5 Data and empirical results
5.3 Main results
5.3.2 Three-generation regression results
Nas respostas obtidas sobre as relações que as alunas pesquisadoras perceberam entre o curso de Pedagogia e as situações de prática vivenciadas na escola, 10 (66,66%) dos sujeitos identificaram a existência de alguma relação, sendo que para 05 (33,33%) a relação é parcial.
Destacam-se alguns relatos das alunas pesquisadoras que podem ilustrar de que modo perceberam essas relações entre o curso de Pedagogia e a escola campo de atuação:
“A criança já traz o conhecimento prévio, a gente aprendeu e na prática comprovou.” (AP01)
“Eles explicam, por exemplo, aquele estágio31 que a criança passa... o que a gente vê lá é o que acontece aqui.” (AP02)
“Você chega na escola e presencia o trabalho com os gêneros textuais... trazer esses gêneros reais, porque muitas vezes em outras escolas, os professores só traziam folhas de stencil e sulfite, trabalhava com poemas, com poesias, mas só em folhas... não dava o livro que é o portador real e isso abriu minha mente no sentido do que é um ambiente alfabetizador, aprende lá e na prática aqui você vivencia como é que isso deve acontecer.” (AP10)
“Principalmente na aula de prática do ensino que eu tenho na faculdade, como elaborar a aula... mas a prática se torna... vamos dizer mais importante, na hora que você pega para fazer é diferente, ela é super importante, mesmo que você aprendeu.” (AP14)
Os dados coletados indicam que as relações entre o curso de Pedagogia e a escola são diversas.
As relações percebidas envolvem aspectos relativos ao processo de aprendizagem da leitura e escrita; como já anunciado, esse é o objetivo principal do Programa, que envolve ações específicas que, articuladas, favorecem uma estreita relação entre o que ocorre na IES e o que é vivenciado na escola de Ensino Fundamental.
Dentre os resultados obtidos, os sujeitos investigados indicaram aspectos da concepção de aprendizagem construtivista que pauta as ações da SE, em específico os
Programas Ler e Escrever e Bolsa Formação. A concepção construtivista considera o “aluno como sujeito de sua própria aprendizagem”, que elabora hipóteses próprias a partir de “esquemas de assimilação que já construíram e interpretam” na construção de novos conhecimentos.
O respeito ao conhecimento que o aluno possui é explicitado por um dos sujeitos investigados; no dizer dele,
“você aprende que cada criança é uma história de vida... você tem que aprender a respeitá-la.” (AP13)
A organização da aula é outra relação indicada pelos sujeitos investigados. Nesse sentido, salienta-se que o exercício de elaboração da aula em uma das disciplinas do curso de Pedagogia ganha relevo ao ser vivenciado na escola de Ensino Fundamental. Com isso, o futuro professor poderá ter as condições favoráveis para refletir sobre sua própria prática, retornando a ela após o re-planejamento de suas ações se for o caso.
Outra relação percebida pelos sujeitos investigados é a gestão com características democráticas, prevista nos princípios da educação nacional, conforme a Lei nº 9.394/96.
“Tem muita coisa que é passada na faculdade, um exemplo... as escolas serem abertas à comunidade, trazer os pais para conhecer a escola e isso aqui acontece.” (AP09)
Como argumentos para identificar que houve uma relação parcial entre a realidade da escola de Ensino Fundamental e o que ocorre no curso de Pedagogia, os sujeitos investigados assim se manifestaram:
“Percebo alguma coisa da teoria desenvolvida na prática... poucas coisas... seria tão bom se a gente conseguisse desenvolver a teoria na prática.” (AP04)
“Na teoria é uma coisa, mas quando a gente vem pra prática... a teoria é totalmente diferente da prática, muita coisa eu vi, mas outras só na prática.” (AP06)
Essas manifestações evidenciam o que é recorrente nas falas dos sujeitos investigados, ou seja, a desarticulação entre o campo teórico e o campo da prática, e a possibilidade de a prática fazer a teoria avançar ou se criar outra teoria.
Ainda numa relação parcial, os sujeitos investigados se manifestaram no sentido de indicar algumas contradições que evidenciam práticas docentes tidas como “tradicionais”, como explicita uma aluna pesquisadora:
“Em alguns momentos sim... ainda existem práticas que fogem daquilo que nós aprendemos. Ainda existem as situações de professores detentores do saber, que se acha aquele que sabe e o aluno é o que deve aprender...” (AP07)
Interessante observar que as contradições percebidas pelas alunas pesquisadoras também as auxiliam a estabelecer comparações entre as situações de prática na escola campo de atuação e as abordagens pedagógicas que são discutidas nos cursos de formação de professores.
Com isso, acredita-se que o futuro professor poderia encontrar um campo favorável para a construção de sua identidade profissional.
”Tem matérias que você via que o que a professora ensinava lá, se você levasse pra sala de aula funcionava melhor... mas tem outras coisas que não, a professora enfatizava que na sala todos ficam sentadinhos, prestam atenção e não é, um anda pra cá, outro anda pra lá.” (AP11)
E ainda, a ênfase ao processo de alfabetização, eixo condutor do Programa Bolsa Formação, que é indicado como uma relação estabelecida entre o curso de Pedagogia e a escola. No dizer de uma aluna pesquisadora,
“o que eles falam sobre como alfabetizar eu vejo na sala de aula com a professora.“ (AP15)
Embora alguns sujeitos tenham identificado relações parciais entre o que ocorre no curso de Pedagogia e na escola campo de atuação do aluno pesquisador, o conjunto de respostas demonstra que existe alguma proximidade entre os saberes das áreas do conhecimento, os saberes pedagógicos e os saberes da prática; por exemplo, quando se reportam à concepção de aprendizagem, às hipóteses da escrita indicando que a criança percorre “estágios”, ao planejamento e execução de atividades, e ao perceberem contradições na postura de professores regentes.
Contudo, talvez os professores formadores, e aqui se entende como os professores da IES e o professor regente da escola de Ensino Fundamental, pudessem esclarecer com os futuros professores as relações que ocorrem e que são percebidas por eles, ainda que superficialmente, entre o curso de Pedagogia e a escola de Educação Básica.
O estágio, nesse sentido, poderia ser um espaço privilegiado em que os momentos de contato com o contexto escolar poderiam provocar de forma biunívoca as articulações e as aprendizagens dos saberes necessários à docência. Uma das possibilidades de aproximação entre as instâncias formadoras poderia ser a troca de
experiências e saberes por meio do diálogo entre os estudantes de cursos de formação de professores, os professores da universidade e os profissionais da escola.