Quando se analisa o processo de decisão de plantio constata-se que 48% se baseiam no seu conhecimento da cultura a ser plantada e 35,7% fazem a sua plantação o ano todo sem se preocupar com a demanda de mercado.
Quanto ao canal de comercialização verifica-se que 47,6% utilizam o canal tradicional, que é a CEASA, 7,8% vendem para hipermercados, 10% para médios e pequenos supermercados, 53,9% utilizam feiras, 22,3% vendem diretamente na propriedade e 6,3% utilizam outros canais.
Quanto aos critérios de escolha do canal de comercialização verifica-se que 47,2% dos entrevistados consideram que o critério mais importante é o preço recebido no momento da venda.
Quando se analisa a forma de recebimento pela venda de seus produtos, 51,3% recebem à vista e 1,1% recebe com prazo acima de 60 dias.
No quesito facilitador de relacionamento com os varejistas, 53,2% respondeu que embalagens é a mais importante, 48,7% diz que confiança é a principal característica, enquanto que a quantidade negociada indicou ser a de menor importância, com 16,7%.
Quanto à programação da produção para garantir o fornecimento, 45% dos entrevistados responderam que programam o plantio para entregar o ano todo e 39,4% não fazem nenhuma produção programada.
Quanto à atuação de forma coletiva verifica-se que 62,1% nunca participaram de algum trabalho em grupo na comunidade, 59,9% não estão associados a nenhuma entidade de classe, como sindicatos, associações, etc. e dos 35,7% que estão ligados a alguma entidade de classe, 61,3% não tem nenhuma atuação nessas entidades. Destaca-se que apenas, 1,1% se consideram muito atuantes.
Quanto à comercialização de produtos em grupo verifica-se que 64,3% comercializam seus produtos de forma individual e apenas 3,3% sempre comercializam seus produtos em grupos.
Quanto se avalia a percepção da importância da atuação em grupo, 81% consideram que essa atuação pode resultar em ótimos ou bons resultados e apenas 3,7% acham que pode obter péssimos resultados.
Na opinião de 37,2% dos entrevistados quem deve administrar uma organização de produtores que comercializa seus produtos em grupo são os próprios produtores e 33,8% acham que deve ser administrada pelo governo mais os produtores.
Quando se analisa como o horário de colheita pode impactar no seu processo de comercialização, inclusive em relação às perdas, 56,5% acham que não existe impacto do horário da colheita na perda dos produtos e apenas 1,5% acham que o impacto é muito grande nos resultados finais.
Na análise do impacto do horário de transporte na perda da produção, 55,4% responderam que não existe nenhuma relação e 1,1% acham que é grande a relação.
Quanto ao horário para colheita 66,9% consideram o início da manhã mais adequado e 14,9% consideram o final da tarde.
Quanto ao melhor horário para o transporte 39% consideram a madrugada como o melhor horário para transporte de seus produtos e 27,5% o início da manhã.
Quando se analisa a importância da embalagem, 58% não consideram que é grande o impacto da embalagem na perda dos produtos e apenas 1,1% consideram que é relevante. Quanto à embalagem 30,1% utilizam caixa plástica como embalagem e 62,1% utilizam caixa tipo k4. Ressalta-se que 81,8% dos entrevistados não utilizam
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A caixa tipo "K", embalagem conhecida há mais de 60 anos, usada para transportar querosene durante a segunda guerra mundial, até hoje é a mais utilizada para acondicionamento e transporte de produtos hortícolas, sendo suas principais desvantagens, os crescentes custos de madeira, problemas de ordem sanitária, perdas no transporte e complicações de frete (Topel, 1981).
embalagem, o produto vai diretamente para a gôndola dos supermercados.
Sobre a avaliação do custo de produção e comercialização 63,1% consideram alto seu custo de produção e comercialização, enquanto 24,9% consideram ser baixo seu custo de produção e comercialização.
Na avaliação da rentabilidade do seu negócio observa-se que nos últimos dois anos, 65,1% respondeu que apenas cobre os custos (de produção ou investimento) e 12,6% respondeu que está trazendo prejuízos.
Em síntese, podem-se inferir as seguintes conclusões:
Perfil do Produtor: observa-se que os produtores com maior renda possuem um maior nível de escolaridade, ou seja, existe uma correlação positiva entre a escolaridade e a renda. Essa correlação já foi comprovada com vários trabalhos, como por exemplo, um estudo desenvolvido por Pereira (2004) que observou que produtores com maior escolaridade tinham acessos a mercados mais estruturados e que proporcionava maior rentabilidade, assim como melhor acesso ao crédito.
Quanto à qualificação dos produtores observa-se que palestras e visitas técnicas tem uma maior freqüência por parte dos produtores de baixa renda, existindo um equilíbrio na freqüência dos cursos e dias de campo entre os dois grupos, mas com tendência a ser mais freqüentado pelos de baixa renda. Quanto à capacitação, torna-se necessário investir no grupo com maior renda para aumentar a sua participação nestes eventos, pois sua participação poderá contribuir com a inserção do mercado ao grupo de baixa renda, uma vez que este sente a necessidade de maior aprendizagem.
Quanto ao perfil da atividade percebe-se que os produtores plantam sem muita preocupação com a demanda de mercado. Outro destaque é que os produtores considerados de maior renda são os que mais se beneficiam das linhas de fornecimento devido a sua condição em oferecer garantia, o que não ocorre com aqueles de baixa renda. Observa-se que os produtores com menos escolaridade tem mais dificuldade de acesso ao mercado para conseguir comercializar em um canal que lhes dê um melhor retorno para sua atividade.
Em relação à infra-estrutura verifica-se que de forma geral a infra-estrutura favorece o contato com o mercado, pois possuem boa infra-estrutura de comunicação, transporte, água e energia. Essa vantagem pode favorecer uma maior integração entre os produtores, favorecendo o processo de troca de informações e de tecnologias.
verifica-se que os produtores de baixa renda utilizam as feiras para fazer vender seus produtos, enquanto que os produtores com maior renda já procuram comercializar com as redes de supermercados e CEASAS.
Quando se analisa como é feito o planejamento da produção constata-se que 46,8% dos produtores responderam que programam sua produção de forma a atender ao mercado o ano inteiro Esse percentual representa os produtores de maior renda. Entretanto, 52,11% dos produtores não realizam esta programação de uma forma sistematizada e estão sujeitos a oscilações do mercado e correm riscos de obter uma remuneração inferior aos seus custos, gerando uma descapitalização em sua atividade.
O outro parâmetro analisado foi do potencial de atuação em grupo na comercialização de seus produtos, buscando minimizar riscos de falta de mercado. Os resultados mostram que os grupos de baixa renda são os que possuem maior aceitação do trabalho em grupo. Percebem que com o trabalho organizado na visão de parceria proporciona um maior poder de negociação nos canais de comercialização. Para isto a visão de organização única, seja ela sustentada por uma entidade organizacional ou não, facilita a inserção dos produtores no mercado obtendo melhores resultados na venda de seus produtos.