Foram encontrados diversos métodos (elementos) necessários para o gerenciamento da cadeia de fornecedores. O modelo aqui apresentado é uma união das técnicas mais disseminadas e que julga-se poderem contemplar de uma forma mais ampla a filosofia de repassar práticas ambientais e manter relações de longo prazo com os fornecedores. Nenhum elemento é sustentado se aplicado sozinho. Portanto, a idéia é a aplicação de um conjunto de técnicas de forma combinada.
a) Integração da filosofia de redução, reuso, remanufatura, reciclagem e tratamento dos efluentes (Sarkis, 2003). Essa prática visa promover uma redução do desperdício e consequentemente, uma redução de custos na compra de matérias-primas;
b) Entendimento do ciclo de vida do produto. Geralmente, os produtos possuem 5 (cinco) estágios em seu ciclo de vida: introdução, crescimento, maturidade, saturação e declínio ou morte (Hill, 1994). Os integrantes da cadeia de suprimentos precisam relacionar as decisões de gestão ambiental com o estágio do ciclo que o produto se encontra, segundo Sarkis (2003). Os produtos na fase de introdução possuem altos preços e baixos volumes produzidos, o que permite investir e preparar um sistema de gestão ambiental para o futuro. Por outro lado, na maturidade, por exemplo, um grande número de produtos serão produzidos e consumidos, requerendo uma maior atenção dentro e fora da empresa quanto aos impactos ambientais;
c) Entendimento do ciclo de vida do processo. Hayes (1984) apresenta que usualmente, os processos possuem 4 (quatro) estágios (início, crescimento rápido, maturação, commodities ou declínio). Da mesma forma como no caso
do ciclo de vida do produto, é necessário prover recursos para o sistema de gestão ambiental considerando a estrutura de custo e características de cada estágio do processo;
d) Avaliação do ciclo de vida do processo e do produto. Esse elemento visa analisar as atividades da empresa tais como: de compras, produção e distribuição. O rastreamento de materiais tem um importante papel para minimizar os impactos ambientais nas atividades corporativas, principalmente em casos de peças defeituosas no sentido de reduzir o desperdício. Não menos importante, os impactos que são gerados além dos processos de manufatura, normalmente, no uso do produto, nas atividades não industriais, como por exemplo, o transporte, e também no destino final do produto após o uso, podem requerer um sistema de logística reversa eficiente para retornar os produtos e incorpora-los em um processo de reciclagem. A literatura aponta casos de sucesso de logística reversa, onde as construções de plantas industriais de desmontagem favoreceram a reutilização de peças em novos produtos;
e) Exploração de sistemas de informação. O uso de tais sistemas irá facilitar a comunicação e tornará as informações mais acessíveis aos tomadores de decisões (EPA, 2000). O sistema deve primar pela acessibilidade, rapidez e prioridade das informações corporativas;
f) Uso de sistemas de simulação. O tempo e a velocidade são fatores cruciais o rápido ritmo dos mercados competitivos, e consequentemente, a simulação é uma ferramenta útil já que oferece uma gama de cenários para tomada de decisão promovendo economia de tempo, capital financeiro e energia (Khoo, 2001), pontos fundamentais em um momento onde a competitividade é dada não somente na inovação, mas pela velocidade da inovação;
g) Melhoria contínua pela eco-eficiência e eco-eficácia. Eco-eficiência é no sentido de fazer um produto melhor, diferentemente, a eco-eficácia é mais ligada ao conceito de processo, portanto, visa fazer melhor o produto (Shireman, 2001). Ambos os conceitos devem ser praticados para aumento da performance ambiental;
h) Investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Os investimentos em P&D podem criar novas práticas ambientais e qualificar o pessoal para melhorar a
implementação das práticas já existentes. Dado aos altos valores monetários para essa atividade, é recomendado a participação conjunta de governo, universidades, empresas, instituições de pesquisa e apoio para melhor desenvolver os estudos e alavancar maiores quantias de investimento.
O fator localização pode contribuir bastante para a implementação e gerenciamento de uma Cadeia Verde de Fornecedores, principalmente, quando da existência de aglomerados produtivos (clusters) devido à proximidade dos fornecedores, maior percepção da rivalidade, dentre outros fatores locais, como, acesso a informações e estímulo à inovação tecnológica.
