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No Brasil, a norma de potabilidade da água do Ministério da Saúde (Portaria MS nº 2.914/2011) recomenda a análise de parâmetros físicos, químicos e microbiológicos para definição do tipo de tratamento mais adequado no uso para água potável, não necessariamente para o aproveitamento pluvial.

Os parâmetros físicos são: cor; turbidez (para água pós-filtração ou pré- desinfecção); gosto e odor; temperatura; e radioatividade. Os químicos referem-se ao pH; cloraminas; dióxido de cloro; cloro residual livre; fluoreto; e produtos secundários da desinfecção. Já os microbiológicos avaliam coliformes totais, Escherichia coli, cianobactérias e cianotoxinas.

Os coliformes termotolerantes são definidos como microrganismos do grupo coliforme capazes de fermentar a lactose a 44-45°C, sendo representados principalmente pela Escherichia coli e também por algumas bactérias dos gêneros Klebsiella, Enterobacter e Citrobacter (CETESB, 2009).

Os coliformes termotolerantes não são, dessa forma, indicadores de contaminação fecal tão bons quanto a E. coli, mas seu uso é aceitável para avaliação da qualidade da água. São disponíveis métodos rápidos, simples e padronizados para sua determinação, e, se necessário, as bactérias isoladas podem ser submetidas à diferenciação para E. coli. Além disso, na legislação brasileira, os coliformes fecais são utilizados como padrão para qualidade microbiológica de águas superficiais destinadas a abastecimento, recreação, irrigação e piscicultura (CETESB, 2009).

Os coliformes totais são formados por um número de bactérias que inclui os gêneros Klebsiella, Escherichia, Serratia, Erwenia e Enterobactéria. Todas as bactérias coliformes são gram-negativas manchadas, de hastes não esporuladas que estão associadas com as fezes de animais de sangue quente e com o solo (CETESB, 2009).

A cor aparente de uma amostra de água está associada ao grau de redução de intensidade que a luz sofre ao atravessá-la (e esta redução dá-se por absorção de parte da radiação eletromagnética), devido à presença de sólidos dissolvidos, principalmente material em estado coloidal orgânico e inorgânico. É importante

ressaltar que a coloração, realizada na rede de monitoramento, consiste basicamente na observação visual no instante da amostragem (op. cit.).

A Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) refere-se à quantidade de oxigênio necessária para oxidação da matéria orgânica carbonácea por decomposição microbiana aeróbia para a forma inorgânica estável. As maiores elevações em termos de DBO5 em um corpo d’água são provocadas por despejos de origem predominantemente orgânica, de modo que a presença de um alto teor de matéria orgânica pode induzir à completa extinção do oxigênio na água (CETESB, 2009).

A DBO de uma água é a quantidade de oxigênio necessária para oxidar a matéria orgânica por decomposição microbiana aeróbia para uma forma inorgânica estável. Normalmente, é considerada como a quantidade de oxigênio consumida durante um determinado período de tempo, numa temperatura de incubação específica. Um período de tempo de cinco dias, numa temperatura de incubação de 20°C, é frequentemente usado e referido como DBO5,20 (CETESB, 2009).

O Escherichia coli (E. coli) é um grupo grande e diverso de bactérias. Embora a maioria das variedades de E. coli seja inofensiva, outras podem provocar doenças. Alguns tipos podem causar diarreia, enquanto outros provocam infecção urinária, doença respiratória, pneumonia e outras doenças. Como visto, há ainda outros tipos de E. coli, que são usados como marcadores de contaminação na água (CETESB, 2009)

O parâmetro Oxigênio Dissolvido (OD) representa a quantidade de oxigênio proveniente da atmosfera que se encontra dissolvido nas águas naturais. Desta forma, por ser consumido na oxidação da matéria orgânica, é utilizado para determinar o grau de poluição e a capacidade de oxidação da matéria orgânica em cursos d’água, quando se toma por base apenas a concentração deste parâmetro. (CETESB, 2009).

A temperatura desempenha importante papel de controle no meio aquático, condicionando as influências de uma série de parâmetros físico-químicos. Um destes é o Oxigênio Dissolvido, que varia, entre outros fatores, em função da temperatura e da pressão atmosférica (CETESB, 2009).

águas para abastecimento público apresentar valores entre 6,0 a 9,5, de acordo com a Portaria 2.914/11 do Ministério da Saúde (CETESB, 2009).

Nas estações de tratamento de águas, são várias as etapas cujo controle envolve as determinações de pH. A coagulação e a floculação que a água sofre inicialmente é um processo unitário dependente do pH. Existe uma condição denominada “pH ótimo” de coagulação, que corresponde à situação em que as partículas coloidais apresentam menor quantidade de carga eletrostática superficial.

A desinfecção pelo cloro é outro processo dependente do pH. Em meio ácido, a dissociação do ácido hipocloroso formando hipoclorito é menor, sendo o processo mais eficiente. A própria distribuição da água final é afetada pelo pH. Sabe-se que as águas ácidas são corrosivas, ao passo que as alcalinas são incrustantes (CETESB, 2009).

Em relação à concentração de sódio, deve-se levar em conta que todas as águas naturais contêm algum sódio, já que ele é um dos elementos mais abundantes na Terra e seus sais são altamente solúveis em água, encontrando-se na forma iônica (Na+), e nas plantas e animais, já que é um elemento ativo para os organismos vivos. (CETESB, 2009). As concentrações de sódio nas águas superficiais variam consideravelmente, dependendo das condições geológicas do local, descargas de efluentes e uso sazonal de sais em rodovias. Os valores podem estender-se de 1 mg/L ou menos até 10 mg/L ou mais em salmoura natural. Somente a concentração acima de 200 mg/L pode dar à água um gosto não aceitável (CETESB, 2009).

Em saneamento, sólidos nas águas correspondem a toda matéria que permanece como resíduo, após evaporação, secagem ou calcinação da amostra a uma temperatura pré-estabelecida durante um tempo fixado. Em linhas gerais, as operações de secagem, calcinação e filtração são as que definem as diversas frações de sólidos presentes na água (sólidos totais, em suspensão, dissolvidos, fixos e voláteis) (CETESB, 2009).

Segundo a Resolução CONAMA nº 357/05, a turbidez é a medida do grau de atenuação de intensidade que um feixe de luz sofre ao atravessar uma amostra de água, devido à presença de sólidos em suspensão, como partículas inorgânicas (areia, silte, argila), detritos orgânicos, algas, bactérias, entre outros. A turbidez

representa, de forma indireta, a quantidade de sólidos em suspensão presentes no corpo hídrico.

3.5.2. Estudos com dados de parâmetros de controle da qualidade da água