3. Research design and methodology
5.3 Theoretical implications, take-aways for managers and fu- fu-ture researchfu-ture research
Mascaro teve várias publicações no período em análise. Além de suas teses de Doutorado e Livre-Docência, o autor publicou textos na área da Administração Escolar nos Cadernos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, no Boletim da USP e na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (RBEP), além de artigos para jornais, sendo alguns publicados na referida Revista43.
Considerando que as pesquisas realizadas pelos membros da Cadeira de Administração Escolar e Educação Comparada eram orientados no sentido de procurar investigar e estudar alguns dos problemas mais interessantes da Administração Escolar, Mascaro, assim como Brejon, publicou textos envolvendo diferentes temas na área, não se restringindo apenas à municipalização e ao financiamento do ensino.
Dentre os textos publicados levantados para a presente pesquisa, cinco deles tratam sobre financiamento e municipalização do ensino: “Problemas educacionais do município de São Paulo” (1957b); “Governo estadual, orçamento e ensino” (1959b); “Custeio da educação e as reformas programadas” (1960b); “Problemas de pessoal” (1961b); e “Financiamento do ensino primário” (1961), com comentários de Jaime Abreu.
O primeiro texto referido é a conferência proferida por Mascaro ((1957b), a convite da Reitoria da Universidade de São Paulo, como parte do Curso de Extensão Universitária sobre “Problemas do Município de São Paulo”. Em sua palestra, o autor deveria focalizar os problemas educacionais do município e, para tanto, desenvolveu “[...] um relatório completo, pleno de dados estatísticos e atualizados, acerca da educação nesta Capital, para que, com base nele, todos pudéssemos formar um juízo objetivo sobre tão amplo, quão grave e complexo problema” (MASCARO, 1957b, p. 6), delimitando-se ao levantamento de alguns aspectos da organização do ensino primário municipal, procurando destacar a situação real deste ramo de ensino na cidade de São Paulo.
Nesse momento, o autor havia terminado seu Doutorado e os dados do trabalho desenvolvido para o Curso foram retomados, posteriormente, em sua Livre-Docência.
No segundo trabalho, Mascaro (1959b) faz um estudo que complementa sua tese de Doutorado, procurando contribuir para a adequada compreensão, no Estado de São Paulo, 43Nem todas as publicações de Mascaro foram encontradas, mas sabe-se que ele escrevia muitos artigos para publicar no jornal “O Estado de S. Paulo”. João Gualberto de Carvalho Meneses, durante a realização da banca de defesa do presente trabalho, afirmou que ou autor não passava nem um mês sem enviar artigo para o referido jornal, na parte de opiniões.
da linha de abordagem dos problemas relacionados à Educação, examinando o orçamento estadual de 1959, especialmente na parte referente às despesas orçadas com a Secretaria da Educação.
Mascaro (1959b, p. 8) procura mostrar as relações entre financiamento, economia e política, fazendo uma contextualização na qual indica a “rentabilidade altamente compensadora” do investimento na educação:
As condições de vida no mundo moderno, se por um lado vem revelando que nenhuma obra de educação, digna desse nome, pode ser realizada sem os recursos suficientes para financiamento do sistema de instituições criado para promover a transformação dos povos em nações, pela integração das massas de populações em grupo cívica e economicamente estáveis, por outro lado tem demonstrado a rentabilidade altamente compensadora do investimento de capital público na manutenção de tais sistemas, especialmente quando, equilibrados e eficientes, são implantados segundo a localização da população a ser atingida e em benefício de quem devem ser estabelecidos.
O autor aponta, ainda, que deviam ser essas as inspirações das conclusões da UNESCO e OEA no sentido de que os países deviam colocar em prática planos estáveis e contínuos de aperfeiçoamento de seus sistemas de ensino, reservando, para tanto, vultosos recursos financeiros em seus orçamentos.
Sendo assim, partindo do contexto e das relações entre os problemas educacionais, econômicos e financeiros, o autor visa a conhecer a posição ocupada pelo sistema escolar do Estado de São Paulo “[...] no interesse dos responsáveis pelos negócios públicos estaduais, mediadas, a posição e o interesse, pelos recursos reservados no orçamento do Estado para financiamento do ensino, particularmente do que se acha sob a responsabilidade da Secretaria da Educação.” (MASCARO, 1959b, p. 12).
