6.4 The spectral index in the thermal dust model
7.2.3 The spectral index in MBB thermal dust model
Mesmo convencidos de que as referências imagéticas aqui apresentadas são integrantes de momentos e contextos diversificados, e, de que, as mesmas se expressam nas mais diversas linguagens e formatos, parece-nos apropriado realizar uma tentativa de síntese sobre elas. Até,
112 Não afirmamos com isso que não existam elos de reciprocidade ou identidade entre os africanos, sejam
eles de caráter continental, econômico, histórico, ideológico, cultural, ou outros. Apenas não concordamos com a idéia de que exista um elemento de força maior que permita afirmar que as diferenças em África se submetam a crença de uma unidade africana.
porque, se suas construções encontram-se espalhadas pelo largo percurso cronológico de, pelos menos, dois mil e quinhentos anos, alguns de seus reflexos nos chegam até os dias de hoje. Concordamos que esses reflexos são imprecisos e muitas vezes espelham outras formas, que não as originais, mas, eles se fazem, de alguma forma, presentes entre nós com maior ou menor intensidade. E se, para alguns casos, tal premissa se revela inverídica, podemos contar com o argumento de que o estudo sobre elas nós auxilia na tentativa de compreender as relações estabelecidas entre as sociedades do continente africano e os outros conjuntos societários. Parece- nos certo também que algumas dessas imagens acompanham milhões de estudantes em seus cotidianos escolares.
Portanto, o exercício aqui intentado não deve se confundir com uma redução ou implosão das fronteiras temporais e históricas onde nasceram e se alimentaram essas imagens. Elas foram e serão preservadas. Dito isso, vejamos em um espelho improvisado as associações mais recorrentes sobre os africanos e a África que tiveram origem ou algum tipo de contribuição nesses movimentos imagéticos ao longo dos séculos:
● Africanos = Outro/ Estranho / Negro
(Perspectiva que se constitui já na Antigüidade Clássica, sem necessariamente estar carregada de preconceitos em relação à cor da pele e as suas práticas cotidianas, mas que revela o desconforto perante o “diferente”. Os desencontros com essa alteridade africana permanecem, apesar de se apresentarem com outras roupagens, no medievo, na Idade Moderna, na “Era dos Impérios” e nos dias de hoje).
● África = Ausência de civilizações e desenvolvimento
(Outra perspectiva lançada pelos Antigos – mesmo que o conceito e os sentidos de civilização tenham sido (re)formatados ao longo dos séculos – e repetida, com ou sem relações com o pensamento da Antigüidade – até o século XX).
● Africanos = Formas animalescas, status demoníaco, práticas antropofágicas
(Com diferentes conceitos e sentidos os africanos foram empurrados para uma condição não humana. Dos textos dos Antigos ao dos viajantes do início da era moderna, onde eram descritos em práticas e características animalescas – pela força, pela brutalidade, pelos gestos e pela linguagem -, aos olhares medievais, que os associavam as práticas de feitiçaria e aos espectros do demônio, chegando ao longo imaginário da antropofagia africana, ainda vivo nas produções cinematográficas e no imaginário geral.)
● Africanos = Escravos
(A longa duração do tráfico de escravos e do uso dos africanos escravizados na Europa, nas Américas e na própria África, associada às constantes
representações iconográficas veiculadas nas obras didáticas ou de história quando o assunto é o continente africano, ao desconhecimento da sua história, e à produção literária e cinematográfica sobre o tema, perpetuam a imagem híbrida escravo/africano).
● Africanos = Primitivos / Selvagens / Inferiores / Tribais
(Com ingredientes anteriores, essas imagens se consolidam ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX, pelas idéias geradas pelos filósofos do iluminismo, e, principalmente, por antropólogos, historiadores e cientistas ao longo dos outros dois séculos. A dominação colonial registrou em ampliou esse acervo). ● África = apartheid/racismo/raça negra
(Articulados às imagens geradas nos últimos dois séculos, os postulados da inferioridade africana ou da “raça negra”, fomentaram e foram alimentados, ao mesmo tempo, pelas teorias racistas e pela visibilidade negativa conquistada pelo regime excludente sul-africano e rodesiano).
● África/Africanos = superioridade/anterioridade/unidade/inventividade/raça negra (Frutos dos movimentos afrocêntricos, essas imagens buscaram inverter as referências negativas associadas aos africanos e ao continente, mesmo que seus postulados tivessem cruzamentos com as teorias eurocêntricas e as teses racistas).
● África = Conflitos/miséria/fome/epidemias/desorganização
(Faces de algumas realidades encontradas no continente, elas passaram a sintetizar e se confundir com a idéia de África circulante no dias atuais). Percorridas essas trilhas panorâmicas das representações sobre os africanos, construídas sob os mais diversos prismas, tempos e perspectivas, seria justo perguntar qual o lugar ocupado pela África nos imaginários contemporâneos português e brasileiro. Que imagens condicionam ou influenciam os olhares lançados por essas sociedades quando os objetos observados são a história e as características de milhões de indivíduos com seus conjuntos culturais múltiplos e diversos e diferentes trajetórias temporais que compõem a fronteira atlântica desses dois países? Se essas imagens coletivas não são homogêneas e nem exclusivas, elas ganham, muitas vezes, uma perspectiva generalizante e auto-informativa sobre a África.
Assim, podemos acreditar que estereótipos, preconceitos, informações positivas ou abordagens reflexivas sobre os africanos possam se confundir nos exercícios e abordagens propostos a milhões de jovens em seus cotidianos escolares quando o assunto em enfoque é a África. Para continuarmos nossos diálogos sobre o ensino da história africana pelo atlântico de língua portuguesa, vejamos alguns dos ingredientes que estão presentes na composição das representações sobre os africanos e a História da África nos universos específicos dos imaginários coletivos em Portugal e no Brasil. Essa é a tarefa de nossos próximos capítulos.