• No results found

2.5 Responsteori

2.5.2 The Power Of Feedback

As diversas transformações que ocorreram na indústria brasileira, ao longo do período 1990 a 2006, tiveram grande impacto sobre a produtividade e a localização das firmas, que buscaram regiões com baixo custo de mão de obra, incentivos fiscais, dentre outros fatores.

Os principais resultados encontrados com relação às microrregiões especializadas foram que estas estavam mais presentes nas Regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, enquanto que diversificadas se concentravam nas Regiões Nordeste e Norte.

Dentre as cinco indústrias mais importantes, as mais presentes, no Norte e Nordeste foram as de alimentos e bebidas, que possuem em sua estrutura uma variedade de ramos industriais (laticínios, fabricação de refino de açúcar, moagem e produção de amidos, produção de óleos vegetais, processamento e preservação de frutas, padarias etc.), a de fumo, a de mobiliário e demais produtos de madeira. Observa-se, assim, que as indústrias que mais destacam-se nessas regiões são as tradicionais, caracterizando-se por serem intensivas de trabalho e menos exigentes de capital.

Já, nas microrregiões mais especializadas, mais concentradas no Sudeste, Sul e Centro-Oeste, se destacam as indústrias de extração de petróleo e gás natural; extração de carvão mineral; extração de minerais metálicos; fabricação de coque, refino de petróleo e elaboração de combustíveis nucleares, dentre outras. São, em geral, indústrias de grande porte, exigentes em capital e mais poupadoras de mão de obra.

Em termos de relocalização do emprego industrial, observou-se que o Estado de São Paulo registrou uma redução da participação do emprego industrial de 49,39%, em 1996, para 35,91%, em 2006. Ao contrário, regiões que antes tinham pouca representatividade, como Tocantins, Rondônia, Ceará, Mato Grosso e Goiás tiveram uma elevação do emprego, assim como do valor da transformação industrial.

Em relação à geração de emprego, verificou-se que a diversificação afetou positivamente a variação do emprego no período de estudo, enquanto a especialização produziu efeito contrário. Tal resultado sugere que a diversificação é mais eficiente do que a especialização na geração de renda e emprego, o que refuta a hipótese apresentada no início do estudo de que a especialização e não a diversificação contribuiria com a geração de mais empregos no país. Verificou-se, também, que o tamanho das microrregiões tem importância na geração de emprego. As microrregiões com mais de 500 mil habitantes são, obviamente, mais diversificadas, e foram responsáveis nesse período por maior geração de emprego, quando comparadas com aquelas com mais de 50 mil e 100 mil habitantes. Conclui-se então que o emprego se elevou mais em municípios de maior porte. Do ponto de vista geográfico, verificou-se que a região Sudeste teve um impacto negativo sobre a variação do emprego.

Assim como o emprego, as estimações dos salários mostraram que a variação da remuneração dos trabalhadores foi positivamente afetada pela diversificação. Já, a especialização não se apresentou estatisticamente significativa para determinação da renda e do trabalho. A maior competição local também foi favorável ao aumento dos salários. Observou-se, desta forma, que a diversificação e a concorrência local, respectivamente, são mais indutoras de crescimento e, consequentemente, de aumentos salariais.

Com relação à inovação, ea apresentou resultados contraditórios com os do modelo estimado anteriormente, pois foi a especialização que favoreceu as atividades inovativas, o que confirma a hipótese do modelo Marshall-Arrow-Romer, que prevê que a concentração de atividades especializadas é melhor para o crescimento do que a concorrência local de firmas diversas, pois o valor econômico proveniente da atividade inovativa das empresas é maximizado. Assim, quando as externalidades são internalizadas, a inovação estimula o crescimento.

Portanto, pôde-se constatar que, no caso brasileiro, as atividades de inovação foram mais influenciadas pela especialização que a diversificação, corroborando a hipótese do estudo. O conjunto de resultados pode ser resumido da seguinte forma. As Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste apresentaram microrregiões mais especializadas em indústrias intensivas em capital e poupadoras de mão de obra e com maior atividade inovativa. Já as Regiões Norte e Nordeste se caracterizaram por possuir microrregiões mais diversificadas, com maior presença de indústrias tradicionais, com menos aporte de capital, mais geradoras de emprego e com menor atividade inovativa.

Com base no resumo acima podem-se fazer algumas inferências e ressalvas sobre os resultados obtidos. Primeiro, as regiões especializadas do país não têm o mesmo perfil dos casos clássicos da Terceira Itália ou do Vale do Silício, locais onde há muita geração de externalidades decorrentes da aglomeração. Ou seja, as aglomerações especializadas no Brasil não são tão dinâmicas na geração de empregos e salários. E, segundo, no período analisado houve redução de emprego de regiões mais especializadas (Sudeste, Sul e Centro-Oeste) devido ao processo de relocalização em outras regiões, mas também devido à reestruturação industrial, o que é confirmado pela existência de maior inovação nas microrregiões mais especializadas. Tal fato sugere que a maior inovação acabou por reduzir o nível de emprego nessas localidades. Dessa forma, justifica-se em parte a falta de dinamismo das microrregiões especializadas na geração de emprego e salários.

Os resultados da pesquisa sugerem que políticas de curto prazo voltadas para geração de emprego e renda do trabalho devem focar indústrias mais tradicionais, que possuem maior capacidade de absorver mão de obra, fortalecendo, assim, microrregiões mais diversificadas. Contudo, para o médio e longo prazos, as microrregiões mais especializadas têm um papel fundamental na dinâmica econômica, uma vez que propiciaram maior inovação no período estudado. Políticas voltadas para o fortalecimento desses arranjos, criando uma conexão maior entre as empresas e entre estas e demais instituições de suporte, devem ter um impacto positivo sobre as externalidades geradas no ambiente, fundamental para uma política de desenvolvimento de longo prazo.