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Theoretical framework

5.1 The VS and practice learning

Na avaliação relativa, o objetivo é examinar um ativo fundamentado na forma como ativos similares são precificados correntemente pelo mercado. Consequentemente, há dois

componentes na avaliação relativa: o primeiro é a avaliação de ativos em bases relativas, sendo que os preços devem ser padronizados, em geral, pela conversão deles em múltiplos de algum indicador ou variável comum; o segundo é identificar ativos similares, o que é bastante desafiador, pois não há dois ativos exatamente iguais, conforme Damodaran (2007, p.163).

A avaliação relativa tem três passos essenciais: identificar ativos comparáveis precificados pelo mercado, uma tarefa mais fácil de realizar com ativos reais; O segundo é escalonar os preços de mercado em relação a uma variável comum para gerar preços padronizados comparáveis, por exemplo, quando se comparam os ativos que variam de tamanho ou unidade, havendo a necessidade de equalização dos preços por unidade comum; o terceiro e último passo nesse processo é ajustar as diferenças entre os ativos, ao comparar os seus valores padronizados. Muitos analistas regularizam essas diferenças de forma qualitativa, transformando cada avaliação relativa em uma longa história; aqueles com as melhores e mais plausíveis histórias recebem o crédito pelas melhores avaliações, de acordo com Damodaran (2007, p.163).

Martelanc, Pasin e Pereira (2009, p.197) mencionam que a simplicidade, a necessidade de poucas informações e a rapidez na precificação caracterizam-se como as principais vantagens da avaliação por múltiplos quando comparada com outros métodos.

A questão central desse procedimento é a comparação, isto é, os ativos precisam ser “comparáveis”. Conforme Assaf (2014, p. 205), a precificação por múltiplos exige essencialmente dois conjuntos de informações: valor de uma empresa comparável e um padrão de referência, como, por exemplo, vendas, lucros, EBITDA.

Algebricamente, o método de comparação direta consiste no cálculo de índice do valor de mercado (V) e uma variável observável ( I ) relacionada ao valor, assegurando que a razão entre os dois é aproximadamente igual para a empresa em avaliação e para as empresas comparáveis, conforme a equação 2.

(2)

Alguns dos índices mais utilizados são: 1- Preço/Venda; 2- Preço/Lucro; 3 – Preço/Valor Contábil; e 4- Valor Empresa/EBITDA.

1- Preço/Venda: expressa o valor do patrimônio líquido ou de um negócio relativo às receitas geradas.

De acordo com Assaf (2014, p. 205), o preço de uma empresa pode ser equivalente a 2,5 vezes o seu faturamento. Assim, se as vendas da empresa atingem $ 10,0 milhões, seu valor é calculado em $ 25,0 milhões, conforme equação 3.

Valor da Empresa = Vendas ($) x Múltiplo de Venda

Valor da Empresa Comparável Valor da Empresa = Vendas ($) x _________________________________ Vendas

Valor da Empresa = $10,0 milhões x 2,5 = $ 25,0 milhões

(3)

2- Preço/Lucro : representa a relação entre o preço de mercado da ação (cotação da ação) e o seu lucro por ação (LPA).

É um índice bastante utilizado, sendo referência de mercado e pode servir como múltiplo de lucro para avaliar o patrimônio líquido de uma empresa. O valor da empresa é determinado pela multiplicação do lucro líquido por ação (LPA) apurado e o índice P/L adotado como múltiplo, conforme Assaf (2014). A equação 4 exemplifica essa relação:

(4)

3- Preço/Valor Contábil: O valor de mercado do patrimônio líquido de uma empresa reflete as expectativas de mercado do poder de lucros e dos fluxos de caixa da empresa. Para Damodaran (2007, p. 182), a diferença entre os valores contábeis dos ativos e do passivo determina o valor contábil do patrimônio liquido, um número em grande parte determinado pelas convenções contábeis. A razão preço/valor contábil é calculada dividindo-se o valor do mercado do patrimônio líquido pelo valor contábil corrente do patrimônio líquido, conforme equação 5.

4- Valor da Empresa / EBITDA: Esse múltiplo destaca-se por estar entre os múltiplos mais utilizados pelos profissionais de mercado. É importante destacar que EBITDA é um indicador financeiro que demonstra o resultado operacional antes dos impostos sobre o lucro, do resultado financeiro, das depreciações e das amortizações. Conforme Assaf:

...o EBITDA é muitas vezes entendido como o melhor múltiplo de valor, pois desconsidera a depreciação e outras despesas operacionais sem reflexo no caixa, os impostos sobre os lucros e as despesas financeiras geradas pelo endividamento da empresa. Ao isolar essas variáveis, o EBITDA permite uma comparação maior entre as empresas, podendo ser incluídos padrões de empresas de outras economias (ASSAF, 2014, p. 205).

De acordo com Damodaran (2007), nesse múltiplo o numerador é uma estimativa do valor de empresa, ao passo que o denominador consiste numa medida de desempenho operacional. Segundo o autor, quando se adquire uma ação de uma determinada empresa, é comum atentar-se para o preço pago como um múltiplo dos lucros por ação gerados pela companhia. Da mesma maneira, quando se adquire um negócio como um todo, é comum avaliar o valor da empresa como um múltiplo do lucro operacional ou EBITDA.

Martins et al (2001, p. 270) mostra que esse indicador preço / lucro (P/L = x, portanto P = x.L), num mercado eficiente, proporciona uma medida normalizada para comparar preços das ações e essa medida também é interpretada como o tempo em que se recupera o investimento inicial. O inverso desse quociente (Lucro/Preço) é concebido como uma medida de rendimento do título.

Assaf (2014, p. 206) salienta que a avaliação relativa é um método bastante popular no mercado, principalmente pela simplicidade, rapidez e intuição de seus resultados. No entanto, é preciso salientar que os múltiplos apresentam certas dificuldades práticas, como identificar empresas comparáveis e selecionar os múltiplos mais recomendados para a avaliação e, como consequência, trazem algumas imprecisões em seus resultados.

Como limitações desse modelo, Damodaran (2005, p. 18) explica que esse indicador pode ser facilmente manipulado e usado incorretamente, especialmente quando empresas comparáveis são analisadas, pois o termo “comparáveis” é muito subjetivo e um analista tendencioso pode relacionar empresas que, em regra, não deveriam ser comparáveis, como por exemplo, empresas que se diferem quanto aos termos de riscos e crescimento.