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Chapter 3: Methodology

3.2 Reflexivity, situatedness and biasness

3.2.1 The reflexive rhythm of abductive interpretivism

Nossa questão central de pesquisa é: Como se deu o processo de formação de professores de Matemática na primeira instituição de ensino superior do norte do estado de Minas Gerais no período de 1960 a 1990?

Justificamos a importância dessa questão considerando, primeiramente, que, não há, até o momento, trabalhos acadêmicos sobre a história da formação de professores de Matemática na região de Montes Claros – norte de Minas Gerais.

Esclarecemos que, por meio de levantamento bibliográfico, identificamos no banco de teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES) e, também, no banco de dados da Biblioteca Central da UNIMONTES, trabalhos que discutem a questão do ensino superior em Minas Gerais e no norte de Minas, abordando a criação da FUNM27. Encontramos, também, um artigo28 que trata da primeira licenciatura em Matemática do Estado, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Minas Gerais, mas não focaliza a formação de professores de Matemática na primeira instituição de ensino superior do norte de Minas Gerais.

Como já foi dito, nosso trabalho integra o projeto de amplo espectro de mapeamento da formação e atuação de professores de Matemática no Brasil em desenvolvimento pelo Grupo de Pesquisa História Oral e Educação Matemática – GHOEM. Também já foi comentado que diversas investigações foram concluídas e outras estão em andamento nesse grupo, focalizando várias regiões brasileiras. Uma primeira forma de justificar nossa proposta de pesquisa reside, então, na possibilidade de contribuir para esse mapeamento abordando o estado de Minas Gerais, até agora não contemplado no projeto. É

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Trabalhos de: Doutorado – A influência das lideranças políticas no processo de criação das instituições federais de ensino superior de Minas Gerais de Ilva Ruas Abreu (2006), da FAFICH/UFMG; Mestrado – A criação da universidade do Estado de Minas Gerais pela IV Assembléia Constituinte Mineira de 1988/89 de Alexandre Borges Miranda (1998), FaE/UFMG; Ensino Superior e Desenvolvimento Regional: discursos produzidos em prol do desenvolvimento regional por ocasião da implantação da Fundação Universidade Norte-Mineira - FUNM, na década de 1960, na cidade de Montes Claros – MG de César Rota Júnior (2010), do PPGDS/UNIMONTES; Ensino Superior Brasileiro: expansão e transformação a partir dos anos 1990, de Christine Veloso Barbosa Araújo (2014), do PPGDS/UNIMONTES.

28 Trata-se do artigo de Ana Cristina Ferreira, intitulado A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Minas

Gerais e a Primeira Licenciatura em Matemática do Estado, que compõe o livro Histórias de Formação de Professores que ensinaram Matemática no Brasil, da Editora Ílion, publicado em 2012.

importante ressaltar que essa primeira incursão pelo território mineiro se refere à sua região norte, onde, embora a primeira instituição universitária tenha sido implementada somente em 1963, apenas cinco anos depois, em 1968, nela já se estabelecia um curso superior destinado a formar professores de Matemática. O período de instalação desse curso coincide com aquele em que se dá a interiorização dos cursos de Matemática no estado de São Paulo, com o surgimento de vários desses cursos em instituições públicas e privadas (MARTINS-SALANDIM, 2012). De maneira mais geral, é também o momento em que se conjugam condições institucionais para a efetiva criação da instituição universitária no Brasil. Como afirma Luiz Antônio Cunha (2007b), tais mudanças se tornaram possíveis por meio da repressão político-ideológica dos governos militares no país. Trata-se, concomitantemente, de um período de expansão da rede escolar brasileira, o que implicou a necessidade de habilitar um número maior de professores para atender a essa expansão.

Estudar a formação de professores de Matemática na região de Montes Claros, no período 1960-1990, envolve, portanto, tentar compreender de que maneira se realizou esse processo de crescimento da oferta da educaçãoem um lugar específico do interior de Minas Gerais, situado a uma distância considerável (cerca de 430 km) da capital do estado.

Envolve, ainda, trabalhar na direção de ultrapassar, como se tem verificado nas pesquisas do GHOEM, as perspectivas mais comuns da historiografia concernente à formação dos professores de Matemática no Brasil, que tomam como lócus privilegiado alguns centros urbanos e a constituição da Universidade de São Paulo e da Universidade do Distrito Federal na década de 1930 como vetores que direcionam o desenvolvimento de todas as instituições formadoras desde então (GARNICA, 2010).

Nessa perspectiva, faremos uma entrada no período que se estende da década de 1960 até o final da década de 1980, para abordar a implantação do primeiro curso de Licenciatura Plena em Matemática na FAFIL, instalado na cidade de Montes Claros, norte de Minas Gerais, e procurar compreender como ocorreu o processo, a dinâmica da formação de professores de Matemática. Algumas indagações compuseram, inicialmente, nossa proposta de pesquisa. O que se caracteriza como determinante para a implantação de um curso de Licenciatura em Matemática? Em que condições esses cursos foram implantados? Quem eram seus professores? Qual a sua formação? Como atuavam esses

professores? Quais práticas compunham o ensino de Matemática da década de 1960 até o fim da década de 1980? Que modelo de formação de professores de Matemática essa instituição defendia? Em que condições ocorreu essa formação? Houve mudanças? O que se manteve no curso de Matemática de sua implantação (anos 1960) até a época da estadualização da instituição que o agregava (final dos anos 1980)?

Consideramos que a abordagem histórica é significativa para a compreensão sobre os processos de formação de professores de Matemática, haja vista que ela pode contribuir para o aprimoramento das práticas; para o compartilhamento de experiências; para campos de reflexão. Nesse sentido, Garnica (2004, p.153) afirma que conhecer o passado da formação de professores “[...] ou as várias versões que constituem “o” passado [...] é uma das condições sine qua non para que possamos construir possibilidades de análise quanto ao que se transforma e ao que permanece, sem o que estaríamos continuamente a reinventar a roda”. A reconstituição dos cenários de formação de professores é essencial para presentificar ausências; identificar em que medida os saberes dos primeiros professores do curso que estudamos contribuíram para a formação de outros professores de Matemática; compreender as dificuldades e/ou facilidades encontradas nesse processo, dentre outros aspectos.

Temos a clareza de que o fazer historiográfico é marcado por continuidades e descontinuidades, e o lugar da construção histórica, conforme Benjamin (1993, p. 229), “não é o tempo homogêneo e vazio, mas um tempo saturado de agoras”, de divergências e convergências, de transformações e permanências, do ser sujeito individual e coletivo, quebrando linearidades, compartimentalizações, hierarquizações dos saberes em diferentes tempos e lugares.