Situado no campo das ciências humanas e sociais, a execução deste trabalho privilegia uma pesquisa de abordagem qualitativa, em que as expressões e produções humanas carregadas de intencionalidade e significação, restam analisadas, considerando as determinações históricas que condicionam as relações entre os âmbitos micro e macro, individual e sociocultural. Entendemos, na esteira do pensamento de Minayo (2004), que uma articulação dialética entre o corpo teórico e os dados da empiria deve ser desenvolvida para compreensão do fenômeno psicossocial recortado, produzido pela dinâmica de interação social, articulados entre o particular e a totalidade.
Norteados pelo eixo teórico-metodológico da teoria crítica, tal como definida por Max Horkheimer (1983) em oposição à ideia de teoria tradicional, concordamos com uma práxis de pesquisa movida pelo intento de reflexão e transformação da realidade, assim como pela denúncia de elementos que obstaculizam a emancipação humana, aprofundando a barbárie.
Neste ponto do trabalho, é válido destacar a intencionalidade do projeto frankfurtiano em direcionar a transformação na sociedade que se busca por meio da práxis da teoria crítica. Esta crítica estabelece ideais valorativos condutores das mudanças elaboradas como guia de um projeto de sociedade repensado pelos “sujeitos de comportamento crítico”. Pois, como denuncia Horkheimer “este mundo não é o deles, mas sim o mundo de capital” (p.130). Portanto, leva-se em consideração a penúria que naturaliza-se como parte das interrelações entre os homens e propõe-se a mobilização das consciências por meio da denúncia contra a desigualdade socioeconômica propulsora do sistema capitalista. Assim, a teoria crítica se habilita como projeto a para remediar este estado de privilégio do progresso técnico que mascara a decadência das investidas do progresso humanitário. Sobre esta contradição, Adorno (1995) comenta que
[...] a penúria material que, durante tanto tempo, pareceu zombar do progresso está potencialmente afastada: tendo-se em conta o nível avançado pelas forças produtivas técnicas, ninguém mais deveria padecer fome sobre a face da terra. Que continuem ou não a escassez e a opressão - ambas são a mesma coisa - dependerá exclusivamente de que se evite a catástrofe mediante a organização racional da sociedade total, como humanidade (p. 38).
Diante do exposto, compreendemos que a superação parcial dos infortúnios da humanidade deve-se a uma seletividade do progresso que, em nome da manutenção do status quo, permanece destituído de sua potencialidade em uma organização irracional. Portanto, faz-se urgente a defesa de valores referenciados pela reflexão crítica e autonomia dos indivíduos, em que a subjetividade se concretize como singular, independentemente das
determinações mercadológicas e midiáticas que produzem sujeitos homogeneizados, como as mercadorias. Assim, almejamos, com esta proposta téorico-metodológica uma práxis consciente e crítica do contexto social, com orientação para a emancipação condizente com a proposta dos teóricos da Escola de Frankfurt, em que se nega a realidade imediata como única possibilidade e denunciam-se os obstáculos que impedem a realização humana autônoma, em uma “[...] ordem social mais justa e igualitária”(FREITAG, 1988, p. 42).
Neste sentido, o pesquisador é compreendido como politicamente implicado, buscando um “[...] redirecionamento do processo histórico” (P. 42) com apoio em um resgate da razão histórica como condutora de uma sociedade diferente desta realidade positivada que privilegia o culto aos fatos. Em busca de que seja permitida maior compreensão dos fenômenos sociais, melhor observando aquilo que se mostra oculto e velado, a crítica imanente como método é procedida para refletir sobre a relação entre o objeto de estudo escolhido e o todo social. A favor da “crítica imanente”, Rouanet (1989) esclarece que ela traz importância por “[...] ter que desprender o momento de verdade da ideologia, e ao mesmo tempo denunciar sua falsidade”, além de ser caracterizada por sua incapacidade de “[...] limitar-se, aos confins do objeto” e por sua obrigação de “[...] dirigir seu olhar para o todo social” ( P. 105). A grande relevância da relação entre o particular e o universal em nossa pesquisa, ou seja, entre as manifestações de pessoas em redes sociais, coletadas por via do recorte da esportividade, e a sociedade tecnológica que possibilita tal produção, será buscada “[...] para descobrir o universal no particular, e através dele” (p. 107). O método consiste em examinar criticamente o particular – buscando em suas características, revelações sobre aquilo que o transcende.
