação utilizados O que significam
[AVA-]/ [AVA+] Dispositivo emotivo de menor ou maior avaliatividade [EVI-]/ [EVI+] Dispositivo emotivo de menor ou maior evidencialiade [ESP-] /[ESP+] Dispositivo emotivo de menor ou maior especificidade [PROX-]/ [PROX+] Dispositivo emotivo de menor ou maior proximidade [QUA-]/ [QUA+] Dispositivo emotivo de menor ou maior quantificação [VOL-]/ [VOL+] Dispositivo emotivo de menor ou maior volitividade
Códigos das ações de elaboração de faces O que significam
[FC: PPF] Trabalho de preservação da própria face
[FC: PFO] Trabalho de preservação da face do outro
[FC: AmF] Trabalho de ameaça à face do interlocutor
[FC: AmFO] Trabalho de ameaça à face do outro (agressor)
[FC: AtOf] Manifestação de atenuação de ofensa
Códigos de função de empatia O que significam
[EMP:EL] Ação de elicitação empática
[EMP: R+] Ação de resposta empática favorável
[EMP: R-] Ação de resposta empática desfavorável
[EMP: AC] Ação de aceitação da empatia doada
[EMP: D] Ação de doação empática
Marcadores e discursivos O que significam
[MD: EL] Marcador discursivo de elicitação empática
[MD: Mon] Marcador discursivo de monitoramento
[MD: Ass] Marcador discursivo de assentimento
[MD: Inc] Marcador discursivo de incerteza
[DF: PVo] Marcador de dificuldade de formulação: prolongamento de vogal
[DF:An] Marcador de dificuldade de formulação: anacoluto
[DF:PLV] Marcador de dificuldade de formulação: planejamento verbal [DF: Rep] Marcador de dificuldade de formulação: repetição
[Paraf] Paráfrase
[Compl] Complementação do discurso do interlocutor
Mecanismos linguístico-cognitivos O que significam
[EsqIm: F] Esquema imagético de FORÇA
[EsqIm: OPM] Esquema imagético de ORIGEM-PERCURSO-META
[EsqIm: C-P] Esquema imagético de CENTRO-PERIFERIA
[EsqIm: TrapF] Esquema imagético de TRAJETO AO PONTO FINAL
[EsqIm: Vert] Esquema imagético de VERTICALIDADE
[EsqIm: RemBloq] Esquema imagético de REMOÇÃO DE BLOQUEIO
[EsqIm: D-F] Esquema imagético de RECIPIENTE
[Meta] Metáfora
[Meto] Metonímia
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado de Goffman (1967), Martinovsky; Mao (2009), Lakoff (1987), Lakoff;
Ao detectarmos as ocorrências de indícios empáticos, trabalhos de faces, dispositivos emotivos, metáfora, metonímias e esquemas imagéticos, ressaltamos a palavra, ou expressão em negrito para que esses fossem relacionados aos códigos que os procediam. Como em “É porque eu convivi com uma pessoa [-Esp]”. Frisamos que organização do corpus, como a numeração das linhas e a codificação das ocorrências, foi realizada no processador de texto Word.
Cada diálogo foi subdividido em TDs na ordem em que iam surgindo na interação. Alguns trechos dos diálogos precisaram ser suprimidos por não conterem elementos tão significativos a serem analisados. Após as análises de cada interação, organizamos uma tabela e contabilizamos os dados das ocorrências referentes às ações de elaboração de faces e de movimentação empática dentro de cada TD e esboçamos um gráfico, que denominamos “panorama da interação entre vítima e escrivã”, a fim de elucidar a dinamicidade desses processos no discurso.
Por fim, agrupamos as duas primeiras interações (V1/E1 e V2/E2) sob a denominação de “empatia defensiva” e as duas últimas (V3/E3 e V4/E4) como “empatia ofensiva” com o propósito de compará-las. Demonstramos, por meio da soma das ocorrências mais expressivas referente às ações de elaboração de faces ([FC:PPF], [FC: PFO], [FC: AmF]) e de movimentação empática ([EMP:EL], [EMP:R+]) de cada grupo, que havia uma diferença dessas manifestações entre esses dois grupos.
