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The TPL network and product tracking systems

7  Paper 1: Against the odds: implementing goods tracking in a network of

7.2   The TPL network and product tracking systems

Quando os Aliados entregaram a Sicília à administração italiana, em fevereiro de 1944, alguns indivíduos extremistas formaram um exército clandestino, alçando a bandeira de cores amarela e vermelha com o símbolo da Trinacria, declararando guerra contra o restante do país. O movimento separatista foi apoiado por políticos (como o Prefeito de Palermo), mafiosos, bandidos e pessoas de outros segmentos.148

É importante destacar que a autonomia concedida para a Sicília pelo novo estatuto regional permitia uma maior liberdade política. Todavia, depois de um breve período, em Roma pairavam opiniões de que se havia disponibilizado muitas concessões cujos resultados eram insignificantes. Assim, estabeleceram-se tentativas de retirar algumas prerrogativas iniciais: logo, estabeleceu-se um atrito entre o Estado e a Região, que acabou gerando uma nova explosão de sicilianismo149. Com efeito, nos primeiros anos de autonomia, os atritos entre os políticos da capital com os sicilianos conferiram um tom mais estéril nas relações entre a administração local e a nacional.150

Em junho de 1946, no referendo institucional e nas eleições para a Assembléia Constituinte, os insulares votaram em maioria pela monarquia. Ainda, havia uma trama organizada pelos separatistas (neste meio tempo, muitos republicanos penderam para a monarquia) para oferecer a Coroa da Sicília ao Rei Vittorio Emanuele III.151

Na ilha, tramas concretas espalhavam-se pela região através do vínculo estabelecido entre políticos, Máfia e banditismo. O movimento separatista agregava uma leva de foragidos a sua causa, dando-lhes dignidade ou a ilusão de constituir um exército de libertação, o EVIS (Exército Voluntário pela Independência Siciliana). Após uma estreia frustrada desse exército, a sua formação foi confiada a Salvatore Giuliano, um jovem contrabandista de Montelepre.152 Sobre esse último, Moses I. Finley, Denis M. Smith e Christopher J.H. Duggan153 explicam:

O siciliano mais famoso nos anos do Pós-Guerra foi o bandido Salvatore Giuliano, um homem envolvido na campanha de violência contra a esquerda (políticos). Este herói popular [...] no início era apenas um de tantos chefes dos bandos “brigganti” que percorriam os campos; mas graças à sua crueldade, à sua generosidade que

148 FINLEY, Moses I.; SMITH, Denis Mack; DUGGAN, Christopher J. H. Breve storia della Sicilia. Bari:

Laterza, 2009. p. 323-324.

149 Movimento patriota local que era revivido pelos setores sicilianos para eliminar qualquer tentativa de reforma

do exterior. Ibidem, p. 324.

150 Ibidem, p. 328.

151 MANGIAMELI, Rosario. La Sicilia dalla prima guerra mondiale alla caduta del fascismo. In: BENIGNO, F.

e GIARRIZZO, G. (a cura). Storia della Sicilia: Dal Seicento a oggi. Bari: Laterza, 2003. p. 174.

152 Ibidem, p. 175.

ostentava com relação aos mais pobres, ao seu bom aspecto e ao seu intuito extraordinário de fazer-se publicidade, tornou-se logo uma lenda. [...] As suas notáveis habilidades de chefe e algumas ligações afortunadas com políticos o ajudaram. [...] Embora fosse um reconhecido assassino de muitos políticos, recebia dos policiais favores extraordinários.

Em junho de 1947 ocorreram as primeiras eleições para a Assembléia regional que marcaram a vitória do bloco do povo formado pela social comunista (Partidos de Esquerda). Com esse resultado, aproximava-se a possibilidade de um Governo de Partidos de Esquerda. Todavia, a onda de terrorismo favoreceu a ascensão dos políticos de direita e a política local pendeu para a Democracia Cristã (DC). O primeiro Prefeito a ser eleito foi Giuseppe Alessi, um dos fundadores da Democracia Cristã na Sicília.154

O ingresso da ilha na Itália democrática e republicana começou com acontecimentos contrastantes, marcados por lutas, mas também por uma forte vontade de renovação proveniente dos diversos setores da sociedade, sobretudo pelos camponeses que permaneceram esquecidos pelo Estado.155

Entre os anos de 1948 e 1949, em todas as regiões italianas, mais especificamente, naquelas do mezzogiorno que possuíam uma administração política de partidos de esquerda, aumentaram as ocupações das terras por parte de camponeses e de trabalhadores desempregados, que reivindicavam a efetivação da reforma agrária. Em outras palavras, o fim das enormes propriedades rurais ociosas, sem cultivo e a concessão destas de maneira direta aos agricultores. No entanto, a repressão do controle dessa ação pelas forças responsáveis pela ordem pública, que visavam à ordem social, provocou a morte de dezenas de manifestantes.156

Na esfera econômica, os auxílios concedidos à Itália pelos Estados Unidos recomendavam, constantemente, ao governo dirigir uma particular atenção às regiões meridionais e à Sicília, orientando para estes habitantes o destino da parcela mais conspícua dos recursos disponibilizados.157 Com relação ao mezzogiorno, Lea D’Antone158 esclarece:

Os americanos eram favoráveis ao desenvolvimento da Sicília e das outras Regiões Meridionais. [...] Estas regiões geraram muitos cidadãos norte-americanos, filhos e netos de emigrantes, que, naquele momento, pertenciam aos segmentos dirigentes da sociedade estadunidense.