2.3 Clusters
Em um momento onde o processo de globalização avança e a Internet possibilita acesso imediato a informações de praticamente todo o planeta, a concentração de negócios em determinados territórios demonstra que a localização ainda é um fator de extrema importância para o desenvolvimento de vantagens competitivas. Paradoxalmente, a manutenção de vantagens competitivas em uma economia global encontra-se em fatores locais – conhecimento, relacionamento, e motivação que rivais distantes não podem igualar (Porter, 1998).
A formação de clusters representa uma nova forma de desenvolvimento local que, ao contrário do que era esperado, privilegia a localização pelo acesso a diversos fatores de produção. Porter (1998) define clusters como concentrações geográficas de empresas e instituições interconectadas em um determinado setor. O estudo SEBRAE (2004) Metodologia de desenvolvimento de Arranjos Produtivos Locais – projeto PROMOS / SEBRAE / BID destaca que a definição anterior, de fato, refere-se aos clusters regionais, cuja definição engloba:
a) Distritos industriais, baseados em firmas de pequeno e médio porte, atuando em uma determinada indústria;
b) Concentrações de firmas de alta tecnologia que utilizam padrões tecnológicos similares;
c) Sistemas de produção, cujo centro é grandes empresas, em torno da qual gravitam fornecedores locais e seus satélites.
Os clusters regionais incluem, também, canais de produção espacialmente referenciados, os complexos produtivos flexíveis e os ambientes inovadores. SEBRAE (2004) ainda caracteriza 4 (quatro) tipos clusters: distritos industriais, arranjos produtivos locais, redes de empresas e ambiente inovador.
Para SEBRAE (2004) distritos industriais, também conhecidos como clusters marshalianos, são sistemas locais de produção caracterizados pela existência de um conjunto de pequenas e médias empresas em torno de uma indústria dominante onde as firmas, frequentemente, se especializam em diferentes etapas do processo produtivos. Pertencentes, em geral, à comunidade local, essas empresas a ela se integram por meio de uma extensa teia de relacionamentos. Os distritos caracterizam-se ainda, pela existência de um fluxo de comércio substancial entre as empresas e pelo fato de as firmas partilharem diferentes serviços especializados, o mesmo mercado de trabalho e o estoque de conhecimento (Sforzi, 1992, 2002; e Markussen, 1994 apud SEBRAE, 2004).
Já os arranjos produtivos locais (local production systems) constituem um tipo particular de cluster, formado por pequenas e médias empresas, agrupadas em torno de uma profissão ou de um negócio, onde se enfatizam o papel desempenhado pelos relacionamentos – formais e informais – entre empresas e demais instituições envolvidas. Vale esclarecer que as firmas compartilham uma cultura comum e interagem, como um grupo, com o ambiente sociocultural local, interações essas, de natureza cooperativa e/ou competitiva, estendem-se além do relacionamento comercial e tendem a gerar, afora os ganhos de escala, economias externas, associadas à socialização do conhecimento e à redução dos custos de transação (SEBRAE, 2004). Nota-se que nos arranjos produtivos locais (APL’s), as unidades produtivas podem ter atividades similares e/ou complementares, em que predomina a divisão do trabalho entre os seus diferentes participantes – empresas produtoras de bens e serviços, centros de pesquisa, centros de capacitação e treinamento e unidades de pesquisa e desenvolvimento, públicas e privadas (SEBRAE, 2004).
Outro tipo de cluster são as redes de empresas (business network), que são grupos de firmas que interagem e apresentam certo grau de interdependência, porém não operam, necessariamente, em indústrias relacionadas, nem precisam ser espacialmente concentradas (Satber, 1996; e Sydow, 1996 apud SEBRAE, 2004).
Por fim, o conceito de ambiente inovador (innovative milieu) trata que uma rede densa intra-regional de agentes inovadores em uma determinada região aumenta a
probabilidade de crescimento para as firmas e, consequentemente, para o desenvolvimento regional (Maillat, 1992; e Aydalot, 1984 apud SEBRAE, 2004).
Essas múltiplas definições de sistemas locais de produção, disponíveis na literatura especializada, têm em comum duas características básicas: a interação entre as firmas e a proximidade geográfica e/ou setorial entre as empresas; fazendo com haja pouca diferenças nos conceitos. Porém, no que concerne às recomendações de política econômica, essas diferenças não são significativas (SEBRAE, 2004).