A prática de uma psicologia social crítica defende o argumento de que a busca de fissuras no tecido social é válida para que nas análises das relações entre sociedade e indivíduos sejamos capazes de perceber as “[...] rupturas e as continuidades, [...] suas transformações mútuas e as permanências [...] e os momentos de resistências de um para o outro” (RAMOS, 2004, p. 24).
A contribuição almejada é refletir criticamente sobre a atuação do saber social psicológico na abertura de caminhos distanciados da barbárie que, assim, possibilitem a emancipação, a qual vislumbramos por intermédio da prática desta pesquisa. Opondo-nos, essencialmente, aos exercícios científicos que instrumentalizam a intensificação dos processos de produção de subjetividade mediados pelo espírito quantificador e classificador da tecnociência em suas facetas, condutores da barbárie.
Seguindo a proposta de Lévy (1999), concebemos a realidade a ser estudada empiricamente como dividida em atualidade e virtualidade e como terreno de expressão
humana em interação com os instrumentos da indústria cultural e da cibercultura. Desta maneira, resta evidente que a oposição comumente utilizada entre realidade e virtualidade não descreve coerentemente o modo como temos nos relacionado com os ambientes criados nas redes; afinal, segundo esse pensamento, o virtual se faz realidade, ainda que virtualizada, na medida em que a pessoa direciona sua atenção, cognição, processos psíquicos e ações às redes. Para Lévy, o atual, como componente do real levyniano, refere-se aos acontecimentos e interações na temporalidade e espacialidade “tradicional”, concreta e não mediada pela tecnologia. Abordando a questão de modo similar para apresentar esclarescimentos sobre o uso do termo virtual, Antunes (2016) alerta para a extensividade material da expressão. Segundo ela,
a vida nas redes sociais virtuais espelha a estereotipia que desde o desenvolvimento do capitalismo tardio tomou conta da vida material; o termo “virtual” aqui parece mais uma forma de nos ludibriar quanto a sua materialidade real do que a designação de sua qualidade distintiva (p. 157).
Em uma conceituação distinta da supracitada, Trivinho (2001) se reporta a dois tipos de “real”. Segundo ele, “[...] o real ordinário é suplantado por uma modalidade de real tecnicamente inflado pela incorporação da arte à vida cotidiana (estética da mercadoria, estetização urbana, profusão de imaginários artificiais, media)”(p. 53). Comum a esses pensadores da cibercultura, temos a noção de que nossos campos de atuação foram “inflados” e fomos direcionados às telas que abrem portas a nos transportarem subjetivamente aos ambientes virtuais, por via dos quais nos ligamos, ou nos “linkamos”, às pessoas, às empresas, aos serviços, às mídias, às produções culturais em um processo baseado na interatividade. Crary (2014), em sua obra 24/714, trata desse universo que sempre está ligado,
acessível e com fluxo de informações para nos “alimentarmos”. As demandas por esse acesso podem manter os indivíduos em contínuo estado de ansiedade e vigília, à espera de uma notificação, mensagem ou novidade desse universo online para responder e interagir prontamente. Sobre este estado de alerta e ânsia por interatividade, alguns estudiosos cunharam uma nova síndrome chamada de FOMO.15
14 “Mercados atuando em regime 24/7 - 24 horas por 7 dias na semana – e infraestrutura global para o trabalho e o consumo contínuos existem há algum tempo, mas agora é o homem que está sendo usado como cobaia para o perfeito funcionamento da engrenagem” (p. 13).