154 MANGIAMELI, Rosario. La Sicilia dalla prima guerra mondiale alla caduta del fascismo. In: BENIGNO, F.

e GIARRIZZO, G. (a cura). Storia della Sicilia: Dal Seicento a oggi. Bari: Laterza, 2003. p. 175.

155 Ibidem, p. 175-176.

156 D’ANTONE, Lea. Verso e oltre il “miracolo economico”. In: BENIGNO, F. e GIARRIZZO, G. (a cura).

Storia della Sicilia: dal seicento a oggi. Bari: Laterza, 2003. p. 179.

157 Ibidem, p. 178.

No campo das atividades produtivas, a sociedade insular enfrentava inúmeras dificuldades, pois, assim como as demais regiões meridionais, apresentavam graves fenômenos de desequilíbrio hidrogeológico – causando uma carência de água, principalmente na estação de verão, atingindo fortemente as zonas internas –, nas planícies costeiras, verificava-se o excesso de chuva que favorecia a epidemia de malária.159

Ao retomar a contribuição dos EUA para a Itália durante os anos 1950, vale referir que este foi o período cujos governos italianos implementaram pela primeira vez as políticas orgânicas meridionalistas. No início de 1950, criada pelo governo nacional a Cassa del

Mezzogiorno, planejou-se realizar obras estruturais, como a construção de aquedutos, a

implantação de estradas e ferrovias. Segundo as teorias econômicas dominantes, acreditava-se que as melhorias e as modernizações realizadas constituíam uma premissa indispensável à sucessiva instalação de um setor industrial, além de viabilizar uma melhor estrutura para a população meridional.160

Os empréstimos realizados pela Itália permitiram a execução das reformas previstas pela Cassa del Mezzogiorno. Para Lea D’Antone161, os recursos foram:

[...] utilizados para o reforço das indústrias elétricas, química, siderúrgica e sobretudo para a potencialização da automobilística. Mas no conjunto do auxílios financeiros foram também destinados para a agricultura, ao saneamento do território e ao combate contra a malária (que foi erradicada).

As obras públicas e infraestruturais ligadas à atuação do Plano Marshall e ao Primeiro Programa da Cassa del Mezzogiorno ocuparam todos os incentivos de empresas públicas e privadas italianas. Naquela década, a FIAT, a Pirelli, a Finsider, entre outras indústrias, e os bancos nacionais aprovaram vários programas meridionais de gestão, como também aderiram à Associação pelo Desenvolvimento do Mezzogiorno (Svimez).162

Cabe destacar agora que a política insular também enfrentou outras dificuldades administrativas. A burocracia e o clientelismo existente no setor inviabilizaram a plena implementação de diversas reformas necessárias nos setores político, econômico e social.163

Além disso, as reformas agrárias promovidas não alcançaram o sucesso pretendido. Em primeiro lugar, várias áreas não foram incluídas nas leis vigentes, já que as terras deveriam ser divididas e encaminhadas para que os agricultores as cultivassem. Em segundo

159 D’ANTONE, Lea. Verso e oltre il “miracolo economico”. In: BENIGNO, F. e GIARRIZZO, G. (a cura).

Storia della Sicilia: dal seicento a oggi. Bari: Laterza, 2003. p. 178-179.

160 Ibidem, p. 180.

161 Ibidem, p. 180. [Tradução do autor]. 162 Ibidem, p. 181.

163 FINLEY, Moses I.; SMITH, Denis Mack; DUGGAN, Christopher J. H. Breve storia della Sicilia. Bari:

lugar, a maioria dos grandes latifundiários segmentou as suas propriedades em pequenos lotes entre os seus familiares. Assim, muitos conservaram os seus patrimônios e mantiveram a continuidade das relações de trabalho entre proprietários e arrendatários.164

Ainda, a reforma agrária teve uma condição parcial e chegou com bastante atraso em sua efetivação. Centenas de agricultores insulares então decretaram, implicitamente, a falência, abandonando os campos e se encaminhando para outros tipos de trabalho.165

A realidade siciliana, portanto, pouco a pouco estava se restabelecendo no âmbito social e político no período pós-bélico. As transformações foram mínimas e ocorriam de maneira lenta – quando aconteciam – e não convenciam os cidadãos insulares de que a sociedade regional se modificaria para melhor.