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2. Teori

2.2 IAS 40

2.2.4 Tidligere studier av notekravene til IAS 40

Para se realizar quaisquer pesquisas de fenômenos linguísticos através de dados coletados em um corpus de textos escritos, como o da presente pesquisa, não se deve negligenciar a grande importância das especificidades de composição dos gêneros textuais e suas tradições históricas estruturais, uma vez que esses são fatores fundamentais que influenciam diretamente nos resultados obtidos, como aponta Kewitz (2009, p. 6-7):

Imaginemos um pesquisador que escolhe um determinado tipo de texto para buscar seus dados, quantificá-los e analisar os resultados. Se ele selecionar um gênero (...) obterá um resultado X. Se outro pesquisador investigar o mesmo fenômeno em outro gênero, poderá obter o resultado X (esperado) ou um resultado Y, enviesando o resultado X. Com isso, não se pode dizer que houve ou não mudança linguística, pois (...) estamos lidando com a história da língua paralelamente à história dos textos, como evidenciam os estudos em Tradições Discursivas.

Novas tradições discursivas, segundo Koch (1997, p. 61-62 apud COSTA, 2009, p. 639) não passariam a existir ex nihilo, ou seja, nunca surgiriam do nada, mas sim, estariam intrinsecamente ligadas a modelos de tradições anteriores, as quais passaram por alterações em sua estrutura para desempenhar novos papéis e satisfazer as novas necessidades comunicativas de uma dada comunidade linguística. Sendo assim, os gêneros textuais notícia e romance e seu desenvolvimento estão diretamente ligados a uma tradição histórico-cultural e, por isso, passam por várias mudanças estruturais através dos tempos. E são justamente essas mudanças históricas que o presente capítulo busca entender e apresentar.

Company Company (2008) afirma que as frequências relativas de uso de uma inovação, e não a sua presença ou ausência, são essenciais para a diferenciação dos gêneros textuais, sendo que estes últimos podem ser fatores muito importantes na criação e na difusão dessas mudanças linguísticas, mas nem sempre algumas mudanças, como casos de gramaticalizações, apresentam uma associação ou dependência com os GTs. Contudo, na sua análise histórica dos usos do substantivo

hombre e dos advérbios em mente, a autora aponta que a gramaticalização desses

elementos encontra-se fortemente condicionada à variável gênero textual.

Algumas outras pesquisas mostram que a frequência dos demonstrativos e suas formas também parecem se alterar de acordo com o gênero textual em que se encontram, como se verá a seguir:

Juilland & Chang-Rodríguez (1965, apud KOCK, GOMEZ MOLINA & VERDONK, 1992, p. 21) mostram que os textos dos GTs teatro e romance (novela), em espanhol, possuem uma maior frequência de F2, enquanto periódicos e textos

técnicos, apresentam um uso majoritário da forma F1, como se pode ver na tabela 1,

abaixo:

TABELA 1 - Frequência de formas dos demonstrativos nos gêneros textuais em espanhol

(JUILLAND e CHANG-RODRÍGUEZ, 1965)25

Tal diferença evidencia que GTs que possuem um conteúdo mais permeável à presença de registros ligados à língua falada, como nos dois primeiros casos, apresentam maior prevalência de F2, enquanto GTs que costumam exigir em sua estrutura menos traços da oralidade, como nos dois últimos, F2 acaba tendo uma presença bem mais restrita na língua espanhola.

A partir de uma linha de raciocínio semelhante, Jungbluth (2005, p. 117) também apresenta a frequência dos demonstrativos em diferentes GTs em um corpus do espanhol através do gráfico reproduzido a seguir:

GRÁFICO 1 - Frequência de formas dos demonstrativos nos gêneros textuais em espanhol

(JUNGBLUTH, 2005, p. 117)

Pode-se notar, através deste gráfico, que F1 é a forma mais frequente em todos os GTs que compõem corpus, contudo, na língua oral (gesprochene Sprache), é saliente o fato de que F1 e F2 possuem frequências quase equivalentes. A diferença entre os valores de frequência de F1 e de F2 vai aumentando gradativamente, à medida que se caminha para a outra extremidade do gráfico, para gêneros cada vez menos ligados à oralidade, com um uso proporcionalmente cada vez menor da forma F2. Assim, a diferença entre as frequências de F1 e de F2 também é bem pequena nos textos teatrais (Theaterstücke), mas F2 vai diminuindo gradativamente sua frequência com relação a F1 quando se passa pela literatura de ficção (Literatur),

textos acadêmicos (Sachtexte), periódicos (Zeitschriften), até chegar aos textos técnicos (technische Texte), nos quais a diferença de frequência entre as duas formas

A partir dessa premissa, para se saber se haveria também em português uma estrita relação entre o uso dos demonstrativos e os GTs em que eles se encontram, realizou-se um estudo preliminar em corpora eletrônicos, contabilizando-se a frequência das formas dos demonstrativos no Corpus do Português (CDP)26 e no

Corpus del Español (CDE)27, separando-os de acordo com o gênero textual.28

A tabela e o gráfico correspondente, a seguir, apresentam as frequências das formas dos demonstrativos, no CDP, de acordo com o gênero textual dos textos do

corpus: CORPUS DO PORTUGUÊS GT F1 F2 F3 Total Acadêmico 28267 11794 2656 42717 66,2% 27,6% 6,2% 100% Notícia (Periódico) 23660 11772 4335 39767 59,5% 29,6% 10,9% 100% Ficção (Literatura) 13831 17953 18198 49982 27,7% 35,9% 36,4% 100% Oral 6031 13908 5885 25824 (Entrevista) 23,3% 53,9% 22,8% 100% TABELA 2 - Frequência de formas dos demonstrativos

nos gêneros textuais no CDP

GRÁFICO 2 - Frequência de formas dos demonstrativos nos gêneros textuais no CDP

26 O Corpus do Português é uma base eletrônica elaborada por Mark Davies, da Brigham Young

University (BYU), e por Michael Ferreira, da Georgetown University, que contém textos de diversos gêneros, dos séculos XIV ao XX, compreendendo um total de 45 milhões de palavras. (acessível em http://www.corpusdoportugues.org/)

27 O Corpus del Español também é uma base eletrônica elaborada por Mark Davies, que contém textos de

diversos gêneros, dos séculos XIII ao XX, compreendendo um total de 100 milhões de palavras. (acessível em http://www.corpusdelespanol.org/)

28 A divisão entre as ocorrências de acordo com os gêneros textuais está disponível, no sistema de busca

de ambos os sites, apenas para dados do século XX.

0% 20% 40% 60% 80% 100%

Acadêmico Notícia Ficção Oral

Pelo que se pode ver por estes dados, as frequências das formas dos demonstrativos encontrados no CDP demonstram uma tendência de predominância da forma F1 em gêneros menos ligados à oralidade, inversamente proporcional ao maior uso de F2 naqueles que possuem grande afinidade com a língua falada, assim como ocorre os estudos sobre o espanhol apresentados anteriormente.

Deste modo, tem-se a seguinte distribuição das formas F1 e F2 em cada gênero textual:

acadêmico - F1 muito mais frequente que F2;

notícia de periódico - F1 mais frequente que F2;

literatura de ficção - F2 mais frequente que F1;

entrevista oral - F2 muito mais frequente que F1.

Abaixo, a tabela e o gráfico correspondente apresentam as frequências das formas dos demonstrativos no CDE, de acordo com os vários gêneros textuais disponíveis naquele corpus: