3. Litteraturreview
3.2. Tidligere masteroppgaver
A produtividade média alcançada no cultivo sob palhada foi de 60,28 t ha-1, enquanto no preparo convencional do solo foi de 57,55 t ha-1. Poucos estudos foram realizados avaliando a cultura da melancia no sistema de plantio direto. Em trabalho realizado com melão, Tomaz (2008) verificou que os tratamentos conduzidos no plantio direto apresentaram produtividade semelhante ao plantio convencional. No entanto, o plantio direto reduziu a infestação e a interferência de plantas daninhas na cultura. Para Doorenbos & Kassam (2000), produtividades da ordem de 25 e 35 t ha-1 ou superiores, em regiões de clima tropical, com alto nível de utilização de insumos agrícolas sob cultivo irrigado, são consideradas boa em nível de comercialização.
Ferreira (2010), Freitas et al. (1999) e Andrade Júnior et al. (1997) obtiveram com a variedade Crimson Sweet, produtividades de 59,95 t ha-1, 63,37 t ha-1 e 65,4 t ha-1, respectivamente. O rendimento médio no Brasil é de 21,62 t ha-1, no Nordeste 20,21 t ha-1, no Piauí 23,5 t ha-1 e no município de Teresina-PI de 27 t ha-1 (IBGE, 2010). Portanto, o rendimento encontrado na pesquisa foi bem acima da média brasileira, demonstrando o potencial produtivo da melancieira na microrregião de Teresina, desde que usando um sistema de produção tecnificado.
Na Tabela 9 encontram-se a percentagem de classificação dos frutos de melancia colhidos nos dois sistemas de cultivo. Além de reduzir o consumo de água, o sistema de cultivo direto (palhada) apresentou produtividade de todos os frutos comercializáveis, acima de 6 kg. A maior percentagem de frutos se deu na classe 2 (8 a 10 kg) tanto no sistema de cultivo sob palhada quanto no cultivo sob preparo convencional do solo, as quais foram de 48,57% e 34,09%, respectivamente.
Tabela 9 Percentagem e classificação de frutos de melancia nos dois sistemas de plantio.
Frutos não comerciais Frutos comerciais
Tratamentos < 6kg classe 1 classe 2 classe 3 classe 4 6 a 8kg 8 a 10kg 10 a 12kg > 12kg
Palhada 0,00 9,52 48,57 25,71 16,19
A Tabela 10 mostra a análise de variância (ANOVA) e o teste de comparação de médias para os componentes de produção da melancia Olímpia determinados nos lisímetros. Houve efeito significativo a 1% do sistema de cultivo para os componentes de massa fresca e comprimento do fruto e a 5% de probabilidade pelo teste F, para o diâmetro do fruto e a espessura da casca. Não houve diferença significativa (p>0,05) para os componentes de qualidade dos frutos.
Tabela 10 Resumo da ANOVA da massa média (MF), comprimento (CF), diâmetro (DF), espessura da casca (ESP), teor de sólidos solúveis (SST), potencial hidrogeniônico (PH), acidez total titulável (ATT), vitamina C (VITC) dos frutos de melancia Olímpia submetidos a dois sistemas de cultivo (SP), colhidos nos lisímetros. Teresina-PI.
Q.M.
F.V G.L. MF CF DF ESP SST PH ATT VITC
Trat 1 21,41** 44,08** 55,47* 38,62* 1,20 ns 0,00 ns 0,00 ns 0,00 ns Erro 10
CV(%) 11,86 4,89 10,49 15,49 9,66 5,73 32,27 17,59
SP Médias
Palhada 12,58a 36,08a 27,30a 1,37b 9,58a 5,19a 0,23a 6,52a Convencional 9,91b 32,25b 23,00b 1,73a 8,95a 5,19a 0,27a 6,53a Médias seguidas de mesma letra na vertical não diferem entre si a 1% de probabilidade, pelo teste de F; ns não significativo a 5% de probabilidade pelo teste F; * Significativo a 5% de probabilidade pelo teste F; ** Significativo a 1% de probabilidade pelo teste F.
Para a massa fresca média de frutos, os maiores valores foram obtidos no sistema de cultivo sob palhada, com uma média de 12,58 kg fruto-1, superior quase 27% em comparação com o preparo convencional. Andrade Júnior et al. (1997), trabalhando com a cultivar Crimson Sweet, nas condições climáticas do Piauí, conseguiram valores entre 8,8 a 9,8 kg. Miranda et al. (2005), avaliando também a cv. Crimson Sweet em diferentes espaçamentos no Ceará, encontraram médias de 7,5 a 9,4 kg, valores esses menores quando comparados com o presente experimento.
Para o comprimento médio dos frutos (CF), observou-se que no cultivo sob palhada o CF foi superior em quase 4,0 cm em relação ao cultivo convencional do solo. Essa diferença provavelmente foi devido à presença da palhada, na qual manteve uma adequada umidade no solo ao longo do ciclo. Lima Neto et al. (2010), avaliando a qualidade de frutos de melancia na região de Mossoró-PB, encontraram comprimento médio de 25,8 para a cultivar Crimson Sweet e Azevedo et al. (2005), avaliando diferentes níveis de irrigação na cultura da melancia variedade Mickylee, obtiveram comprimento médio de fruto de 29,0 cm, sendo estes valores inferiores aos obtidos neste trabalho.
O mesmo comportamento ocorreu quanto ao diâmetro (DF) e a espessura da casca (ESP), onde foi verificado maior DF médio (27,3 cm) e menor ESP média da casca (1,37 cm) para os frutos colhidos no cultivo sob palhada em relação ao cultivo sob preparo convencional do solo (Tabela 10), as quais em conjunto concorreram para a maior média de massa fresca dos frutos em cultivo sob palhada. A literatura afirma que tais características estão diretamente relacionadas ao tamanho dos frutos (SILVA, 2010). Lima Neto et al. (2010) encontraram diâmetro médio do fruto de 23,8 cm e espessura da casca de 1,73 cm para a cultivar Crimson Sweet, próximos aos obtidos no presente estudo, devido a similaridade entre as duas cultivares, já que a cultivar Olímpia foi desenvolvida a partir de cruzamentos, onde a Crimson Sweet foi utilizada como parental (OLÍMPIA, 2009).
A superioridade em termos dos parâmetros morfológicos de qualidade dos frutos no sistema de cultivo sob palhada em relação ao preparo convencional deveu-se, provavelmente, à manutenção de um balanço adequado da umidade do solo ao longo do dia, permitindo assim maior absorção de água pelas plantas, enquanto que no solo descoberto ocorreu uma maior variação na disponibilidade de água no solo, em virtude da maior evaporação. Outro fator que pode ter contribuído para a obtenção desses resultados, apesar das capinas efetuadas no experimento, foi à maior pré-disponibilidade para a incidência de plantas daninhas ocorrida no solo descoberto, acarretando maior competição por água, luminosidade e nutrientes destas com a cultura. A menor ocorrência de plantas daninhas no sistema de plantio direto é atribuída a diversos fatores, como: não revolvimento do solo e efeitos físicos e alelopáticos da palhada que impedem ou dificultam a germinação e a emergência das espécies infestantes (TEÓFILO, 2009).
Com relação aos sólidos solúveis totais, não houve efeito significativo entre os métodos de cultivo. Contudo, verificou-se que os maiores valores foram observados no sistema de cultivo sob palhada. Esses resultados concordam com Araújo et al. (2000) e Ferreira et al. (2001), os quais não observaram influência da cobertura do solo em melão sobre o teor de sólidos solúveis. Foram observados valores médios de 9,58 e 8,95 ºBrix para os sistemas de cultivo sob palhada e preparo convencional, respectivamente. Leão et al. (2006), em trabalho realizado em oito genótipos de melancia, em Águas Limpa, Brasília, obtiveram para a cultivar Crimson Sweet valor máximo em teor de sólidos solúveis de 7,55 ºBrix. Essa diferença pode ser atribuída às diferenças entre as cultivares, local de plantio e sistema de produção adotado, notadamente, a aplicação dos fertilizantes. Altos teores de SST em frutos de melancia são bastante desejáveis, pois esse índice é um parâmetro muito importante na aceitação do produto pelo mercado consumidor. No
presente trabalho, os valores de SST estão próximos de 9,0º Brix que são considerados frutos com boa quantidade de açúcares e com boa aceitação no mercado consumidor (Grangeiro et al., 2006).
O pH manteve-se estável, independe do sistema de cultivo, com os valores bem semelhantes, o mesmo ocorreu para acidez titulável total e vitamina C. Lima Neto et al. (2010) encontraram pH semelhante para a cultivar Crimson Sweet, com valor igual a 5,18. Grangeiro & Cecílio Filho (2004), avaliando a qualidade de melancia sem sementes, híbrido Shadow, em função de fontes e doses de potássio, obtiveram média da acidez total de 0,24 g ácido cítrico/100 ml de suco, bem semelhante aos encontrados por essa pesquisa.
Quanto ao conteúdo de vitamina C, Lima Neto et al. (2010) encontraram valores de 7,64 para a cultivar Crimson Sweet, diferindo desse experimento que foi em média de 6,52 mg/100ml de suco. Conforme Lee & Kader (2000), o teor de vitamina C pode ser influenciado por vários fatores alem das diferenças genotípicas, como condições climáticas pré-colheita, práticas culturais, grau de maturação, métodos de colheita e manejo pós- colheita.
Na Tabela 11 encontram-se a ANOVA e as médias para os componentes de produção da melancia Olímpia na área adjacente aos lisímetros. Apesar de não haver efeito significativo entre os sistemas de cultivo, verificou-se uma diferença em termos absolutos entre as médias do cultivo sob palhada em comparação ao preparo convencional do solo, para os parâmetros de massa do fruto, comprimento e diâmetro do fruto, sólido solúveis totais, pH, acidez total titulável e vitamina C. Entretanto, para a espessura da casca, houve diferença entre os tratamentos. No sistema de cultivo sob palhada, verificou-se menor espessura da casca em relação ao sistema de preparo convencional do solo, o que pode está diretamente relacionado ao tamanho do fruto.
A qualidade final do produto na época de colheita e pós-colheita está relacionada com inúmeros fatores, principalmente, o manejo da cultura (CHITARRA, 2005), evidenciando-se que as características de qualidade dos frutos de melancia são afetadas por práticas de manejo de plantas daninhas e pelo sistema de produção em que a cultura é conduzida.
Tabela 11 Resumo da ANOVA da massa médio (MF), comprimento (CF), diâmetro (DF), espessura (ESP), teor de sólidos solúveis (SST), potencial hidrogeniônico (PH), acidez total titulável (ATT), vitamina C (VITC) dos frutos de melancia Olímpia submetidos a dois sistemas de plantio (SP), colhidos nas áreas adjacentes aos lisímetros. Teresina-PI.
Q.M.
F.V G.L. MF CF DF ESP SST PH ATT VITC
Trat 1 3,12ns 12,16ns 1,98 ns 49,01** 0,09 ns 0,00 ns 0,00 ns 2,42 ns Erro 18
CV(%) 8,69 4,99 2,09 15,02 10,73 2,06 9,45 17,96
SP MÉDIAS
Palhada 12,49a 32,26a 24,35a 13,37b 8,89a 5,08a 0,36a 6,59a Convencional 11,70a 33,82a 24,98a 16,50a 9,03a 5,08a 0,33a 5,89a Médias seguidas de mesma letra na vertical não diferem entre si a 1% de probabilidade, pelo teste de F; ns não significativo a 5% de probabilidade pelo teste F; * Significativo a 5% de probabilidade pelo teste F; ** Significativo a 1% de probabilidade pelo teste F.
5 CONCLUSÕES
A demanda hídrica da melancia, cultivar Olímpia, em sistema de cultivo sob palhada de milheto, com média de 6,6 t h-1 de MS, foi 7,5% inferior à demanda sob preparo convencional do solo;
A evapotranspiração da melancia, cultivar Olímpia, durante o ciclo total de cultivo (64 dias) foi de 206,68 e 222,26 mm, com valores máximos da ordem de 8,80 e 8,88 mm dia-1 durante a fase intermediária, no sistema de cultivo sob palhada e preparo convencional do solo, respectivamente.
Os Kc’s obtidos para as fases I (da semeadura aos 18 dias após a semeadura - DAS), II (dos 19 aos 32 DAS), III (dos 33 aos 51 DAS) e IV (dos 52 aos 64 DAS) foram, respectivamente: 0,23; 0,52; 1,28 e 0,56, para o sistema de cultivo sob palhada, e 0,27; 0,57; 1,36 e 0,61, para o sistema de preparo convencional do solo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tendo em vista os resultados obtidos neste trabalho sugere-se:
Repetir a pesquisa no mesmo local, com outra variedade e com os mesmos tratamentos;
Realização da pesquisa com o uso de quantidade de palhada diferentes; Aplicação de diferentes lâminas de irrigação;
Realização de estudos desta natureza em outras regiões e com outras culturas, de modo a se buscar a utilização racional dos fatores de produção, principalmente a água.
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