4. Analyse
4.2 Analyse av noteopplysinger
4.2.5 Informasjon knyttet til usikkerhet
Na literatura, um já decadente uso da epopeia, narrativa em verso, cede lugar a um novo gênero textual: o romance. Narrativa moderna em prosa, o romance tem, para muitos, como marco inicial a obra Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes, no século XVII, a qual reinventava e atacava os romances de cavalaria da Idade Média (THOMAS, 1920, p. 1).
Consolida-se como um dos GTs mais produtivos na literatura no período do Romantismo, popularizando-se e caindo no gosto da burguesia, em grande ascensão naquela época, uma vez que trazia uma estrutura de composição e linguagem mais acessíveis a essa camada da sociedade, que visava penetrar no mundo da cultura, como aponta Monteiro (1940, p. 1):
(...) o romance é mais fácil do que o drama ou a poesia, pois o leitor mediano, mesmo quando não possa digerir toda a sua íntima riqueza psicológica, encontra nele um conteúdo que pode apaixoná-lo, uma intriga, a vida de outros homens que o cativa, embora tudo o mais, e inclusive o sentido dessas vidas, lhe permaneça talvez oculto e incompreensível.
O romance em forma de folhetim, ou seja, em capítulos semanais nos periódicos, era uma forma muito popular de entretenimento no século XIX, sendo um excelente índice dos interesses da sociedade culta e semiculta, pois era, segundo Bosi (2006, p. 97) tão relevante como são, nos dias de hoje, as histórias representadas no cinema e a televisão.
Por detrás da aparente descontinuidade de sua construção, uma vez que entre um capítulo e outro seguem-se sempre uma lua e outras consuetúdines, o que o romance-folhetim faz é validar a continuidade cotidiana como forma ideológica de reafirmar o transcurso inexaurível da História, tal como a concebia o homem do século XIX. (SANT’ANNA, 1973, p. 18)
Ao longo dos tempos, as tradições de composição do gênero romance adquiriram diversos formatos e se reinventaram de acordo com as intenções criativas específicas dos seus autores, não devendo seguir, portanto, modelos fixos ou regras (MONTEIRO, 1940, p. 10). Dessa forma, o que se pode dizer sobre o que todos os textos desse GT têm em comum seria, sobretudo, o seu objetivo principal de mostrar um reflexo fiel da sociedade da época que representa, isto é, o romance “se presta especialmente para expressar a realidade de uma nação por sua capacidade de abarcar tanto a realidade visível como aqueles elementos da realidade que não estão à vista”. (BRUSHWOOD, 1973, p. 9).
4.3.1 O ROMANCE NO PB
A Moreninha
Segundo Nascimento (2010, p. 10), o romance se estabelece como gênero corrente no Brasil em 1843, através de Teixeira e Sousa, com sua obra O Filho do
Pescador, publicada primeiramente como folhetim no jornal O Brasil. Entretanto, essa
posição de marco inicial é renegada por muitos teóricos literários, porque esse texto possuiria uma trama que não se enquadraria nas premissas do romance romântico. Por exemplo, Bosi (1994, p. 102) não inclui Teixeira e Souza entre os principais
autores de ficção, pois haveria uma “inegável distância, em termos de valor, que o
separa de todos” e também Hollanda (1977, p. 17, apud CERQUEIRA, 2011, p. 126)
faz duras críticas a esse romance, afirmando que ele possui uma “narrativa
desgrenhada” em que “os tipos aparecem já feitos, como de encomenda”, as
personagens, ao invés de “seres humanos”, são meras “abstrações”, o tom é “largado” e a inverossimilhança “às vezes raia pelo cômico”.
Desta forma, A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, publicada inicialmente como folhetim em 1844 no Jornal do Comércio, pode ser considerado, de fato, o primeiro romance brasileiro, por se tratar de um exemplar ideal e mais bem- feito, pois o autor
conseguiu o que Teixeira e Souza não havia conseguido, isto é, respeitabilidade literária. Para isso contribuíram, basicamente, dois fatores: o próprio talento do autor e sua tendência ao riso, muito mais do que às lágrimas, no que contrariava frontalmente as tendências do folhetim lacrimejante [resultado ainda de uma mentalidade colonial], atingindo plenamente o público ávido por entretenimento leve. (SERRA, 1994, p. 30)
Por isso, esta obra de Macedo, claramente mais representativa do gênero textual romance, será a utilizado no corpus deste trabalho como fonte de dados para a era do Romantismo, na 1ª metade do século XIX.
