• No results found

2 Sykefravær og arbeidslivsutvikling: Teori og tidligere forskning

2.3 Tidligere studier

Buscando compreender melhor o comportamento da precipitação em escalas regionais, o IPCC (2012) apresentou uma divisão dos continentes em sub-regiões conforme mostrado na Figura 3.10.

Figura 3.10 - Definição das sub-regiões utilizadas para a análise de mudanças climáticas regionais sobre os continentes proposta pelo IPCC

Fonte: IPCC (2012)

Mesmo estudando as escalas regionais e até mesmo locais, a precipitação é caracterizada pela grande variabilidade espacial e temporal dificultando a obtenção de amostras significativas por meio de pluviômetros. Por esta razão, as tendências observadas em cada uma destas regiões representam apenas uma pequena fração desta variabilidade (Groisman et al., 2004).

2 O satélite da Missão de Medição da Precipitação Tropical (TRMM) foi lançado no dia 28 de

novembro de 1997 e é um projeto da NASA em cooperação com a JAXA que tem o objetivo de monitorar e estudas as precipitações tropicais.

A Tabela 3.1 resume as informações predominantes sobre cada sub-região de forma bastante simplificada com base nos estudos do IPCC (2007, 2012) e dos demais autores citados nos itens subsequentes. Para cada sub-região, é indicado qual tipo de tendência representa melhor as mudanças observadas na precipitação total anual (PT) e precipitações extremas diárias (PE) juntamente com um nível de confiança atribuído aos resultados pelos autores.

Tabela 3.1 - Resumo das tendências observadas predominantes nas sub-regiões.

Região PT PE Região PT PE 1 0 0 15 0 0 2 0 + > 50% 16 0 0 3 0 + > 50% 17 0 0 4 0 + > 90% 18 5 0 + > 90% 19 6 + > 90% 20 7 + + 21 + > 90% + > 90% 8 +/- +/- 22 + / - > 90% + / - > 90% 9 - - 23 + > 90% 10 +/- +/- 24 11 + > 66% 25 0 0 12 + > 66% 26 0 0 13 0 0 27 14 0 0 28

Obs.: Tendência significativa positiva (+), negativa (-) e não significativa (0).

Nos itens a seguir é apresentado um breve resumo dos principais estudos sobre a existência de mudanças nos padrões de precipitação nos continentes e sub- regiões.

3.3.1.1. América do Norte e América Central

Na América do Norte e América Central há uma confiança alta (> 90%) em relação às tendências de aumento da precipitação, porém com alguma variação espacial, ou seja, também há em menor proporção, locais onde são observadas reduções e tendências não significativas.

De forma geral, há um nível de confiança médio (> 50%) nos aumentos observados nas sub-regiões 2, 3 e 6 e alto (> 90%) nas sub-regiões 4 e 5 (Aguilar et

al., 2005; Alexander et al., 2006; IPCC, 2007 e 2012). Na região do Alasca (sub-

região 1) não foram constatadas mudanças significativas.

Nos EUA (sub-regiões 3, 4 e 5), a precipitação total anual e os índices de precipitação extrema não apresentou tendências na maior parte dos postos

estudados (74%) por Pryor et al. (2009). Entretanto, a maior parte dos locais que apresentaram tendências positivas significativas estão situados na região central (sub-região 4), concordando com os resultados de Groisman, Knight e Karl (2012) que também observaram tendências similares nesta região.

Na região central dos Estados Unidos (sub-região 4), Groisman, Knight e Karl (2012) observaram o aumento dos dias com precipitação intensa e do número de eventos extremos (acima de 25,4 mm) nas últimas três décadas. A frequência de ocorrência de eventos mais comuns (entre 12,7 e 25,4 mm) não mudou, porém, a frequência de eventos muito extremos (acima 154,9 mm) cresceu 40%.

3.3.1.2. América do Sul

Na América do Sul (AS), os estudos que têm sido realizados indicam que há um aumento da precipitação total anual e da frequência de ocorrência de eventos extremos (> 20 mm) de forma geral. Entretanto, ao analisar os dados de forma regional, os pesquisadores mostram que há uma grande variabilidade espacial das tendências, tanto positivas quanto negativas.

Buscando uma melhor compreensão das tendências neste continente, é possível utilizar a divisão regional proposta pelo IPCC (2012), mostrado na Figura 3.10 na escala global. As sub-regiões 7, 8, 9 e 10 correspondem a Amazônia (AMZ), Nordeste do Brasil (NEB), Oeste da AS (WSA) e Sudeste da AS (SSA) respectivamente, como mostradas na Figura 3.11 a) delimitadas em azul.

Na Figura 3.11 a) é mostrada a localização da extensa rede de postos pluviométricos (círculos) na América do Sul, utilizados no estudo de Skansi et al. (2013) que verificou a existência de mudanças em diferentes índices de precipitação durante o período entre 1950 e 2010.

Na Figura 3.11 b) são mostrados os resultados obtidos por Skansi et al. (2013) para a análise de tendências na precipitação total anual. Nesta figura é possível observar a grande variabilidade das tendências positivas (verde) e negativas (marrom) nas diferentes regiões, tornando difícil estabelecer um padrão regional.

Na região da Amazônia, a tendência positiva observada por Skansi et al. (2013) na maioria dos postos coincide com os resultados obtidos por Aguilar et al. (2005) para a precipitação total anual e frequência de eventos extremos.

