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2. Theoretical Framework

2.2 The Sense of Coherence

A capital do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, na região sudeste do Brasil é a sexta maior cidade brasileira em números de habitantes com

(1)

população estimada em 2016 em 2,5 milhões (IBGE, 2000). É delimitada a sul pela Serra do Curral, que se destaca na paisagem da cidade. Localizada na Bacia do São Francisco, a cidade possui dois cursos d'água principais, os ribeirões Arrudas e Onça, afluentes do rio das Velhas, que atravessam a cidade aproximadamente de oeste para leste. A maior parte dos cursos d'água tem suas nascentes no limite municipal. Belo Horizonte situa-se em zona de transição dos biomas da Mata Atlântica e do Cerrado, sendo que a sua cobertura vegetal original é caracterizada por formações florestais e campestres, predominando, atualmente, a existência de formações secundárias (LARA e ALMEIDA, 2008).

As experiências em agroecologia surgiram na capital mineira em 1995 por influência da Agenda 21 e pelo ECO 92, uma Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento em que a ONG Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas (REDE) junto com o poder público iniciou um projeto de desenvolvimento e meio ambiente no município, pois o êxodo rural ainda era latente em virtude da modernização da agricultura. Foram criados cinco Centros de Vivência Agroecológica (CEVAE's) distribuídos nas regiões norte, leste, oeste, noroeste do município com foco na agricultura urbana, segurança alimentar, educação ambiental, saúde e geração alternativa de renda. Os CEVAE's são regulamentados pela Deliberação Normativa 001 de 2000 como política de meio ambiente e segurança alimentar (TELLES, 2006).

A Rede Terra Viva, inserida também nas discussões agroecológicas, iniciou-se em 1995, um empreendimento de economia solidária que estabeleceu alianças entre produtores e consumidores de alimentos e produtos que respeitem à saúde, as relações humanas e o meio ambiente. A Rede Terra Viva tem como objetivos: (1) Incentivar a integração entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva e de consumo de produtos agroecológicos, orgânicos e artesanais; (2) Oferecer produtos saudáveis, isentos de insumos químicos; (3) Regionalizar a produção e comércio desses produtos; (4) Praticar economia solidária em uma organização em rede autogestionada; (5) Implementar sistema de controle participativo da produção e proporcionar formação e assessoria técnica aos produtores em transição agroecológica; (6) Promover o uso saudável dos bens naturais; (7) Reciclar resíduos, reduzindo o emprego e consumo de recursos não renováveis.

A Feira Terra Viva faz parte das ações da Rede Terra Viva e começou a vender em 2006. Na Feira são comercializados produtos oriundos do trabalho de 60 produtores vindos de associações, cooperativas, assentamentos e agricultores familiares e urbanos. Os produtos oferecidos são categorizados em: alimentos orgânicos certificados, agroecológicos, artesanais, produtos naturais de saúde, higiene e beleza, artesanatos e produtos de conscientização. Atualmente a Feira Terra Viva ocorre na região central de Belo Horizonte no bairro Floresta, todos os sábados4.

3.3.2 Mercadinho Agroecológico Tá Caindo Fulô (Distrito de Santana do Riacho)

O Mercadinho Tá Caindo Fulô é uma Rede Solidária de pequenos produtores rurais e cultivadores dos quintais, artesãos e artistas da região, localizado no distrito de Santana do Riacho conhecido como “Serra do Cipó” no território da Serra do Cipó/MG, região sul da Cordilheira do Espinhaço, há 100 km de Belo Horizonte. Foi inaugurado em julho de 2015. É um mercado fixo, sem fins lucrativos, com produtos tradicionais e naturais da região. Seu objetivo é organizar e fortalecer os produtores familiares, os artesãos, a cultura e a força da identidade local, visando a melhoria da qualidade de vida e incentivar a mobilização da comunidade e desta maneira fortalecer as relações sustentáveis entre os seres humanos e a natureza.

A Rede Solidária é formada por 65 agricultores/as que moram nas comunidades rurais de Santana do Riacho, Jaboticatubas e Conceição do Mato Dentro e também agricultores/as urbanos/as desta região. É um ponto central para os consumidores dos produtos agroecológicos, que moram e trabalham nos hotéis, restaurantes, pousadas, escolas e turistas que frequentam a região. A Rede funciona com base na gestão participativa, com uma equipe de seis pessoas que cuidam da administração, do atendimento, da comunicação, da organização do espaço, dos eventos culturais, da decoração e da coordenação

4 FEIRA TERRA VIVA. Início. Disponível em: <

geral. Este mercado social funciona de terça a sábado, como um canal de comercialização que permite o escoamento da produção dos agricultores. Os produtos comercializados são classificados em verduras e legumes; plantas alimentícias não convencionais; plantas medicinais; produtos processados; produtos de origem animal; temperos; raízes; frutas; congelados; conservas; plantas (mudas de espécies nativas, ornamentais e flores); e, produtos artesanais. Além da venda dos produtos, há também atividades de arte e cultura.