Ainda sobre a classificação de agrupamentos produtivos, o IPEA (2005) – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - define diversos tipos de processos de industrialização localizada que podem ser caracterizados segundo o grau de desenvolvimento das interações e articulações entre os agentes produtivos entre si e com os agentes institucionais, ou segundo a morfologia e a definição territorial da experiência (por exemplo, se em uma cidade ou em várias com ou sem uma nucleadora, etc). Devido ao fato de cluster, agrupamentos e arranjos produtivos locais serem conceitos relativamente novos, próprio IPEA, coloca que a caracterização das situações descritas segundo a tipologia apresentada a seguir, além da própria tipologia, é certamente passível de questionamento.
a) Agrupamento Potencial – quando existe no local concentração de atividades produtivas com alguma característica em comum, indicando a existência de tradição técnica ou produtiva (inclusive artesanal), embora inexista (ou seja, incipiente) organização ou interação entre os agentes daquelas atividades. b) Agrupamento Emergente – quando se observa no local a presença de
empresas (de qualquer porte) com característica em comum (por exemplo, uma definição setorial comum) que possibilite o desenvolvimento da interação entre seus agentes, a presença de instituições como centros de capacitação profissional, de pesquisa tecnológica, etc., bem como de atividade incipiente de articulação ou organização dos agentes locais.
c) Agrupamento Maduro – quando há no local concentração de atividades com característica comum, a existência de uma base tecnológica significativa, e se observa a existência de relacionamentos dos agentes produtivos entre si e com os agentes institucionais locais caracterizando a geração de externalidades positivas, mas ainda com a presença de conflitos de interesses e/ou desequilíbrios denotando baixo grau de coordenação.
d) Agrupamento Avançado – é um agrupamento maduro com alto nível de coesão e de organização entre os agentes.
e) Aglomeração (cluster) – apresenta características de agrupamento maduro quanto ao grau de coesão, embora com menor organização, referindo-se, porém a uma sub-região e envolvendo um número maior de localidades ou áreas urbanas, de modo contíguo e constituindo um espaço econômico pouco diferenciado em termos das atividades produtivas e fatores de produção presentes.
f) Pólo Tecnológico – se refere àqueles locais em que estão reunidas empresas intensivas em conhecimento, ou de base tecnológica, bem como universidades e/ou instituições de pesquisa. Apresenta características de agrupamento maduro, embora às atividades possam apresentar pouca semelhança, por exemplo, em termos setoriais.
g) Redes de Subcontratação – são situações (não necessariamente um local) em que grande(s) empresa(s) nucleadoras formam em torno de si redes de fornecedores, e que, embora sem se constituírem em um agrupamento, contam com elevado grau de organização, hierarquizada pela empresa - núcleo.
Ainda relacionado com classificações que possam facilitar o entendimento dos aglomerados produtivos, para daí melhorar a elaboração de políticas de desenvolvimento, Suzigan et al (2004) apresentam a tipologia dos sistemas locais de produção de acordo com sua importância.
Tabela 2.1 – Tipologia dos Sistemas Locais Produtivos de acordo com sua importância para o local e para o setor.
Importância para o setor
Reduzida Elevada
Elevada Vetor de desenvolvimento
local
Núcleos de desenvolvimento setorial-
regional
Importância Local
Reduzida Embrião de sistema lcoal
de produção Vetores avançados
Essa classificação apresentada por Suzigan et al (2004) é fundamental para a elaboração de projetos de desenvolvimento de clusters visto que, dependendo do estágio de evolução e importância do cluster localmente ou setorialmente às necessidades de desenvolvimento e estratégias podem modificar fortemente.