A pesquisa aponta que o orçamento para o ano de 1959 estava entre os menos favoráveis desde 1948, podendo vir a ser o ano de menor gasto do Estado com a Secretaria da Educação e o ensino primário, desde a promulgação da Constituição de 1946, que fixou a quota mínima de impostos que deveria ser despendida com manutenção e desenvolvimento do ensino.
O autor destaca o impacto da industrialização e da urbanização, processos de mudança econômica e social que estavam repercutindo em São Paulo que acabou resultando na extensão da rede escolar, mas desfigurando o sistema de ensino, determinando a situação do ensino primário naquele momento: escolas com um número elevado de alunos, instaladas em garagens, celeiros ou galpões de madeira, funcionando no regime de duas ou três horas,
sem um mínimo de equipamento, com material quase sempre adquirido pelos professores e com um número de inspetores muito inferior ao necessário.
O terceiro texto apontado foi elaborado para o “Simpósio sobre problemas educacionais brasileiros”, realizado pelo CRPE-SP em setembro de 1959. Nesse trabalho, Mascaro (1960b) faz a mesma contextualização do trabalho apresentado acima, mas analisa a aplicação do dispositivo da Constituição de 1946 no país, no Estado de São Paulo e na capital deste Estado, apontando que nenhum dos dispositivos tinha sido cumprido de forma racional, até aquele momento.
O texto referente a problemas de pessoal foi publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”, e, posteriormente, na RBEP. No artigo, Mascaro (1961b) procura apontar os problemas relativos à nomeação de professores, diretores, inspetores e delegados, problemas no tocante à formação de administradores escolares e questões relativas aos critérios de remuneração, regime de trabalho e garantias mínimas devidas aos ocupantes de cargos no magistério, em suas diferentes carreiras.
No texto em que trata sobre o financiamento do ensino primário, com comentários de Jaime Abreu, são feitas referências às conclusões do trabalho “Governo estadual, orçamento e ensino” e sobre a insistência em avaliar a política de educação dos governos em termos orçamentários,
com a convicção de que os planos ou programas oficiais pouco importam se não puderem ser medidos por meio de dados objetivos de seu custo de financiamento.
Para nós, as medidas propaladas de melhoria do ensino têm algum significado se nos for dado avaliá-las, no cômputo geral das despesas governamentais, em confronto com as dotações destinadas a financiar outras metas do Governo, e, no âmbito nacional ou regional, o que representam quantitativamente em atendimento a carências específicas da população. Fora daí, quase tudo que se anuncia como clarividência ou ação oportuna dos homens que transitoriamente ocupam o poder pode ser dado como atividade puramente diversionista ou paliativo inconsequente. (MASCARO; ABREU, 1961, p. 95-96).
No trabalho são levantados dados obtidos junto às repartições competentes, ou coligidos mediante consulta aos orçamentos estaduais, referentes ao período de 1920 a 1960, sendo elaborados seis quadros assinalando as relações essenciais entre arrecadação estadual de impostos, despesas globais da Secretaria da Educação, gasto com o ensino primário comum, população escolar e matrícula efetiva do ensino primário comum estadual.
Pondo mãos à obra, levantamos os dados essenciais, relativos às últimas quatro décadas, com os quais montamos uma série de seis quadros que reputamos capazes de, numa breve e sintética visão histórica do problema, facilitar a sua compreensão objetiva e permitir o entendimento cabal das
possíveis causas determinantes de uma situação que precisa ser banida da história da escola paulista, mas que para tanto deve ser conhecida em maiores detalhes, para a fixação criteriosa de prioridades no concernente à educação popular. (MASCARO; ABREU, 1961, p. 96).
Os dados das tabelas apontam o descompasso entre a arrecadação estadual de impostos, as despesas com o ensino primário e a matrícula, que cresceu mais do que aumentaram os recursos para financiamento. O aumento da matrícula da população escolarizável, que subiu de 20% em 1920 para mais de 80% em 1960, é considerado um dado positivo, ao mesmo tempo em que é visto como sem sentido, atentando para o fato de que passou a existir um sacrifício da qualidade do ensino ministrado nas escolas, em virtude da redução das horas de aula, falta de material didático, abandono e degradação das edificações, inexistência de material pedagógico, desconsideração quanto aos níveis de formação e remuneração, entre outros aspectos.
