3. Methodology
3.1 Meteorological data – collection and processing of data
3.1.1 The meteorological weather station on Økern
O Complexo Industrial Portuário Governador Eraldo Gueiros - Suape é um projeto da década de 1960, sugerido pelo padre dominicano Lebret, que inspirado no complexo industrial portuário de Marseille Fos, na França e de Kashima, no Japão, buscava
para Pernambuco uma proposta de desenvolvimento econômico, político, educacional. Contudo, o projeto foi interrompido devido ao Golpe Militar em 1964, que pausou quaisquer políticas de desenvolvimento. Sua construção apenas teve início nos anos de 1970, através da desapropriação da área e início das obras, e da criação da empresa pública SUAPE – Complexo Industrial Portuário, a partir de muita obstinação dos governos do estado, uma vez que Suape não constituiu prioridade dos planos desenvolvimentistas do regime ditatorial. As obras de infraestrutura, porém, somente vieram se efetivar na década de 1980, com a construção do Porto e a vinda de empresas de petróleo para a região (OLIVEIRA, 2013; GODOY, 2014; SUAPE, 2014b).
Contudo, apenas na década de 2000, especificamente a partir de 2003, com o Governo Lula, o Complexo desenvolve de forma mais abrangente suas atividades. Em 2004, por exemplo, é lançado na região um centro de treinamento com a finalidade de promover a inclusão educacional dos moradores e trabalhadores da região. Em 2007, Suape, a partir das políticas de investimento econômico do PAC, recebe grandes incentivos nacionais e internacionais. É o momento do boom econômico na região (OLIVEIRA, 2013; GODOY, 2014).
Hoje, o complexo pode ser considerado como a maior plataforma desenvolvimentista do Nordeste, pois concentra o maior número de investimentos na região, com mais de 100 empresas e tendo o território em que se localiza, apresentando números, a exemplo do PIB, que ultrapassam os estaduais e regionais. Este território ficou conhecido em 2006, em uma tentativa de minimizar os impactos da instalação de grandes indústrias na região (minimizar através de políticas públicas, por exemplo) como Território Estratégico de Suape (TES) e engloba oito munícipios: Cabo de Santo Agostinho, Escada, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes, Moreno, Ribeirão, Rio Formoso e Sirinhaém (GODOY, 2014), sendo Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho os principais observados, pois são nestes munícipios que a maioria das indústrias se concentram, conforme a Figura 1.
Apesar de serem as cidades do Cabo de Santo Agostinho e de Ipojuca as que concentram a maior planta industrial, os impactos da industrialização na região são sentidos por todas as cidades que formam o TES, pois o crescimento e as transformações nestas cidades se deram de forma bastante rápida, após a implantação dos investimentos do PAC em Suape. A região, marcada pelo trabalho na terra, especialmente o corte de cana, e pela pesca, tem, com as políticas de investimento citadas, recebido grande fluxo de migrantes, especialmente do campo para a cidade, que se desloca, a princípio, com vistas ao trabalho na construção civil, sendo em sua maioria, trabalhadores do sexo masculino. As consequências,
conforme argumenta Godoy (2014), ademais das condições precárias sob as quais esses trabalhadores se instalam, despojadas as cidades da infraestrutura social e urbana necessárias para recebê-los, aparecem no aumento do número de prostituição infantil, da violência, do consumo de drogas, das ocupações irregulares, construídas em áreas de preservação ambiental, do aumento da especulação imobiliária, levando ao processo de favelização em algumas áreas, etc. Além destas consequências, que agem diretamente na urbanização das cidades, também é possível falar em um abandono da agroindústria da cana, visto que os trabalhadores migram para as cidades em busca de melhores condições de vida (GODOY, 2014).
Figura 1 - Território Estratégico de Suape
Fonte: Agência CONDEPE/FIDEM, extraído de
http://escadaedesenvolvimento.files.wordpress.com/2011/03/terr-suape.png
Por outro lado, o Governo Estadual, em parceria com o Federal investiu em cursos profissionalizantes na região, instalando o SENAI e Institutos Federais, com a oferta de diversos cursos técnicos advindos do programa do Governo Federal, Pronatec, em uma tentativa de qualificar a mão-de-obra da região, que era predominantemente agrícola. Essa é uma questão que se encaixa na política desenvolvimentista do país, que, por um lado busca atender as demandas das empresas, que buscam pessoal qualificado, e por outro, as demandas dos trabalhadores, que buscam se inserir no mercado (OLIVEIRA, 2013; GODOY, 2014).
Em Suape são empregados, atualmente, mais de 25 mil trabalhadores diretos, grande parte deles na construção civil, sendo o Complexo conhecido como um grande canteiro de obras, sendo as obras de construção da refinaria Abreu e Lima o grande centro concentrador dessa força de trabalho. Com a finalização das etapas de construção, estes trabalhadores estão, aos poucos, sendo desmobilizados e se prevê que essa desmobilização poderá ser a maior da história, passando, inclusive, dos números de desmobilizados na construção de Brasília (GODOY, 2014), um gargalo social que sempre acompanhou os grandes projetos de industrialização/urbanização do país e para o qual os governos não têm planejamento.
As consequências do crescimento desordenado na região, configuram-se num verdadeiro caos urbano e social, pois se de um lado as cidades têm, por exemplo, seus PIB’s elevados, esses não se transformam nos investimentos em infraestrutura social e urbana necessários, não se revertendo em efeito positivo direto algum para os trabalhadores. Por outro, com oferta de trabalho abundante, mormente de baixa qualificação ou ofertando qualificação redundante ou desnecessária às empresas, predomina um padrão de relações de trabalho autoritário e de baixa remuneração, ao qual, ainda que com alguma resistência, como demonstra Oliveira (2013) ao analisar as greves dos trabalhadores da construção civil em Suape, os trabalhadores se acostumam com um padrão remuneratório maior e que, ao fim das obras, lhes é retirado (OLIVEIRA, 2013; GODOY, 2014).
Estas greves demonstram a insatisfação que cresce na região. Oliveira (2013) resume bem a situação ao argumentar que as mobilizações dos trabalhadores, além de buscarem os benefícios imediatos atinentes aos salários/benefícios, também devem procurar as demandas sociais que lhes são necessárias. Exemplo destas manifestações foram as greves dos trabalhadores do Estaleiro Atlântico Sul, o maior estaleiro da América Latina, que será apresentado no próximo ponto deste trabalho.