Contudo, os autores classificação os sistemas locais de produção em 2 tipos. Segundo os autores:
“Sistemas locais de produção podem ter variadas caracterizações conforme sua história, evolução, organização institucional, contextos sociais e culturais nos quais se inserem, estrutura produtiva, organização industrial, formas de governança, logística, associativismo, cooperação entre agentes, formas de aprendizado e grau de disseminação do conhecimento especializado local. Por isso, definir tais sistemas não é tarefa trivial, nem isenta de controvérsias. Uma definição bastante difundida é a que foi adotada pela RedeSist – Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais 2, que propõe dois conceitos distintos: (1) “arranjos produtivos locais são aglomerações territoriais de agentes econômicos, políticos e sociais – com foco em um conjunto específico de atividades econômicas – que apresentam vínculos mesmo que incipientes. Geralmente envolvem a participação e a interação de empresas – que podem ser desde produtoras de bens e serviços finais até fornecedoras de insumos e equipamentos, prestadoras de consultoria e serviços, comercializadoras, clientes, entre outros – e suas variadas formas de representação e associação. Incluem também diversas outras instituições públicas e privadas voltadas para: formação e capacitação de recursos humanos (como escolas técnicas e universidades); pesquisa, desenvolvimento e engenharia; política, promoção e financiamento”, e (2) “sistemas produtivos e inovativos locais são aqueles arranjos produtivos em que interdependência, articulação e vínculos consistentes resultam em interação, cooperação e aprendizagem, com potencial de gerar o incremento da capacidade inovativa endógena, da competitividade e do desenvolvimento local. Assim, consideramos que a dimensão institucional e regional constitui elemento crucial do processo de capacitação produtiva e inovativa. Diferentes contextos, sistemas cognitivos e regulatórios e formas de articulação e aprendizado interativo entre agentes são reconhecidos como fundamentais na geração e difusão de conhecimentos e particularmente aqueles tácitos. Tais sistemas e formas de articulação podem ser tanto formais quanto informais.” ”
Porter (1998) aponta diversas vantagens para o desenvolvimento relacionadas com a presença de clusters, explicitando que esses agrupamentos ou aglomerados são críticos para a competição. Para Porter (1998) a competição moderna depende de produtividade, e não no acesso a inputs ou escala individual de empresas. Sendo assim, no artigo Clusters and the new economics of competition, Porter (1998) aponta as relações dos clusters com a produtividade, inovação, formação de novos negócios, desenvolvimento econômico; além
de tratar do crescimento, evolução e declínios dos aglomerados, as questões relacionadas ao trabalho coletivo e as novas responsabilidades público-privadas dadas as novas condições de competição.
Fazer parte de um cluster possibilita as empresas operem mais produtivamente na aquisição de inputs, acesso à informação, tecnologia, instituições de apoio, mensuração e motivação de melhorias (Porter, 1998). O ambiente do cluster melhora o acesso a colaboradores e fornecedores, possibilitando redução de custos na busca e recrutamento de pessoas. Da mesma forma, o conhecimento de mercado, técnico, dentre outras informações importantes para a competitividade, que são acumuladas no cluster de tal forma que facilita o seu acesso. Além disso, as relações pessoais encorajam a confiança e o fluxo de informações, fazendo a informação mais transferível. Porter (1998) ainda destaca que as ligações existentes entre os integrantes de um cluster resultam em algo maior que a soma das partes, principalmente, quando há ma interdependência dos atores para uma boa performance do setor; o que ele denomina de complementaridade. Essa característica pode ser vista em clusters de turismo, por exemplo, onde há uma dependência mútua de hotéis, restaurantes, shopping centers e estrutura de transportes.
A concentração geográfica de empresas simplifica o trabalho de instituições de apoio privada ou públicas em virtude de reduzir custos para reunir as pessoas em casos de treinamento, investimentos em infra-estrutura especializada ou programas educacionais, e não é apenas o governo que pode aumentar a produtividade do cluster, no sentido de estruturação do setor. Pois, constata-se que há investimentos de empresas em programas de treinamento, centros de qualidade, laboratórios que também contribuem para o aumento da produtividade (Porter, 1998).
Também relacionada à produtividade, a rivalidade local é altamente motivadora, e o orgulho e o desejo de ser bem visto na comunidade local estimulam as pessoas a tentar fazer melhor do que os outros.
Quanto à relação do cluster e o processo de inovação, Porter (1998) afirma que devido a clientes sofisticados estarem frequentemente dentro do aglomerado, as empresas dentro do cluster tem uma melhor visão do mercado do que os concorrentes isolados possuem; e, além disso, os clusters tornam as inovações mais visíveis, pressionando o setor a possuir mais competência e flexibilidade para agir mais rapidamente. Outro fator importante é que parceiros e fornecedores locais podem se envolver mais de perto no
processo de inovação, e deste modo assegurar um melhor atendimento às exigências do consumidor.
Para Porter (1998) não é surpreendente que muitas empresas cresçam em cluster do que isoladas, pois, novos fornecedores, por exemplo, buscam trabalhar dentro de aglomerados porque a concentração de clientes reduz o risco e facilita aos fornecedores visualizarem novas oportunidades de mercado. Sendo assim, as barreiras para entrada são mais baixas do que em qualquer outro lugar, os ativos, habilidades, inputs, e pessoal necessários estão frequentemente disponíveis no território do cluster, esperando serem unidos em um novo empreendimento.
