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The Knowledge Promotion Reform and the Education Act

4. Using Kaffir Boy in VG3 Social Studies English

4.1 The Knowledge Promotion Reform and the Education Act

Theodore Schultz (1964) dizia que as famílias pobres não são menos preocupadas com o futuro de seus filhos do que as famílias ricas. Segundo o autor, embora não haja uma compreensão clara da importância da educação para o crescimento da sociedade - nas palavras de Schultz, o valor econômico da educação - o que faz com que estas famílias invistam menos na educação de seus filhos é, simplesmente, a falta ou limitação de recursos financeiros. Por outro lado, alguns estudos referenciados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE (2007) apud Cerdeira (2009) afirmam que as famílias de baixos rendimentos habitualmente superestimam os custos e subestimam os retornos do ensino superior, ou seja, na percepção destas famílias, o investimento não compensa.

Todavia, os dados coletados permitem-nos constatar as duas realidades, porém, com maior ênfase, a primeira posição, em que as famílias valorizam o ensino superior, mesmo aquelas cujos filhos não prosseguiram nos estudos. Nas posições de todos os jovens, bem como de suas famílias, prevalece uma associação do ensino superior a maiores níveis salariais, melhores condições de emprego e melhor qualidade de vida. Uma outra posição freqüente, principalmente na visão dos pais, é a associação do ensino superior à realização de um sonho, uma conquista, quando

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muitos afirmaram que a realização estava associada ao fato de que ele – o jovem entrevistado – seria o primeiro da família a cursar ensino superior.

A associação do ensino superior à aquisição de cultura e conhecimento foi mais freqüente entre os menos jovens, ou seja, aqueles que ingressaram na educação superior antes de 2000 e já estão inseridos no mercado de trabalho. Entre estes houve também a associação do ensino superior à estabilidade financeira. Interessante notar que as respostas se assemelham em todos os grupos, tanto entre as famílias e jovens que cursaram ensino superior como entre aqueles que não prosseguiram nos estudos. Um número mínimo de entrevistados responderam que suas famílias não valorizavam os estudos e dava mais ênfase ao trabalho braçal. Cerdeira (2009) afirma que, muitas vezes, os parcos recursos e a baixa escolaridade resultam numa incapacidade de avaliar o futuro, o que resulta em investimento limitado na educação dos filhos. Chama a atenção o relato de uma participante, que considerava o ensino superior algo inatingível:

Se é importante? É sim! Mas acho isso hoje. Antigamente fazer faculdade era coisa pros filhos dos outros. Parecia muito distante. A gente ouvia que o filho do fulano estava fazendo e achava o máximo. Mas parece que era coisa pros outros, parece que não era pra gente. Ninguém falava muito nisso. AAR – 42 anos – Cantineira de escola – grupo 4, não tem ES.

De acordo com Becker (1993), a questão da escolaridade teria o potencial de não só ampliar oportunidades de emprego, mas, também, a capacidade de influenciar nas escolhas dos indivíduos. A incapacidade de avaliar, a longo prazo, a importância da educação, aliada à cultura familiar, parecem ter atuado no sentido de fazer com que AAR construísse uma idéia de que o ensino superior seria algo difícil e distante. Ainda nesse sentido, Marshal (1985 apud Cerdeira, 2009) afirma que a falta de instrução retira das pessoas a possibilidade de vislumbrar mudanças e reprogramar o seu futuro.

Entre as respostas, surpreendem também aquelas em que os jovens disseram valorizar o ensino superior, mas preferiram não cursar porque não gostavam de estudar. E surpreendem mais ainda respostas de jovens que concluíram ensino superior e afirmam não considerá-lo importante, como no seguinte relato:

Importância nenhuma, pois não atuo na área que escolhi. Meu curso superior serviu somente pra eu adquirir conhecimento. Pro mercado de trabalho não adiantou nada. ECS – 32 anos – Ciências Biológicas – ingresso em 1997 – grupo 3.

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Embora o jovem tenha afirmado não atribuir “importância nenhuma” no seu curso superior, o mesmo afirma, paradoxalmente, que a conclusão do ensino superior lhe serviu para adquirir conhecimento. Ora, não seria a aquisição de conhecimento uma conquista importante? Não seria a conclusão do ensino superior uma possibilidade de, conforme apontado por Becker (1993) alterar as preferências e fazer escolhas de vida mais saudáveis? De acordo com Sem (1997, apud Beblingtton, 1999), a posse de capital humano não significa apenas que as pessoas produzem mais e de forma mais eficiente, mas dá-lhes a capacidade de engajar-se mais fecunda e significativamente no mundo.

Houve, ainda, jovens que afirmaram considerar o ensino superior algo importante, mas não essencial, justificando que não tem ensino superior, mas seus salários equiparam-se ou ultrapassam os salários de quem estudou, conforme a seguinte fala:

É importante para adquirir cultura e conhecimento, porém, não é essencial, pois hoje não possuímos formação de nível superior e temos nossas profissões com pessoas que exercem a mesma atividade, possuem o mesmo salário e formação escolar diferente. RPL, 27 anos – funcionária pública municipal, grupo 2.

A postura da jovem RPL, retrata o pensamento de outros sujeitos participantes da pesquisa, segundo os quais, maiores níveis de escolaridade estariam relacionados somente a melhores salários, empregos menos insalubres e melhores posições sociais. No entanto, é válido salientar, mais uma vez, algumas constatações dos estudos de Becker (1993), segundo os quais, pessoas mais instruídas tendem a manter hábitos de vida mais saudáveis e, inclusive, tendem a otimizar seus gastos, uma vez que aumentam sua capacidade de avaliar o presente e planejar o futuro.

É importante salientar, porém, que as posições de não valorização do ensino superior compõem uma minoria de respostas, tendo a grande maioria dos resultados revelado posturas mais positivas. Tal constatação vai ao encontro das proposições de Schultz (1964), segundo o qual o não investimento em capital humano não seria necessariamente uma questão de escolha, mas de limitação de recursos.

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