15“Desta forma, tal sentimento ganhou a sigla em inglês de “FOMO” ou fear of missing out, isto é, “medo de estar perdendo algo”. Embora não seja considerado um transtorno mental, a presença deste sentimento tem contribuído com o aumento do risco de episódios de ansiedade – e, consequentemente, de depressão –, até levar à sensação de exclusão social, maior susceptibilidade à pressão de grupo e, finalmente, um elevado risco
É nesse âmbito da comunicação interativa, em que as pessoas cumprem um papel transposto à recepção, compartilhando, editando e produzindo as próprias comunicações, que conteúdos podem se espalhar pela rede de modo assombrosamente veloz, tal como um vírus, dando grande visibilidade aos usuários e suas produções. Daí surge o termo “viralizar”, demonstrativo do potencial de comunicação da rede, dando aos seus usuários a possibilidade de elaborar esse espaço virtual em que os conteúdos são cambiados. Tais “[...] condições sociais, individuais e tecnológicas que tornam possível que, em grande número, jovens amadores se tornem profissionais de sucesso praticamente da noite para o dia” (NICOLACI- DA-COSTA, 2010, p. 556) criam alternativa à economia industrial e dão impulso a uma área do mercado chamada de “Economia Criativa” em que economia de mercado, criatividade e novas tecnologias confluem para mobilizar pessoas a usar a rede mundial de computadores como área para seus empreendimentos em busca de sucesso. Deste modo, percebemos que a rede proporciona a alternativa de interação mercantil, a qual será posteriormente problematizada à luz da crítica frankfurtiana.
Para os propósitos de explicitação de nossas estratégias metodológicas, importa aqui assinalar o fato de que o deslocamento da produção de tecnologias de empresas para os usuários se deu com a mudança gradual do foco da manufatura, em que a tecnologia produzida tinha como alvo a relação empresa-empresa, para a infraestrutura, em que o foco passou a ser no uso individual de computadores. Desta maneira, “[...] a manufatura havia cedido o lugar à informação como fonte geradora de riqueza. As regras da economia mundial estavam mudando” (NICOLACI-DA-COSTA, 2010, p. 556). Para o estabelecimento dessa economia da informação, Hartley (2005) descreve que foram necessários quatro estádios: infraestrutura, conectividade, conteúdo e criatividade.
De acordo com Nocolaci-da-Costa (2010), no estádio da infraestrutura, houve grande investimento por parte de empresas, organizações governamentais e educacionais para que os recursos de computação chegassem aos indivíduos, colocando computadores pessoais nos ambientes de trabalho e nos domicílios. Com o sucesso obtido no estádio de infraestrutura, foi necessário promover a conectividade e a interatividade, e as tecnologias de telecomunicação cumpriram um importante papel, inserindo a comunicação na senda que até então vinha sendo chamada de Tecnologia da Informação. Com a conectividade, foram geradas infinitas e desconhecidas oportunidades para a geração de conteúdo e a “criatividade” se tornou um grande ativo de mercado. Tal ideia sobre a criatividade corrobora o pensamento de Gorz https://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/2013/08/24/voce-tem-fomo/?cmpid=copiaecola acessado em 21/05/2017.
(2005) sobre a exploração do capital imaterial como uma sofisticação dos processos capitalistas contemporâneos.
Refletir sobre tal aparelhamento é importante para esta pesquisa, pois notamos que as grandes empresas contam com muitos recursos na produção de conteúdos para impulsionar suas vendas e adesões aos valores por eles difundidos. Atualmente, as promoções de venda e estilos de vida têm uma participação (inter)ativa dos próprios usuários que se apoiam nas publicidades das marcas para “personalizar” suas comunicações em redes sociais, ou mesmo para participar de redes sociais destinadas aos consumidores de determinados produtos, organizados em uma segmentação pela indústria cultural. À nossa pesquisa, essa possibilidade de produção de conteúdos por parte de empresas e usuários estabelece um novo panorama que modifica os papéis dos indivíduos, segundo Trivinho (2001), promovendo uma
[...] hibridização, num só componente do processo, das funções do emissor e do receptor, (...) por um lado, o emissor se confunde com o receptor e vice-versa, e, por outro lado, em vista disso, não há mais por que falar nem num, nem noutro (p. 122).
A confusão de papéis ora descrita indica uma diretriz para a execução da coleta de dados desta pesquisa. Escolhemos abordar, especificamente, o indivíduo e suas manifestações nas redes sociais. Isto porque acessaremos o âmbito da produção, operada via publicidade de grandes empresas, por meio da apropriação e reprodução destes conteúdos com apoio nos teores postados pelos usuários nas redes sociais. Deste modo, argumentamos em favor de realizar uma pesquisa com foco nessa pessoa considerada receptora/produtora, produto e instrumento da maquinização pela via da esportividade.
