computador, com televisão, com toda a tecnologia, aí chega aqui fica giz e lousa, giz e lousa, porque a gente entra nessa rotina mesmo! Eu falo por
mim, não falo pelos meus colegas. Aí os alunos dizem: mas professora, de novo! Eu acho que falta muito essas coisas diferentes... e o professor está um pouco acomodado como eu estou também. Mas o professor está
sobrecarregado, porque com o que ele ganha... No começo deste ano,
algumas escolas tinham o adicional do local de exercício, uns 250, 300 reais e tiraram assim ó! Era como uma gratificação, eles tiram, põem... A gente percebe assim: é como se a gente não fosse nada, não fizesse nada...
E: E o que você achou dessa experiência, foi importante, ou não modificou muito o aprendizado deles...
P3: Eu acho que em si, poderia ter sido melhor se tivesse dado tempo para
trabalhar mais. Tem que ter tempo pra teoria e tempo para a prática. O
que acontece é o seguinte, nós temos só duas aulas de Biologia, agora, porque antes no primeiro era apenas uma aula. Aí você entrava fazia chamada, preenchia aquela papeleta, aí na hora em que você começava a engrenar com a matéria, pronto, acabava a aula! Você entendeu?
PROFESSOR 4 (P4)
O professor P4 concorda com o uso de recursos alternativos no ensino e faz uso deles quando possível. Atribui o pouco uso desse recurso também à organização do sistema educacional do Estado e aos baixos salários pagos aos professores da rede oficial de ensino. Ele usa alguns desses recursos alternativos e acredita que o seu uso é importante, pois os
recursos por si só ensinam aos alunos os conteúdos de maneira mais eficiente que o professor, uma visão que, como vimos, contraria a teoria da aprendizagem de conceitos científicos de Vigotski. No entanto, na mesma afirmação o professor P4 relata algumas experiências com visitas a uma mata (bosque) com alunos e afirma que é uma experiência muito proveitosa, porque os alunos entram em contato com o objeto em estudo e surgem dúvidas, que são prontamente respondidas por ele e daí começa a surgir a aprendizagem do conteúdo em questão. Nota-se que, nessa observação, ele se contradisse, pois, se colocou como parte importante no processo de aprendizagem dos alunos das interações sociais decorrentes da interação dos alunos com o objeto, aparecem dúvidas que o professor (parceiro mais capaz) esclarece, o que pode levar à aprendizagem, exatamente como prediz a teoria vigotskiana. Aliado a isto, o professor P4 comenta sobre a questão da motivação para a aprendizagem de conceitos, e que passar documentários aos alunos é uma maneira de motivá-los e ficarem atentos à aula, contemplando parte do processo de aprendizagem.
E: Sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais, há sugestões sobre o uso de estratégias um pouco diferentes para o ensino de Biologia, usando debates, seminários... o que você acha dessa sugestão, concorda ou discorda?
P4: Importantíssimo, sem dúvida. O problema é que nem sempre a gente
acha condições favoráveis nas escolas para trabalhar dessa forma, e o
tempo que a gente tem, o corre daqui pra lá... o fato do estado já te pagar um salariozinho já te obriga a pegar muitas aulas e você não tem tempo para fazer tanta coisa diferente e nem sempre a coisa está certinha, por exemplo: um dia desses eu queria na escola fazer uma aula de informática, estava tudo prontinho, aí chega lá eles dizem: estamos fazendo manutenção, não vai dar pra usar... então esse tipo de coisa às vezes também atrapalha. Igual, outro dia fui usar o aparelho de DVD e não estava funcionando, aí eu tive que trazer de casa... então sempre tem esses entraves, mas a gente não pode parar por causa disso e dizer: não vou fazer! Mas é importantíssimo! Um assunto que às vezes você ficaria aí 4 ou 5 aulas o aluno vê um filminho de 50 minutos e aprende
muito mais que nas aulas, ou uma animação na informática. Um dia desses,
eu estava querendo trabalhar gráfico, aí eu encontrei um programinha, um
joguinho, que você insere os dados e ele ensina a fazer o gráfico, então isso é importante. Ou então uma pesquisa, eu já tenho ido há alguns anos com o pessoal da manhã em uma mata lá em Cedral aí a gente solta o pessoal lá, eles vão perguntando daqui de lá, apesar disso sempre ser um risco para o
professor, porque tem a responsabilidade grande de levar, cuidar desse aluno, tem uns que não obedecem, tem aqueles que perguntam: ah, que árvore é essa e às vezes você não sabe responder, porque não somos uma enciclopédia ambulante, não tem como saber... enfim, aí nós vamos respondendo as
perguntas dos alunos e aí vamos batendo um papo. Me lembro uma vez,
tinha uma classe que eu não dava muita coisa, mas eu resolvi levar (à mata) esse pessoal, andamos, aí eles começaram a perguntar, foi vendo a decomposição, foi vendo os fungos, quando foi ver, saiu ali uma aula excelente! Quando eles vão perguntando, é a curiosidade deles que leva... uma visita pode levar a isso. Por exemplo, às vezes você leva lá no zoológico aí você vai comparar as características desse animal, fazendo uma perspectiva evolutiva ali mesmo com o que você está vendo. A turma desse ano eu vou
levar no Zoológico de Rio Preto, eu passo antes algumas coisas para eles estudarem e aí nós vamos, mas é uma coisa informal, aí eu vou fazer uns questionamentos sobre aquilo ali. Eles têm um pouquinho de dificuldade de passar o que eles querem em texto, mas aí a gente vai conversando e eles vão conseguindo. Eles têm dificuldade em fazer relatório de qualquer coisa que você peça. Então, eu acho importante essa questão de ensinar informalmente, inclusive, agora no estado está chegando uma série de DVD’s, tem de evolução, de meio ambiente, já dá pra de repente passar para os alunos e
motivá-los, ou até mesmo pesquisar em livros, uma figura, dá pra se trabalhar
bem isso aí, porque assim a gente sai desse trivial.