A história se passa no Rio de Janeiro imperial, em que um grupo de amigos acaba fazendo uma aposta que envolve os sentimentos amorosos de Filipe, o protagonista. Publicado em formato de folhetim, representava fielmente o estado de espírito da corte fluminense, da classe média e da burguesia ascendentes. A narrativa
d’A Moreninha possui um tom quase coloquial, e é realizada em terceira pessoa,
embora na história se revele que o autor do romance fosse o próprio protagonista. Joaquim Manuel de Macedo, nascido no ano de 1820, em Itaboraí, Rio de Janeiro, formou-se em medicina e foi professor, jornalista e político. Como escritor, suas obras tiveram grande importância no período do Romantismo, pois ele utilizava os elementos necessários para satisfazer às expectativas dos leitores daquela época: a comicidade, o amor impossível e também a presença de uma revelação surpreendente para gerar o clímax da história, repetindo essa fórmula em todos os seus 18 romances (BOSI, 2006, p. 130).
Memórias Póstumas de Brás Cubas
Machado de Assis rompe a sua série de publicações de romances românticos com Memórias Póstumas de Brás Cubas, uma das obras mais revolucionárias e inovadoras da literatura brasileira, marcando o início do Realismo no Brasil, em 1881. Publicado como folhetim na Revista Brasileira, o romance é marcado por retratar temas fortes e importantes na sociedade da época, como as diferenças entre as classes sociais e escravidão. Com a narrativa em primeira pessoa, Memórias
Póstumas é a autobiografia de Brás Cubas, que, depois de morto, resolve escrever
suas memórias. Na obra, o autor consegue “verificar quanto as criaturas iam sendo moldadas pelas circunstâncias, como as modificava o fluir do tempo e como todas as vicissitudes se reduziam a um único problema: o destino, a rir-se das ambições e
Nascido em 1839, no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, Joaquim Maria Machado de Assis, era mestiço e também de origem humilde. É considerado por muitos como o maior escritor brasileiro de todos os tempos pela qualidade e originalidade de suas obras que englobam tanto gêneros narrativos quanto dramáticos, além da poesia.
Triste Fim de Policarpo Quaresma
A literatura brasileira atravessava um período de transição no início do século XX, chamado de Pré-modernismo, no qual se encaixa o romance Triste fim de
Policarpo Quaresma, de 1915, do autor Lima Barreto. A narrativa se faz em terceira
pessoa e essa obra, assim como A Moreninha, foi publicada como folhetim no Jornal
do Comércio do Rio de Janeiro. O texto narra a história do funcionário público
Policarpo Quaresma, um nacionalista extremo e seus ideais utópicos, ao mesmo tempo em que faz um retrato político e social do Brasil no início da República.
O Policarpo Quaresma me parece, em conjunto, como concepção e como fatura, o mais bem realizado dos romances de Lima Barreto, e por isso mesmo o mais carregado de Rio de Janeiro (...), a gente que povoa suas páginas, o ambiente que ele reflete e sobretudo os pequenos quadros da vida de família que vão se encadeando na trama – tudo isso tem a cor, o cheiro, o gosto desse vário e vasto mundo pequeno-burguês que formava então e forma ainda a “alta sociedade” dos subúrbios cariocas. (HOLLANDA, 192, p. 69-70)
Seu autor, Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro em 1881, era mestiço e de origem humilde. Trabalhou como jornalista e amanuense, e essa biografia reflete a ideologia em várias de suas obras, passando o conteúdo autobiográfico para o âmbito da ficção. Além disso, grande parte dos seus textos buscam combater o preconceito racial e dão destaque às classes menos favorecidas e ao mundo suburbano, como também se pode observar em Triste fim de Policarpo
A Hora da Estrela
Na escola literária chamada de Geração de 1945, na qual se encaixam as obras de Clarice Lispector, os escritores eram menos exigidos social e politicamente, podendo se dedicar a experimentar modelos estéticos diferentes e novas formas de expressão literária. Dentro deste cenário, tem-se o romance A Hora da Estrela, de 1977, construído em sua totalidade por meio da associação entre ações e digressões metalinguísticas, de metáforas, do fluxo de consciência e da ruptura com o enredo factual (BOSI, 2006, p. 424). Também como característica da escola literária vigente presente nesse romance de Lispector, pode-se ressaltar um recurso narrativo chamado monólogo interior, técnica que apresenta o mundo a partir de um ângulo central, limitando-se aos sentimentos, pensamentos e percepções da personagem, geralmente utilizando o discurso indireto.