Com relação aos dados levantados por Mascaro, Abreu destaca:
A quem quer que acompanhe os rumos da expansão do sistema escolar paulista, não pode surpreender maiormente o que demonstram os quadros ilustrativos do artigo do Prof. Carlos Correa Mascaro, especialmente no que revelam quanto à hierarquia de valor que nele vem sendo atribuída à escola primária. (MASCARO; ABREU, 1961, p. 102).
O autor destaca a pressão por mais ginásios e mais faculdades sofrida pelo Estado, no período analisado, em busca de ascensão social e o preço que o Estado pagou por isso, ao buscar, de certo modo, mais uma saída do que uma solução:
Assim, para atender à pressão sempre mais forte por mais oportunidades de escolarização primária, o preço que, iniludivelmente, fez o Estado pagar por essa geração discente, foi o da simplificação, senão deterioração desse ensino, consumada por vários escamoteios, como o tempo (com os turnos múltiplos), o dos prédios (com os galpões de emergência eternizados), o do número de alunos por turma (com seu congestionamento), o do equipamento (com sua precariedade quantitativa e qualitativa), o do pessoal técnico- docente (com a insuficiência do seu regular aperfeiçoamento em serviço, intensivo e extensivo). (MASCARO; ABREU, 1961, p. 102).
Os textos tratando sobre assuntos não referentes à municipalização do ensino são: “Exames vestibulares nas escolas normais” (1955); “O ensino normal no Estado de São Paulo” (1956); “TWI no ensino e na Administração Escolar: relatório de uma experiência de aplicação e adaptação” (1957a); e “Administração Escolar na América Latina” (1968a), publicado na Revista Pesquisa e Planejamento e na Edição Comemorativa do I Simpósio Interamericano de Administração Escolar.
Além dos referidos trabalhos, o autor publicou o capítulo “Educação paulista” para o livro organizado por J. V. Freitas Marcondes e Osmar Pimentel intitulado “São Paulo: espírito, povo, instituições” (1968b), e o texto intitulado “Condições de funcionamento dos ginásios oficiais do Estado de São Paulo”, juntamente com J. Q. Ribeiro e José Augusto Dias (1964).
No trabalho referente aos exames vestibulares nas escolas normais, é destacado por José Querino Ribeiro, em sua apresentação, que umas das preocupações constantes da Cadeira de Administração Escolar e Educação Comparada era a de manter estreito contato e intercâmbio com órgãos e serviços do sistema escolar brasileiro e do paulista, contribuindo com a reunião de dados e publicação de trabalhos que servissem de base para estudos objetivos de que necessitavam a Administração Escolar. Aponta, também, que a posição da Cadeira com relação ao ensino normal é a de que devia haver uma reestruturação de diretrizes e bases, mas que o trabalho, mesmo tratando sobre um aspecto desse ramo de ensino, poderia contribuir, juntamente com outros estudos e debates a respeito da questão, para uma formulação geral do problema (MASCARO, 1955).
O trabalho traz subsídios para debates acerca do recrutamento e seleção da clientela discente do ensino normal, apresentando dados, traduzidos em números exatos, a respeito da situação do professorado de grau elementar, destacando sua superprodução, a qual já vinha sendo denunciada há um certo tempo, mas sempre como resultado de observação empírica e não como dado de segurança objetiva.
Constatada positivamente a situação, o problema da exigência dos vestibulares – especialmente como primeiro passo para fazer predominar a qualidade sobre o fator quantidade – toma novo aspecto. Esta contribuição por si só se nos afiguraria suficiente para valorizar o presente trabalho. (MASCARO, 1955, p. 5-6).
Para tratar sobre o assunto, Mascaro (1955) faz um histórico sobre as exigências legais para matrícula nas escolas normais, procura indicar os fatores sociais que determinaram o crescimento da clientela das escolas de formação de professores e aponta os pontos de vista diferentes em relação a exames vestibulares ou de admissão.
No trabalho em que trata sobre a reforma das escolas normais, Mascaro (1956) destaca a permanência do assunto no temário das questões educacionais paulistas e o fato de vários projetos de reforma terem sido apresentados e discutidos na Assembleia Legislativa do Estado.