Outra contradição aparece quanto à importância do uso de recursos alternativos no ensino. Para ele, no uso de filmes, revistas e outros recursos em sala de aula, é importante a presença do professor, pois a este lhe cabe a função de orientador da aprendizagem o recurso alternativo por si só não propicia a aprendizagem; mais uma vez nota-se que ele reconhece a necessidade da presença do parceiro mais capaz para a aprendizagem de conceitos científicos.
E: Você acha que em algum momento esses recursos como, TV, filmes, revistas, jornais, podem atrapalhar a aprendizagem?
P4: Se for mal utilizado, sim, sem dúvida! Fazer por fazer não resolve, você tem que propor e ir amarrando com o conteúdo que ele realmente precisa aprender. Se você vai falar de evolução aí depois você vai falar de tecnologia lá do fogo, tem um filme assim, que se você joga pro aluno ele não vai
entender nada, aí você tem que ir explicando, ou seja, não adianta só jogar porque o aluno sozinho não vai conseguir entender.
O professor P4 também falou a respeito do que desmotiva os alunos; para ele a tentativa de ensinar os conteúdos com um alto grau de especificidade desmotiva os alunos, e atrapalha o processo de aprendizagem, pois não há motivação. Apesar de o comentário se relacionar ao ensino de Biologia Celular, a discussão é perfeitamente aplicável ao ensino de evolução biológica, cuja abordagem também pode atingir um alto grau de especificidade.
E: Para o ensino de Biologia como um todo, você os acha os programas de vestibular adequados para o ensino médio?
P4: Acho que tem detalhes demais, onde tinha que ter só uma visão geral. Às vezes até dá certo, por exemplo, nas escolas particulares eles priorizam aquele conteúdo, a memorização e uma série de coisas, de repente ta até certinho aquilo lá, mas no ensino médio público, na verdade pela própria LDB o ensino médio tem que ser mais amplo, ele tem que abrir horizontes para o aluno, tem que diversificar o máximo que puder, porque depois, na graduação é que ele vai se especializar, ou seja, o ensino médio tem que dar essa visão geral. E ás vezes, por exemplo, no ensino de citologia eles vão lá no fundo, na ultra-
estrutura, o que desanima o adolescente, então você tem que dar uma visão
geral. É importante ensinar a organização geral da célula, mas não precisa aprofundar tanto. Mesmo na genética, na fisiologia, eles pegam umas coisas
que vão lá no fundo, não adianta! Mesmo porque, com duas ou três aulas semanais que temos, não tem como aprofundar muito. Então tem esse problema, e às vezes o aluno tem um conhecimento razoável, mas aí no vestibular particulariza demais e ele não consegue responder.
O professor P4 também reconhece que atividades alternativas que priorizem o aluno com uma postura ativa frente a atividade favorecem a aprendizagem, podemos assim interpretar a atividade como algo motivador. Segundo ele, essas atividades quando aliadas à informação já existente na mente do aluno, auxiliam no processo de aquisição do conceito científico correto. E o fato de não haver memorização de conceitos e haver a visualização concreta do assunto e dos conceitos trabalhados também são motivadores para o aluno e auxiliam no processo de aprendizagem. Na sua afirmação, o professor se referiu ao Ensino de Genética, mas essa característica também é aplicável ao ensino de evolução biológica.
E: Você acha que esse tipo de atividade alternativa é mais vantajosa que, por exemplo, a leitura de um capítulo de livro durante a aula?
P4: Sem dúvida! Ele precisa ler para ter a informação, mas ele já vai ter uma outra visão. Já percebeu a ligação de uma coisa com a outra, percebeu o que tem de comum nesse e naquele. Outro dia desses, vendo cromossomo daqui e de lá, aí você vai vendo que dá pra você ver ali que nos mamífero estão próximos de quarenta e poucos, e dá pra relacionar o porquê disso. E como que dá pra trabalhar isso: com colagens, a montagem do cariótipo,
sem decorar nada, mas a gente tem que ajudar. É uma maneira de você ver.
PROFESSORA 5 (P5)
A professora P5 utiliza um jogo semelhante ao de batalha naval 7sempre que ensina
evolução biológica. Para ela o jogo é parte importante do processo de aprendizagem, pois ele reforça o que foi previamente ou exposto, ou seja, esse recurso alternativo é válido desde que associado ao ensino tradicional. Ela afirma que o jogo é uma maneira de despertar a curiosidade e prender a atenção de alunos que normalmente não se interessam pelas aulas, o que podemos entender como um agente motivador. Além disso, segundo ela, esse tipo de atividade permite que a aula seja mais abrangente.
E: Os PCN têm uma sugestão sobre o uso de seminários, debates e jogos no ensino. O que você acha dessa sugestão? É válida ou não?
P: Ela é válida. Existe um jogo que é feito tipo uma batalha naval e fala