A Hora da Estrela conta a história de Macabéa, uma alagoana simples que se
muda para o Rio de Janeiro e suas dificuldades e dramas psicológicos são expostos por um narrador também psicologicamente afetado. Como parafraseia Linhares (1987, p. 426) no prefácio da obra, o romance é sobre
uma indagação maior, curtida no encontro, ou do desencontro, daquela ‘resistente raça anã teimosa que um dia vai talvez reivindicar o direito ao grito’ com o ‘ambicionado clã do sul do país’; o nordeste rural na sua difícil contra-cena com a engrenagem urbana. A hora da estrela ou ‘as fracas aventuras de uma moça numa cidade toda feita contra ela’.De um lado a ‘terra serena de promissão, terra do perdão’; do outro, o sufoco, o vale-tudo, a agressão da ‘cidade inconquistável’ – os dois brasis.
Chaya Pinkhasovna Lispector, assim registrada, Clarice Lispector nasceu em 1920 na aldeia de Tchetchelnyk, Ucrânia, em meio à fuga de sua família para o Brasil, devido ao antissemitismo resultante da Guerra Civil Russa, instalando-se em Recife. Em 1934 sua família se muda para o Rio de Janeiro, onde Lispector cursa Direito (BOSI, 2006, p. 23).
Leite Derramado
Marcado por inúmeros manifestos e movimentos em geral de curta duração, tem-se as tendências da literatura contemporânea como pano de fundo para a obra de Chico Buarque, Leite Derramado, de 2009. Narrado em primeira pessoa e muitas vezes utilizando-se do recurso de fluxo de consciência, o romance conta a história de um homem em seu leito de morte contando a história de três gerações de sua família na cidade do Rio de Janeiro, retratando os problemas da sociedade brasileira por todas essas gerações.
Chico Buarque de Holanda nasceu em 1944, na cidade do Rio de Janeiro, cursou dois anos de arquitetura na Universidade de São Paulo, se dedicar à carreira artística. É até os dias de hoje um dos mais importantes nomes para a música popular brasileira e também para a literatura.
4.3.2 O ROMANCE NO EM
El Periquillo Sarniento
Considerado como o primeiro romance da Nova Espanha, El Periquillo
Sarniento, de 1816, é um retrato da vida mexicana consequente da época do vice-
reinado mexicano. Conta a trajetória de um rapaz espertalhão, porém, não contemplado pela sorte, mas que também apresenta muitos momentos de bondade e generosidade que, por fim, o redimem (GONZALEZ PEÑA, 1949, p. 202). O autor retrata o personagem como um malandro contando sua história pela visão do que não deve ser feito pelos outros e, durante a trama, o protagonista tem a esperança que sua história sirva de lição para os leitores. (BRUSHWOOD, 1973, p. 148).
O autor, José Joaquím Fernández de Lizardi, também conhecido como El
Pensador Mexicano, nasceu na Cidade do México em 1776 e vem de uma origem
bastante pobre. Cursou Filosofia, mas não chegou a se formar. Foi jornalista, romancista, poeta e também autor dramático e toda a sua obra é dedicada a criticar a vida e os costumes de sua época. (JIMENEZ RUEDA, 1944).
Los Bandidos de Río Frío
O romance de Manuel Payno, Los Bandidos de Río Frío, foi publicado no formato de folhetim dividido em 117 episódios, primeiro em Barcelona no período de 1889 a 1891, depois no México no período de 1892 a 1893. Retrata a sociedade mexicana através de seus mitos, religião e hábitos, no início do século XIX. Narra a história do militar Juan Robreño, que se apaixona por Mariana, filha do dono da fazenda, que logo se opõe à relação.
