• No results found

Theme 2: How does DNV develop its global leaders through GLDPs?

4.1  Global Leadership Development Programme in DNV (Det Norske Veritas)  .  21

4.1.4  Theme 2: How does DNV develop its global leaders through GLDPs?

Um limitado número de processos deposicionais atuam nos leques aluviais, dando origem a uma pequena variedade de depósitos, se comparada com outros ambientes deposicionais. Estes depósitos podem ser separados em dois tipos; aqueles resultantes de fluxos gravitacionais (debris flow e mudflow) e outros resultantes da deposição de sedimentos carreados em suspensão, saltação e tração por fluxo aquoso canalizado ou não (streamflow) (Nilsen 1982).

Alguns autores (como Collinson 1986) consideram fluxo de detritos (debris flow) e fluxo de lama (mud flow) como sinônimos; ao contrário de outros (Nilsen 1982) que definem fluxo de detritos como similares a fluxo de lama porém, neste, o material transportado consiste em sua maioria de sedimentos finos.

Para Collinson (op. cit.), os depósitos formados por fluxo canalizado são produtos de fluxos fluidos ou de baixa viscosidade, podendo ser separados em corrente canalizada (stream channel), fluxo laminar (sheetflood) e depósitos residuais (sieve deposits). Segue a descrição suscinta destes processos, relacionando-os com os respectivos produtos deposicionais.

Fluxo de detritos

A ocorrência de depósitos formados por fluxo de detritos é um dos fatores decisivos para o reconhecimento de depósitos de leques aluviais no registro geológico. São mais

característicos nas fácies proximais dos leques ou em leques de ambiente semi-árido, constituindo um fator importante para a distinção entre estes e os leques dominados por correntes (Nilsen 1982, Collinson 1986). Nos leques dominados por correntes ou leques aluviais úmidos, os depósitos de fluxo de detritos apresentam baixo potencial de preservação por serem constantemente retrabalhados pelo fluxo aquoso (Galloway & Hobday 1983).

A desaceleração de um fluxo viscoso provoca a deposição de sedimentos mal selecionados. Partículas de tamanhos variados são então acomodadas juntamente, dando origem a um depósito constituído por grandes clastos distribuídos em uma matriz fina (Collinson op. cit.). Os depósitos são pobres em estratificações ou outras estruturas sedimentares e formam camadas desorganizadas com fabric isotrópico. Possuem grande quantidade de matriz que suporta clastos e fragmentos com pouca ou nenhuma imbricação, sem orientação relativa à direção do fluxo, mas que podem apresentar gradação inversa em sua parte basal (Nilsen 1982).

A viscosidade sempre varia dentro de um fluxo particular, o que resultará em gradações e alinhamentos de clastos (Bull 1972 in Galloway & Hobday 1983). Nos fluxos mais viscosos, os clastos maiores são distribuídos aleatoriamente; mas, se a viscosidade é menor, os depósitos podem mostrar gradação inversa, normal e inversa transicionando para normal, através de um incipiente alinhamento de clastos.

O principal pré-requisito para a ocorrência de fluxo de detritos é a presença de uma rocha fonte cujo intemperismo forneça detritos finos (inclusive argila) e presença de declive abrupto para promover rápida erosão e escoamento (Collinson 1986). Outros fatores também importantes são a presença de vegetação esparsa e de climas que possuam chuvas sazonais ou irregulares (Nilsen 1982).

Fluxo canalizado

Os depósitos formados por fluxo aquoso canalizado geralmente são bem estratificados e contém uma variedade de estruturas sedimentares de diferentes regimes de fluxo. Possuem pequena quantidade de matriz, sendo comum a estrutura suportada por clastos com imbricação e orientação relativa à direção do fluxo (Nilsen 1982). São mais comuns em fácies de leques de clima úmido, embora também ocorram nas fácies distais dos leques semi-áridos.

Os depósitos de fluxo canalizado mais característicos são os de preenchimento de canal ou de corrente canalizada (stream channel). Os canais são normalmente largos e rasos,

__________________________________________________________________________________________

formando depósitos lenticulares de granulação grossa, geralmente conglomerática. A superfície basal destes depósitos apresenta uma seção transversal côncava característica e contatos inferiores erosivos. Os canais típicos da porção proximal do leque são retilíneos e entrincheirados, enquanto nas partes intermediária e distal são mais comuns os canais braided.

Depósitos de fluxo canalizado também se formam em margens de canais e em áreas intercanais. Neste caso, as correntes são pouco canalizadas ou não canalizadas e depositam os sedimentos sob a forma de lâminas que extravasam dos canais. Estes são os típicos depósitos de fluxo laminar (sheetflood).

Fluxo laminar

Depósitos formados por fluxo laminar resultam do espalhamento do material carreado pelo fluxo aquoso quando ele emerge do canal, mais tipicamente nas partes baixas do leque. Ele ocorre abaixo do “ponto de interseção” onde o fluxo carregando carga de fundo e em suspensão se expande lateralmente (Hooke 1967, figura 4.4).

O decréscimo na velocidade do fluxo, combinado com o pequeno declive das áreas mais rebaixadas do leque, resultam na deposição de lâminas de sedimentos como uma série de barras casacalhentas ou arenosas que podem ser posteriormente dissecadas por canais pequenos e rasos durante os estágios finais da inundação. Depósitos de fluxo laminar são tipicamente arenosos e apresentam estratificação cruzada e plano-paralela.

superfície do leque

ponto de interseção

lobo deposicional

perfil do canal

Depósitos residuais

Os depósitos residuais constituem um tipo de depósito de fluxo canalizado que se originam em fases de inundação, sob a forma de lobos permeáveis de cascalho. Por haver grande permeabilidade, há rápida infiltração da água na orla do leque, provocando a deposição de lobos com margem bem definida composta por cascalho suportado por clastos (Hooke 1967, figura 4.5).

material fino frente do lobo,

material grosso

perfil inicial do leque

Figura 4.5: Esquema de um lobo de depósito residual (Hooke 1967).

Estes depósitos se formam em alguns leques de regiões áridas, onde a área fonte fornece grande quantidade de detritos cascalhentos. Em leques aluviais modernos, os depósitos residuais são constituídos por cascalho bem selecionado, com grãos relativamente angulosos e monolíticos, imbricação bem desenvolvida, formando camadas maciças e lateralmente contínuas (Nilsen 1982). Eles não são muito comuns nos depósitos de leques aluviais antigos provavelmente porque, após a deposição e cimentação, há preenchimento dos espaços intergrãos. Assim, eles podem ser preservados como sedimentos de distribuição granulométrica bimodal pois, com o soterramento, os interstícios são lentamente preenchidos pela infiltração de finos (Collinson 1986).