O surgimento de clusters pode ser por uma singular, sofisticada ou intrínseca demanda local, tendo frequentemente raízes em circunstâncias históricas; podendo também surgir pela iniciativa de uma ou duas empresas inovadoras que estimulam o crescimento de muitos outros empreendimentos (Porter, 1998). Apesar de o aglomerado representar um ambiente mais forte para as empresas do que o trabalho isolado, há ameaças para o cluster perder sua vantagem competitiva devido às ameaças internas e externas. Descontinuidade tecnológica, mudanças nas necessidades dos consumidores que criem uma divergência entre as exigências locais e globais consiste em ameaças externas. Porter (1998) também cita exemplos de vulnerabilidades internas tais como: rigidez interna, excesso de confiança, cartéis, estagnação da qualidade de instituições (escolas, universidades, etc), inflexibilidade quanto às regras de trabalho (provocadas às vezes por sindicatos), dentre outros fatores que enfraquecem a competição local, que são tão perigosos quanto às ameaças externas.
Entendendo que essas aglomerações produtivas representam um novo modelo de desenvolvimento econômico, os clusters apresentam-se como nova alternativa para países em desenvolvimento, principalmente, no tocante a atrair novos empreendimentos não somente devido à mão de obra barata, incentivos fiscais e recursos naturais. Entretanto, promover a formação de clusters em economias em desenvolvimento significa começar pelo nível mais básico, isto é, as políticas devem primeiramente ser direcionadas para as bases: melhoria dos níveis de educação e competências, construção de competências em tecnologia, acesso ao mercado de capitais e melhoria das instituições, para depois, os investimentos adicionais em ativos específicos do cluster (Porter, 1998).
Dadas às modificações na estratégia de desenvolvimento econômico pela formação de clusters; o papel do governo, entidades públicas e privadas também deve ser repensado.
Segundo Porter (1998), o governo, seja nacional ou local, deve assegurar o fornecimento de inputs de alta qualidade tais como cidadãos educados e infra-estrutura física, estabelecer regras de competição – pela proteção da propriedade intelectual e reforçar leis anti-cartel – para que a produtividade e inovação determinem o sucesso da economia. Esse novo comportamento está bem distante da política industrial dantes aplicada. Não se trata mais de atrair indústrias desejadas e intervir com subsídios ou restrições a empresas estrangeiras ou a favor de empresas locais. Em contraste, o objetivo de uma política de agrupamentos é reforçar todos os clusters, e isso significa que clusters tradicionais como de agricultura não devem ser abandonados; e sim devem ser melhorados e atualizados (Porter, 1998).
Enfim, os clusters revelam a dependência mútua e a responsabilidade coletiva de todas as entidades para criar condições propícias à competição; e para isso, empresas, não menos que governos e escolas devem investir em educação e a universidade, tem papel fundamental no aumento de competitividade dos negócios locais.
No estudo de Sölvell et al (2003), The Cluster Initiative Greenbook, são apresentados os objetivos envolvidos nas iniciativas de clusters, alguns comuns e outros raros. Os autores, baseados em análises estatísticas, classificaram esses objetivos em seis principais segmentos:
a) Pesquisa e Rede de Relacionamentos; b) Ação Política ou Diplomática;
c) Cooperação Comercial; d) Educação e Treinamento; e) Inovação e Tecnologia; f) Expansão do Cluster
Objetivos Comuns
Encorajar redes de contato entre as pessoas -
- Promover a expansão das empresas existentes Estabelecer redes de contato entre as empresas -
- Facilitar um nível de inovação mais alto Promover inovação, novas tecnologias -
- Atrair novas empresas e talento para a região Criar uma marca para a região -
- Promover exportações do cluster Prover assistência aos negócios -
- Agregar inteligência comercial Analisar tendências técnicas -
- Melhorar a atenção e informação das empresas Promover formação de spin-offs -
- Prover treinamento técnico Prover treinamento gerencial -
- Difundir tecnologia internamente no cluster Otimizar os processos de produção -
- Fazer lobby com o governo para infra-estrutura Melhorar os incentivos a investimentos diretos
internacionais -
- Melhorar a política regulatória Prover serviços de incubação -