Na região Nordeste do Brasil, Skansi et al. (2013) apontaram a existência de tendências negativas com menor nível de confiança. Entretanto, Santos e Brito

(2007), que analisaram as séries de precipitações no Rio Grande do Norte e Paraíba entre 1935 e 2000, e Santos et al. (2009) no Ceará entre 1935 e 2006, diagnosticaram o aumento da precipitação total e máxima diária anual na maior parte dos postos.

Na região Oeste da América do Sul, Haylock et al. (2006) e Skansi et al. (2013) identificaram tendências positivas nas precipitações totais anuais no Equador e norte do Chile e negativas no Peru e no sul do Chile. Nestas regiões, foram identificas as mesmas tendências para a ocorrência de eventos extremos por Alexander et al., 2006, Haylock et al. (2006); Marengo et al. (2010) e Skansi et al. (2013).

Figura 3.11 - a) Localização das sub-regiões (azul) e dos postos pluviométricos utilizados (círculos); b) Tendências observadas na precipitação total anual para o período entre 1950 e 2010

Fonte: Skansi et al. (2013)

Na região Sudeste da América do Sul, há uma predominância de tendências positivas significativas da precipitação total anual (Haylock et al., 2006; Skansi et al., 2013) e da frequência de eventos extremos (Haylock et al., 2006; Alexander et al., 2006; Re e Barros, 2009; Marengo et al.,2010; Penalba e Robledo, 2010; Teixeira e Satyamurty, 2011; Skansi et al., 2013) na segunda metade do século XX. Pscheidt e Grimm (2009) destacam ainda o aumento na frequência de precipitações intensas durante a ocorrência do fenômeno do El Niño no oeste do Paraná e estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Durante o La Niña, uma redução mais

significativa ocorre nesta região com exceção do litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul que não são afetados.

3.3.1.3. Europa e região do Mediterrâneo

Nas regiões Norte (sub-região 11) e Oeste (sub-região 12) da Europa foram observadas tendências de aumento das precipitações intensas no inverno com confiança média (< 66%). Entretanto, durante o verão, apenas mudanças inconsistentes e insignificantes foram constatadas (Alexander et al., 2006; Fowler e Kilsby, 2003; Haylock e Goodness, 2004; Klein, Tank e Können, 2003; Maraun et al., 2008; Zolina et al., 2009).

No Sul da Europa e região Mediterrânea (sub-região 13), tendências inconsistentes e com confiança baixa (< 20%) foram observadas (Alexander et al., 2006; García et al., 2007; Klein, Tank e Können, 2003; Rodrigo, 2010; Zolina et al., 2009).

3.3.1.4. África

Os estudos realizados no continente africano são bastante localizados e as tendências possuem grande variabilidade espacial e baixa confiança (< 20%) (Trenberth et al., 2007; IPCC, 2012).

Na região Norte da África (sub-região 14) ou região Arábica, o estudo de Donat

et al. (2013) mostrou que durante a segunda metade do século XX, as tendências

observadas na precipitação foram pouco significativas e espacialmente inconsistentes.

Nas regiões Oeste (sub-região 16) e Sul (sub-região 17), constatou a inexistência ou existência de tendências com baixa significância para a precipitação total anual e máxima diária na maioria dos postos analisados (Kruger, 2006; New et

al., 2006). Alexander et al. (2006) identificou mais áreas com diminuição do que

aumento no número de dias com precipitações intensas nesta região.

3.3.1.5. Ásia

Os estudos realizados na Ásia apresentam evidências insuficientes devido as grandes dimensões do continente onde os resultados obtidos possuem uma significância estatística apenas localmente.

Wang et al. (2012) constataram um aumento da precipitação total anual sobre as regiões Oeste (sub-região 21) e Sul (sub-região 22) da China, assim como uma redução no Nordeste (sub-região 22). Inclusive, nos últimas décadas tem sido

observado uma intensificação na ocorrência de secas no nordeste e enchentes no sul da China em concordância com os resultados de Wang et al. (2012) e Alexander

et al. (2006) que também identificou estes padrões locais nas precipitações intensas

diárias.

Na Índia (sub-região 23), a ocorrência de precipitações extremas (> 124,4 mm/dia) apresenta tendências positivas significativas apenas para algumas regiões (costa oeste, parte do centro e partes do nordeste) onde estão associadas ao aumento da instabilidade da umidade convectiva diária (Pattanaik e Rajeevan, 2010).

3.3.1.6. Oceania

Os estudos realizados na Oceania apontam a existência de algumas tendências, porém há baixa confiança estatística (< 20%) devido à pequena quantidade de estudos e grande variabilidade espacial.

Na região Central da Austrália, Gallant, Hennessy e Risbey (2007) identificaram um aumento significativo no número de dias de chuva e intensidade de eventos extremos juntamente com uma redução na quantidade de precipitação diária. Na região Oeste não foram encontradas mudanças e nas regiões Sudoeste, Sudeste e Costa Leste houve uma redução da precipitação total anual e de eventos extremos. Estes resultados são coerentes com as tendências apresentadas por Alexander et

al. (2006) para dias com precipitações intensas.

King, Alexander e Donat (2013) identificaram algumas tendências, positivas e negativas, para a frequência e intensidade de eventos extremos de precipitação no Sudoeste e Centro-Leste da Austrália. Entretanto a cobertura de dados é muito restrita dificultando a identificação de padrões regionais.