Em seguida, aplicamos o teste estatístico de X² (Qui-quadrado) para averiguar se há diferença entre os dois grupos. Trata-se de um teste de hipóteses (CONTI, 2014), por meio do qual se busca encontrar um valor de dispersão para as duas variáveis nominais67, para analisar estatisticamente a associação entre elas. Esse teste pede que seja adotada uma hipótese nula (Ho) para que ela seja rejeitada por meio do cálculo X², que ocorre da seguinte forma: se o valor encontrado de X² nos dados for menor do que o valor do X² previamente tabelado, a hipótese nula é rejeitada (Ho) e a hipótese alternativa (Ha) deve ser assumida com válida.
Ou seja, a Ho deve necessariamente assumir que não existe diferença estatisticamente relevante nas associações estabelecidas entre as variáveis. Em contrapartida, a Ha assume que existe diferença significativa nas associações entre as variáveis.
A fórmula proposta por Karl Pearson68 para medir as possíveis não associações entre as proporções observadas e esperadas é: X² = Σ [(o-e) ²/e] em que: o= frequência observada para cada classe; e =freqüência esperada para aquela classe. Assim, pode-se encontrar o valor
67 As variáveis nominais são qualitativas e seus valores só são registrados como nomes, sem ordem entre as
categorias.
68 Fundador do Departamento de Estatística Aplicada na University College London em 1911, o primeiro
de X² que, ao ser comparado ao tabelado, revela se Ho será rejeitada ou aceita e se a diferença é, de fato, significativa em termo estatísticos. Esse teste foi realizado no software SPSS, na versão 21, que é bastante conhecido no ambiente acadêmico.
As variáveis escolhidas para nosso teste foram: a variável independente “discurso” e as dependentes, “tipos de empatia”, que subdividimos em empatia ofensiva e defensiva. Frisamos que essas variáveis foram eleitas para fins de aplicação do teste de frequência X².
Contabilizamos as manifestações referente às ações de elaboração de faces ([FC:PPF], [FC: PFO], [FC: AmF]) e de movimentação empática ([EMP:EL], [EMP:R+]) e, depois, dividimos nos dois tipos de grupos de empatia: defensiva e ofensiva.
Na divisão dos tipos de ocorrências, o agrupamento “empatia defensiva” foi composto pelas ocorrências ([FC:PPF], [FC: PFO], [FC: AmF]) ([EMP:EL], [EMP:R+]) dos discursos de V1/E1 e V2/E2, enquanto que o agrupamento de “empatia ofensiva” foi compostos pelas ocorrências dos mesmos mecanismos, mas nas interações de V3/E3 e V4/E4. Ao final, esses dados foram lançados no SPSS 21 para que a frequência entre os grupos fosse calculada.
Destacamos que nossa tese não tem uma preocupação quantitativa, essa análise de frequência serviu para ratificar as constatações feitas ao final das análises.
4 ANÁLISE DOS DADOS
Nesta seção do trabalho, apresentamos as análises realizadas a partir das transcrições dos diálogos entre escrivãs e vítimas. Aqui, temos a chance de lançar um olhar mais cuidadoso sobre quatro interações comunicativas de registros de BO. Em cada uma, participaram duas mulheres: uma vítima e uma escrivã. Ao todo, são oito participantes diferentes (quatro vítimas e quatro escrivãs), que participaram de quatro interações distintas.
Nesse capítulo, concentramos nossa atenção:
• na análise dos dispositivos emotivos da comunicação, que envolvem aspectos linguísticos e paralinguísticos;
• nos processos socio-interacionais, que sinalizam o trabalho de elaboração de faces; • nas funções empáticas, que indiciam a emergência de movimentos empáticos em
cada interação;
• e nos processos linguístico-cognitivos, como o uso de metáfora, metonímia e esquemas imagéticos.
Ao final da análise de casa interação, propomos um gráfico para elucidar o panorama das ações de elaboração de faces e de movimentos empáticos expressivos em cada TD.