Verificaremos, assim, esse ambiente virtual em que os indivíduos se apropriam, de modo pessoal e profissional, para a expressão de sentimentos, pensamentos, autorrelatos e experiências de vida, misturando âmbitos privado e público da vida. Aqui estaremos interessados nos efeitos das inserções das pessoas nesse meio, atentos ao que supomos serem produtos da recepção de conteúdos da indústria cultural disponíveis no mercado. Ficaremos atentos, ainda, às potencialidades desses indivíduos de serem eles próprios os (re)produtores de conteúdos a serem analisados psicossocialmente dentro de nosso recorte: a esportividade. Afinal, essas pessoas estão aparelhadas tecnologicamente para produzir e reproduzir conteúdos que, eficientemente e de modo nada coincidente, se encaminha ao encontro dos consumidores digitais de informações pela rede no ciberespaço. A tecnologia nos dispositivos móveis permite um nível de interatividade no ciberspaço contínuo, em tempo real e grande velocidade de transferência de conteúdos.
Modelos de esportividade que se ofertam, via indústria cultural e cibercultura, na produção de subjetividades foram elegidos como objeto para análise a ser empreendida nesse projeto com os instrumentos metodológicos próprios à Teoria Crítica, almejando produzir conhecimento sobre as condições e configurações deste fenômeno psicossocial. Em busca de opções e procedimentos para realizar uma análise teórico-crítica tendo como campo as redes sociais, temos como base as indicações de Antunes (2016) que, ao realizar uma atualização para as novas mídias digitais das características do rádio elencadas por Adorno, nos questiona.
Como ilusão de proximidade, autoridade, tempo e ubiquidade estariam presentes também na comunicação de massa das novas mídias? Indico aqui que antes de aceitarmos a ideia entusiástica que elas são efetivamente um meio democrático deveríamos também realizar um estudo fisionômico de suas características (p. 155).
Com a abordagem metodológica agora sugerida, consideramos que as caracterizações sobre os elementos do meio de comunicação do rádio possam configurar interessante ponto de partida para que possamos traçar algumas características da comunicação nas redes sociais que terão material coletado para análise crítica. Assim, almejamos levantar meios de verificar de que modo esses meios de comunicação da era digital se converteriam em possibilidades de democratização da comunicação para a emancipação dos homens, como sustentam alguns entusiastas da “Internet” como meio “libertador”.
Quanto ao acesso às manifestações individuais, para uma compreensão do fenômeno da esportividade na era da cibercultura, estas serão coletadas pelos registros de interação e expressão que a virtualidade propicia via exploração dos ambientes virtuais, mineração de dados, uso de marcadores como a hashtag (#) em redes sociais de grande interação humana como Instagram, Facebook, LinkedIn, Research Gate, Runtastic, Garmin Connect, Swarm Foursquare, Untappd e utilizadas para seleção e exploração de experiências e percepções subjetivas de receptores/consumidores que poderão prover relato de suas dinâmicas de interação com as prescrições midiáticas e apelos ao consumo de signos de esportividade.
O compartilhamento de fotos, vídeos e publicidades além das marcações via uso das “hashtags”, serão, com efeito, objeto de análise por evidenciar esse processo de íntima e complacente ligação entre consumidores e empresas, mostrando um caráter de entusiasmada idolatria dos objetos de consumo fetichizados, ilusioriamente valorizados como capazes de atribuir características sobre-humanas, preenchendo, supostamente, o grande vazio amplamente estimulado pelas publicidades.
Atualmente, sítios de redes sociais ou aplicativos são criados para reunir pessoas com interesses em comum, possibilitando a interação de usuários e a partilha de valores, ideais e também produtos ligados aos estilos de vida. A dinâmica e a estruturação da sociabilidade indicam um possível caminho de investigação. Assim, algumas redes sociais serão selecionadas para que coletemos exemplos de manifestações dos “receptores/produtores”, tendo como requisito o signo da esportividade e suas vinculações com o mercado, os quais, posteriormente, serão analisados em articulação com o referencial teórico – a análise teórico- crítica.
