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3 — Theory signal processing

evolução da competência informacional em bibliotecas universitárias, ocasião em que cita trabalhos de Watstein e Mitchell (2006) sobre o futuro de bibliotecas universitárias; Reyes (2006), os futuros papéis de bibliotecários na educação superior.

Harer e Cole (2005, p. 3) ressaltam que a técnica de Delfos é um método para a previsão de questões do futuro e para a obtenção de consenso de um grupo de especialistas. Apoia a tomada de decisão, oferece uma forma de estruturação de uma grande massa de informação, proporciona experiência de lidar com julgamento de opinião, tomada de decisão e previsões e pode ser usado para discutir questões de natureza numérica e não quantificáveis. O centro do Método de Delfos está no julgamento de opinião. Em muitos campos sociais, incluindo educação e biblioteconomia, muitas vezes a resolução de problemas críticos podem ser testados por meio de um consenso de opinião de especialistas. A técnica, que tem como modo sistemático recorrer à opinião de especialistas, tem a capacidade de lidar com ambiguidades e multidimensionalidades e tem sido amplamente usada para tomada de decisão nos campos da sociologia, educação, medicina e em outras áreas, como biblioteconomia.

No âmbito da pós-graduação, Delfos é considerado um método atrativo para estudantes de mestrado e doutorado, sendo usado com sucesso na universidade de Calgary para explorar novos conceitos dentro e fora do corpo dos sistemas de informação do conhecimento, na medida em que é um método de investigação maduro, muito adaptável, usado por muitos pesquisadores em todo o mundo (SKULMOSKI; HARTMAN; KRAHN, 2007, p. 2).

No Brasil, Cunha (1984) defendeu o estudo de Delfos como uma das técnicas que vêm se tornando cada vez mais utilizada em várias áreas, inclusive na de Biblioteconomia e Ciência da Informação e apresenta a evolução da aplicação de diversos trabalhos na área, usando o estudo de Delfos como técnica para previsão do futuro, por meio de consenso de especialistas.

2.1.2 Características do Método de Delfos

De acordo com os primeiros e principais desenvolvedores, o objetivo do Método de Delfos era obter opinião mais confiável de um grupo de especialistas, por meio de uma série de questionários intercalados, evitando a confrontação direta deles e com feedback de opinião controlada, buscando um consenso que é computado a partir das questões formuladas

(HELMER; RESCHER, 1958, p. 49-50; DALKEY; HELMER, 1963, p. 458; HELMER, 1963, p. 6; BROWN; HELMER, 1964, p. 1; HELMER, 1966, p. 1; DALKEY, 1967, p. 1; BROWN, 1968, p. 9; DALKEY; BROWN; COCHRAN, 1969, p. 1).

Helmer (1966, p. 2-3) já afirmava que mesmo que o consenso não acontecesse ou se o processo fosse concluído antes, o Método de Delfos teria servido ao propósito de cristalizar o processo de raciocínio, levando a uma ou mais posições sobre um assunto e, assim, contribuir para esclarecer o processo mesmo na ausência de um consenso do grupo.

As diversas características do método refletem a abordagem conceitual do próprio método desde seu desenvolvimento por Helmer e Rescher (1958); depois, por Helmer (1963); Dalkey e Helmer (1963); Gordon e Helmer (1964); Brown e Helmer (1964); Helmer (1966); Brown (1968). São elas:

a) o anonimato é um meio de reduzir os efeitos do domínio social do indivíduo, realizado pela coleta de respostas das questões. Normalmente, o procedimento é realizado por meio de questionário. Computadores online são usados para alguns exercícios. Todas as outras interações entre os respondentes são feitas por meio de canais de comunicação formal controlado pelo pesquisador (DALKEY, 1967, p. 3; ROWE; WRIGHT, 1999, p. 354).

Em trabalhos posteriores, vários autores explicitam que o anonimato pretende reunir as ideias de especialistas e evitar que haja influência prévia das ideias de uns sobre os outros e também o constrangimento de eventuais mudanças de opinião (CUNHA, 1984; ROWE; WRIGHT, 1999, p. 354; GRISI; BRITO, 2003) .

O anonimato e o feedback são considerados por Gordon (1994, p. 1) como aspectos irredutíveis do método. O Método de Delfos foi projetado para encorajar um debate e o anonimato foi exigido, no sentido de que ninguém soubesse quem estivesse participando, minimizando influências antecipadas (HELMER, 1967b, p. 1-2). Esta posição é reforçada por Gordon (1994, p. 1) quando afirma que a mais forte característica do procedimento Delfos é designado para gerar o que pode se chamar de debate anônimo.

b) realimentação dos dados de feedback controlado – é um meio de reduzir ruídos nas várias interações normalmente utilizadas no exercício Delfos, em que elas são realimentadas para os respondentes de forma resumida (DALKEY, 1967, p. 3). Para o feedback de respostas do grupo, de acordo com Cunha (1984) e Grisi e Brito (2003), a reavaliação nas rodadas subsequentes, tanto as respostas fechadas quanto as abertas, deverão ser tabuladas e reenviadas,

anonimamente, aos respondentes. O ideal é que sejam feitas representações estatísticas de modo a possibilitar, para a segunda rodada, uma melhor visualização por parte dos respondentes, de qual é a sua posição perante o grupo.

c) estatísticas das respostas do grupo – a representatividade de grupos de opinião é relatada por índice estatístico (DALKEY, 1967, p. 3; DALKEY; BROWN; COCHRAN, 1969, p. v) sendo considerado o melhor padrão para representação dos especialistas, a distribuição das respostas em termos de mediana e interquartil, isto é, o intervalo contendo a média de 50% das respostas (HELMER, 1967b, p. 1-2). Ocasionalmente, podem ser fornecidas informações sobre as justificativas individuais, como argumentos dos respondentes fora de certos limites pré- especificados (ROWE; WRIGHT, 1999, p. 354).

Rowe e Wright, além do anonimato, feedback controlado e agregação estatística incluem a interação como uma característica do Delfos que os outros autores colocam incluída no feedback controlado. Para estes autores, com a interação no decorrer das rodadas, o especialista tem a possibilidade de rever e mudar suas opiniões sem estar face a face com os outros especialistas (ROWE; WRIGHT, 1999, p. 354).

Landeta (2006, p. 468), além do anonimato, feedback controlado e agregação estatística, incluiu o processo repetitivo, que está relacionando a consulta aos especialistas pelo menos duas vezes e os outros autores clássicos a colocam incluída no feedback controlado.

Como pode ser observado, é central no Método de Delfos o emprego do julgamento de especialistas e as características definidoras do método, quais sejam, o anonimato, feedback, representação estatística das opiniões vão girar em torno deste aspecto do método que se desloca da coleta de opinião do leigo para a do especialista.