O Mercadinho é o resultado de um antigo desejo da comunidade de ter um local para fortalecer a criação, no dia a dia, de uma sociedade mais justa e mais ecológica, baseados em princípios do mercado justo, da economia solidária, da agroecologia, e, sobretudo, da sabedoria popular5.

3.3.3 Feira Raízes do Campo - a feira agroecológica de Jabó (Jaboticatubas)

A Feira Agroecológica da Agricultura Familiar Raízes do Campo localizada em Jaboticatubas/MG, também na Serra do Cipó/MG, região sul da Cordilheira do Espinhaço, há 65 km de Belo Horizonte, surgiu a partir do Projeto Nessa Terra Tudo Dá realizado em 2012/2013 pela AMANU6 - Educação,

Ecologia e Solidariedade e pelo Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA BRASIL). A AMANU, associação civil, sem fins lucrativos, fundada em 2007 a partir da reunião de integrantes de três grupos de autônomos que atuavam na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais: o Uirapuru - Filosofia e Educação, o Grupo Aroeira - Ambiente, Sociedade e Cultura, e o Tecer - Grupo de Estudos em Educação de Jovens e Adultos.

O projeto Nessa Terra Tudo Dá foi realizado em 21 comunidades e trabalhou com 316 pessoas. A partir de um diagnóstico participativo realizado

5 MERCADINHO CAINDO FULÔ. Sobre nós. Disponível em:

<http://tacaindofulo.wixsite.com/serradocipo>. Acesso em: 19 abr. 2017.

6 “Sendo a amanualidade a capacidade que temos de, conhecendo e projetando,

transformar pelo trabalho de nossas mãos a natureza dada em uma segunda natureza, nossa casa, escolhemos este conceito como referência para o nome "Amanu", já que ele aponta uma necessidade com a qual lidamos: precisamos ser criativos e abertos o suficiente para, ancorados na diversidade de recursos e de culturas, construir moradas que respeitem a natureza e os homens” (fonte: https://www.associacaoamanu.org/quemsomos).

nas comunidades identificou-se, entre outras questões, que para o (a)s agricultore(a)s o CEASA era praticamente o único canal de comercialização conhecido e este não era adequado para a realidade dos agricultores familiares e, devido à grande diversidade de produtos feitos nas comunidades havia necessidade de acessar outros tipos de mercados. Foi então, após a apresentação das possibilidades de mercados tantos de proximidade quanto institucional, o(a)s agricultore(a)s familiares optaram pela venda direta e escolheram a Feira Livre como o mercado em que dedicariam seus esforços em organizar (CRUZ, 2016).

Desse processo, organizou-se a Feira Raízes do Campo que tem como objetivos: (1) Oferecer oportunidades aos agricultores familiares de Jaboticatubas, de forma que tenham um espaço de encontro com os consumidores para mostrarem seus produtos, aumentar a renda vinda da propriedade e gerar oportunidades para que a juventude possa continuar no campo, garantindo assim a permanência no campo das comunidades rurais de Jaboticatubas; (2) Oferecer alimentos diversificados e saudáveis para a população de Jaboticatubas e arredores, contribuindo para a melhoria da saúde ao oferecer um alimento sem uso de agrotóxicos, resgatando e mantendo a cultura da região no que diz respeito aos saberes de plantio agroecológico, consumo, culinária e artesanato; (3) Garantir a relação direta entre consumidores e produtores, de modo que os agricultores fiquem com a renda do que produzem, que produtos saudáveis estejam acessíveis a todos e que todos saibam como os produtos são produzidos e que tipo de empreendimento estão apoiando ao consumir; (4) Preservar o ambiente, as matas nativas e a saúde de todos, não contaminando as águas, solos, animais e pessoas com agrotóxicos; (5) Mostrar à população e às autoridades que há opções de desenvolvimento local sustentável para Jaboticatubas, que os agricultores são capazes e precisam ser apoiados; (6) Oferecer atividades culturais e educativas para a população de Jaboticatubas e arredores durante a feira sempre que possível; (7) Reconhecer e valorizar a vida no campo e os agricultores e agricultoras de Jaboticatubas.

Os produtos da Feira Raízes do Campo são diversos como frutas, verduras, legumes, alimentos de origem animal, alimentos processados, artesanatos, entre outros. A Feira ocorre duas vezes por mês, quinzenalmente, na Praça Nossa Senhora da Conceição, no centro da cidade.