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Theoretical background

2. Theory

2.2 Theoretical background

Conforme já foi colocado no tópico anterior, foram realizadas entrevistas com cinco pessoas que trabalhavam ou já haviam trabalhado com o tráfico de drogas na cidade de Fortaleza. Traçaremos aqui alguns comentários gerais que foram observados no momento da entrevista, com o objetivo de trazer o clima percebido na ocasião. Comparecemos aos locais, esperando encontrar um ambiente hostilizado, no entanto fomos recepcionados de maneira acolhedora.

Com a finalidade de preservar suas identidades, iremos fazer referência a eles durante a análise utilizando as seguintes siglas:

D (sexo masculino)

D encontra-se com vinte e oito anos e trabalha com tráfico de drogas há cinco anos. Podemos então considerar que D é considerado experiente nessa atividade, devido à idade e ao tempo de trabalho, levando-se em consideração que a expectativa de vida no tráfico é muito curta. No meio em que o tráfico acontece tudo acontece mais cedo, as crianças e adolescentes sofrem um processo de vivenciar características de uma vida adulta antes do tempo (como, por exemplo, trabalhar, constituir famílias, além do próprio falecimento, devido à violência).

D é casado, tem esposa e três filhos (duas meninas e um menino), todos crianças, e o mais novo ainda é um bebê. A entrevista foi realizada em um quarto de sua casa, com todos os integrantes presentes em outros cômodos da casa,

demonstrando um bom clima familiar. Uma família como qualquer outra, com a diferença de que a estrutura física da casa (condições de higiene, bens de consumo) encontrava-se em melhor estado de que outras residências da comunidade que conheci durante a observação de campo. A casa era arejada, possuía vários cômodos, móveis, televisão, camas para cada criança (o que é uma raridade), brinquedos, etc.

No decorrer da entrevista, as crianças permaneceram brincando, de vez em quando entravam no quarto em que estávamos e falavam com a entrevistadora, e sua esposa permaneceu fazendo seus afazeres domésticos, oferecendo-nos inclusive um copo de refrigerante, demonstrando a receptividade e o cuidado dado a qualquer visita.

G (sexo feminino)

G possui 26 anos, mora com a mãe e as duas filhas e trabalhou com o tráfico dos vinte e dois até a idade atual. Atualmente, encontra-se separada do companheiro que está preso e a influenciou no início do trabalho com o tráfico.

É interessante ressaltar que G foi a única mulher entrevistada, percebendo, durante sua entrevista, uma preocupação maior em relação às filhas, remetendo a elas em muitas situações de sua vida, inclusive no momento da decisão de parar. G também é a única entre os entrevistados que deixou de trabalhar com o tráfico. Na ocasião da entrevista, segundo seu relato, havia cerca de cinco meses que encontrava-se desvinculada às atividades do tráfico. No momento da realização da entrevista, observamos que possíveis compradores apareceram em sua casa em busca de comprar drogas, mas G afirmou que não se encontrava mais vendendo a substância.

A entrevista foi realizada em sua casa e estavam presentes suas filhas, que permaneceram no outro cômodo, mas interromperam bastante, pedindo coisas para a mãe. Houve ainda interrupções dos vizinhos que passavam pela porta e janela, pois a casa de G não possui privacidade. Percebe-se que existe bom relacionamento de G com suas filhas, representando de fato a função de mãe.

A casa era composta somente de dois cômodos (cozinha+sala e quarto) e não tinha uma boa estrutura física (condições de higiene, móveis). Foi possível perceber ainda que a família de G vivia com as dificuldades características de quem vive em uma favela.

PR (sexo masculino)

PR tem vinte e quatro anos e trabalha com tráfico desde os catorze. Atualmente se encontra em liberdade condicional. Percebe-se que PR dentre os

entrevistados é o que mais é envolvido com atividades ilícitas e que já teve uma vivência na cadeia.

A entrevista foi realizada em sua casa, que se resumia a um quarto vizinho à casa de sua mãe, que também só tinha um cômodo. Sua residência era desprovida de qualquer bem de consumo, havendo somente um colchão e muitas roupas espalhadas pelo quarto. A casa de sua mãe também não possuía boas condições de higiene e estrutura física.

Em conversa após a entrevista, PR relatou que sua mãe traficava quando ele era pequeno e aliciava os filhos, quando eram crianças, para vender também. No entanto, a mesma parece não assumir a influência que exerceu sobre PR.

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W (sexo masculino)

W tem vinte anos, mora com a esposa e dois filhos e trabalha com o tráfico desde os dezessete anos. Dentre os entrevistados, W foi o único que preferiu ser entrevistado fora de sua residência, sendo a entrevista realizada em uma escola da comunidade.

Devido a esse fator não foi possível observar a estrutura física de sua casa e o relacionamento com sua família. No entanto, chamou-nos a atenção o fato de W ter somente vinte anos e uma família constituída, pois em seu discurso, ao falar de sua esposa e filhos, aparentava uma idade superior.

C (sexo masculino)

C encontra-se com vinte anos e trabalha com tráfico desde os quinze anos. Desse modo, da mesma maneira que D, C já possui certa experiência com o trabalho no tráfico. Ambos, dentre os entrevistados, foram os que apresentavam aparentemente melhores condições financeiras, tomando-se em conta suas considerações e a observação de suas residências.

C é casado e mora com a esposa (que se encontrava grávida na ocasião da entrevista) e uma filha pequena. A entrevista foi realizada na varanda de sua casa, com sua família presente. No entanto, sua esposa permaneceu na sala de entrada, assistindo televisão, e sua filha, durante a maior parte do tempo, esteve próxima de onde nos encontrávamos.

Em relação à estrutura da casa, percebemos também que encontrava-se em melhor situação de que outras observadas na comunidade. Foi possível observar que constava de alguns cômodos, móveis, televisão, etc.