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10. Contributions

10.1 Theoretical

Um dos temas mais recorrentes nas entrevistas é a necessidade de encontrar modelos de planejamento que contemplem a restrição de recursos, característica das paradas. Estão selecionados abaixo alguns trechos das entrevistas semi- estruturadas, que deixam claras as posições dos sujeitos entrevistados a esse respeito.

Vários dos especialistas enfatizam que o nivelamento de recursos8, condição necessária para utilização do CCPM, é sempre realizado e tratado como item fundamental, independente da abordagem usada:

De maneira geral sempre se faz o nivelamento de recursos. (Marco Aurélio, Bacia de Campos, entrevista)

Eu diria que de certa forma, consideramos todas as restrições não só de recurso, não de uma forma tão estruturada quanto o CCPM o faz, mas sempre fazemos. (Claudio, Bacia do Rio Grande do Norte, entrevista) ///

Otávio Augusto confirma a importância do nivelamento; alerta, no entanto, que o detalhe excessivo pode criar um modelo complicado de se gerenciar:

Sem o cuidado de olhar os recursos, é muito fácil atrasar, porque você acaba sem querer desconsiderando que aquelas durações que a gente coloca nas atividades são em função de um determinado potencial de recursos. Para mim, o nivelamento de recursos claramente tem que ser feito. Políticas e outras restrições têm que ser consideradas de alguma forma, mas tem que se tomar cuidado para que isso não crie um modelo muito complicado (Otávio Augusto, refinaria em São Paulo, entrevista) A menção da consideração da restrição de vaga a bordo das plataformas pode ser identificada no discurso de diversos profissionais, que a elegem como a variável mais importante no nivelamento de recursos:

É fundamental essa questão do nivelamento de recursos dentro do projeto de parada, vagas disponíveis, é uma restrição que o projeto tem desde o início. Então, qualquer ferramenta ou metodologia que melhore essa questão é fundamental. (Constantino, Bacia de Campos, Grupo Focal) Numa parada de plataforma marítima, o nivelamento de recursos é o crítico. A maior restrição que nós temos é vaga a bordo... Você tem tempos de contaminante e tempos máximos de trabalho de cada indivíduo... Tempos de aferição de saúde... Tempos de descanso... Muitos atrasos foram gerados por expectativas erradas de rendimento de mão de obra. Recursos

8 Como já se explicou anteriormente, nivelamento de recursos significa não se exceder o limite da

humanos são restritos, e outros recursos críticos também são restritivos como, por exemplo, movimentação de carga. O método CPM comum não vê isso. Se não identificarmos essa criticidade e nivelarmos outros recursos que não só a mão-de-obra, estaremos com folgas irreais. (Júlio César, Bacia do Espírito Santo, entrevista)

O projeto da plataforma é para 180, 200 pessoas e os equipamentos da plataforma foram dimensionados para uma capacidade determinada; quando se está perto desse limite, geram-se outros problemas. (Tito, Bacia de Campos, Grupo Focal)

Marco Antonio afirma que, além de se considerar o nivelamento de recursos, é necessário identificar-se qual é o recurso mais restritivo ou gargalo:

Sem dúvida, o recurso mais crítico é a vaga a bordo. Tentamos fazer o melhor uso possível dela. Você está lá com 10 equipamentos abertos com caldeireiros em todos eles, ocupando vaga. Mas tem um inspetor que vai liberar o fechamento dos vasos, enquanto ele não passar um por um, o caldeireiro está parado. Se o meu recurso tambor é o inspetor, porque não desembarcar um caldeireiro e embarcar mais um inspetor? Temos que Identificar exatamente quem são os recursos tambores, se formos usar a nomenclatura CCPM. (Marco Antonio, Bacia de Campos, Grupo Focal) Eis as opiniões dos entrevistados sobre a consideração das dependências de recursos entre atividades, além das dependências lógicas para identificação do caminho crítico restrito por recurso9:

Além do recurso, tem que levar em conta restrições impostas por habitação, condições geográficas, salvatagem. Ambos os métodos CPM e CCPM são usados dependendo da experiência do responsável. Se fosse usar, hoje, usaria caminho crítico restringido por recurso. (Marco Aurélio, Bacia de Campos, entrevista)

Vespasiano reafirma a necessidade de se levarem em consideração as dependências de recursos no caminho crítico, a fim de se evitarem efeitos colaterais como a fragmentação, que ocorre quando se consideram apenas dependências lógicas entre as atividades:

A fragmentação do caminho crítico que o Ms-Project10 faz sempre me trouxe um certo desconforto, uma certa insegurança. (Vespasiano, Bacia de Campos, Grupo Focal)

9 Também conhecido como corrente crítica, na terminologia CCPM.

10 Conforme comentado na seção 2.3.1 da revisão bibliográfica, a ferramenta Ms-project fragmenta o

caminho crítico após o nivelamento de recurso, por considerar apenas dependências lógicas entre as atividades e não dependências de recursos.

O tratamento dos caminhos subcríticos ou cadeias de alimentação11 é considerado

importante, em vista do grande paralelismo de atividades numa parada e da pequena diferença entre os caminhos críticos e subcríticos, o que pode ser notado nas falas de Júlio César, Marco Aurélio e Marco Antonio.

O caminho crítico por si só, no caso de parada de unidades marítimas, é muito falho. Você tem uma série de caminhos desembocando no evento crítico. Então, a diferença de criticidade entre esses vários braços é muito pequena... O que se tenta fazer, é que a diferença entre caminho crítico e caminho subcrítico seja de pelo menos 15% de quantidade de trabalho, para que você não troque de caminho crítico e crie aquela correria na hora. Caso você tenha caminhos subcríticos próximos do crítico, você acelera esses caminhos subcríticos para que você não corra o risco de inversão. (Júlio César, Bacia do Espírito Santo, entrevista)

Marco Antonio e Marco Aurélio, no entanto, reconhecem que a limitação da ferramenta de software na tarefa de identificar caminhos subcríticos ou cadeias de alimentação pode ser fator limitante:

Identificamos o caminho crítico e subcrítico para manter o controle dos dois, só não temos ferramentas para verificar todos os ramos. (Marco Aurélio, Bacia de Campos, entrevista)

Se não identificarmos ramos subcríticos e evitarmos que virem críticos, fica uma situação muito desagradável de ter que replanejar sério. O ideal é defender o caminho crítico, não deixar que esses ramos subcríticos se tornem o caminho crítico, o próprio software MS-project não dá muita opções de avaliar outros caminhos críticos e o que a gente tem usado para tentar ter uma sensibilidade maior em relação ao cronograma é o MonteCarlo. (Marco Antonio, Bacia de Campos, Grupo Focal)

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4.3.2. Inserção das provisões para atraso em pulmões e não nas