O autor destaca, também, as inúmeras discussões existentes sobre o assunto, afirmando que “não há quem, pertencendo ao magistério bandeirante, não sinta a atração da
disputa e não experimente a tentação de manifestar-se, tão rico de aspectos é o tema e tão importante é o assunto para quantos militam no ensino e se preocupam com os seus complexos problemas.” (MASCARO, 1956, p. 5). Com relação ao desenvolvimento do trabalho, o autor afirma:
Promovendo o presente levantamento de dados e de problemas acerca do ensino normal em nosso Estado, o nosso pensamento não se afastou da modesta preocupação de nos atermos a fatos, tentando expô-los e analisá-los com objetividade, desse modo procurando apresentar subsídios que possam contribuir para a solução dos mais urgentes problemas do ensino paulista, entre os quais avulta, sem dúvida, o do aprimoramento da qualificação profissional do professor primário, primeiro passo acertado, seguro e decisivo para a garantia da legitimidade e autenticidade de um sistema de ensino digno desse nome. (MASCARO, 1956, p. 46).
Mascaro (1956) apresenta algumas questões e tece alguns comentários em relação ao sentido que deveria ser atribuído à reforma pretendida e sobre as possibilidades de êxito de uma tentativa de reforma, a partir dos projetos já desenvolvidos. O autor procura apontar a importância do ensino normal e a deterioração do ramo de ensino no Estado de São Paulo, assim como o número excessivo de professores formados e ainda não admitidos no magistério por falta de vagas.
Segundo o autor, havia cargos, funções e atividades em outros ramos profissionais que necessitavam de mão de obra qualificada, mas notava-se uma escassez de elemento humano, enquanto no magistério primário paulista havia excesso de pessoal legalmente qualificado, que para ser aproveitado seria necessário que o Estado passasse a investir mais nos recursos humanos em educação, promovendo e ampliando sua rede de escolas primárias e reduzindo o número de alunos por classe.
No trabalho em que Mascaro (1957a) faz o relatório da experiência de aplicação e adaptação do método TWI no ensino e na Administração Escolar, José Querino Ribeiro apresenta o TWI como “[...] mais um esforço, dentre tantos dos ingentes e constantes, para encurtar o caminho; a eterna busca do menor esforço, no seu melhor sentido – e o verdadeiro – humano, humanista, humanitário.” (MASCARO, 1957a, p. 3).
Mascaro (1957a, p. 10-11) assim define o referido método:
Era o método de treinamento do trabalhador no seu próprio local de trabalho, sem afastá-lo de suas obrigações normais, dando-lhe somente a assistência de um Mestre ou Supervisor capaz de bem orientá-lo em suas tarefas básicas, arguto e humano para compreender os problemas pessoais dos operários e suficientemente inteligente para estimulá-los a aperfeiçoar os seus próprios métodos de ação. Tal método, denominado muito acertadamente pelos americanos seus criadores de ‘Training Within Industry’, passou desde logo a ser universalmente conhecido sob a sonora sigla formulada com as iniciais dos vocábulos usados no seu título.
No depoimento escrito para a comemoração do Centenário de Nascimento de José Querino Ribeiro, Myrtes Alonso (ANEXO A) refere-se ao TWI como uma novidade buscada pelos professores da Cadeira de Administração Escolar e Educação Comparada na tentativa de vencer as barreiras que existiam referentes à utilização das teorias clássicas da Administração para o desenvolvimento da Administração Escolar. Segundo Myrtes Alonso (ANEXO A),
Na tentativa de vencer tais barreiras, os Professores da Cadeira de Administração Escolar e Educação Comparada buscavam as novidades que despontavam na área de recursos humanos, como o TWI e outros tantos modelos usados nas empresas. Para tanto, abriram oportunidades de estágio e visitas a empresas como formas de introduzir os estudantes no mundo mais amplo da Administração, o que levou alguns alunos a fazerem suas opções por essa área de atuação.
É interessante destacar o trecho da apresentação do trabalho em que José Querino Ribeiro faz referência às antinomias existentes nos empreendimentos modernos e nas escolas, fazendo uma ligação entre os acontecimentos do contexto social e suas influências na instituição escolar e, consequentemente, em sua administração.
Em todos os empreendimentos modernos, a antinomia – mais produção, mais lazer – atua como imperativo irrevogável e exerce pressão crescente sobre o homem, angustiando-o para encontrar a solução ótima.