Consideramos o acesso às publicações de caráter público, abertas para todos, nesses sítios de redes sociais como manifestações espontâneas das pessoas, sem qualquer filtro que poderia surgir em contato com o pesquisador. Nestes sítios, é possível ao usuário selecionar o nivel de privacidade ou publicidade de suas postagens. Segundo Elm (2009), os ambientes online são classificados em quatro níveis de privacidade discerníveis. São eles: público (aberto e disponível a todos); semipúblico (requer cadastro ou participação); semiprivado (requer convite ou aceitação) e privado (requer autorização direta). Para coletar os dados em nossa pesquisa, trabalharemos exclusivamente com publicações de dados ou opiniões em um sistema público ou semipúblico, implicando que estes podem ser analisados e divulgados pelos pesquisadores, sem a necessidade de autorização das pessoas que os originaram, perspectiva a qual é amplamente empregada no Brasil. Esta escolha de abordagem dos dados decorre, principalmente, da compreensão de que as configurações de privacidade escolhidas pelos indivíduos informam significativamente sobre seus intentos de visibilidade, publicização e ilimitada interação com a rede mundial de computadores por mais descuidada, irresponsável ou impensada que a decisão possa, de fato, ser. Manteremos o cuidado, entretanto, com as identidades dos perfis estudados de maneira a resguardar as pessoas produtoras das publicações analisadas nesta pesquisa.
A elaboração de estratégias e instrumentos metodológicos, categorias de análise e a interpretação dos dados ocorrem em contínua articulação com a teoria, buscando diagnosticar o presente e revelar nuanças de homogeneização das consciências com enredo neste novo panorama cultural e destas novas relações interativas das pessoas, entre estas e as empresas e com o todo sociocultural.
Por fim, no que concerne à atitude do pesquisador na coleta de dados das mensagens midiáticas, consideramos o ciberespaço em sua magnitude como um rico manancial para uma passagem flanêur despretensiosa, em que o pesquisador, com espírito de descoberta, experimenta o social organicamente e se deixa afetar por suas particularidades, para permitir
que seu espírito crítico seja surpreendido para elementos significativos e imprevisíveis anteriormente à exploração do campo de pesquisa. A aceleração tecnológica que evidenciamos como combustível próprio da renovação dos produtos e tecnologias nos exigirá perpectiva contínua e dinâmica para acompanhar as mudanças e inovações que sistematicamente convulsionam o mercado e o ciclo de consumo.
O percurso a ser constituído para consecução dos objetivos desta pesquisa supõe, além deste primeiro capítulo introdutório, um capítulo segundo, em que discutimos alguns conceitos e posicionamentos centrais dos teórico-críticos da Escola de Frankfurt. Afiliando-se a essa corrente de pensamento, firmamos compromisso com os seus princípios norteadores associados a uma reflexão político-libertária. Deste modo, os conceitos de Razão Instrumental, Progresso Técnico e Indústria Cultural, dentre outros, são explorados na perspectiva de possibilitarmos a crítica aos fenômenos elegidos neste trabalho como obnubiladores de uma consciência crítica. Em continuidade a este propósito, retomamos os pensadores consonantes com esta proposta de reflexão acerca das modalidades históricas de dominação da humanidade para atualizar a crítica ante os atuais instrumentos de dominação, tecnologicamente evoluídos e incrementados pela informática e pela robótica.
Deste modo, para a execução desta pesquisa, é fundamental que uma ampla revisão bibliográfica seja feita sobre a tecnociência como modo peculiar de produção científica, modulando subjetividades, produzindo uma humanidade que exibe a eficiência como valor máximo e a máquina como modelo ideal, empreendendo ela mesma a barbárie e sofisticando os meios pelos quais a exploração dos homens se mantem operante e crescente. Portanto, no segundo capítulo desta tese, escolhemos nos debruçar sobre o seguinte questionamento para problematizar os possíveis prejuízos em humanidade, expressos nos automatismos, maquinizações e na racionalidade instrumental contemporânea: 1) em nossa cultura, como a racionalidade tecnológica se positiva e é encontrada tanto como meio (mídia) quanto como finalidades (produtos) que impactam e constituem a subjetividade humana?
Para responder a tal pergunta, iniciaremos o capítulo II com uma exposição do referencial teórico frankfurtiano no que concerne às noções de progresso, técnica e