Manuel Payno, um romancista nascido na Cidade do México em 1810, era de origem humilde, porém, em sua trajetória profissional, ocupou cargos políticos como o de ministro da fazenda e o de senado. Foi também jornalista, escrevendo sobre temas relacionados a questões políticas, fazendárias, filosóficas e históricas. (GONZALEZ PEÑA, 1949, p. 333-334)
Los de Abajo
Em sua obra Los de Abajo, publicada em 1916, Mariano Azuela demonstra uma característica principal que se repete em suas demais obras: a desilusão com o resultado da Revolução Mexicana. Por mais que o autor acreditasse nas reformas sociais em benefício do povo, estas jamais seriam impostas pelos novos governos. (LEAL, 1968, p. 64-65). O romance se desenrola no contexto da Revolução, e o título apresenta uma antítese de caráter social: os pobres contra os ricos, os ignorantes
contra os cultos, os oprimidos contra os opressores e o instinto contra a razão. Narrado em terceira pessoa, o texto conta a história de Demétrio, um camponês envolvido na Revolução, não pelos seus ideais, mas sim pelo conflito com um cacique que o denunciou como rebelde.
Mariano Azuela nasceu em Lagos de Moreno, Jalisco, México em 1873 e ficou famoso por suas obras inspiradas em cenas da Revolução, destacando-se pelo seu vigor, pela diligência da observação e por ser um dos romancistas modernistas mexicanos mais traduzidos. (GONZALEZ PEÑA, 1949, p. 406).
La Muerte de Artemio Cruz
O romance La Muerte de Artemio Cruz, de Carlos Fuentes, publicado em 1962, foi escrito em primeira pessoa a fim de dar vazão ao seu fluxo de consciência (LEAL, 1968, p. 131). A história se inicia quando Artemio regressa de uma viagem de negócios da cidade de Hermosillo e sofre de um ataque gástrico. Tamanha a gravidade o faz ficar inválido, o que o obriga a aguardar a morte em sua mansão na Cidade do México. No decorrer da narrativa ele reflete sobre sua vida corrupta. A novidade desta obra foi a técnica utilizada, que se limita a deslocar o tempo para ajustá-lo ao pensamento de Artemio Cruz antes de morrer. Também se destaca o fato de quase todas as regiões do México serem incluídas na narrativa e conter quase toda a história moderna do México, que vai desde Santa Anna até os últimos presidentes. (LEAL, 1968, p. 132).
Carlos Fuentes foi um escritor, intelectual e diplomata, nascido em 1928 na Cidade do Panamá. Filho de diplomata mexicano cresceu em constante mudança para várias capitais de diversos países. Formou-se em direito pela Universidade Nacional Autônoma do México e em Economia pelo Instituto de Estudos Internacionais em Genebra. Foi também professor de renomadas universidades nos Estados Unidos, além de exercer funções diplomáticas na França.
El Testigo
O romance El Testigo, de Juan Villoro, publicado em 2004, conta a história do professor universitário Julio Valdivieso residente na Europa, que retorna ao México e tem dois de seus antigos amigos assassinados, gerando uma investigação sobre o caso. Trata de temas como a guerra cristera43 na história recente mexicana, os meios
de comunicação e a importância do narcotráfico no contexto sociopolítico do país.
El testigo apresenta uma problematização da figura da testemunha, que percorre toda a obra, uma vez que indiretamente se indaga se é preciso ter vivido o horror para ser testemunha. O México não passou por uma ditadura como outros países latino-americanos, mas isso não significa que não tenha atravessado um duro período de repressão e violência. Deste modo, o testemunho é também, nesse romance, uma forma de reunir fragmentos do passado (que não passa), uma maneira de dar nexo a um determinado contexto. (CARMO, 2013, p. 121)
Juan Villoro Ruiz nasceu em 1956 na cidade do México, estudou sociologia na Universidade Autónoma Metropolitana e, além de escritor, trabalha como jornalista.