Na escola, instituição fortemente engastada no contexto social, essa ânsia não podia deixar de ser presente e a antinomia se formula em termos peculiares: mais ensino, menor tempo de escolarização. De fato, as exigências da vida quotidiana, deslizando a todo pano, ao sopro forte do progresso científico, requerem mais e mais conhecimentos que devem ser obtidos em lapso inelástico, se não encurtado de tempo. A comunicação do patrimônio cultural acumulado em progressão surpreendente cria necessidades de reajustes permanentes na empresa escolar, de alto a baixo, do centro à periferia. São as novas estruturas didáticas, novos currículos, novos programas, novos horários, novas técnicas de ação, ‘novos caminhos e novos fins’ [...].
E a função escolar mais diretamente afetada por tantos e tão pesados impactos é a Administração. Aqueles tantos ‘novos’ se buscam e se resolvem em termos de planejamento, de organização, de assistência à execução, de medidas de resultado, de relatórios, de críticas, nos setores do pessoal, do material, dos serviços auxiliares e do financiamento. Principalmente se resolvem pelos serviços auxiliares de pesquisa, experimentação e aperfeiçoamento, planejados, organizados, assistidos em sua execução, medidos em seus resultados e relatados para fechar o circuito na crítica e retomar o caminho, a partir de novo planejamento. (MASCARO, 1957a, p. 3-4).
Mascaro (1957a) faz referência ao apoio dado por José Querino Ribeiro ao discutir o assunto e orientar no sentido de sugerir ampliação e enriquecimento do plano inicialmente idealizado. O conselho foi o de participar de um grupo de treinamento para
melhor avaliar o alcance e a adaptabilidade do método e realizar uma experiência piloto de grupo de treinamento que se realizou com alunos de um Curso de Especialização.
O autor destaca que a divulgação do trabalho tinha o duplo propósito de reunir toda a documentação relativa à experiência do Departamento de Educação com o TWI e oferecer aos interessados nos problemas de administração de pessoal uma contribuição que lhe parecia útil no que diz respeito à difusão de princípios e métodos modernos de organização racional do trabalho. Ainda apresentando seu trabalho, o autor afirma:
O presente trabalho encerra o relatório geral e completo de uma experiência de transplantação de um método de treinamento em técnicas de chefia e supervisão, do campo industrial para o escolar, no serviço público estadual, experiência por nós superintendida quando, em 1954, ocupamos o cargo de Diretor Geral do Departamento de Educação, a convite do Dr. José Moura Resende, Secretário de Estado dos Negócios da Educação. Foi no desempenho das funções desse cargo que percebemos ter pela frente a rara oportunidade de realizar uma tentativa de aplicação do método experimental no campo da administração escolar no Estado de São Paulo, iniciativa ao mesmo tempo sedutora e cheia de riscos. (MASCARO, 1957a, p. 7).
O autor faz referência ao temor da novidade e à resistência passiva, até mesmo instintiva, daqueles que não gostam de mudar por estarem habituados à rotina cômoda e comodista do trabalho, especialmente no serviço público, o que poderia fazer com que seu trabalho fosse criticado e aponta a oportunidade do mesmo:
Menos frequentes são ainda as vezes em que, quem ensina Administração Escolar ou se dedica a pesquisas nesse campo, se vê, num posto de alta chefia ou direção, diante da possibilidade de pôr à prova, sob sua orientação e responsabilidade, o acerto das ideias ou teorias que defende ou dos métodos e processos de ação que recomenda. Como administrador escolar e assistente de uma cátedra universitária em cujo programa se entrelaçam as preocupações de ensino com as de pesquisa, sentimo-nos intimamente no dever de não deixar passar tão excepcional ensejo que inesperadamente se punha ao nosso alcance, propiciando a execução de um programa de treinamento de pessoal do ensino, não obstante a ocorrência de fatores adversos de ordem político-administrativa [...] (MASCARO, 1957a, p. 7-8).
Ao participar do Congresso de Organização Científica realizado em São Paulo, em 1951, e ao ser membro da Comissão de Mão de Obra da Secretaria do Trabalho, em 1952, Mascaro (1957a) teve contato com os encarregados das primeiras experiências que estavam sendo realizadas no parque industrial paulista, com a aplicação do TWI.
Mascaro (1957a) destaca que, a partir da segunda guerra mundial, o trabalho em