Anísio Teixeira (1963) vislumbra que o mestre do futuro será algo como um operador dos recursos tecnológicos modernos para a apresentação e o estudo da cultura moderna, e estando rodeado e envolvido pelo equipamento e pela tecnologia produzida pela ciência, não lhe será difícil ensinar o método e a disciplina intelectual do saber que tudo isso produziu e continua a produzir. Afirma ainda que a escola do amanhã lembrará muito mais um laboratório, uma oficina, uma estação de televisão do que a escola de ontem e ainda de hoje. Entre as coisas mais antigas, lembrará muito mais uma biblioteca e um museu do que o tradicional edifício de salas de aulas. E, como intelectual, o mestre de amanhã, nesse aspecto, lembrará muito mais o bibliotecário apaixonado pela sua biblioteca.
Esta pesquisa surgiu com a finalidade de avaliar o papel da Biblioteca Universitária como espaço de produção e de estímulo para criação do conhecimento. A partir dos textos e entrevistas realizadas, pôde-se constatar que o espaço da biblioteca está sendo discutido e reformulado a partir das novidades tecnológicas e da própria discussão do papel da universidade em nossa sociedade.
Criar o futuro como qualquer mudança, vai ser trabalho duro, repleto de adversidades. Para conseguir sucesso, deve-se investir no desenvolvimento do que fazer e como fazê-lo com as capacidades das pessoas que compõem as Bibliotecas Universitárias. De maneira eficaz, orientadas para o crescimento, o tipo de organização que pode criar o futuro que imagina.
O futuro das Bibliotecas Universitárias mantém relação com o passado e o presente. Portanto, as previsões apresentadas por autores e gestores entrevistados não são necessariamente cumpridas por igual para todos. Também não é uma imagem completa que está sendo oferecida, porque nem todos os aspectos cruciais foram analisados. No entanto, apesar disso, o esboço feito pretendeu ajudar a avaliar, tomar decisões e ver o futuro.
Os serviços de biblioteca e a área da ciência da informação devem demonstrar uma atitude mais pró-ativa, a fim de reivindicar um papel de liderança: desenvolver seus próprios projetos no campo específico e divulgá-los, criar portais e blogs que descrevam os projetos de
interesse em sua instituição, manter ferramentas de diretórios e recursos, não ter somente repositórios com documentos e publicações, mas também outros resultados da atividade científica (portais, blogs, bases de dados, materiais educativos), incluindo entre seus interesses a criação cultural. A construção de bibliotecas digitais enriquecidas com marcação semântica pode representar uma expansão muito importante nesse campo.
Atualmente, o acesso à web a partir de dispositivos móveis está consolidado. As aplicações de tais dispositivos estão em pleno desenvolvimento. O mercado de tecnologia está evoluindo, com insistente lançamento de novos e melhores dispositivos com apresentações. Não se deve perder de vista a realidade apresentada por cada biblioteca, seus ambientes internos e externos e o tipo de usuários que tem acesso a eles. A tecnologia móvel oferece a possibilidade de quebrar as barreiras físicas da biblioteca, como já foi demonstrado. Também promete mudar os hábitos e como obter a informação se tornando cada vez mais acessível a partir de qualquer lugar e, portanto, também transforma a maneira como as pessoas utilizam os serviços de biblioteca.
Para Castoriadis (1997),
[...] pensar não é sair da caverna nem substituir a incerteza das sombras pelos contornos nítidos das próprias coisas (...) é entrar no labirinto (...). É perder-se em galerias que só existem porque as cavamos incansavelmente, (...) até que se abra, na parede, fendas por onde se possa passar.
Para as Bibliotecas Universitárias, essas fendas começaram a surgir muito fortemente no final do século XX e o grande desafio é criar novos espaços para que elas sejam de fato,
espaço de produção e de estímulo para criação do conhecimento; que assumam o papel de ajudar a universidade e seus estudantes a viverem à altura de seu tempo e não se deixar apequenar nas tarefas de uma gestão automatizada pelo excesso de informações que pouco tem transformado e democratizado essa instituição.
Sugestões e Recomendações
Com base nesta experiência de investigação e os conhecimentos adquiridos a partir deste exercício exploratório, que tentou responder algumas questões, mas que suscitou outras, o pesquisador sugere:
Aprofundar em pesquisas e apresentar experiências em outras Bibliotecas Universitárias fora do país e o que se tem discutido sobre esse papel menos focado na tecnologia e mais nas interações com os usuários;
Desenvolver novos estudos comparativos internacionais;
Estudos mais aprofundados com gestores de Bibliotecas Universitárias do Brasil; Pesquisas quantitativas com os profissionais de bibliotecas universitárias, para compor
um cenário verdadeiramente nacional;
Pesquisas com usuários, para investigar esse novo perfil que surge e quais as reais necessidades informacionais;
Pesquisas sobre novas atividades que estão sendo desenvolvidas nas Bibliotecas Universitárias com aspectos culturais;
Investigar e desenvolver mais estudos para analisar os princípios teóricos das comunidades de usuários acadêmicos;
Verificar como os bibliotecários atuam na formação dos estudantes e com os pesquisadores, não apenas nos aspectos formais da apresentação dos trabalhos, mas no processo da pesquisa, ou seja, da formulação do problema à consolidação dos resultados;
Identificar novos espaços de Bibliotecas Universitárias que estão sendo projetadas e construídas com o novo paradigma da não existência de acervo físico;
Analisar os impactos das novas tecnologias no estudo sobre usuários de Bibliotecas Universitárias.
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APÊNDICE A
ROTEIRO DA ENTREVISTA
1. Fale da BU como espaço que inspira estudo e aprendizagem ou pesquisa.
2. Fale da BU como local confortável e convidativo.
3. Fale da BU como espaço comunitário para a aprendizagem e estudo em grupo.
4. Como você percebe os impactos sociais das TICs na BU?
5. Como o uso das TICs trouxe mudanças na relação entre bibliotecário e usuários? Explique.
6. Qual a sua opinião acerca das novas habilidades e práticas necessárias ao profissional que atua em BU?