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The principle of "Good Faith" and "Loyalty"

5 NORMATIVE CONSIDERATIONS

5.1 The principle of "Good Faith" and "Loyalty"

Para além dos aspectos acima apresentados como parte de uma possível síntese dos capítulos anteriores, as conclusões da presente dissertação oferecem ainda a oportunidade de contribuir com algumas breves propostas de análise crítica. Destacamos quatro possíveis, entre outras que certamente haverá: uma à visão de Desenvolvimento que herdámos e três aspectos ligados à comunicação e relações com o exterior por parte do projecto de EdC.

i) Apesar da evolução da corrente de Desenvolvimento Humano e do Índice de

Desenvolvimento Humano considerar hoje indicadores não previstos no início da década passada, a fundamentação deste filão no âmbito dos chamados novos conceitos de Desenvolvimento é uma fundamentação que parte do indivíduo e das suas necessidades individuais.

Neste sentido, parece-nos um conceito herdeiro de uma visão individualista do Desenvolvimento, também ele marcado pela arquitectura do individualismo metodológico e da racionalidade económica.

Mesmo a inclusão de novos indicadores no IDH, como sejam a segurança, a liberdade, as questões de género ou a própria equidade, são apresentados como necessidades individuais. Prova disso mesmo é todo o rating estar organizado per capita, e nunca encontrarmos referências a per communitate.

Assim, não obstando os méritos da evolução do conceito de Desenvolvimento Humano e da importância que o IDH tem representando, a experiência da EdC e os postulados defendidos por este projecto no âmbito do paradigma da comunhão, do valor dos bens relacionais, levam- nos a reflectir sobre o facto desta corrente ser omissa na dimensão relacional dos homens. Tal como vimos que o mercado não é um lugar anónimo, mas de encontro entre pessoas, também o Desenvolvimento, no sentido da realização humana, não se alcança sem esse encontro. E a verdade é que a mais alta classificação no IDH não é sinónimo da mais alta classificação em experiência de fraternidade, em felicidade.

ii) Ao longo da pesquisa, quer bibliográfica, quer no contacto com membros do projecto de

EdC, foi notório um discurso sobre a necessidade e importância de colocar o Homem no centro do processo produtivo.

O contacto estabelecido com este projecto e a argumentação utilizada na defesa dos seus princípios gerais, permitem entender que este discurso do Homem no centro pretende ser uma

“contra-corrente” face ao primado do lucro, das riquezas materiais enquanto fim em si mesmas, de uma competição predadora e de tudo quanto lhes está associado na vida económica actual. Porém, dada a evolução do conceito de Desenvolvimento, designadamente por via da corrente do Desenvolvimento Sustentável, o conhecimento existente sobre o impacto das alterações climáticas na pobreza, a defesa da sustentabilidade de todas as formas de Vida existentes no planeta, o espaço crescente para a importância de uma ética ambiental, consideramos que o discurso da EdC contempla pouco este aspecto.

Não significa isto que as empresas de EdC não prossigam práticas de responsabilidade ambiental, como, aliás, está incluído nos princípios gerais da EdC (nomeadamente na cor verde do arco-íris que representa as sete dimensões da empresa). Mas é pouco presente no discurso e nas reflexões teóricas.

As opções ao nível da gestão dos recursos naturais trazem cada vez mais consequências para todo o planeta. Urge um sentido de fraternidade para com as gerações futuras e um sentido de comunhão para com todas as formas de Vida.

A EdC poderá incluir no seu discurso a Vida no centro.

iii) O testemunho da EdC ajuda a contrariar a ideia comum de que a redistribuição

desincentiva os mais ricos, que consideram que não vale o esforço se lhes é retirado o produto desse esforço. Mas será que contraria a ideia de que a redistribuição desincentiva os mais pobres a mudar de situação?

Os contactos estabelecidos com membros do projecto, membros do Movimento dos Focolares e alguns breves testemunhos apresentados na revista periódica Economia de Comunhão, uma

nova cultura, fazem-nos crer que o facto das pessoas apoiadas estarem de algum modo

ligadas ao Movimento dos Focolares - até porque é a sua estrutura que identifica as pessoas e/ou comunidades a serem abrangidas - pressupõe um acompanhamento humano integral, muito para além da ajuda material. Esse acompanhamento humano inclui uma pedagogia para a cultura do dar e para o valor da reciprocidade, uma vez que esses são aspectos presentes na espiritualidade deste movimento.

Assim sendo, de um modo geral a experiência do dom na EdC não é uma experiência que gere dependência, mas, objectivamente, existe pouca informação para sustentar esta afirmação. Qual a estratégia que está por trás das intervenções? São quase inexistentes dados concretos, publicados, sobre o impacto do projecto junto daqueles a quem pretende servir. Um aspecto que não contribui para a sua credibilização e divulgação.

iv) Por último, o nosso comentário vai também para a necessidade de um caminho a percorrer

pelas próprias empresas de EdC, no sentido de desenvolverem uma maior ligação com a sociedade civil.

O discurso da EdC, todo ele marcado por conceitos de comunhão e reciprocidade, destacando o papel dos bens relacionais na ligação a todo o tipo de stakeholders, faz-nos supor que impera uma metodologia de proximidade. Porém, no que diz respeito à dimensão da redistribuição, observamos um modus operandi bastante centralizador, dado que a regra geral é os lucros doados serem canalizados para o centro do Movimento dos Focolares em Roma e ali ser feita a sua gestão.

O sentido de pertença ao projecto de EdC e ao Movimento dos Focolares poderá explicar parte desta situação, dado o sentimento de unidade e sentido de família que experimentam os seus membros. Mas não deixa de ser pertinente referir que, de facto - considerando os contactos realizados durante esta pesquisa e o material documental analisado - não é prática geral (o que não significa que não existam casos) uma relação próxima entre a empresa de EdC e as comunidades que pretende apoiar com uma percentagem dos seus lucros. Nas entrevistas realizadas no Brasil ficou patente esta “limitação”, o que chamou mais a atenção pelo facto de ser um país com inúmeros focos de pobreza.

Por fim, não esquecendo nem desvalorizando o compromisso e a prática dos empresários de EdC na promoção de novos postos de trabalho, incluindo a pessoas com necessidades especiais, consideramos pertinente um olhar sobre novas formas de participação na comunidade, através da inclusão de empresas de EdC em redes e parcerias locais, tendo em conta as demais potencialidades decorrentes dos seus recursos endógenos. Recursos estes que podem incluir um crescente envolvimento de diversos stakeholders, algo para o qual a filosofia da EdC e a sua aposta nos bens relacionais podem contribuir.